Lyvia Porto Picanço Orientadora: Prof. Esp. Tatiana da Silva Gonçalves Arquitetura e Urbanismo “Um espaço de transição para reconstrução de vínculos e afetos” Caderno de Investigação Trabalho de Graduação-2026 Centro Universitário Teresa D’Ávila
4. Metodologia DedicatóriaEste caderno dedico à minha mãe, Maria de Fátima, mulher guerreira que criou quatro meninas sozinha, que sempre estendeu as mãos às famílias em vulnerabilidade e carregou no peito um coração que nunca soube ser pequeno, ao meu pai, Marco Cesar, já falecido, pela firmeza que deixou como herança, pela justiça que guiava seus passos e pela coragem de sempre se colocar ao lado dos mais fracos, pela lealdade que não abandonava ninguém e pela frase que ecoa como guia: “com humildade e coragem conquistamos grandes coisas na vida”, ao meu primeiro amor de infância, Alexsander Vitor, pela bondade mansa e pela compaixão sincera com as crianças e adolescentes, por enxergar neles o que muitos ignoram, ao meu avô Silvério, eterno, baiano, e à Bahia que vive em mim como um lugar que não se apaga, lindo, quente e inesquecível, à pureza de carregar no sangue o Nordeste e as palavras que sempre habitaram dentro da minha casa, aos meus amigos que se foram, levados não só pela morte, mas pela falta de estrutura, pela ausência que machuca e explica tanta coisa sem nunca justificar, porque, no fundo, eu entendo: somos todos Capitães de Areia, crianças e adolescentes perdidos tentando segurar sonhos com as mãos, buscando esperança enquanto o destino permanece incerto, às crianças e adolescentes da Casa de Abrigo Irmãzinhas, às quais meus pais dedicaram tanto de si, às crianças e adolescentes do meu bairro Vila Regina Célia, e à Casa Lar Esmeralda, onde tive o privilégio de conhecer histórias, nomes e olhares que não se esquecem. Este caderno é por todos vocês. 1
2 Como enxergar o outro se você já não consegue enxergar a si mesmo?
3 1. Organizações e Lei de Proteção à infância Sumário 2. Introdução 2.1 História do abandono de crianças 2.2 Contextualização 2.3 Problema de Pesquisa 3. Justificativa 4.1 Objetivo Geral 4.2 Objetivos Específicos 4. Objetivos 5.1 Tipo de Pesquisa 5.2 Procedimentos e Etapas 5.3 Instrumentos Utilizados 5. Metodologia 6.1 Conceitos Fundamentais 6.2 Autores e Teorias 6.3 Referencial e Projeto 6. Referencial Teórico 7.1 Apresentação do Caso 7.2 Análise Crítica 7. Estudo de Caso 8. História de Cruzeiro 8.1 Linha do Tempo da cidade de Cruzeiro 1.1 Organizações e Lei 1.2 Lei de proteção à criança e ao adolescente 3.1 Relevância do Tema 3.2 Contribuição Social 3.3 Motivação de Escolha
11.1 Microclima 11.2 Levantamento Fotográfico 4 9. Localização 10.1 Mapa de Cruzeiro-SP 10.2 Mapa de eixos estruturantes 10.3 Mapa de Zoneamento 10.4 Mapa Espacial 10.5 Mapa de acessos 10.6 Mapa de Transporte Público 10.7 Localização 10.8 Análise do Clima 10.9 Mapa de acessos 10.10 Mapa de ruas do entorno 10.11 Mapa de intensidade 10.12 Mapa de vegetação 10.13 Mapa de Uso do Solo 10. Área de Intervenção 11. Levantamento da área de intervenção 12.1 ideia Geral 12.2 Fundamentação 12.3 Tradução Espacial 12. Conceito 13. Partido 9.1 Localização 13.1 Expressão Formal 13.2 Organização Espacial
14. Projeto Arquitetônico 5 16. Fluxograma 16.1 Fluxograma Serviços de Acolhimento Institucional 17. Condicionantes Legais 17.1 Estatuto da Criança e do adolescente 17.2 Plano Diretor de Cruzeiro-SP 18. Programa de Necessidades 18.1 Tabela 1 18.2 Tabela 2 18.3 Tabela 3 18.4 Tabela 4 15. Dados 15.1 Número de homicídios 15.2 Negligência e abandono 15.3 Estabelecimento de Educação 15.4 Cadastro Único e bolsa família 15.5 Matrículas na educação infantil 15.6 Matrículas em Pré-escola 15.7 Matrículas em Creche 15.8 Casos de violência 15.9 Mortalidade infantil 15.10 Parto de mães adolescentes 15.11 Parto de mães adolescentes por cor 15.12 População por idade 15.13 Mortalidade infantil e causas 15.14 Taxa de mortalidade infantil 15.15 Mortalidade infantil por cor 15.16 Mortalidade infantil por cor no Brasil, São Paulo e Cruzeiro 15.17 Mortalidade por causas evitáveis por cor no Brasil, São Paulo e Cruzeiro 15.18 Notificações de casos de violência no Brasil, São Paulo e Cruzeiro 14.1 Referencial e Projeto 1 14.2 Referencial e Projeto 2 19.Considerações Finais 20.1 Principais Resultados 20.2 Contribuição do Projeto
“ É impossível converter uma criança abandonada em um sacristão. Mas é muito possível convertê- la em um homem trabalhador” -Jorge Amado (Capitães da Areia) “ É impossível converter uma criança abandonada em um sacristão. Mas é muito possível convertê- la em um homem trabalhador” -Jorge Amado (Capitães da Areia)6
O UNICEF é uma organização da ONU que atua na proteção dos direitos de crianças e adolescentes no mundo todo, trabalhando para garantir saúde, educação, alimentação, segurança e desenvolvimento digno, especialmente para os mais vulneráveisO Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é a lei brasileira que garante os direitos das crianças e adolescentes, assegurando proteção, acesso à educação, saúde, lazer e convivência familiar, além de estabelecer deveres da família, da sociedade e do Estado na sua proteção e desenvolvimento.A Fundação Abrinq é uma organização sem fins lucrativos criada em 1990 que atua na defesa dos direitos de crianças e adolescentes no Brasil. Seu trabalho envolve promover educação, saúde e proteção.Organizações e lei de proteção à infânciaFonte: UNICEF Fonte: ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Fonte: FUNDAÇÃO ABRINQ1.1 Organizações e Lei 7
p15.2 Constituição Federal de 1988 – Artigo 22715.1 Lei Henry BorelEsta Lei cria mecanismos para a prevenção e o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente, nos termos do § 8º do art. 226 e do § 4º do art. 227 da Constituição Federal e das disposições específicas previstas em tratados, convenções ou acordos internacionais de que o Brasil seja parte.“É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”1.2 Lei de Proteção à criança e ao adolescente 8
O abandono de crianças no Brasil está historicamente relacionado a práticas sociais que se consolidaram ao longo dos séculos, especialmente a partir da institucionalização da assistência à infância desamparada. Um dos principais marcos desse processo foi a criação das chamadas “rodas dos expostos”, que tinham como finalidade receber crianças abandonadas de forma anônima, geralmente por famílias em situação de vulnerabilidade ou por mães impossibilitadas de cuidar de seus filhos.Fonte: Revista Humanidades & Inovação.Acesso em: 30 ago. 20262.1 História do Abandono de Crianças IntroduçãoEssas instituições, amplamente difundidas entre os séculos XVIII e XIX, estavam vinculadas, em sua maioria, a entidades religiosas e filantrópicas, como as Santas Casas de Misericórdia. O atendimento oferecido às crianças nessas condições possuía caráter assistencialista, sendo marcado por limitações estruturais e sociais, o que impactava diretamente no desenvolvimento e nas oportunidades futuras desses indivíduos.Além disso, a educação oferecida nesses espaços seguia uma lógica desigual, refletindo a estrutura social da época. Crianças em situação de abandono recebiam uma formação básica e limitada, voltada mais para a manutenção de sua sobrevivência do que para sua plena inserção social. Esse modelo reforçava a marginalização e dificultava a quebra do ciclo de vulnerabilidade.Com o passar do tempo, o abandono infantil passou a ser reconhecido como uma questão social mais ampla, exigindo a atuação do Estado e a criação de políticas públicas voltadas à proteção da infância. No entanto, mesmo com mudanças institucionais e avanços legais, as práticas assistencialistas deixaram marcas profundas na forma como o acolhimento é estruturado no Brasil.Dessa forma, compreende-se que o abandono de crianças no país não é um fenômeno recente, mas resultado de um processo histórico marcado por desigualdades sociais, fragilidade das políticas públicas e limitações nos modelos de assistência. Essa trajetória evidencia a necessidade de repensar as estratégias de acolhimento, buscando abordagens mais humanizadas e integradas. 9
