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Two’s&Two’sCAMINHOS DO COLAPSOComo a lógica de crescimento impulsiona a Crise Climática

04 Indústria do CO2 A nova cara do risco climático do Brasil 05Two’s&Two’s Sumário| Infográfico 06& Ana Lívia Raul Natan Maria Eduarda Giovana Victoria João VictorREPORTAGEM ESPECIALCiclos Econômicos e Emissão de CO2 no Brasil: Uma Análise Dinâmica para Políticas Ambientais Ótimas

REPORTAGEM ESPECIAL Chuvas torrenciais, estiagens prolongadas, ondas de calor fora de época. O que há poucas décadas pareceria um cenário de ficção hoje é parte da realidade brasileira. A crise climática não é uma ameaça futura. Ela já está em curso, alterando rotinas, encarecendo alimentos, fragilizando o sistema elétrico e desafiando a estabilidade econômica e social do país. Do Norte ao Sul, os impactos são visíveis, mas suas causas muitas vezes permanecem invisíveis. O que está em jogo é a forma como produzimos, consumimos e nos relacionamos com o planeta. No Brasil, esse modelo tem nome: um sistema que prioriza a expansão agropecuária, o uso intensivo de combustíveis fósseis e a lógica da produção em larga escala, sem considerar os limites ecológicos. Nesta edição, convidamos você a olhar de frente para essa realidade. A crise climática brasileira tem raízes profundas, mas também caminhos possíveis de superação. A ciência, especialmente a química, aparece como aliada indispensável na busca por soluções sustentáveis. Iniciativas como a química verde, a economia circular e a transição energética mostram que é possível romper com o ciclo de destruição e construir um novo futuro mais justo e limpo. Com base em dados atualizados, entrevistas com especialistas e análises críticas, esta reportagem especial reúne conhecimento, urgência e esperança. O Brasil tem tudo para liderar a transformação: biodiversidade, recursos naturais, inovação científica e criatividade social. Mas para isso, é preciso agir com clareza e coragem. O futuro está sendo decidido agora. E ele depende de escolhas feitas não apenas em grandes conferências, mas também dentro de escolas, laboratórios, gabinetes políticos e na consciência de cada cidadão. Boa leitura. Equipe Two’s & Two’s

O Brasil tem se tornado um palco constante de eventos climáticos extremos que, há poucas décadas, seriam considerados aberrações. Chuvas avassaladoras no Nordeste, estiagens prolongadas no Sul, temperaturas que quebram recordes históricos em pleno inverno. A vida cotidiana mudou. O agricultor colhe menos, a energia elétrica oscila, o preço dos alimentos dispara. Nas cidades ou nas zonas rurais, a crise climática influencia decisões pessoais, econômicas e políticas. Ela não se limita à ecologia. Afeta a estabilidade social, os mercados e a saúde pública. No centro desse desequilíbrio está algo que não se vê: a maneira como produzimos, consumimos e interagimos com o planeta. Embora as mudanças climáticas sejam apresentadas como fenômenos globais, suas causas têm endereço. No Brasil, elas estão associadas a uma lógica econômica que privilegia a produção em larga escala, o uso intensivo de combustíveis fósseis e a expansão agropecuária. Não por acaso, o setor de energia responde por mais de 70% das emissões nacionais, segundo Miriam Garcia, do WRI Brasil. “Você é eternamente responsável pelo que emite”, disse ela ao podcast Planeta A. Claudio Angelo, do Observatório do Clima, destaca que “os compromissos climáticos têm algum progresso, mas mostram uma dissonância cognitiva… objetivos de redução muito distantes da transformação estrutural necessária”, como afirmou ao El País. O modelo atual se sustenta em escolhas que, acumuladas, colocam o Brasil no centro da crise. O CO₂ tem papel decisivo nessa equação. Ao queimar carvão, petróleo ou gás natural, liberamos esse gás, que se acumula na atmosfera e intensifica o efeito estufa. Esse fenômeno retém calor acima dos níveis naturais, aquecendo o planeta e desregulando ciclos ambientais. Ainda há quem associe o CO₂ diretamente aos buracos na camada de ozônio, mas os principais responsáveis por esse dano são os CFCs (clorofluorcarbonos). Ainda assim, o acúmulo de CO₂ contribui indiretamente, criando condições atmosféricas que dificultam a regeneração do ozônio e elevam a poluição na troposfera, impactando a saúde pública. A química, portanto, é essencial para entender e enfrentar esse cenário. Indústria do COa nova cara do risco climático do Brasil24

