Livreto CACV

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Manual CACV Carta Introdutória Queridos irmãos, Shalom ! O Papa Leão XIV, ao decretar o Jubileu especial franciscano por ocasião dos 800 anos da Páscoa de São Francisco, disse que essa é “uma oportunidade para os fiéis se tornarem modelos de santidade de vida e testemunhas constantes da paz”. Como essa afirmação do Santo Padre nos fala! Santidade, ser testemunhas de vida, Paz! Esse é o nosso anseio como Shalom, para isso o Senhor nos criou e elegeu. Movidos por essa graça que atinge toda a Igreja, o Senhor nos inspirou para o CACV 2026 um mergulho na vida e na espiritualidade de São Francisco. Queremos voltar a ter um coração abrasado de Amor Esponsal e recordamos que, para isso, “o Senhor nos dá um modelo: Francisco de Assis. Como o Senhor deu a Francisco um coração amante e despojado assim também Ele no-lo quer dar.” (Escrito Amor Esponsal, n.12) Nosso CACV deste ano será unificado: todas as missões assistirão às formações gravadas pelo Frei Diego Dalla Gassa, OFM, responsável pela formação dos frades franciscanos na Terra Santa. A ele nós agradecemos de todo coração pela disponibilidade, generosidade e caridade. Rezemos por ele e por sua missão! As formações são dubladas, pois o frade prega em italiano, por isso enviaremos um anexo com elas decupadas em português para as missões que não são de língua portuguesa. Assim, poderão traduzi-las para as suas respectivas línguas e driblá-las. Como o CACV deste ano é marcado pela espiritualidade, propomos três momentos de adoração silenciosa após as palestras. A fim de melhor viver esses momentos, indicamos trechos das palestras dadas pelo Frei Diego. É necessário disponibilizar esses textos para todos os irmãos que farão o CACV. É importante, além disso, que a missão providencie a exposição do Santíssimo Sacramento para esse momento de adoração silenciosa, e apenas em caso de impossibilidade da exposição do Santíssimo crie-se um ambiente oracional adequado que inspire a oração silenciosa dos irmãos. Essa será uma oportunidade para renovarmos nossa vida interior pela intercessão de nosso baluarte. No sábado propomos que haja um sketch com os jovens da missão, apresentando o episódio da perfeita alegria segundo São Francisco. Enviamos uma proposta de sketch neste manual. Abaixo está uma proposta de horários. Estes podem ser ajustados, mas guardando a fidelidade no que diz respeito às atividades do CACV. Concluímos essa carta introdutória com essa oração de São João Paulo II: “Ó São Francisco, estigmatizado do Monte Alverne, o mundo tem saudades de ti qual imagem de Jesus crucificado. Tem necessidade do teu coração aberto para Deus e para o homem, dos teus pés descalços e feridos,

Um santo CACV a todos! das tuas mãos transpassadaseimplorantes. Tem saudades da tua voz fraca, mas fortepelo poder do Evangelho. Ajuda Francisco, os homens de hoje a reconheceremomal do pecado e a procurarem a sua purificação na penitência. Ajuda-os a libertarem-se das próprias estruturas dopecado, que oprimem a sociedade de hoje. Amém.” Daniel Ramos Setor de conteúdo Assistência de formação

CACV- Horários Sábado 14h- Acolhimento 14h15- Louvor 15h- Formação 01 15h30- Adoração silenciosa 16h- Intervalo 16h30- Sketch com jovens 16h45- Missa (se possível, missa votiva de São Francisco de Assis) 18h- Conclusão Domingo 08h30- Laudes 09h15h- Formação 02 10h- Adoração silenciosa 10h30- Intervalo 11h- Formação 03 11h30- Adoração comunitária 12h30- Intervalo 14h30- Louvor 15h- Formação 04 15h40- Adoração silenciosa 16h10- Intervalo 16h30- Missa de encerramento

