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1No meio da roça, o sol tava de rachar a mamona e o trabalho não rendia. O Patrão Tião, dono da fazenda, montou na sua caminhonete veia e deu partida. "Vou lá na cidade resolver uns trem, juízo aí, cambada!", gritou ele. Severino, espiando de trás do paiol, só ficou de oi pra ver a poeira subir.

2Assim que o barulho do motor sumiu na curva, Severino correu falar com Pablito e Joaquim. "Escuta aqui, seus cabra! O gato saiu pra caçar, e os rato vai é pro forró! Vamo se mandá daqui também que o trabalho num foge, não!" Pablito achou a ideia boa demais da conta e já largou a enxada no chão.

3Severino não pensou duas vez. Juntou os trapo e correu direto pro boteco do Seu Zé, na beira da estrada. "Ô, Seu Zé! Traz uma daquela marvada que passarinho num bebe, que hoje a sede tá batendo mais forte que mula em dia de chuva!", gritou ele, já se ajeitando no balcão.

4Pablito, que não é bobo nem nada, foi direto pro seu rancho nos fundo da fazenda. Acendeu o fogo, colocou uma linguiça na brasa e abriu um sorriso de orelha a orelha. "Hoje a picanha vai cantar e a gente vai é comemorar o descanso!", dizia ele pro seu cachorro fiel, o Tufão.

5Já o Joaquim, que era homem de família e muito sossegado, resolveu que ia fazer um agrado pra sua patroa, a Zulmira. "Vou chegar cedo e dar um susto de alegria na muié!", pensou ele, catando uma flor de maio que nasceu na beira do caminho para levar de presente.

6Joaquim entrou em casa de fininho, tirando as bota pra não fazer nem um "rangido" no assoalho de madeira. Ele foi subindo pro quarto, todo faceiro com a flor na mão. Mas quando abriu a porta bem devagarinho, o coração dele quase deu um coice no peito de tanto susto.

7Lá dentro, a confusão tava armada. Zulmira tentava se cobrir de todo jeito, vermelha igual um pimentão. E escondido atrás da cortina, Joaquim viu as bota de couro legítimo do Patrão Tião aparecendo, com o dono tentando se fazer de poste pra ninguém ver.

8Joaquim não disse nem "uai". Fechou a porta com o maior cuidado do mundo, como se tivesse mexendo em ninho de vespa. Ele desceu as escada sem dar um pio e saiu correndo pro meio do mato, com o suor escorrendo frio pelas costa e a flor esquecida no chão.

9No dia seguinte, o sol mal tinha saído e o Patrão Tião já tava pegando a estrada de novo. Pablito e Severino já tavam com o plano pronto. "Bora, Joaquim! O patrão já picou a mula! Vamo aproveitar a folga de ontem e repetir a dose!", chamou Severino, rindo da sorte.

10Mas o Joaquim nem deu trela. Ele tava carpindo o chão com uma pressa que parecia que o mundo ia acabar. "Uai, de jeito nenhum, sô! Ocês tão é doido de pedra! Ontem eu quase fui pego no flagra! Daqui eu num saio nem que a vaca tussa!", respondeu ele, sem nem tirar o olho da enxada.