Essas mãos contam histórias… qual é a sua? Deixe sua marca 10
Introdução2.2 ContextualizaçãoA proteção à infância no Brasil passou por profundas transformações ao longo das últimas décadas, refletindo mudanças sociais, jurídicas e culturais acerca do papel da criança na sociedade. Nesse cenário, observa-se a necessidade de repensar os modelos de acolhimento destinados a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, buscando alternativas mais humanizadas e alinhadas às necessidades contemporâneas.Diante disso, o presente projeto tem como objetivo desenvolver um olhar mais sensível e acolhedor para crianças e adolescentes que sofreram maus-tratos, abandono ou outras formas de negligência. A proposta parte da compreensão de que o ambiente físico exerce influência direta no desenvolvimento emocional, psicológico e social desses indivíduos.Nesse contexto, busca-se a criação de um espaço no qual as crianças e adolescentes possam se sentir pertencentes, acolhidos e seguros. O projeto propõe um ambiente de acolhimento que priorize o bem-estar físico e emocional, oferecendo condições adequadas para um desenvolvimento saudável.Trata-se de um espaço de caráter temporário, no qual a criança permanecerá até que seja possível sua reintegração familiar ou inserção em um novo núcleo familiar, promovendo, assim, sua reinserção na sociedade. Dessa forma, o ambiente não se configura como permanência definitiva, mas como uma etapa de cuidado, proteção e preparação para uma nova fase da vida.Além disso, o projeto busca destacar a importância da arquitetura como ferramenta de transformação social, considerando que espaços bem planejados podem contribuir para a sensação de segurança, conforto e estabilidade emocional dos usuários. 11
O acolhimento institucional de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social tem sido historicamente estruturado a partir de modelos que priorizam aspectos funcionais e normativos, muitas vezes negligenciando as dimensões emocionais e afetivas desses indivíduos. Esses espaços, apesar de cumprirem a função de abrigo, nem sempre promovem um ambiente adequado ao desenvolvimento integral.2.3 Problema de PesquisaIntroduçãoA predominância de ambientes com características rígidas, padronizadas e impessoais contribui para a reprodução de uma lógica institucional que pode reforçar sentimentos de isolamento, insegurança e não pertencimento. A ausência de espaços que favoreçam vínculos afetivos impacta diretamente na forma como essas crianças e adolescentes se relacionam com o ambiente.Além disso, a organização espacial de muitos equipamentos de acolhimento ainda reflete modelos ultrapassados, que não consideram a importância da escala humana, da privacidade e da convivência equilibrada. Isso evidencia uma desconexão entre as necessidades reais dos usuários e as soluções arquitetônicas adotadas.Observa-se, portanto, que o ambiente construído exerce influência direta no desenvolvimento emocional, psicológico e social dos indivíduos, especialmente em contextos de vulnerabilidade. A falta de um espaço acolhedor pode intensificar traumas já existentes e dificultar processos de reconstrução pessoal.Diante desse cenário, o problema de pesquisa se concentra em compreender de que forma a arquitetura pode contribuir para a criação de espaços de acolhimento mais humanizados, capazes de promover segurança, pertencimento e reconstrução de vínculos para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. 12
Aos amigos da minha infância, às tardes nas ruas que o tempo levou e às memórias que resistem ao passar dos anos. Carrega a saudade daqueles com quem não tivemos tempo suficiente e que se foram cedo demais, levados pela morte, e a reflexão sobre os caminhos que a vida tomou ao longo da vida. No fim, com o tempo, somos todos capitães da areia. 13
escreva um nome que merece ser lembrado14
A discussão acerca dos espaços destinados ao acolhimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social revela a necessidade de constante atualização e reflexão sobre suas diretrizes e configurações. Tais ambientes desempenham um papel fundamental na proteção e no desenvolvimento desses indivíduos, não se limitando apenas à oferta de abrigo, mas também influenciando diretamente aspectos emocionais, psicológicos e sociais.Justificativa3.1 Relevância do TemaNesse contexto, a relevância do tema está associada à necessidade de repensar os modelos de acolhimento existentes, que muitas vezes ainda apresentam características institucionais e pouco sensíveis às demandas afetivas dos usuários. Assim, destaca-se a importância da arquitetura como ferramenta capaz de transformar esses espaços, promovendo ambientes mais humanizados, seguros e adequados ao desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.A contribuição social deste trabalho consiste na proposição de um espaço que valorize a dignidade, o cuidado e a proteção de indivíduos em situação de fragilidade social, oferecendo condições mais adequadas para sua permanência temporária e para sua futura reinserção na sociedade. Além disso, busca-se estimular a reflexão sobre a importância de ambientes mais acolhedores dentro das políticas de assistência e proteção à infância e adolescência. 15
3.2 Contribuição SocialA proposta deste trabalho está diretamente relacionada à proposição de um espaço arquitetônico que ultrapassa a função básica de abrigo, buscando promover condições mais dignas e humanizadas para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. O projeto se posiciona como uma resposta às lacunas existentes nos modelos tradicionais de acolhimento.JustificativaAo considerar o espaço como agente ativo no desenvolvimento humano, a proposta valoriza a criação de ambientes que estimulam o bem-estar emocional, a segurança e o sentimento de pertencimento. Essa abordagem reconhece que o ambiente físico pode influenciar significativamente na reconstrução de trajetórias interrompidas.Além disso, o trabalho contribui para o debate sobre a qualidade dos espaços destinados à assistência social, incentivando uma reflexão crítica sobre as práticas atuais. A proposta reforça a necessidade de soluções que integrem aspectos técnicos e sensíveis no desenvolvimento de projetos arquitetônicos.Outro aspecto relevante é a possibilidade de o projeto servir como referência para futuras intervenções e políticas públicas, promovendo a adoção de diretrizes mais humanizadas no planejamento de equipamentos de acolhimento. Dessa forma, amplia-se o impacto do trabalho para além do campo acadêmico.Por fim, a contribuição social também se manifesta na valorização da infância e na defesa do direito a um ambiente digno e acolhedor. Ao dar visibilidade a essa temática, o trabalho reforça a importância do cuidado coletivo e da responsabilidade social na construção de uma sociedade mais justa. 16