Primeiro momento de deserto e adoração silenciosa Leia o texto abaixo em oração, diante do Senhor: “Francisco afirma no seu Testamento: "O Senhor disse a mim, irmão Francisco, para começar a fazer penitência assim: quando estava em pecado, me parecia uma coisa muito amarga ver os leprosos, e o Senhor mesmo me conduziu a eles. Eu tive para com eles misericórdia e, afastando- me deles, aquilo que me parecia amargo mudou em doçura de ânimo e de corpo. E, em seguida, fiquei um pouco e saí do século." É curioso. Estes são os três primeiros versículos que Francisco conta do seu testamento. Geralmente ele não fala de si, aqui ele fala de si, mas o faz de um modo estranho. Sabemos que Francisco se encontra no fim da sua vida. Recebeu os estigmas, grande experiência vivida de intimidade com o Senhor. Viu crescer a fraternidade, atravessou provas, doenças e incompreensões por parte dos próprios frades. Poderia contar muitas empresas. Foi até o sultão, fato pelo qual somos interessados. Quando todos diziam: "Não, não vá", ele vai. Ali vemos uma radicalidade: crê. Poderia contar muitos feitos, muitos sucessos e muitos fracassos, mas escolhe um caminho mais humilde e simples. Podemos dizer que escolhe a via da pequenez. Eu gosto disso. Não conta aquilo que ele fez por Deus, mas o que Deus fez por ele. Por isso, o Testamento é, antes de tudo, uma memória cheia de gratidão e de louvor pela ação de Deus. De fato, as primeiras palavras que ouvimos são iluminadoras: "O Senhor me disse ". Este refrão aparece várias vezes no Testamento. Aqui ou um pouco mais à frente, afirma: "O Senhor mesmo me conduziu". Mais à frente, diz: "O Senhor me deu tal fé", "o Senhor me deu uma grande fé". Repete: "O Senhor me deu irmãos", "o Senhor me revelou". Em suma, o convite que Francisco nos faz desde o início do seu Testamento é o de olhar para aquele que é santo, porque este é o convite e um modo de olhar a realidade que nos envolve. O que temos em comum com Francisco? Cremos no mesmo Deus, e Deus fala também a nós. É sempre assim. A santidade nasce aqui, deste olhar cheio de luz. E, antes de ser uma resposta da nossa parte humana — "agora eu trago a novidade na Igreja" —, é, antes de tudo, uma visita de Deus. É revolucionário. Antes de ser uma conquista, é um dom. Antes de ser um esforço, se pensarmos bem, é uma graça recebida. Gratuita. Francisco entendeu isso a partir de Jesus. Jesus que diz aos seus discípulos: "Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi". Desde o início, nós podemos sublinhar isto em Francisco: o Senhor é quem toma a iniciativa. É Deus que entra na história de Francisco.

Leia em oração na presença do Senhor o texto abaixo: “Chegar a louvar o Senhor por todas as suas criaturas não é uma coisa indiferente; é típico de quem é pacificado em Deus, de quem vive uma comunhão profunda com Deus, e é um pouco o tema do nosso segundo encontro: São Francisco e a sua vocação de ser instrumento de paz. Sempre, no seu Testamento, dizia: “O Senhor me revelou que disséssemos esta saudação: ‘O Senhor te dê a sua paz’”. Ele lembra que o Senhor lhe havia revelado esta luz, esta intuição. Não é simplesmente uma fórmula para Francisco, mas contém intuições profundas. Onde estão as raízes desta árvore que traz estes frutos que vemos, esta saudação? Qual a sua raiz? A sua raiz está fundada na experiência evangélica; não é uma teoria, é um encontro. De fato, a saudação franciscana não nasce de uma invenção pessoal de Francisco; nasce de uma revelação. É diferente. “O Senhor me revelou”, afirma Francisco. Assim, no início do Testamento, tudo parte da iniciativa de Deus. Assim, também aqui se consegue perceber que esta saudação que nós, frades, continuamos a fazer nasce de uma entrega que Deus faz a Francisco, nasce de Deus mesmo. E Francisco compreende que nós, homens, em geral, não podemos fabricar a paz, como se fosse uma fórmula mágica, mas ela acontece por entrega, por testemunho. Se nós nos deixarmos alcançar por esta paz, então conseguimos perceber, ou seja, agora, que a paz é um dom que desce do alto. E podemos dizer que ela tem a ver com a pessoa de Jesus. A paz é Jesus. É Ele mesmo que diz: “Vou dar a minha paz”. Quando diz “minha paz”, não quer dizer somente um efeito, mas tem a ver com a harmonia que Ele vive com o Pai. E esta é a primeira verdade que emerge da história de Francisco. E isto nos faz dizer o quê? Também para além dos biógrafos, que descrevem primeiro todo santo e depois o descrevem um pouco mais normal, as narrações nos dizem que Francisco não era santo; ele se tornou santo por graça divina.” (Frei Diego Dalla Gassa, OFM) ● O Senhor toma a iniciativa para vir ao nosso encontro e nos renovar com seu Amor Infinito e incondicional. Você consegue perceber o que Deus faz hoje em sua vida, como a Providência conduz, as iniciativas e intervenções da Divina Providência no dia que se chama hoje, até mesmo através de suas fraquezas e da debilidades dos irmãos? Vá orando e pedindo ao Senhor que renove em você o desejo e anseio pela santidade. O nosso Deus, o Deus dos cristãos, não começa falando o que devemos fazer para ir até Ele, mas revelando o que Ele fez e faz para vir até nós. Peça ao Senhor que realize uma intervenção em sua vida, mergulhando-o num amor ardente e esponsal por Ele, como foi o de Francisco. Ore com confiança, hoje o Senhor vem até nossa pobreza para realizar grandes coisas, pois Santo é o Seu Nome (cf.Lc 1,49) ● Segundo momento de deserto e de adoração silenciosa

