SESC em Cena O Musical Viviane Pereira Editora

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 1 SESC EM CENA: O MUSICAL Quando a escola vira palco e o aluno descobre que também pode criar mundos Um relato de criação, educação, teatro e encantamento

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 2 VIVIANE PEREIRA

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 3 SESC EM CENA: O MUSICAL Memória de um processo artístico-pedagógico desenvolvido com estudantes do Ensino Fundamental II

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Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 5 DEDICATÓRIA Aos meus alunos e alunas, que me ensinaram, mais uma vez, que o teatro não começa quando a cortina se abre. Ele começa quando alguém se arrisca a imaginar. Dedico este livro a cada estudante que entrou em uma sala de aula carregando suas dúvidas, suas inseguranças, seus silêncios, seus gestos, suas histórias e seus sonhos — e que, durante o processo de criação, descobriu que também carregava uma cena dentro de si. Dedico também à escola que acredita que educar é muito mais do que transmitir conteúdos. Educar é criar possibilidades para que alguém possa descobrir quem é, quem pode ser e quais mundos ainda pode inventar.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 6 APRESENTAÇÃO Há projetos que terminam quando o espetáculo acaba. E há projetos que continuam vivendo dentro das pessoas. SESC em Cena: O Musical pertence à segunda categoria. O que nasceu dentro da escola como uma proposta artística transformou-se em uma experiência de criação coletiva envolvendo estudantes do Ensino Fundamental II, professora, dramaturgia, música, dança, interpretação, cenografia, figurino, ensaios, descobertas, conflitos, risos, erros, recomeços e, sobretudo, presença. Este livro nasce da necessidade de registrar esse caminho. Não apenas o espetáculo apresentado ao público, mas aquilo que quase nunca aparece quando as luzes se acendem: o processo. Porque um espetáculo escolar não é somente aquilo que o público vê. Existe uma história anterior à cena. Existe o estudante que inicialmente não queria falar. Existe aquele que tinha vergonha de dançar. Existe aquele que queria estar no centro do palco. Existe aquele que descobriu que preferia cuidar do cenário, da organização ou de outras funções da produção. Existe o texto escrito e reescrito. Existe a música escolhida. Existe a coreografia criada. Existe o ensaio em que nada dá certo. Existe o dia em que tudo parece impossível. E existe, finalmente, aquele instante em que os estudantes olham uns para os outros e percebem:

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 7 “Nós conseguimos.” Foi desse lugar que nasceu o SESC em Cena: O Musical.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 8 CAPÍTULO 1 ANTES DA CORTINA, EXISTE UM SONHO Todo espetáculo começa antes do palco. Começa no pensamento de alguém. Às vezes, começa como uma imagem. Às vezes, como uma pergunta. Às vezes, como uma inquietação. No meu caso, começou com uma vontade antiga: fazer da escola um território de criação artística verdadeira. Não queria apenas levar os estudantes para assistir a um espetáculo. Queria que eles compreendessem que também poderiam construir um. Essa diferença parece pequena, mas pedagogicamente é enorme. Há uma diferença entre consumir cultura e produzir cultura. Entre assistir e participar. Entre repetir e criar. Entre decorar uma fala e compreender por que aquela fala precisa existir. O projeto SESC em Cena: O Musical nasceu justamente desse desejo de deslocar o estudante do lugar de espectador para o lugar de artista-criador. A escola tornou-se sala de ensaio. A sala de aula tornou-se espaço de experimentação. O corpo tornou-se instrumento. A voz tornou-se matéria. A imaginação tornou-se método.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 9 E o teatro passou a ser compreendido não como uma atividade complementar, mas como uma linguagem capaz de produzir conhecimento. Foi nesse território que professora e estudantes começaram a caminhar.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 10 CAPÍTULO 2 A PROFESSORA-ARTISTA Minha relação com o teatro não começou na escola. Antes de ensinar teatro, eu precisei aprender a escutar o palco. Minha trajetória foi construída entre o teatro, a dança, a educação e diferentes experiências de criação. A formação em Teatro pela Universidade Federal do Tocantins — UFT constituiu uma etapa fundamental dessa trajetória. Foi nesse percurso que fui compreendendo que o artista e o educador podem habitar o mesmo corpo. Mais tarde, a formação em Arte, Cultura e Educação ampliou esse olhar. Hoje, como mestranda em Educação, continuo investigando aquilo que, na prática, sempre me moveu: o encontro entre arte, escola, formação humana e criação. Mas nenhum currículo consegue contar sozinho uma trajetória artística. Existem os encontros. Os mestres. Os ensaios. As montagens. Os palcos. Os erros. Os corpos que ensinam outros corpos. Na minha caminhada, o teatro também foi atravessado pela dança e por diferentes experiências de preparação corporal e criação cênica.