3.3 Motivação de escolhaA escolha do tema está diretamente relacionada às minhas experiências pessoais, marcadas pelo contato com realidades de vulnerabilidade social. Ao longo da minha trajetória, vivências familiares e comunitárias contribuíram para a construção de um olhar mais sensível em relação às necessidades de crianças e adolescentes em situação de fragilidade.JustificativaDestaco a realização de trabalho voluntário na Casa de Abrigo Lar Esmeralda, localizada no município de Cruzeiro, SP. Essa experiência me proporcionou contato direto com o cotidiano de crianças e adolescentes acolhidos, permitindo compreender não apenas suas necessidades físicas, mas também as dimensões emocionais e afetivas envolvidas no processo de acolhimento.Além disso, o contexto familiar teve papel fundamental nessa construção. Meus pais sempre estiveram envolvidos em ações de apoio a famílias em situação de vulnerabilidade social, além de contribuírem com uma instituição de acolhimento conhecida como Irmãzinhas, também situada em Cruzeiro, SP. Esse ambiente fortaleceu em mim valores como empatia, cuidado e responsabilidade social.O contato com essas realidades evidenciou a ausência de espaços verdadeiramente acolhedores, capazes de promover não apenas abrigo, mas também pertencimento e reconstrução de vínculos. Essa percepção despertou em mim o interesse em investigar o papel da arquitetura na transformação desses ambientes.Portanto, este trabalho surge da articulação entre minha vivência pessoal e minha formação acadêmica, utilizando a arquitetura como instrumento de intervenção social. Minha motivação está diretamente ligada à intenção de contribuir para a criação de espaços mais humanos, sensíveis e capazes de impactar positivamente a vida de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. 17
4.1 Objetivo geralO estudo tem como objetivo geral desenvolver uma proposta arquitetônica de um espaço de acolhimento temporário para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, buscando a criação de um ambiente humanizado, seguro e adequado ao seu desenvolvimento físico, emocional e social.4.2 Objetivos específicosComo objetivos específicos, busca-se compreender as necessidades físicas, emocionais e sociais de crianças e adolescentes em situação de acolhimento, bem como investigar de que forma o espaço arquitetônico pode influenciar no bem-estar e no desenvolvimento desses indivíduos. Além disso, pretende-se propor ambientes que favoreçam a sensação de pertencimento, segurança, convivência e acessibilidade, desenvolver uma organização espacial que reduza características institucionais e aproxime o ambiente de uma dinâmica mais familiar, e contribuir para a elaboração de um projeto arquitetônico pautado em princípios de humanização, inclusão e qualidade espacial.Objetivos 18
Metodologia5.1 Tipo de PesquisaA pesquisa desenvolvida caracteriza-se como qualitativa, pois busca compreender as relações entre o espaço arquitetônico e o desenvolvimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Essa abordagem permite uma análise mais aprofundada das experiências, percepções e necessidades dos usuários.Trata-se também de uma pesquisa de natureza aplicada, uma vez que está voltada à elaboração de uma proposta arquitetônica que responda a uma demanda real. O conhecimento produzido tem como finalidade contribuir diretamente para a prática projetual.Quanto aos objetivos, a pesquisa possui caráter exploratório, por investigar um tema que exige maior aprofundamento, e descritivo, ao analisar as características e relações presentes nos espaços de acolhimento existentes.A metodologia adotada busca integrar teoria e prática, articulando conceitos teóricos com o desenvolvimento do projeto arquitetônico. Essa integração é essencial para garantir coerência entre a fundamentação e a proposta apresentada.Por fim, o trabalho se apoia em diferentes fontes e estratégias de análise, permitindo uma abordagem abrangente e consistente. A combinação entre estudo teórico, análise de dados e desenvolvimento projetual contribui para a qualidade do resultado final. 19
5.2 Procedimentos e EtapasO desenvolvimento do trabalho será estruturado em etapas que possibilitaram a construção gradual do conhecimento e da proposta arquitetônica. Inicialmente, será realizado um levantamento bibliográfico sobre temas relacionados à infância, vulnerabilidade social e arquitetura humanizada.MetodologiaNa sequência, serão analisados estudos de caso e referências projetuais, com o objetivo de compreender diferentes abordagens e identificar soluções relevantes para o acolhimento institucional. Essa etapa contribuiu para a definição de diretrizes projetuais.Posteriormente, serão realizados levantamentos e análises da área de intervenção, considerando aspectos físicos, ambientais e urbanos. Essas informações serão fundamentais para compreender o contexto e orientar as decisões de projeto.Em seguida, será desenvolvido o conceito arquitetônico, seguido pela definição do partido e da organização espacial. Esse processo buscou traduzir, de forma concreta, as intenções projetuais voltadas à humanização do espaço.Por fim, será elaborada a proposta arquitetônica, integrando todas as etapas anteriores. O projeto será desenvolvido de forma a responder às necessidades identificadas, buscando equilíbrio entre funcionalidade, sensibilidade e qualidade espacial. 20
5.3 Instrumentos UtilizadosNo desenvolvimento da pesquisa serão utilizados de diferentes instrumentos que auxiliaram na coleta, análise e interpretação das informações. A revisão bibliográfica será fundamental para a construção do embasamento teórico e conceitual do trabalho.MetodologiaTambém serão utilizados dados secundários provenientes de instituições oficiais, como IBGE e Ministério da Saúde, contribuindo para a contextualização da problemática e compreensão da realidade social abordada.Além disso, serão realizados levantamentos fotográficos e análises da área de intervenção, permitindo uma leitura mais detalhada das condições físicas e ambientais do local. Esses registros contribuíram para a identificação de potencialidades e limitações.No âmbito projetual, serão utilizados softwares de desenho técnico e modelagem tridimensional, como AutoCAD e SketchUp, que possibilitarão o desenvolvimento e a representação gráfica da proposta arquitetônica.Por fim, a análise de estudos de caso e referências arquitetônicas também será utilizada como instrumento de apoio, contribuindo para a definição de estratégias projetuais e enriquecendo o processo de concepção do projeto. 21
