TCC - REVISTA FINAL

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ECOMUSEU EM MARIANA, MINAS GERAIS: a arquitetura como instrumento de pertencimento urbano e desenvolvimento humano

PONTÍFICA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO ESTUDOS PREPARATÓRIOS DO TRABALHO DE CURSO MANUELA VILLAS BOAS FONSECA PROFESSOR RESPONSÁVEL: GUSTAVO ZOLINI BELO HORIZONTE, 2026

Da janela lateral do quarto de dormir Vejo uma igreja, um sinal de glória Vejo um muro branco e um voo pássaro Vejo uma grade, um velho sinal

agradecimentos

resumo

lista de figuras

sumário

INTRODUÇÃO01

POR QUE UM ECOMUSEU? Um ecomuseu vai além da preservação de objetos ou da exposição de acervos. Ele transforma o próprio território em patrimônio, valorizando a memória, a identidade e a participação da comunidade como elementos fundamentais da experiência cultural. Em uma cidade como Mariana, onde história, tradições e patrimônio fazem parte da vida cotidiana, essa abordagem fortalece o sentimento de pertencimento e aproxima moradores e visitantes da riqueza cultural local. Mais do que um edifício, a arquitetura cultural tem o poder de transformar a forma como as pessoas vivem e se relacionam com a cidade. Ao criar espaços de encontro, aprendizado, expressão artística e convivência, ela amplia o acesso à cultura e incentiva a construção de vínculos entre as pessoas e o lugar onde vivem. Equipamentos culturais tornam-se agentes de desenvolvimento social, valorizam a identidade coletiva, impulsionam a economia criativa e tornam a cidade mais inclusiva, dinâmica e acolhedora. Assim, o ecomuseu é concebido como um espaço vivo, onde arquitetura, cultura e comunidade caminham juntas. Um lugar capaz de preservar memórias, estimular novas experiências e demonstrar que a arquitetura pode ser um instrumento de pertencimento, transformação humana e desenvolvimento cultural. 1.1 QUESTÃO NORTEADORA 1.2 JUSTIFICATIVA Como a arquitetura pode atuar, por meio da implantação de um Ecomuseu, como instrumento de pertencimento urbano e desenvolvimento humano, promovendo a valorização da cultura local, a apropriação dos espaços urbanos e a integração social da população? POR QUE MARIANA? Nasci em Mariana e cresci cercada por sua história, cultura e patrimônio, aprendendo desde cedo a reconhecer o valor de sua identidade. Ao acompanhar as transformações da cidade e o contraste entre o centro histórico e as áreas de expansão, surgiu em mim o desejo de refletir sobre como a arquitetura pode fortalecer o pertencimento e as relações entre as pessoas e o lugar. Assim, este projeto nasce como uma homenagem à cidade que faz parte da minha trajetória, propondo um espaço que valorize a cultura local, incentive a produção artística e conecte memória, presente e futuro.

1.4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ARQUITETURA QUE CONECTA PESSOAS, CULTURA E CIDADE. Mais do que projetar um edifício, este trabalho propõe refletir sobre o papel da arquitetura como agente de transformação urbana e social. A partir da realidade de Mariana, busca-se compreender como um Ecomuseu pode fortalecer a identidade local, estimular a convivência e ampliar o acesso à cultura, tornando-se um espaço vivo para a comunidade. A SÍNTESE DOS OBJETIVOS DEFINIDOS PARTE DE UMA SIMPLES PERGUNTA: Como a arquitetura pode transformar um espaço em um lugar de pertencimento? Responder a essa questão exigiu conhecer Mariana em profundidade, sendo sua história, sua cultura, suas potencialidades e os desafios enfrentados pelos espaços públicos e culturais da cidade. Foi necessário compreender como o patrimônio histórico dialoga com a expansão urbana, como as pessoas ocupam a cidade e de que maneira um novo equipamento cultural pode contribuir para fortalecer essas relações. AO LONGO DO PROCESSO, O PROJETO BUSCOU: 01 Conhecer Mariana além de sua imagem histórica, investigando seu contexto urbano, cultural e social para identificar potencialidades e demandas da população. 02 Entender a arquitetura como instrumento de pertencimento, por meio de estudos teóricos e referências de centros culturais capazes de transformar a relação entre pessoas e cidade. 03 Valorizar a cultura local, reconhecendo a memória coletiva, os artistas, as manifestações culturais e a identidade que tornam Mariana única. 04 Compreender a dinâmica urbana, analisando fluxos, conexões e necessidades do entorno para que o projeto dialogue com a cidade e incentive sua apropriação. 05 Projetar espaços acessíveis, inclusivos e acolhedores, promovendo convivência, permanência e integração entre diferentes públicos. 06 Desenvolver uma ideia de Ecomuseu que respeite o patrimônio histórico, dialogue com a paisagem urbana e represente um novo espaço para cultura, educação e encontros. PROPOR UM ECOMUSEU EM MARIANA CAPAZ DE TRANSFORMAR A ARQUITETURA EM UM INSTRUMENTO DE PERTENCIMENTO URBANO E DESENVOLVIMENTO HUMANO, FORTALECENDO A IDENTIDADE CULTURAL, INCENTIVANDO A CONVIVÊNCIA E AMPLIANDO AS OPORTUNIDADES DE ACESSO À CULTURA PARA TODA A POPULAÇÃO. 1.3 OBJETIVO GERAL