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 11 Um desses encontros foi com Marcelo Denny, meu primeiro diretor teatral, com quem trabalhei durante quatro anos em São Paulo. Essa experiência marcou profundamente minha formação. Aprendi que dirigir não é simplesmente dizer ao outro o que fazer. Dirigir é observar. Escutar. Provocar. Criar condições para que o outro encontre sua própria presença. Essa aprendizagem retornaria anos depois para a sala de aula. Porque, diante de adolescentes, percebi novamente que o professor-diretor não pode ocupar todo o espaço. Ele precisa saber quando conduzir e quando recuar. Quando explicar e quando perguntar. Quando organizar e quando permitir que o caos criativo aconteça.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 12 CAPÍTULO 3 UMA TRAJETÓRIA QUE SE FAZ NO ENCONTRO Todo artista é feito de encontros. Algumas pessoas passam pela nossa vida. Outras permanecem trabalhando dentro de nós. Minha trajetória foi construída por experiências com artistas, educadores, diretores, grupos e diferentes contextos de criação que ampliaram minha maneira de compreender o teatro, a dança e a educação. Essas experiências não ficaram guardadas em certificados. Elas entraram no corpo. E aquilo que entra no corpo do professor inevitavelmente chega aos alunos. Quando entro em uma sala de aula para trabalhar teatro, não entro sozinha. Entro acompanhada por tudo aquilo que vivi: minhas montagens teatrais, os palcos, as salas de ensaio, as experiências como atriz, diretora, professora e criadora, os desafios e as descobertas. Carrego, principalmente, a certeza de que ensinar arte exige fazer arte.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 13 É nesse cruzamento entre experiência artística e prática pedagógica que nasce a professora-artista: alguém que não apenas ensina uma linguagem, mas permanece em processo de criação.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 14 CAPÍTULO 4 ENTRE BEBÊS, BRINCADEIRAS E ADOLESCENTES Outra experiência fundamental da minha trajetória está relacionada ao trabalho com a Cia. Jujubas, em parceria com a musicoterapeuta e musicista mineira Veri Barreto, em trabalhos dedicados ao teatro para bebês e crianças de até cinco anos. Trabalhar para a primeira infância transforma nossa maneira de compreender o teatro. Com um bebê, não existe espaço para artificialidade. É preciso presença. É preciso delicadeza. É preciso perceber o silêncio, o olhar, o movimento mínimo, o som, o ritmo e a música. O teatro para a primeira infância me ensinou a reconhecer a potência do pequeno. Um gesto pode ser uma cena. Um som pode inaugurar uma narrativa. Uma cantiga pode construir uma ponte entre o adulto e a criança. O trabalho com musicalidade, com o cancioneiro popular e com histórias também ampliou minha percepção sobre a relação entre memória, cultura e criação. E, de certa forma, tudo isso chegou ao SESC em Cena.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 15 Porque, embora os estudantes do Ensino Fundamental II já fossem maiores, eles continuavam precisando de algo essencial: o direito de brincar. Brincar não significa ausência de seriedade. Brincar é uma forma de investigar o mundo. É experimentar possibilidades. É criar regras para depois descobrir que podemos transformá-las. É construir personagens. É testar vozes. É errar sem que o erro seja imediatamente fracasso. O teatro começa muitas vezes exatamente aí. No brincar.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 16 CAPÍTULO 5 A ESCOLA COMO TERRITÓRIO TEATRAL A escola é um dos espaços mais importantes de democratização do acesso à arte. Nem todos os estudantes terão a oportunidade de frequentar cursos livres, companhias profissionais, oficinas particulares ou diferentes espaços culturais. Por isso, quando o teatro entra na escola, ele não deve entrar como privilégio. Deve entrar como possibilidade. A experiência teatral amplia repertórios, desenvolve a comunicação, estimula a imaginação, favorece a escuta, trabalha a consciência corporal, estimula a colaboração e fortalece a autonomia. E, sobretudo, cria situações em que o estudante precisa estar verdadeiramente presente. No teatro, não basta saber. É preciso fazer. É preciso experimentar. É preciso relacionar-se. É preciso responder ao outro. É preciso perceber o espaço. O conceito de estudante como performer amplia essa compreensão. O estudante não é simplesmente alguém que recebe uma proposta pronta. Ele produz sentidos. Ele interpreta. Ele transforma. Ele responde. Ele cria.