Referencial Teórico6.1 Conceitos FundamentaisA arquitetura, enquanto prática social, desempenha um papel fundamental na mediação das relações entre indivíduo e espaço, especialmente em contextos de vulnerabilidade. No acolhimento de crianças e adolescentes, o ambiente construído ultrapassa sua função física, atuando diretamente no desenvolvimento emocional, psicológico e social. Dessa forma, o espaço deixa de ser apenas abrigo e passa a contribuir para a construção de vínculos, identidade e pertencimento.Fonte: Jan Gehl, Cidades para Pessoas (Cities for People), 2010.A arquitetura humanizada busca criar ambientes que considerem as necessidades sensíveis dos usuários, promovendo conforto, segurança e bem-estar. Em oposição a modelos institucionais rígidos e impessoais, essa abordagem valoriza espaços mais acolhedores, próximos da escala doméstica e da vivência cotidiana. Segundo Jan Gehl, a qualidade do espaço construído influencia diretamente a forma como as pessoas vivem e se relacionam.Elementos como iluminação natural, ventilação e organização espacial impactam diretamente as emoções e as interações sociais dos usuários. Nesse sentido, estratégias como o uso de cobogós permitem a entrada de luz e ventilação, ao mesmo tempo em que garantem privacidade e conforto ambiental, contribuindo para a qualidade do espaço.A noção de pertencimento é essencial nesse contexto, especialmente na infância em situação de vulnerabilidade. A ausência de espaços acolhedores pode reforçar processos de exclusão, tornando fundamental a criação de ambientes que favoreçam vínculos afetivos e reconhecimento. Somam-se a isso estratégias sustentáveis e educativas, como hortas e energia solar, que ampliam o papel do espaço na formação social e no desenvolvimento integral. 22
6.2 Autores e TeoriasJan Gehl destaca a importância da escala humana na arquitetura, defendendo que espaços pensados para as pessoas favorecem a convivência, o uso contínuo e o fortalecimento das relações sociais. Sua abordagem reforça a necessidade de ambientes mais acolhedores e acessíveis, especialmente em contextos de cuidado e acolhimento.Fonte: Adaptado de ABITARE (2026) no Nano Banana.Referencial TeóricoElementos do ambiente físico, como iluminação natural, ventilação, conforto térmico e organização espacial, exercem influência direta sobre o comportamento humano. Espaços bem planejados contribuem para a redução do estresse, melhoria do bem-estar e fortalecimento das interações sociais, sendo fundamentais em instituições voltadas ao acolhimento.O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece diretrizes essenciais para a proteção integral de crianças e adolescentes. Ele garante o direito a ambientes seguros, dignos e adequados ao desenvolvimento físico, emocional e social, reforçando a importância da qualidade dos espaços destinados a esse público.A partir dessas referências, compreende-se que a arquitetura não se limita à função técnica, mas atua diretamente na experiência humana. Assim, o espaço torna-se um agente ativo no processo de cuidado, desenvolvimento e inclusão social. 23
6.3 Referencial e ProjetoA articulação entre os referenciais teóricos e a proposta projetual reforça a arquitetura como instrumento de transformação social. Com base nos conceitos de arquitetura humanizada, psicologia ambiental e pertencimento, o projeto busca romper com modelos institucionais tradicionais, propondo um espaço mais acolhedor e sensível.Referencial TeóricoFonte: Jan Gehl, Cidades para Pessoas (Cities for People), 2010.As ideias de Jan Gehl orientam a valorização da escala humana e da convivência, refletidas na organização espacial em ambientes menores e mais próximos da dinâmica doméstica. Nesse contexto, o projeto adota estratégias ambientais como ventilação natural, iluminação adequada e o uso de elementos vazados, como o cobogó, contribuindo para o conforto e a qualidade dos espaços.A proposta também incorpora soluções sustentáveis, como o uso de energia solar, visando à eficiência energética e à redução de impactos ambientais. Essas estratégias contribuem para a autonomia do espaço e reforçam o compromisso com práticas arquitetônicas contemporâneas e responsáveis.A implantação de uma horta amplia o caráter educativo do projeto, promovendo o contato com a natureza, o senso de responsabilidade e a integração entre os usuários. Como referência, a Casa Rana, do coletivo Made in Earth, reforça a possibilidade de criar espaços simples, sustentáveis e humanizados, voltados ao pertencimento e à reintegração social. 24
era imenso… mas ainda assim mais gentil que o mundo 25
Estudo de Caso7.1 Apresentação do CasoLocalizada na Rua Dr. Antônio Penido, na região central do município de Cruzeiro (SP), a Casa Lar Esmeralda é uma instituição voltada ao acolhimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, sendo vinculada ao Instituto Palpare. Trata-se de um lar de acolhimento na cidade, e atualmente o instituto conta com duas unidades em funcionamento, atendendo mais de 25 acolhidos. 24Área VerdeÁrea PrivadaÁrea SocialÁrea de ServiçoÁrea de CirculaçãoLEGENDA1816Durante a visita ao abrigo, foi possível conhecer o cotidiano das crianças e adolescentes que residem no local. De acordo com os funcionários, a unidade abriga aproximadamente 22 acolhidos, entre bebês, crianças e adolescentes. A observação do espaço permitiu compreender seu funcionamento e a organização dos ambientes.Devido à natureza do local e à condição de vulnerabilidade dos acolhidos, não foi permitido realizar registros fotográficos. Como alternativa, foi elaborado um croqui para auxiliar na análise espacial do abrigo.26
7.2 Análise CríticaO local, apesar de demonstrar boa funcionalidade, não apresenta muita acessibilidade, especialmente ao considerar a presença de duas crianças cadeirantes. Os espaços mais críticos nesse aspecto são os banheiros, que não atendem adequadamente às necessidades de uso. Além disso, a proporção dos quartos não corresponde de forma eficiente ao programa de necessidades, o que acaba transmitindo um aspecto desorganizado e pouco funcional.Estudo de Caso 7Em relação à setorização, observa-se que a área privativa está bem isolada das demais áreas, o que é um ponto positivo, pois garante maior privacidade às crianças. No entanto, a área de atendimento e a área administrativa também se encontram isoladas, o que não é adequado. Por se tratarem de setores de acesso mais público, o ideal seria que estivessem localizadas próximas à entrada da instituição, facilitando o fluxo e a organização dos acessos.Quanto à convivência e uso dos espaços, o ambiente não oferece áreas internas de interação, e o espaço de convivência existente não parece bem adaptado, tornando-se pouco atrativo. Como consequência, as crianças precisam se deslocar para ambientes externos em busca de lazer, dependendo de áreas ao ar livre ou de espaços públicos voltados ao atendimento de crianças.Além disso, percebe-se que os ambientes não se articulam entre si, permanecendo, muitas vezes, isolados e com baixa integração, o que compromete a funcionalidade geral do conjunto. Por outro lado, em relação ao conforto ambiental, a iluminação e a ventilação se mostram adequadas ao espaço, contribuindo positivamente para a qualidade do ambiente.27
“Eles cresceram no meio de tudo, mas como se não pertencessem a nada” Abra, se tiver coragem 28
História de Cruzeiro8.1 Linha do Tempo da cidade de Cruzeiro E x p r e s s o M a n t i q u e i r a P i c o I t a g u a r é M u s e u M a j o r N o v a e s R o t u n d a T ú n e l d a M a n t i q u e i r a S a n t o C r u z e i r oFonte: Adaptado de Cidade de Cruzeiro (2026) no Nano Banana. 729
