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CARTILHA COLISÕES DE AVES COM VIDROS Uma das maiores causas de morte de aves domundo. E o que você pode fazer a respeito!
Fatores climáticos e sazonais: Há mais colisões quando o tempo está favorável a voos migratórios, na América do Norte. O mesmo se aplica quando há baixa visibilidade, causando desorientação espacial.24, 25 Fatores ambientais: Colisões mais frequentes em áreas periurbanas. No meio urbano, a proximidade de prédios espelhados com áreas verdes ou comedouros e bebedouros aumento risco.5 1. 3. 2. Fatores biológicos: Aves juvenis inexperientes, machos territorialistas e agressivos; espécies migratórias e flores- tais são mais propensas.5, 23 Acredita-se que as aves possuam a melhor visão do Reino Animal. Entretanto, caracte- rísticas como o amplo campo de visão com múltiplos pontos focais, o rastreamento ultrarrápido de imagens, o ajuste de foco em voo ou a capacidade de enxergar luz ultravioleta, não as permitem perceber uma barreira sólida invisível: o vidro. As aves colidem com vidros porque essas estruturas são transparentes, e, portanto, imperceptí- veis no ar, ou porque refletem a paisagem ao redor construindo uma ideia de continui- dade espacial.21, 22 Os fatores de risco podem estar relacionados ao comportamento ou à experiência da ave (idade, conhecimento da área), ao ambiente (oferta de recursos alimentares, arborização), às condições climáticas e aos tipos de construções⁵. Estima-se que MAIS DE 1 BILHÃO DE AVES MORREM colidindo com vidraças e outras estruturas espelhadas TODOS OS ANOS apenas nos EUA e Canadá. Esses1, 2 acidentes ocorrem em números alar- mantes porque as aves: POR QUE AS AVES COLIDEM COM ESTRUTURAS DE VIDRO? O QUE INFLUENCIA NO RISCO DE COLISÕES? 1.Imaginam que existe uma rota de voo segura, pois veem a paisagem ao seu redor refletida nos vidros⁴; 2.Enxergam através de janelas um habitat de interesse ou de passagem, seja dentro ou do outro lado de uma casa, e não percebem o vidro como barreira⁴; 3.Enxergam seu próprio reflexo e atacam o vidro acreditando ser um outro animal⁴.
COMO REPORTAR UMA COLISÃO O QUE FAZER COM AVE ENCON- TRADA VIVA APÓS COLISÃO 1. Uma ave colidiu com a minha janela, vidraça ou parede branca. 2. Ela sobreviveu: Coloque a ave em uma caixa de papelão com furos em local seguro e afastado de pets e de barulhos. 2.1. A ave está apenas desnorteada. Observe-a à distância. Ela provavelmente irá se recuperar e voar sozinha. O QUE FAZER COM A AVE QUE MORREU APÓS COLISÃO Seja umcientista cidadão. Transforme suas observações emdados reportando colisões no formulário nacional do OAMa. As respostas são usadas para entender as razões e consequências desses acidentes, além de identificar as espécies suscetíveis. O seu reporte nos ajudará a embasar estratégias nacionais paraconservaçãodas aves! 2.2 A ave está machucada, com o bico, asa ou pata quebrada. Mantenha a ave em local seguro para reduzir seus níveis de estresse e assegurar maiores chances de recuperação até obter ajuda. 2.2.1 Contate o órgão responsável, como a Polícia Ambiental, os centros detriagem de animais silvestres (CETAS/Ibama), a Secretaria do Meio Ambiente e até algumas clínicas veterinárias. Em geral, esses locais orientarão como proceder com a destinação do animal a um centro de reabilitação. Abaixo descrevemos algumas boas práticas que você pode aderir para lidar com essa situação e contribuir com a produção de conhecimento científico, fundamental para a elaboração de medidas de redução desse impacto. 3.1.2 Veja o passo a passo de como reco- lher e armazenar a carcaça nesse vídeo de 1 minuto: 3.2 Caso isso seja inviável, descarte a ave em uma sacola plástica bem fechada, em um lixo com tampa. Você também pode enterrá-la a uma distância mínima de 60 metros de qualquer fonte de água. Utilize luvas, e lave bem as mãos e as roupas que utilizou. Cuidados: Não ofereça comida ou água com açúcar! Evite o excesso de manuseio do animal. Dica: Anexe uma foto do animal no local da colisão e anote o horário. O registro do tipo e da orientação do vidro é importante para pesquisas. 3.1.1 É indicado que se obtenha um boletim de ocorrência. Ele regulariza o recolhimento e o transporte de animais mortos a instituições científicas. 3.1Carcaças deaves sãovaliosas para estudos em museus de Zoologia e His- tória Natural. Quando armazenadas em coleções científicas, elas podem perma- necer preservadas por séculos, fornecen- do dados para pesquisas de genética, dieta, biogeografia etc. Procure a instituição do tipo mais próxima a você e verifique se há interesse pela carcaça. UMA AVE COLIDIU COM VIDRO…O QUE FAZER?
ENXERGANDO SOLUÇÕES Desenhos com caneta branca Cortina anti- reflexo Vidro serigrafado Vidro inclinado para baixo Remoção de atrativos Esta cartilha é um produto do “Programa Ações Pró-Aves, gerando impactos positivos para a conservação das aves silvestres” do OAMa. O programa tem apoio do ICMBio e faz parte das campanhas de divulgação científica das ações previstas para o Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves da Mata Atlântica. Amelhorsolução éaquelaque torna os vidros perceptíveis para asaves. No entanto, existemmuitas soluções emuso e outras em testes. Algumas das mais práticas e eficientes que recomendamos são a aplicação de adesivos circulares, desenhos de padrões com canetas brancas¹⁹ resistentes à chuva, e o uso de cortinas anti-reflexo e persianas. Evite usar adesivos de aves predadoras, pois eles não reduzem significativamente o número de colisões quando não ocupam toda a área do vidro¹¹. Existem ainda opções de vidros serigrafados, com padrões de pontos embutidos ou faixas UV. Outra possibilidade é direcionar as vidraças para o solo, assim elas refletem menos o céu e o ambiente ao redor, reduzindo o risco de colisões. Vidraças que refletem a paisagem apresentam até 3x mais riscos de colisões do que aquelas que não refletem (incluindo as translúcidas). Também pode-se evitar colisões removendo potenciais atrativos para aves que estejam próximos aos vidros, seja no interior ou exterior das edificações, como comedouros e bebedouros e plantas decorativas. ... Realização: Apoio: Redação: Affonso Souza e Otávio Rocha. Ilustrações: Well Freitas. Diagramação: Otávio Rocha. 1ª impressão: Novembro de 2024. Todas as referências citadas estão disponíveis no website.