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 17 É justamente por isso que o teatro pode ser uma poderosa experiência educacional.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 18 CAPÍTULO 6 AUGUSTO BOAL E A POSSIBILIDADE DE TRANSFORMAR Quando pensamos teatro e educação, não podemos ignorar a contribuição de Augusto Boal. Sua perspectiva sobre o teatro como instrumento de participação, diálogo e transformação social continua provocando educadores e artistas. Ao desenvolver o Teatro do Oprimido, Boal rompeu com a ideia de que o espectador deveria permanecer passivo diante da cena. Para ele, o teatro poderia criar condições para que as pessoas se tornassem participantes, sujeitos e transformadores da realidade. Uma de suas formulações mais conhecidas afirma: “Somos todos atores: ser cidadão não é viver em sociedade, é transformá-la.” Essa perspectiva atravessa profundamente minha maneira de compreender o ensino do teatro. Quando um estudante sobe ao palco, não quero que ele seja apenas alguém que reproduz uma fala que recebeu. Quero que compreenda que aquela fala pode carregar uma intenção, uma pergunta, uma experiência, uma escolha.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 19 O teatro pode colocar o indivíduo diante de perguntas. Pode revelar conflitos. Pode criar possibilidades. Pode fazer alguém perceber que existem diferentes maneiras de ocupar um espaço. Na escola, isso é profundamente educativo. O estudante que sobe ao palco experimenta uma transformação concreta. Aquele que tinha medo de falar precisa encontrar sua voz. Aquele que queria controlar tudo precisa aprender a trabalhar coletivamente. Aquele que não queria participar precisa descobrir outra maneira de estar no processo. Aquele que acreditava não possuir talento pode descobrir uma habilidade que ainda não conhecia. Nesse sentido, o teatro não ensina apenas a representar. Ele ensina a estar no mundo.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 20 CAPÍTULO 7 CLARICE E O ENCANTAMENTO DO COTIDIANO Há algo na literatura de Clarice Lispector que sempre me provoca: a capacidade de transformar acontecimentos aparentemente simples em experiências profundas. Ao pensar no nascimento do SESC em Cena: O Musical, lembro- me de uma passagem de Clarice Lispector em Perto do Coração Selvagem: “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.” Essa frase encontra uma ressonância especial no processo de criação artística. Antes de existir um espetáculo, existe algo que ainda não sabemos nomear. Existe uma inquietação, uma imagem, uma vontade, uma pergunta. Existe aquilo que ainda não ganhou forma. Essa percepção também pode habitar a educação. Uma aula pode parecer apenas uma aula. Um ensaio pode parecer apenas um ensaio. Uma fala pode parecer apenas uma fala. Mas, para aquele estudante, talvez esteja acontecendo alguma coisa muito maior. Talvez seja a primeira vez que ele percebe que sua opinião importa. Talvez seja a primeira vez que alguém escuta sua criação. Talvez seja a primeira vez que sobe em um palco. Talvez seja a

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 21 primeira vez que percebe que seu corpo também pode contar uma história. A educação artística precisa aprender a reconhecer esses instantes. Porque o extraordinário muitas vezes se esconde no cotidiano. E o teatro tem justamente essa capacidade: olhar novamente para aquilo que parecia conhecido.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 22 CAPÍTULO 8 ESCREVER O ESPETÁCULO Antes dos figurinos. Antes das coreografias. Antes dos ensaios. Antes da iluminação. Existia uma página em branco. Escrever SESC em Cena: O Musical foi construir uma arquitetura de possibilidades. A dramaturgia precisava conversar com os estudantes. Precisava ser suficientemente desafiadora para produzir aprendizagem, mas suficientemente acessível para permitir que eles se reconhecessem naquele universo. O texto foi sendo pensado como uma obra coletiva em potencial. A escrita não era simplesmente criar falas para que os alunos decorassem. Era construir situações nas quais eles pudessem atuar. O espetáculo foi pensado a partir do encontro entre diferentes linguagens: teatro, música, dança, narrativa, corpo, imagem, cenografia e figurino. Por isso, o nome musical não era apenas um detalhe. A música deveria cumprir uma função dramatúrgica. A dança deveria contar. O corpo deveria narrar. A cena deveria produzir imagens. O estudante deveria compreender que um espetáculo é formado por muitas camadas.