R o t u n d a Cidade menina grandiosa e colorida marcada pela grande históriaFonte: Adaptado de Cidade de Cruzeiro (2026) no Nano Banana. 181630
Localização9.1 LocalizaçãoO município de Cruzeiro surgiu no século XVIII como ponto estratégico da Estrada Real, utilizada por bandeirantes, tropeiros e mineradores entre Minas Gerais e o litoral paulista. Seu primeiro núcleo foi o arraial de Embaú, formado em 1781 com a construção da Capela de Nossa Senhora da Conceição, desenvolvendo-se com o comércio, a agricultura de subsistência e o apoio às rotas de passagem. A cidade de Cruzeiro se destaca pelo seu potencial turístico, que reúne história, cultura e natureza. Localizada aos pés da Serra da Mantiqueira, a cidade atrai visitantes pelas paisagens naturais, clima agradável e opções de lazer ao ar livre. Entre os principais atrativos estão o Bosque Municipal de Cruzeiro, ideal para lazer e contato com a natureza, o Santuário de Santa Cabeça, conhecido como Santo Cruzeiro, o Teatro Capitólio de Cruzeiro, importante espaço cultural, a Rotunda de Cruzeiro, símbolo do passado ferroviário, e a Igreja Matriz da Imaculada Conceição de Cruzeiro, um dos marcos religiosos da cidade.BrasilSão PauloCruzeiroFonte: www.cidadedecruzeiro.com.br 7731
2929 Área de Intervenção10.1 Mapa de Cruzeiro-SP Apresenta a localização do município de Cruzeiro e sua posição estratégica na região, contextualizando o limite da cidade. 181632
10.2 Mapa de eixos estruturantesÁrea de Intervenção Identifica as principais vias da cidade, evidenciando sua importância para a mobilidade na cidade de Cruzeiro-SP. 7733
10.3 Mapa de ZoneamentoO mapa apresenta as divisões de zoneamento do município de Cruzeiro, permitindo compreender sua organização territorial. 34 Área de Intervenção
10.4 Mapa EspacialO mapa espacial mostra as vilas localizadas dentro de cada zoneamento do município. 35 Área de Intervenção
10.5 Mapa de Acessos de Cruzeiro-SPApresenta as principais rotas de ferrovias de transporte na cidade de Cruzeiro-SP. 36 Área de Intervenção
10.6 Mapa de Transporte públicoIndica a presença de linhas de transporte coletivo na cidade de Cruzeiro-SP. 37 Área de Intervenção
10.7 LocalizaçãoDestaca a posição exata do terreno e sua relação com o entorno urbano. 38 Área de Intervenção
10.8 Análise de climaLEGENDA- mapa de clima Vento Nascer do Sol Pôr do Sol Mostra fatores como insolação e ventos predominantes, importantes para o conforto ambiental. 39 Área de Intervenção
10.9 Mapa de acessosIdentifica os acessos ao lote e auxilia na organização dos fluxos das ruas principais 40 Área de Intervenção
10.10 Mapa de ruas do entornoApresenta a malha viária próxima ao terreno e suas conexões com as ruas do entorno do lote. 41 Área de Intervenção
10.11 Mapa de IntensidadeLEGENDA- Intensidade 42 Área de Intervenção
10.12 Mapa de VegetaçãoIdentifica as áreas verdes existentes e seu potencial para contribuir com a qualidade ambiental 43 Área de Intervenção
10.13 Mapa de Uso do SoloMostra os diferentes usos presentes no entorno e os trajetos que conectam essas áreas. 44 Área de Intervenção
11.1 MicroclimaDe acordo com informações do site Weather Spark, o município de Cruzeiro apresenta um clima característico tropical de altitude, marcado por uma forte variação sazonal tanto de temperatura quanto de precipitação. Durante o ano, as temperaturas médias oscilam entre 13 °C e 31 °C, o que resulta em verões quentes e invernos amenos, sem a presença de extremos térmicos relevantes.Levantamento da área de intervençãoGráfico 1- Clima.Fonte: Weather SparkO regime climático local é definido por verões quentes e chuvosos, enquanto os invernos tendem a ser mais secos e suaves, com maior concentração de chuvas no mês de janeiro e índices reduzidos em julho. Essa dinâmica sazonal bem estabelecida influencia diretamente o planejamento urbano, as atividades econômicas e a qualidade de vida da população, sobretudo em aspectos como drenagem urbana, conforto térmico e a forma de utilização dos espaços ao longo do ano. 45
11.2 Levantamento FotográficoImagem 1-Lote escolhidoFonte: Autora (2026)Imagem 2- Lote escolhidoFonte: Autora (2026)Imagem 3- Lote escolhidoFonte: Autora (2026)46
“Ele disse que eu era um tolo e não sabia o que era brincar. Eu respondi que tinha uma bicicleta e muito brinquedo. Ele riu e disse que tinha a rua e o cais.” -Jorge Amado (Capitães da Areia) 47
Conceito O presente projeto parte da compreensão de que a infância em situação de vulnerabilidade social não se restringe apenas à ausência de abrigo físico, mas também à ruptura de vínculos, à invisibilidade social e à falta de pertencimento. Inspirado nas narrativas de crianças e adolescentes em contextos de exclusão retratadas em Capitães da Areia, o trabalho reconhece a urgência de espaços que não apenas acolham, mas que reconstruam trajetórias interrompidas.12.1 Ideia Geral Nesse sentido, o conceito do projeto fundamenta-se na ideia de que o espaço arquitetônico pode atuar como um território temporário de proteção, afeto e reconstrução de identidades. Mais do que um abrigo, propõe-se a criação de um ambiente capaz de ressignificar experiências de abandono e violência, oferecendo estabilidade emocional e condições para o recomeço. A arquitetura, nesse contexto, é compreendida como instrumento de cuidado e transformação social, sendo responsável por estabelecer relações mais humanas entre espaço e usuário. O projeto busca romper com a lógica institucional rígida e impessoal, propondo ambientes que se aproximem da escala doméstica, da convivência e da sensibilidade. Assim, o espaço de acolhimento deixa de ser apenas um lugar de passagem e passa a ser um território de transição, onde a infância pode ser reconstruída com dignidade, segurança e possibilidade de futuro. 48
12.2 FundamentaçãoA fundamentação do conceito baseia-se na compreensão de que o ambiente construído exerce influência significativa no comportamento e no desenvolvimento humano. Em contextos de vulnerabilidade, essa relação se torna ainda mais evidente, exigindo uma abordagem mais sensível no processo projetual.ConceitoA arquitetura humanizada surge como principal referência, propondo espaços que priorizam o bem-estar, a escala do usuário e a qualidade das experiências vividas no ambiente. Essa abordagem busca romper com modelos institucionais rígidos e impessoais.Ademais, conceitos da psicologia ambiental contribuem para a compreensão da relação entre indivíduo e espaço, evidenciando como elementos como luz, cor, materialidade e organização espacial podem impactar emoções e comportamentos.A noção de pertencimento também se apresenta como eixo fundamental, entendendo o espaço como um mediador de relações e identidades. Ambientes que favorecem vínculos contribuem para o desenvolvimento emocional e social dos usuários.Dessa forma, a fundamentação teórica sustenta a proposta de um espaço que não apenas abriga, mas cuida. Um ambiente que reconhece o usuário em sua complexidade e utiliza a arquitetura como ferramenta de acolhimento e transformação. 49