Ela também oferece soluções. A chamada química verde propõe a criação de produtos biodegradáveis, menos tóxicos e processos industriais com menor impacto ambiental. Ao lado da economia circular, que sugere reaproveitar resíduos e redesenhar cadeias produtivas, esse modelo rompe com o ciclo linear de “extrair, produzir e descartar”. Inovação tecnológica e responsabilidade ambiental caminham juntas nessa proposta. Transformar resíduos em insumos e emissões em oportunidades exige um novo paradigma industrial. Essa mudança não é apenas ambiental, mas econômica, capaz de gerar empregos, valor agregado e soberania científica. Enquanto isso, a lógica de crescimento rápido persiste. A expansão agrícola e agropecuária segue emitindo CO₂ e metano, ao passo que a matriz energética continua atrelada a combustíveis fósseis. As exportações brasileiras, especialmente no setor primário, carregam alta intensidade de carbono. Segundo o Observatório do Clima, mesmo com reduções entre 59% e 67% até 2035, o Brasil pode não conter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C, dependendo do ponto de partida (2005 ou 2019). Os especialistas alertam para a urgência da mudança. Luciana Gatti, cientista do clima, afirmou à revista Piauí: “É muito difícil ser uma cientista da área de mudanças climáticas hoje… por causa da consciência de que estamos plantando a nossa própria destruição”. Paulo Artaxo, físico da USP e membro do IPCC, reforça essa gravidade, cobrando políticas públicas consistentes. E André Corrêa do Lago, presidente designado da COP30, lembra: “Negar a crise que vivemos em nome da economia é um erro estratégico”, em entrevista à Fecomércio.5

Mais do que tecnologia, a transição climática exige cultura científica. A alfabetização ambiental da população é indispensável. Tornar a ciência acessível por meio de podcasts, experiências escolares, portais de informação e debates públicos transforma dados em ação. Uma simples simulação do efeito estufa com CO₂, feita em sala de aula, pode despertar consciência em futuras gerações. A crise climática não é só física. É também política, ética e social. Comunicar esse problema é parte da solução, e o Brasil precisa entender seu papel nesse cenário global com urgência e clareza. Estamos diante de uma escolha definitiva: manter o modelo atual, que colapsa o planeta em nome do lucro, ou redesenhar a economia com base em ciência, responsabilidade e inovação. Na ficção científica, o futuro é decidido por catástrofes ou invenções milagrosas. No mundo real, ele é construído em reuniões de gabinete, fóruns ambientais, salas de aula e laboratórios. O Brasil tem o que precisa: biodiversidade, sol, vento, inteligência. Mas só chegará ao futuro se ciência, vontade política e consciência coletiva caminharem juntas.6Créditos das Citações: Miriam Garcia, WRI Brasil podcast Planeta A, via oeco.org.br Claudio Angelo, Observatório do Clima El País Brasil André Aranha Corrêa do Lago Fecomercio.com.br Luciana Gatti Revista Piauí, piaui.folha.uol.com.br Paulo Artaxo Podcast da PUC-SP, j.pucsp.br Observatório do Clima oeco.org.br / elpais.com

A crise climáticaÉ CÍCLICA Fábricas soltando fumaça (CO₂) Termômetro em alta agropecuária e desmatamento Enchente e seca no mesmo mês Desmata, exporta, repete. Chuvas demais, água de menos. 70% das emissões vêm do setor energético Expansão agropecuária continua crescendo Brasil é um dos 10 maiores emissores de gases de efeito estufa7

mas a escolha do cicloÉ NOSSAPlacas solares e turbinas eólicas Tecnologia com consciência Comida limpa, clima estável Produzir sem agredir. Tudo tem volta Menos veneno, mais solução Economia circular pode gerar 1 milhão de empregos até 20308