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Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 24 CAPÍTULO 9 DO TEXTO AO CORPO Existe um momento mágico no processo teatral. É quando o texto deixa de pertencer ao papel e passa a pertencer ao corpo. A fala que parecia estranha começa a ganhar intenção. A personagem começa a respirar. O gesto aparece. O olhar muda. A cena encontra seu ritmo. Foi assim que o texto do SESC em Cena começou a ganhar vida. Os estudantes experimentaram, testaram, erraram, repetiram, mudaram, riram e recomeçaram. E esse processo era tão importante quanto o resultado. Porque ensaiar é aprender. O ensaio ensina persistência. Ensina disciplina. Ensina escuta. Ensina que o talento individual não substitui o trabalho coletivo. Um espetáculo não acontece porque existe uma pessoa talentosa. Acontece porque muitas pessoas aprendem a construir juntas.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 25 CAPÍTULO 10 O PROFESSOR COMO MEDIADOR O professor de teatro não é dono da cena. Ele é mediador. Essa distinção é fundamental. Mediar significa criar condições para que a experiência aconteça. Em determinados momentos, precisei conduzir. Em outros, observar. Em outros, interromper. Às vezes, foi necessário dizer: “Vamos tentar novamente.” Em outras: “E se vocês experimentassem de outro jeito?” Essa pergunta talvez seja uma das ferramentas mais importantes de um professor-artista. E se...? E se a cena fosse mais lenta? E se o personagem não falasse? E se todos ocupassem o espaço? E se a música entrasse antes? E se o silêncio fosse mais longo? E se a coreografia começasse no fundo? O teatro é construído por perguntas. E a educação também.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 26 CAPÍTULO 11 O CORPO QUE APRENDE A dança sempre esteve presente na minha trajetória. E ela também encontrou espaço no SESC em Cena. Ensinar dança no contexto escolar não significa formar bailarinos. Significa possibilitar que o estudante reconheça seu próprio corpo como instrumento de comunicação. O corpo fala. Antes da palavra. Durante a palavra. Depois da palavra. Um ombro pode demonstrar tensão. Um passo pode indicar medo. Uma mudança de direção pode construir uma narrativa. Uma formação coletiva pode produzir uma imagem. No musical, dança e teatro se encontraram. A coreografia deixou de ser apenas uma sequência de movimentos. Ela passou a ser parte da dramaturgia. O corpo passou a contar.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 27 CAPÍTULO 12 QUANDO A SALA DE AULA SE TRANSFORMA EM COMPANHIA Um dos maiores ganhos pedagógicos do projeto foi a transformação da relação entre os estudantes. A turma começou a funcionar como um coletivo de criação. Isso não significa que todos concordavam. Pelo contrário. Houve divergências. Houve ansiedade. Houve insegurança. Houve momentos de cansaço. Mas justamente aí estava uma das maiores aprendizagens. Criar coletivamente é aprender a negociar. É perceber que a minha ideia não precisa desaparecer para que a ideia do outro exista. É aprender a ouvir. É aprender a esperar. É aprender a dividir o espaço. É aprender que protagonismo não significa necessariamente estar sozinho no centro. Às vezes, protagonizar é sustentar a cena do outro.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 28 CAPÍTULO 13 CENOGRAFIA, FIGURINO E PRODUÇÃO Um espetáculo não é construído somente por atores. Essa foi outra aprendizagem importante. A criação envolveu figurinos, cenários, objetos, organização espacial, música, movimento, preparação e produção. Os estudantes passaram a perceber que existe um trabalho invisível por trás daquilo que aparece no palco. Uma cadeira pode ser cenário. Um tecido pode transformar um espaço. Uma cor pode indicar uma atmosfera. Uma peça de figurino pode ajudar a construir uma personagem. Um objeto pode desencadear uma narrativa. A produção também educa. Ela ensina planejamento. Responsabilidade. Organização. Compromisso. E ensina algo fundamental: cada detalhe importa.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 29 CAPÍTULO 14 O ENSAIO EM QUE NADA DÁ CERTO Todo processo artístico possui seu dia de caos. O dia em que a música não entra. A fala desaparece. A coreografia se perde. O cenário não funciona. A turma se dispersa. O tempo termina. E o professor olha para o relógio pensando: “Como vamos conseguir?” Esses momentos também fazem parte da educação. Porque a arte nos ensina a conviver com o imprevisível. Nem tudo pode ser controlado. Às vezes é necessário respirar. Reorganizar. Recomeçar. E seguir. Um espetáculo não nasce perfeito. Ele nasce de muitas tentativas.