12.3 Tradução EspacialA tradução espacial do conceito se manifesta na criação de ambientes que priorizam a escala doméstica, buscando afastar características institucionais e aproximar o espaço de uma vivência mais familiar. Essa estratégia contribui para a sensação de conforto e pertencimento.ConceitoA organização em pequenos núcleos de convivência permite a formação de relações mais próximas e afetivas, favorecendo a construção de vínculos entre os usuários. Essa configuração também possibilita maior individualidade dentro do coletivo.Os espaços são pensados de forma a equilibrar áreas de convivência, introspecção e apoio, garantindo diversidade de usos e respeitando as diferentes necessidades dos usuários. A flexibilidade espacial permite adaptações ao longo do tempo.Elementos como iluminação natural, ventilação cruzada, áreas verdes e uso de materiais acolhedores são incorporados como estratégias projetuais, contribuindo para a criação de um ambiente mais confortável e sensorialmente agradável. Assim, o conceito se materializa em um espaço que comunica cuidado em cada detalhe, onde a arquitetura atua de forma silenciosa, mas significativa, no processo de acolhimento e reconstrução de trajetórias. 50
O projeto é estruturado a partir da criação de um ambiente com escala doméstica, buscando reduzir ao máximo características institucionais. A organização espacial prioriza a formação de pequenos núcleos de convivência, com áreas coletivas e espaços mais intimistas, favorecendo relações mais próximas e humanizadas.Partido13.1 Expressão Formal 35A implantação busca integração com o entorno urbano, promovendo conexão com a comunidade e evitando o isolamento típico de antigos modelos institucionais. Os espaços são organizados de forma fluida, com circulações claras, acessibilidade garantida e ambientes flexíveis, capazes de atender diferentes faixas etárias e necessidades.A setorização é pensada de forma a separar áreas de convivência, descanso, estudo e apoio técnico, garantindo funcionalidade sem perder o caráter acolhedor. O uso de elementos como iluminação natural, ventilação cruzada, materiais quentes e áreas abertas contribui para a criação de um ambiente mais confortável e menos rígido.51
13.2 Organização EspacialA organização espacial do projeto é estruturada de forma a garantir funcionalidade sem perder o caráter acolhedor. A setorização busca equilibrar áreas coletivas, privadas e de apoio, promovendo uma dinâmica mais próxima da vida cotidiana.PartidoOs espaços de convivência são posicionados de maneira estratégica, incentivando o encontro e a interação entre os usuários. Ao mesmo tempo, áreas mais reservadas são previstas para garantir momentos de privacidade e recolhimento. A circulação é pensada de forma clara e intuitiva, facilitando a orientação no espaço e promovendo acessibilidade. A fluidez dos percursos contribui para uma experiência espacial mais agradável e menos opressiva.A integração com o entorno é considerada como parte essencial da organização, evitando o isolamento e promovendo conexões com a comunidade. Essa relação amplia as possibilidades de uso e fortalece o sentimento de pertencimento.Por fim, a organização espacial busca traduzir o conceito de acolhimento em forma construída, criando um ambiente que equilibra convivência e individualidade, proteção e liberdade, funcionalidade e sensibilidade. 52
“Uma canção infantil, à vera Mas lamento, velho, aqui a bela não fica com a fera Também pudera, é cada um no seu espaço Sapatos de cristal pisam em pés descalços” (César MC, Canção Infantil) 53
Fonte: www.archdaily.com.br14.1 Referencial e Projeto 1Como referencial arquitetônico, foi utilizada a Casa Rana, destacando-se pelo uso das cores e dos materiais sustentáveis aplicados no projeto, que contribuem para a criação de um ambiente mais sensível e acolhedor. Diferentemente dos padrões recorrentes de arquiteturas mais rígidas e brutas em instituições de abrigo, esse tipo de abordagem busca humanizar os espaços, tornando-os mais agradáveis e próximos da escala doméstica. Casa Rana Projeto ArquitetônicoAlém disso, a escolha desses elementos favorece não apenas a estética, mas também o conforto ambiental, por meio da valorização da iluminação natural, ventilação e integração com o entorno. Dessa forma, o abrigo passa a oferecer uma sensação de liberdade, bem-estar e pertencimento, aspectos fundamentais para o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes acolhidos. 54
A Casa de Acolhimento para Menores CEBRA foi utilizada como referência devido à sua forma de representar uma residência popular convencional, caracterizada pelo telhado inclinado e por elementos arquitetônicos que remetem ao conceito de uma casa. Essa abordagem demonstra que o projeto busca proporcionar uma atmosfera de conforto, sensibilidade e pertencimento às crianças e aos adolescentes, afastando-se dos padrões tradicionais de instituições de acolhimento. Além disso, o projeto apresenta ambientes integrados e conectados entre si, contribuindo para uma melhor qualidade de vida dos usuários e favorecendo o desenvolvimento social, emocional e pessoal de crianças e adolescentes.Projeto ArquitetônicoFonte: www.archdaily.com.br14.2 Referencial e Projeto 2 Casa de Acolhimento para Menores / CEBRA 3555
“Nem toda chave abre porta. Algumas só lembram quem nunca teve uma” 56
Fonte: Ministério da Saúde/SVS- Sistema de informação de Agravos de Notificação (Sinan). Acesso em: 14 set. 2026. 15.1 Número de óbitos por homicídio de crianças e adolescentes de até 19 anos de idade causados por armas de fogo segundo cor/raça no BrasilDados 57 Brasil- Branca Brasil- Preta Brasil- Parda Brasil- Amarela Brasil- Indígena199519971999200120032005200720092011201320152017201920212023202501020304050600510152025301995199719992001200320052007200920112013201520172019202120232025199519971999200120032005200720092011201320152017201920212023199519971999200120032005200720092011201320152017201920212023199519971999200120032005200720092011201320152017201920212023202505001,0001,5002,0002,50002004006008003,0004,0005,0006,0007,0002,0001,0000
15.2 Notificações de negligência e abandono contra crianças e adolescentes de até 19 anos de idade no Brasil Fonte: Ministério da Saúde/SVS- Sistema de informação de Agravos de Notificação (Sinan). Acesso em : 14 set. 2026. 58 Brasil- 1 a 4 anos de idade Brasil- 5 a 9 anos de idade Brasil- 15 a 19 anos de idade20152008200920102011201220132014201620172018201920202021202220232024202505,00010,00015,00020,00025,00003,0006,0009,00012,00015,00006,0005,0004,0003,0002,0001,0000201520082009201020112012201320142016201720182019202020212022202320242025201520082009201020112012201320142016201720182019202020212022202320242025
15.3 Estabelecimento de educação infantil por atendimento na cidade de Cruzeiro,SP (2024) 15.5 Matrículas na educação infantil na cidade de Cruzeiro,SP (2024) 15.4 Crianças entre 0 e 6 no Cadastro Único e Bolsa Família na cidade de Cruzeiro,SP (2024) “Os dados do Cadastro Único evidenciam a presença de famílias em situação de vulnerabilidade econômica, condição frequentemente associada à fragilização dos vínculos familiares e ao aumento de situações de negligência e abandono infantil.” Fonte: INPE. Acesso em: 14 set. 2026. Fonte: IBGE. Acesso em: 14 set. 2026. 59 Fonte: INPE. Acesso em: 14 set. 2026.
15.6 Matrículas em pré-escolas por cor na cidade de Cruzeiro,SP (2024) 15.7 Matrículas em creches por cor na cidade de Cruzeiro,SP (2024) 60 Fonte: INPE. Acesso em: 14 set. 2026. Fonte: INPE. Acesso em: 14 set. 2026.
