Publica, Onde a Criatividade Vira Manchete | Edição 1

A Publica é uma revista que investiga a relação entre consumo e emoção. Esta primeira edição explora como marcas usam storytelling, psicologia e algoritmos para vender não apenas produtos, mas sentimentos como felicidade, autoestima e pertencimento. A publicação traz uma crônica crítica sobre a transformação do consumo em linguagem emocional, uma entrevista com Anselmo Ramos sobre a campanha…

A Publica é uma revista que investiga como a publicidade emocional transforma o consumo em uma troca de sentimentos, não apenas de bens. A edição é voltada para leitores interessados em marketing, psicologia do consumo e comportamento humano, e busca provocar reflexão sobre a influência emocional da publicidade nas escolhas cotidianas.

A seção principal, intitulada A Loja dos Desejos Invisíveis, é uma crônica crítica e poética sobre a evolução do consumo. O texto começa com Edward Bernays, sobrinho de Sigmund Freud, que uniu psicologia e marketing no início do século XX, transformando cigarros em símbolos de liberdade feminina e criando o storytelling publicitário.

A revista aborda como os algoritmos se tornaram os novos vendedores, observando cliques, pausas e desejos dos usuários para montar vitrines personalizadas. A análise mostra que o produto é apenas a isca, e o verdadeiro negócio é a emoção que ele promete ativar, criando uma confusão entre identidade e consumo.

Uma entrevista com Anselmo Ramos, então na Ogilvy Brasil e hoje fundador da GUT, detalha a criação da campanha Retratos da Real Beleza para a Dove. A campanha usou um desenhista forense do FBI para criar retratos baseados na autodescrição e na descrição de outra pessoa, viralizou globalmente e ganhou o Grand Prix em Outdoor no Festival de Cannes.

A psicóloga Susan Linn, autora do livro Consuming Kids, alerta que a publicidade vende sentimentos como felicidade, pertencimento e autoestima. Ela explica que o marketing apela a inseguranças profundas e oferece soluções emocionais embaladas como produtos, criando uma cultura onde a resposta automática ao desconforto é consumir.