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 30 CAPÍTULO 15 A PROFESSORA DIANTE DOS ALUNOS Existe uma dimensão da docência que os planejamentos não registram. É a dimensão afetiva. O professor também se envolve. Também se emociona. Também se preocupa. Também sente medo de não conseguir. Ao longo do processo, eu não estava apenas ensinando os estudantes. Eu também estava sendo transformada por eles. Cada turma modifica o professor. Cada grupo cria uma dinâmica diferente. Cada estudante traz uma pergunta que obriga o educador a rever seus métodos. Por isso, considero-me uma professora-artista. Não porque o artista seja superior ao professor. Mas porque compreendo a docência como uma prática criativa. Planejar uma aula é criar. Dirigir uma cena é criar. Escutar um estudante é criar uma possibilidade. Encontrar uma solução diante de um problema é criar. A educação também é uma arte.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 31 CAPÍTULO 16 A CULMINÂNCIA Então chegou o dia. As luzes. O público. Os figurinos. O cenário. A música. O silêncio antes do início. Aquela pequena eternidade em que tudo parece suspenso. E então... a cena começa. O que o público vê naquele instante é apenas a ponta de uma história muito maior. Atrás daquela apresentação existem semanas e meses de trabalho. Existem exercícios. Existem textos. Existem conversas. Existem tentativas. Existem erros. Existem risadas. Existem inseguranças. Existem estudantes que descobriram novas capacidades. Quando o espetáculo começa, o processo não desaparece. Ele aparece. Está no corpo de cada estudante. Na voz. No olhar. Na maneira de ocupar o espaço. Na capacidade de permanecer presente. O palco torna visível aquilo que foi construído invisivelmente.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 32 CAPÍTULO 17 O APLAUSO NÃO É O FIM Quando o público aplaude, existe uma sensação de encerramento. Mas, pedagogicamente, o aplauso é apenas uma pausa. O verdadeiro resultado de um projeto como esse não pode ser medido somente pela qualidade da apresentação. É preciso perguntar: O que o estudante aprendeu? O que descobriu sobre si? O que descobriu sobre o outro? Que medo conseguiu enfrentar? Que habilidade desenvolveu? Que relação construiu? Que memória levará? Talvez um aluno não se torne ator. Talvez não se torne bailarino. Talvez siga uma profissão completamente diferente. Mas poderá carregar consigo algo aprendido no palco: a capacidade de falar, de ouvir, de criar, de colaborar, de imaginar e de persistir. E isso já é uma grande aprendizagem.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 33 CAPÍTULO 18 TEATRO COMO DIREITO DE APRENDIZAGEM A arte não deve ser tratada como um enfeite no currículo. Ela é conhecimento. É linguagem. É experiência estética. É cultura. É pensamento. É criação. Quando trabalhamos teatro na escola, não estamos apenas preparando um espetáculo. Estamos trabalhando formação humana. A perspectiva da arte como direito de aprendizagem dialoga com uma concepção de educação que reconhece o estudante como sujeito de criação. Por isso, projetos como o SESC em Cena podem ocupar um lugar importante na escola. Eles articulam diferentes conhecimentos e permitem que o estudante aprenda de maneira integrada. Literatura. Música. Artes Visuais. Dança. Teatro. História. Cultura. Comunicação. Trabalho coletivo. Tudo isso pode habitar uma única experiência.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 34 CAPÍTULO 19 TEATRO, INFÂNCIAS E JUVENTUDES As reflexões contemporâneas sobre teatro e infância nos lembram que não existe uma única maneira de ser criança ou adolescente. Existem múltiplas infâncias. Múltiplas juventudes. Múltiplos corpos. Múltiplas histórias. A escola precisa reconhecer essa diversidade. No teatro, essa diversidade não precisa desaparecer para que exista uma cena harmoniosa. Ela pode ser justamente a força da criação. Um estudante pode ser extremamente expressivo. Outro pode ser mais silencioso. Um pode ter facilidade para memorizar. Outro pode possuir grande habilidade corporal. Um pode descobrir-se na interpretação. Outro pode encontrar seu lugar na produção. Não precisamos fazer todos iguais. Precisamos criar condições para que todos possam participar.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 35 CAPÍTULO 20 O LEGADO O legado de um projeto artístico escolar não cabe em fotografias. As fotografias registram momentos. O legado está nas transformações. Talvez daqui a alguns anos um estudante se lembre da primeira vez em que subiu ao palco. Talvez se lembre da professora dizendo: “Você consegue.” Talvez se lembre de um colega que o ajudou. Talvez se lembre de uma cena que precisou repetir dez vezes. Talvez não se lembre de tudo. Mas alguma coisa permanecerá. Porque experiências artísticas deixam marcas. E algumas marcas não aparecem. Elas se tornam maneiras de olhar.