15.8 Notificações de casos de violência contra crianças de 0 a 4 anos na cidade de Cruzeiro,SP 15.9 Mortalidade infantil por causas evitáveis por cor na cidade de Cruzeiro,SP (2023) Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Acesso em: 14 set. 2026. Fonte: Ministério da Saúde.Acesso em: 14 set. 2026. 61
15.10 Percentual de partos de mães adolescentes (até 19 anos) na cidade de Cruzeiro,SP 15.11 Partos de mães adolescentes por cor na cidade de Cruzeiro,SP (2023) 15.12 População por idade entre 0 e 6 anos por cor na cidade de Cruzeiro,SP (2022) Fonte: IBGE.Acesso em: 14 set.2026. 62 Fonte: Ministério da Saúde.Acesso em: 14 set. 2026. Fonte: Ministério da Saúde.Acesso em: 14 set. 2026.
15.13 Comparação da mortalidade infantil total e por causas evitáveis na cidade de Cruzeiro,SP 15.14 Taxa de mortalidade infantil na cidade de Cruzeiro,SP 15.15 Mortalidade infantil por cor na cidade de Cruzeiro,SP (2023) 63 Fonte: Ministério da Saúde.Acesso em: 14 set. 2026. Fonte: Ministério da Saúde.Acesso em: 14 set. 2026. Fonte: Ministério da Saúde.Acesso em: 14 set. 2026.
Brasil São Paulo Cruzeiro-spBrasil São Paulo Cruzeiro-spBrasil São Paulo Cruzeiro-sp15.16 Mortalidade infantil por cor (2023) 15.18 Notificações de casos de violência contra crianças de 0 a 4 anos 15.17 Mortalidade infantil por causas evitáveis por cor (2023) Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Acesso em: 14 set. 2026. 64 Fonte: Ministério da Saúde.Acesso em: 14 set. 2026. Fonte: Ministério da Saúde.Acesso em: 14 set. 2026.
Como explicar para uma criança que a segurança dá medo? Como explicar que 80 tiros foi engano? 80 tiros..... (César MC, Canção Infantil) 65
Eram apenas crianças e adolescentes, o caminho delas não deveria parar 66
Fonte: Secretaria Municipal Porto Ferreira. Acesso em: 14 set. 2026. Fluxograma16.1 Fluxograma Serviços de Acolhimento Institucional 67
Condicionantes legais17.1 Estatuto da Criança e do Adolescente nº 8.069 de 13 de Julho de 1990 O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece a proteção integral de crianças e adolescentes, assegurando direitos fundamentais relacionados à vida, saúde, educação, dignidade, convivência familiar e comunitária. A legislação orienta a criação de ambientes de acolhimento que garantam proteção, segurança e desenvolvimento físico, emocional e social.17.2 Plano Diretor da Cidade de Cruzeiro-SP nº 2.772/1994 Estabelece diretrizes para o desenvolvimento urbano do município, abordando o uso e ocupação do solo, zoneamento, mobilidade, habitação, preservação ambiental e implantação de equipamentos públicos e sociais, visando à organização e ao crescimento da cidade. 3568
Ambientes m² Atividades Utensílios Quantidade Horta 294.75 m² Contato com natureza e convivência ------------ 1 Garagem 1 96.67 m² Estacionamento e embarque Vagas de carro e bicicletário 1 Garagem 2 204.93 m² Estacionamento e embarque Vagas de carro e bicicletário 1 Recepção 1 69.97 m² Recepção e espera Balcão e cadeiras 1 Sala de Visita 18.00 m² Atendimento social Mesas, cadeiras e armário 1 Banheiro Feminino 11.49 m² Higiene pessoal Vasos e pias 1 Banheiro Masculino 11.46 m² Higiene pessoal Vasos e pias 1 Sala de Administração 28.00 m² Atendimento social Mesa, cadeiras e armários 1 Sala da Assistente Social 22.40 m² Atendimento social Mesa, cadeiras e armários 1 Sala de Atendimento Psicológico 18.00 m² Atendimento social Mesa, cadeiras e armários 1 Sala de Enfermagem 17.80 m² Atendimento médico Cama, mesa, cadeiras e armários 1 Sala de Medicamento 10.00 m² Depósito de remédio Armários 1PROGRAMA DE NECESSIDADES 3569
Ambientes m² Atividades Utensílios Quantidade Sala de Aula 33.52 m² Local de aprendizagem Mesa, cadeiras e armários 1 Oficina 34.07 m² Local de aprendizagem Mesa, cadeiras e armários 1 Área de Convívio 205.79 m² Integração e convivência Mesa e cadeiras 1 Sala de Palestra 34.20 m² Local de aprendizagem Cadeiras, mesa e projetor 1 Sala de Leitura 52.07 m² Local de aprendizagem Cadeiras, mesa e armários com prateleiras 1 Recepção 2 64.46 m² Integração e convivência Balcão e cadeiras 1 Área de Lazer 66.34 m² Integração e convivência Mesas de jogos 1 Playground 99.53 m² Brincar e convivência Brinquedos 1 Lavanderia 15.79 m² Lavagem e secagem de roupas Máquinas de lavar e máquinas secadoras 1 Área de Circulação 204.93 m² -------------- ------------- 1 Sacada 15.62 m² ------------- -------------- 1 Banheiro Feminino 20.08 m² Higiene pessoal Vasos e pias 1 Cozinha 27.40 m² Preparo de alimento Mesa, fogão, geladeira e armários 1 Refeitório 123.06 m² Alimentação Cadeiras e mesas 1 70
Ambientes m² Atividades Utensílios Quantidade Sala de jogos 28.98 m² Brincar Mesas de jogos, computadores e máquinas de jogo 1 Sala de Reunião 22.00 m² Atendimento social Mesa, cadeiras e armários 1 Banheiro Masculino 14.40 m² Higiene pessoal Vasos e pias 1 Área de Convívio 173.84 m² Integração e convivência mesas e cadeiras 1 Depósito de Fraldas e Roupas 13.24 m² Guardar fraldas e roupas Armários 1 Quarto da Cuidadora 16.21 m² Descanso Cama, mesa , cadeira e guarda roupa 1 Banheiro Feminino 6.00 m² Higiene pessoal Vaso, pia e chuveiro 1 Área de Circulação 53.07 m² ------------- ------------- 1 Berçário Feminino 18.12 m² Descanso Berço, mesa e guarda roupa 1 Banheiro 4.53 m² Higiene pessoal Vaso, pia e chuveiro 2 Sala de Convivência dos bebês 17.70 m² realização dos cuidados diários Poltrona, mesa e armários 1 Berçário Masculino 18.12 m² Descanso Berço, mesa e guarda roupa 1 Sala de Estar 27.09 Assistir TV Sofá, mesa e TV 1 Depósito 4.00 m² Guardar produtos de limpeza Armários 1 3571
Ambientes m² Atividades Utensílios Quantidade Sacada 27.40 m² ------------ ------------- 2 Banheiro 4.40 m² Higiene pessoal Vaso, pia e chuveiro 2 Banheiro 5.22 m² Higiene pessoal Vaso, pia e chuveiro 6 Quarto 1 26.07 m² Descanso Cama, mesa , cadeira e guarda-roupa 2 Quarto 2 25.54 m² Descanso Cama, mesa , cadeira e guarda-roupa 2 Quarto 3 26.22 m² Descanso Cama, mesa , cadeira e guarda-roupa 2 Corredor 48.37 m² ------------- -------------- 2 Quarto da Cuidadora 18.34 m² Descanso Cama, mesa , cadeira e guarda-roupa 2 Banheiro 4.16 m² Higiene pessoal Vaso, pia e chuveiro 2 Quarto da Cuidadora 18.08 m² Descanso Cama, mesa , cadeira e guarda-roupa 2 72