Leia em oração diante do Senhor o texto abaixo, do nosso pregador: “Qual é, então, a primeira evangelização, a primeira pregação que Francisco vive com os seus frades? O exemplo. Esta é a primeira forma de evangelização: deixar que o Evangelho transforme a minha existência. Qual é a relação que tenho com a Palavra de Deus? Consigo parar? Consigo dedicar aquele momento íntimo, assim como os esposos vivem a sua intimidade? Somos chamados a nos tornar uma só carne com Deus, em uma união íntima com Ele. Não porque sejamos dignos disso, mas porque o Rei das almas nos convida a Eis por que Francisco chega a dizer: “O Senhor te dê a sua paz”, a Paz. A paz é sempre recebida antes de ser dada. Estou dizendo uma coisa que pode parecer óbvia, normal, mas não é assim, especialmente nesta Terra. É interessante perceber que esta paz da qual falamos tem raízes bíblicas. Sabemos bem da bênção de Aarão: “O Senhor volte para ti a sua face e te dê a sua paz”, que é considerada a bênção de São Francisco. Nasce do livro dos Números, capítulo 6. E se sabe também, nas profecias, que há o Príncipe da Paz. Sabemos bem quem é; escutamos isso na noite de Natal. E o Ressuscitado, aparecendo aos discípulos no cenáculo, mais de uma vez repete: “Paz a vós”. Francisco, então, não inventa nada; ele repete a beleza do Evangelho. E, então, se na primeira parte do nosso encontro vimos como Francisco se converte ao Evangelho, e a raiz profunda é porque descobre como Deus se dirigiu a ele no leproso e na vida ordinária, aqui descobrimos que a paz é fruto de uma comunhão que ele vive com Jesus Cristo.”( Frei Diego Dalla Gassa, OFM) ● Viver em comunhão profunda com o Senhor nos conduz a viver um caminho de pacificação. Não nos preocupamos mais em defender-nos, ou defender nossas teorias e opiniões como ‘’uma presa a agarrar’’, mas vivemos em um santo estado de abandono nas mãos de Deus. Porque somos do Senhor, não defendemos o que é nosso, mas com o coração livre vivemos e trabalhamos para Deus. Até quando é necessário ‘’defender’’ ideias por causa da convicção que nasceu em nós de que se trata da Vontade de Deus, não o fazemos mais com ansiedade, mas pacificados, porque sabemos que, no fundo, é Deus que toma a defesa de Sua Obra. Reze sobre tudo isso, veja como você tem vivido sua vida, sua vocação, sua missão. Você se sente um instrumento da Paz do Senhor na vida dos seus irmãos de Comunidade, na vida da sua família? No seu local de trabalho e apostolado na missão? Como crescer no dom da Paz? O que o Senhor lhe fala, concretamente? ● Terceiro momento de deserto e de adoração silenciosa