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 36 EPÍLOGO QUANDO A CORTINA FECHA, A HISTÓRIA CONTINUA No teatro, aprendemos que toda cena termina. Mas também aprendemos que nenhum final é completamente final. Quando as luzes se apagam, alguma coisa permanece. O palco permanece dentro de quem esteve nele. O estudante sai diferente. A professora sai diferente. A escola sai diferente. Foi assim com o SESC em Cena: O Musical. O espetáculo terminou. Mas o processo continua sendo lembrado. Continua provocando perguntas. Continua produzindo memória. E talvez seja justamente essa a maior potência da educação artística: criar experiências que continuam acontecendo depois que a aula termina. Minha trajetória no teatro, na dança e na educação me ensinou que ensinar arte é aceitar o risco do encontro. É entrar em uma sala sem saber exatamente quem sairá dela. É confiar no processo. É compreender que o aluno não é uma página em branco.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 37 Ele chega carregado de repertórios, histórias, gestos, referências, medos, desejos e imaginação. O papel do professor-artista não é preencher esse espaço. É criar condições para que aquilo que já existe possa ganhar forma. Foi isso que tentei fazer com o SESC em Cena. Criar espaço. Criar escuta. Criar presença. Criar teatro. E, principalmente, criar possibilidades. Porque talvez a pergunta mais importante que um projeto de arte possa deixar para um estudante não seja: “Você quer ser artista?” Mas: “Que mundo você consegue imaginar quando percebe que também pode criá-lo?”

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 38 CARTA FINAL AOS MEUS ALUNOS Queridos alunos e alunas, Quando começamos esse projeto, talvez muitos de vocês não imaginassem tudo o que viveríamos. Talvez alguns pensassem que seria apenas mais uma atividade. Mais uma apresentação. Mais um trabalho escolar. Mas vocês descobriram que fazer teatro é muito mais do que decorar falas. É confiar. É ouvir. É errar. É tentar novamente. É cuidar do outro. É assumir responsabilidades. É colocar o corpo em movimento. É transformar uma ideia em presença. Eu vi vocês crescerem durante esse processo. Vi estudantes vencerem a timidez. Vi outros descobrirem habilidades que nem imaginavam possuir. Vi amizades nascerem. Vi conflitos serem enfrentados. Vi cenas que começaram pequenas se transformarem em momentos importantes. E, principalmente, vi vocês compreenderem que um espetáculo não pertence a uma única pessoa. Ele pertence ao coletivo. Se algum dia vocês se perguntarem o que realmente aprenderam no SESC em Cena, espero que se lembrem disso: Vocês aprenderam que suas vozes têm valor. Que seus corpos podem criar.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 39 Que suas ideias podem transformar. Que ninguém cria sozinho. E que o palco pode ser muito maior do que um espaço iluminado. O palco pode ser uma metáfora para a própria vida. Entrem nela com presença. Com coragem. Com escuta. Com imaginação. E nunca tenham medo de começar uma cena nova. Com carinho e orgulho, Professora Viviane Pereira

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 40 SOBRE A AUTORA Viviane Pereira é professora, diretora teatral, atriz e artista- educadora. É licenciada em Teatro pela Universidade Federal do Tocantins — UFT, pós-graduada em Arte, Cultura e Educação e mestranda em Educação. Sua trajetória profissional transita entre educação, teatro, dança, direção, criação cênica e formação artística. Atuou durante anos no campo das artes cênicas, tendo entre suas experiências profissionais o trabalho em São Paulo com o diretor teatral Marcelo Denny, com quem trabalhou durante quatro anos. Viviane possui experiência em montagens teatrais, direção, formação de atores e educação artística. Também desenvolve experiências relacionadas à Cia. Jujubas, em trabalhos voltados ao teatro para bebês e crianças pequenas, explorando musicalidade, histórias, brincadeiras e elementos do cancioneiro popular. Como professora-artista, desenvolve projetos de teatro, dança e artes no contexto educacional, compreendendo a escola como espaço de criação, investigação e democratização do acesso à cultura. Sua prática pedagógica parte de uma convicção: a arte não deve apenas ser ensinada; ela precisa ser vivenciada. E o professor de arte, antes de pedir que o estudante crie, precisa estar disposto a continuar criando.