Considerações Finais19.1 Principais ResultadosAo longo do desenvolvimento deste trabalho, foi possível compreender de forma mais aprofundada a relação entre arquitetura e acolhimento institucional de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. A pesquisa evidenciou que o ambiente físico exerce influência direta no desenvolvimento emocional, psicológico e social dos usuários, especialmente em contextos marcados por abandono, negligência e ruptura de vínculos familiares. Dessa forma, o estudo reforçou a importância da criação de espaços mais humanizados e sensíveis às necessidades dos acolhidos.A análise do estudo de caso da Casa Lar Esmeralda permitiu identificar limitações presentes em muitos espaços de acolhimento, como a falta de acessibilidade adequada, ausência de integração entre os ambientes e carência de espaços internos voltados à convivência e ao lazer. Essas observações contribuíram diretamente para a definição das diretrizes projetuais, orientando soluções arquitetônicas mais acolhedoras, funcionais e integradas à dinâmica cotidiana das crianças e adolescentes.Como resultado, foi desenvolvida uma proposta arquitetônica baseada na valorização da escala humana, da convivência e do pertencimento. O projeto buscou reduzir características institucionais rígidas, incorporando estratégias como iluminação natural, ventilação cruzada, áreas verdes, espaços de convivência e ambientes mais próximos da vivência doméstica. Assim, o espaço deixa de ser apenas um abrigo temporário e passa a atuar como instrumento de cuidado, proteção e reconstrução de trajetórias. 3573
19.2 Contribuição do ProjetoA principal contribuição deste projeto está na valorização da arquitetura como ferramenta de transformação social e acolhimento humano. Ao propor um espaço voltado às necessidades emocionais, físicas e sociais de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, o trabalho reforça a importância de ambientes que ultrapassem a função básica de abrigo e promovam bem-estar, segurança e dignidade aos usuários.Considerações FinaisO projeto também contribui para a reflexão sobre os modelos tradicionais de acolhimento institucional, demonstrando que a qualidade espacial influencia diretamente na experiência e no desenvolvimento dos indivíduos acolhidos. Elementos como integração entre os ambientes, presença de áreas verdes, acessibilidade, ventilação e iluminação natural foram incorporados como estratégias capazes de fortalecer a sensação de pertencimento e convivência dentro do espaço arquitetônico.Além disso, o trabalho amplia discussões acadêmicas sobre arquitetura humanizada aplicada à assistência social, podendo servir como referência para futuras pesquisas e propostas projetuais voltadas ao acolhimento institucional. A integração entre aspectos técnicos, sociais e afetivos evidencia a necessidade de projetos mais sensíveis e comprometidos com a realidade de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. 7274
ReferênciasGARCIA, Louise; ROUGE, Corentin. Rio. Referência utilizada na composição da imagem da capa.AMADO, Jorge. Capitães da Areia. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2009. Referência da Capa Referência BibliográficaJan Gehl, Cidades para Pessoas (Cities for People), 2010.CÉSAR MC. Canção infantil. YouTube, canal PineappleStormTV, 27 jun. 2019.MENDES, Gisele Meireles. O ato de cuidar e educar na roda dos expostos: os contextos históricos de uma educação assistencialista no Brasil. Humanidades & Inovação, v. 8, n. 32, 2021. Referência Música Referência da História do Abandono de Crianças Referência de DadosFonte: www.cidadedecruzeiro.com.brFonte: Ministério da Saúde (2023).Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN (2010-2023).BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Brasília: Ministério da Saúde.RIBEIRO, Agenor. Capitão de Areia. Rio de Janeiro: Philips, 1964. Inspirada na obra Capitães da Areia, de Jorge AmadoFonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (2024).
BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Crianças entre 0 e 6 anos no Cadastro Único e Bolsa Família no município de Cruzeiro (SP). IBGE, 2024.BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. População residente, por cor ou raça, segundo o sexo e a idade – Censo Demográfico 2022 (Tabela 9606).Referência de DadosFonte: ArchDaily. Casa Rana.Fonte: LOVELACE, Amanda. Quebre seus sapatinhos de cristal, 2020, p. 10.Fonte: LOVELACE, Amanda. Quebre seus sapatinhos de cristal, 2020, p. 43.Fonte: LOVELACE, Amanda. Quebre seus sapatinhos de cristal, 2020, p. 49.Fonte: LOVELACE, Amanda. Quebre seus sapatinhos de cristal, 2020, p. 53. Referência de Projeto Arquitetônico Referência de imagensFonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 4).Fonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 5).Fonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 6). Referências
Referência de imagensFonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 7).Fonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 8).Fonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 12).Fonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 15).Fonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 22).Fonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 44).Fonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 47).Fonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 54).Fonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 55).Fonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 57).Fonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 58).Fonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 59).Fonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 62).Fonte: Imagem produzida pela autora utilizando o software Nano Banana (2026, p. 63). Referências
Referência de FluxogramaPREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO FERREIRA. Fluxograma sistema único de assistência. Disponível em: https://portoferreira.sp.gov.br/ Referência da Organização e leis de proteção a infãncia Referência da Linha do TempoCIDADE DE CRUZEIRO. Cidade de Cruzeiro. Disponível em: https://www.cidadedecruzeiro.com.br/. Referência de Clima de Cruzeiro-SPWEATHER SPARK. Clima característico em Cruzeiro, São Paulo, Brasil, durante o ano. Disponível em: https://pt.weatherspark.com/ Referência da Imagem do ArquitetoABITARE. Interview: Jan Gehl. Disponível em: https://www.abitare.it/en/architecture/projects/2024/11/04/interview-jan-gehl/.UNICEF. Sobre o UNICEF. Disponível em: https://www.unicef.org. Acesso em: 24 maio 2026.Fundação Abrinq. Quem somos. Disponível em: https://www.fadc.org.br.Estatuto da Criança e do Adolescente. O Estatuto da Criança e do Adolescente. Disponível em: https://www.gov.br/mdh Referências
Referência das Condicionantes LegaisBRASIL. Lei nº 13.146, de 6 jul. 2015. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm.BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 jul. 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, DF: Presidência da República, 1990. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm Referência Leis de Proteção à Criança e ao AdolescenteCRUZEIRO (SP). Lei nº 3.748, de 10 de outubro de 2006. Altera e acrescenta disposições ao Plano Diretor Integrado do Município de Cruzeiro. Cruzeiro, 2006. Disponível em: Câmara Municipal de Cruzeiro.BRASIL. Lei nº 14.344, de 24 de maio de 2022. Institui mecanismos para a prevenção e o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente. Brasília, DF: Presidência da República, 2022. Disponível em: Planalto – Lei nº 14.344/2022BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: Constituição Federal de 1988 – Planalto Referências
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