entrar na sua casa sem precisar pedir licença, com a intimidade de quem é de casa. Ele é o Rei das almas. A nossa alma se desposa com Deus. E nós somos chamados a nos tornar amantes do Criador, porque Francisco afirmava que "o Amor não é amado". É claro que seremos sempre insuficientes diante da grandeza de Deus. A Igreja é chamada a evangelizar através do testemunho. Pouco mais adiante, Francisco diz: "O Senhor me deu tal fé na Igreja." Rezamos assim quando entrávamos na igreja: "Nós te adoramos, Senhor Jesus Cristo, aqui e em todas as tuas igrejas que estão no mundo inteiro, e te bendizemos porque, pela tua santa Cruz, remiste o mundo." Esta oração ainda hoje nós fazemos; em muitos atos litúrgicos, nós a rezamos. Para Francisco, a evangelização, a pregação, o anúncio do Evangelho nunca nascem fora da comunhão com a Igreja. Porque, se algo me foi confiado, foi-me confiado pela Igreja. Nasce da Eucaristia, nasce da Palavra, nasce da comunhão com os nossos pastores. E Francisco ainda escreve: "O Senhor me deu e me dá uma tão grande fé nos sacerdotes..." Depois vai além, dizendo que beijaria as mãos dos sacerdotes, mesmo quando fossem pecadores. Porque via além da fragilidade deles — não porque fossem pecadores, é claro. Estas palavras assumem um significado ainda mais forte quando recordamos o contexto histórico em que Francisco viveu. A Igreja era muito poderosa naquele tempo, e os bispos e o clero eram duramente criticados. Francisco escolhe um caminho diferente, sem se tornar contraditório em relação à própria Igreja. Escolhe o caminho do Evangelho, deixando-se conduzir pela Santa Mãe Igreja. O Testamento continua: "Do mesmo Altíssimo Filho de Deus, nada vejo corporalmente neste mundo, senão o santíssimo Corpo e o santíssimo Sangue." Estamos no número 10 do Testamento. Aqui emerge uma profunda intuição cristológica. Para Francisco, a evangelização não consiste simplesmente em transmitir normas. Consiste em conduzir os homens ao encontro com Cristo e à fé dos Apóstolos, que criam mesmo vendo. Assim também nós, ainda que não vejamos, somos chamados a acreditar que é Ele, ali no pão e no vinho: o Corpo e o Sangue do Senhor. "Quero que estes santíssimos mistérios sejam colocados acima de todas as outras coisas, sejam louvados e venerados." O anúncio, para Francisco, nasce sempre da adoração. Quem não contempla Cristo dificilmente conseguirá testemunhá-Lo. Quem reza pouco ama pouco. Outro aspecto que podemos contemplar — e já nos encaminhamos para o final — é andar pelo mundo como peregrinos e forasteiros. Francisco utiliza esses dois termos e lemos no Testamento: "Morando sempre como hóspedes neste mundo, caminhemos como forasteiros e peregrinos."

Esta imagem atravessa toda a espiritualidade de Francisco e dos seus irmãos. Podemos compreendê-la ainda melhor. De onde vem esta expressão? Da Primeira Carta de Pedro: "Exorto-vos, como estrangeiros e peregrinos..." O evangelizador não é um proprietário. Nós, que aderimos a Cristo, não somos chamados a nos apropriar do Evangelho; somos chamados a ser seus servidores. Mas acontece justamente o contrário: é o Evangelho que se apropria da nossa vida e nos chama. Não é uma conquista, não é um domínio, não é uma imposição. É um caminhar próximo de Cristo e dos discípulos de ontem e de hoje. Somos chamados a ser peregrinos e forasteiros que contemplam a ação de Deus, que escutam, que partilham e que servem. Para Francisco, isso significa ser testemunhas, antes de tudo, com a vida. A missão não nasce do desejo de prevalecer, mas do desejo de partilhar. Partilhar: esta palavra é muito importante, porque nos recorda as palavras de Jesus, que quer partilhar a beleza do amar: "Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração." ● “O anúncio, para Francisco, nasce sempre da adoração.” (Frei Diego dela Gassa). A contemplação é fonte de toda a nossa vida. Que lugar tem a adoração e a própria vida contemplativa hoje, na sua vida? “A primeira evangelização que Francisco vive com seus frades é o exemplo.” (Frei Diego). Reze sobre isso, e de como anda seu testemunho de vida nos ambientes que você frequenta. Deixe o Senhor lhe falar, tente aprofundar esse questionamento, não queira responder muito rapidamente. Se possível, leve esse questionamento para sua oração pessoal, nos próximos dias. Como anda sua vida missionária e seu testemunho de Jesus? ● ●