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 41 SESC ESCOLA O TERRITÓRIO QUE TORNOU O PROJETO POSSÍVEL Nenhum projeto educativo de grande dimensão nasce do trabalho isolado de uma pessoa. O SESC em Cena: O Musical só pôde existir porque encontrou na Escola SESC um território institucional comprometido com a formação integral dos estudantes e aberto à potência transformadora da arte. A Escola SESC não foi apenas o lugar onde o espetáculo aconteceu. Foi o espaço que acolheu a ideia, possibilitou o processo e ofereceu condições para que a criação pudesse amadurecer. Por isso, este livro também é um reconhecimento ao trabalho da coordenação, dos professores, da equipe pedagógica, da gestão e da gerência que, de diferentes maneiras, contribuíram para que o projeto encontrasse espaço, tempo, organização e apoio. Na educação, muitas vezes, o que torna uma experiência possível é justamente aquilo que não aparece no palco: a confiança institucional, a escuta da gestão, a organização dos tempos e espaços, a articulação entre profissionais, o suporte pedagógico e a compreensão de que a arte também produz aprendizagem. O apoio da coordenação foi fundamental para que o projeto pudesse avançar, ajustar-se às necessidades das turmas e dialogar com a rotina escolar. O trabalho dos professores também foi essencial. Um projeto artístico não acontece isoladamente dentro da disciplina de Arte. Ele

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 42 atravessa relações, horários, conhecimentos, espaços e experiências. Cada profissional que compreendeu, apoiou, acolheu ou colaborou com o processo tornou-se, de alguma maneira, parte dessa criação. À gerência, fica o reconhecimento pela visão que permite compreender a cultura e a educação como dimensões inseparáveis da formação humana. Apoiar um projeto como este é acreditar que uma escola pode produzir experiências que ultrapassam os limites da sala de aula e permanecem na memória dos estudantes. O SESC, enquanto instituição comprometida com educação, cultura e desenvolvimento humano, oferece um contexto especialmente fértil para experiências dessa natureza. Quando a instituição abre espaço para que o professor-artista pesquise, crie, experimente e desenvolva propostas com os estudantes, a escola deixa de ser apenas lugar de transmissão e torna-se território de produção cultural. É nesse sentido que o SESC em Cena também pode ser compreendido como uma experiência institucional: uma ação pedagógica que ganhou força porque encontrou uma comunidade escolar capaz de acolher a criação coletiva. O espetáculo foi realizado pelos estudantes, conduzido pedagogicamente pela professora e construído artisticamente ao longo do processo. Mas sua existência foi sustentada por uma rede. E todo teatro é feito de redes. Por trás de cada luz acesa existe alguém que preparou o espaço. Por trás de cada cena existe alguém que organizou. Por trás de cada ensaio existe alguém que possibilitou. Por trás de cada estudante no

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 43 palco existe uma comunidade que, de algum modo, disse: “É possível.” Por isso, registrar o SESC em Cena é também registrar uma forma de fazer educação. Uma educação que reconhece o professor como profissional criador, o estudante como sujeito de aprendizagem e a escola como espaço de cultura. É nesse encontro que o projeto encontrou sua força.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 44 AGRADECIMENTOS Este livro também é uma forma de agradecer. Aos estudantes, pela coragem de experimentar. À equipe da Escola SESC, pelo acolhimento e total apoio. À coordenação pedagógica, pela escuta, organização e parceria. Aos professores que compreenderam que um projeto de teatro também pode ser um projeto de aprendizagem. À gestão e à gerência, pelo apoio institucional e pela confiança na potência da arte como parte da formação dos estudantes. A todos que contribuíram, direta ou indiretamente, para que o SESC em Cena pudesse sair do papel e chegar ao palco. Um espetáculo pode ter uma assinatura. Mas sua realização pertence a muitas mãos.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 45 CAPÍTULO 21 ENTRE DISCIPLINAS: A FORÇA DA MULTIDISCIPLINARIDADE O SESC em Cena nasceu dentro da Arte, mas nunca pertenceu somente à Arte. Essa talvez seja uma das características mais importantes do projeto. Um espetáculo musical exige conhecimentos que atravessam diferentes campos. A dramaturgia aproxima-se da Literatura. A construção de personagens mobiliza conhecimentos de linguagem, comunicação e expressão. A dança trabalha corpo, ritmo e espacialidade. A música articula escuta, memória, ritmo e cultura. A cenografia aproxima-se das Artes Visuais. A pesquisa histórica e cultural amplia o repertório da criação. A produção desenvolve planejamento, organização e responsabilidade. Essa articulação caracteriza uma experiência multidisciplinar. Cada área contribui com seus saberes para uma realização comum. Mas o projeto também permite ir além da simples soma das disciplinas. Quando o estudante percebe que uma música pode modificar o sentido de uma cena, que uma imagem pode transformar uma narrativa, que uma pesquisa histórica pode alimentar uma personagem e que um movimento pode comunicar aquilo que a palavra não consegue dizer, os conhecimentos começam a dialogar. É nesse ponto que emerge uma dimensão transdisciplinar.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 46 A transdisciplinaridade não significa simplesmente colocar várias disciplinas lado a lado. Significa criar condições para que os conhecimentos atravessem suas próprias fronteiras e produzam novas formas de compreender uma experiência. No SESC em Cena, o teatro funcionou como eixo articulador. A pergunta não era apenas “o que cada disciplina pode ensinar?”, mas “o que podemos criar quando diferentes conhecimentos se encontram?” Essa mudança é pedagogicamente significativa. O estudante deixa de perceber o conhecimento como compartimentos isolados. Ele começa a compreender que a vida não é organizada em disciplinas. Um problema real exige diferentes saberes. Uma criação artística também. Ao escrever uma cena, o estudante pode recorrer à literatura. Ao criar uma coreografia, mobiliza conhecimentos sobre corpo, espaço e ritmo. Ao construir um cenário, pensa em imagem, proporção, materiais e composição. Ao interpretar uma personagem, pesquisa comportamentos, contextos e relações humanas. A arte, nesse sentido, torna-se território de convergência. E o espetáculo transforma-se em uma experiência de aprendizagem integrada. Essa é uma das maiores contribuições do SESC em Cena: demonstrar, na prática, que o conhecimento pode ser vivido como experiência e não apenas como conteúdo.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 47 O palco torna-se lugar de encontro entre saberes. A sala de aula torna-se laboratório. E o estudante torna-se pesquisador, criador, intérprete e produtor de sentidos.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 48 REGISTRO PEDAGÓGICO DO PROJETO SESC EM CENA: O MUSICAL Área: Arte — Teatro, Dança e Música Público: Ensino Fundamental II Professora responsável: Viviane Pereira Formato: Projeto artístico-pedagógico interdisciplinar e transdisciplinar Produto final: Espetáculo musical EIXOS DE TRABALHO • Dramaturgia e escrita teatral; • Interpretação; • Expressão corporal; • Dança; • Musicalidade; • Criação coletiva; • Cenografia; • Figurino; • Produção teatral; • Trabalho em equipe; • Presença cênica; • Oralidade; • Escuta; • Imaginação;

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 49 • Autonomia; • Formação estética; • Apreciação artística; • Protagonismo estudantil; • Integração de saberes; • Pesquisa e criação. ETAPAS DO PROCESSO ✓ Sensibilização Apresentação da proposta e criação de vínculo com o universo teatral. ✓ Pesquisa e repertório Contato com referências artísticas, musicais e culturais. ✓ Dramaturgia Construção e organização da estrutura do espetáculo. ✓ Experimentação Jogos teatrais, exercícios corporais, vocais e improvisações. ✓ Distribuição das funções Definição dos papéis artísticos e técnicos. ✓ Criação cênica Construção de personagens, cenas, coreografias e momentos musicais. ✓ Produção Organização de figurinos, objetos, cenários e demais elementos. ✓ Ensaios Repetição, ajustes, escuta e amadurecimento coletivo.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 50 ✓ Montagem Integração dos diferentes elementos do espetáculo. ✓ Culminância Apresentação pública do musical. ✓ Avaliação e memória Reflexão sobre aprendizagens, dificuldades, conquistas e transformações.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 51 PALAVRAS QUE FICAM Teatro é encontro. Dança é presença. Música é memória. Educação é possibilidade. Arte é pergunta. Professor é mediador. Aluno é criador. Escola é território. Palco é travessia. E o espetáculo? O espetáculo é aquilo que acontece quando muitas pessoas decidem acreditar juntas em uma mesma possibilidade. SESC em Cena foi isso. Uma possibilidade que ganhou corpo. Uma ideia que ganhou voz. Uma turma que ganhou palco. E uma professora-artista que, ao ensinar seus alunos a criar, descobriu novamente por que escolheu o teatro. Porque no teatro ninguém entra em cena exatamente igual ao modo como saiu.

Viviane Pereira • SESC em Cena: O Musical • 52 REFERÊNCIAS E DIÁLOGOS TEÓRICOS BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. LISPECTOR, Clarice. Perto do coração selvagem. Rio de Janeiro: Rocco. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular — BNCC. Brasília: Ministério da Educação. Nota editorial: as referências acima constituem a base de diálogo teórico deste relato. Para a edição definitiva destinada à publicação, recomenda-se conferir os dados bibliográficos completos de acordo com as edições efetivamente consultadas pela autora.

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