1.5 ENTRE CIDADE E MEMÓRIA MARIANA: UMA CIDADE CONSTRUÍDA ENTRE O OURO, A FÉ E A MEMÓRIA. Mais do que a primeira capital de Minas Gerais, Mariana representa um dos mais importantes capítulos da formação urbana, política e cultural do estado. Fundada em 1696, às margens do Ribeirão do Carmo, a cidade nasceu impulsionada pela descoberta do ouro e rapidamente tornou-se um dos principais centros administrativos da Capitania. Em 1745, foi elevada à categoria de cidade, recebendo o nome de Mariana em homenagem à rainha Maria Ana d'Áustria. Ao contrário da maioria das cidades mineradoras, que cresceram espontaneamente acompanhando os caminhos do ouro, Mariana foi planejada. Seu desenho urbano foi elaborado pelo engenheiro militar português José Fernandes Pinto Alpoim, que implantou ruas retilíneas, praças retangulares e uma organização espacial inspirada nos princípios urbanísticos portugueses do século XVIII. Essa característica faz de Mariana a única cidade colonial planejada de Minas Gerais e uma das primeiras experiências de planejamento urbano do Brasil. A CIDADE QUE CRESCEU COM A MINERAÇÃO A partir da década de 1970, Mariana passou por uma intensa expansão urbana impulsionada pela instalação das grandes mineradoras. Esse crescimento trouxe novos bairros, infraestrutura e oportunidades, mas também modificou profundamente a dinâmica social da cidade. A antiga concentração da população no centro histórico deu lugar a uma ocupação cada vez mais dispersa. "O desenvolvimento trouxe também instabilidade, fugacidade e novas relações sociais." Paulo (2007) MINERAÇÃO população; crescimento econômico; expansão urbana. PATRIMÔNIO arquitetura barroca; memória coletiva; identidade cultural. + Em Mariana, o patrimônio não se resume aos edifícios. Ele está presente na paisagem, nas celebrações, na religiosidade e na memória coletiva da população.

A HISTÓRIA CONTINUA SENDO ESCRITA Mariana é uma cidade onde o passado permanece visível, mas nunca deixou de dar lugar ao futuro. Impulsionada pela expansão da mineração, a cidade cresceu para além de seu núcleo histórico, incorporando novos bairros e novas formas de viver o espaço urbano. Hoje, convivem lado a lado dois tempos distintos: um centro histórico que preserva a memória de Minas Gerais e uma cidade contemporânea que continua escrevendo sua própria história. É nesse encontro entre permanência e transformação que nasce este projeto. Afinal, preservar uma cidade não significa apenas conservar seu patrimônio, mas também criar novos espaços capazes de acolher a cultura, fortalecer os vínculos entre as pessoas e permitir que sua identidade continue sendo construída ao longo do tempo.

O patrimônio material de Mariana é constituído pelo conjunto de bens físicos que representam a história, a arquitetura, a arte e a identidade da primeira capital de Minas Gerais. Formado principalmente durante o ciclo do ouro, entre os séculos XVII e XVIII, esse patrimônio reúne igrejas, casarões, praças, monumentos, ruas de pedra, obras de arte sacra e edifícios públicos que expressam a riqueza cultural e a importância política, econômica e religiosa da cidade no período colonial. Reconhecendo seu excepcional valor histórico e artístico, o Centro Histórico de Mariana foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1945, assegurando a preservação de seu conjunto urbanístico e arquitetônico. Além do tombamento do sítio histórico, diversas edificações e monumentos da cidade já haviam sido protegidos individualmente pelo IPHAN desde 1938, reforçando a relevância de Mariana para a preservação do patrimônio cultural brasileiro. 1.6 CULTURA VIVA PATRIMÔNIO MATERAL

Entre os bens que compõem esse patrimônio destacam-se as igrejas barrocas, como a Catedral Basílica da Sé, a Igreja de São Francisco de Assis e a Igreja Nossa Senhora do Carmo, que abrigam importantes exemplares da arte sacra colonial. O conjunto também é formado pelo casario colonial, caracterizado por fachadas preservadas, esquadrias de madeira, sacadas em ferro e telhados cerâmicos, além das praças históricas, do traçado urbano original, das ruas calçadas em pedra e de um rico acervo artístico composto por retábulos, altares, talhas douradas, esculturas, pinturas, mobiliário e objetos litúrgicos. Mais do que edificações isoladas, o patrimônio material de Mariana constitui uma paisagem cultural que preserva a memória da ocupação do território, da mineração e da religiosidade mineira. Esses elementos permanecem como suporte físico para as manifestações culturais da cidade, permitindo que tradições, celebrações e práticas sociais continuem sendo vivenciadas pela comunidade e transmitidas às futuras gerações.

1 FEVEREIRO/MARÇO PATRIMÔNIO IMATERAL CARNAVAL Tradicional festa popular que reúne blocos de rua, escolas de samba, cortejos e o famoso Zé Pereira da Chácara, um dos mais antigos e emblemáticos do estado de Minas Gerais. O patrimônio imaterial de Mariana é composto por tradições, celebrações e saberes que preservam a memória e a identidade da cidade. A religiosidade é o principal elemento desse patrimônio, dando origem a manifestações culturais que, há séculos, ocupam os espaços históricos e fortalecem o vínculo entre a comunidade, a fé e o patrimônio cultural.

2 MARÇO/ABRIL SEMANA SANTA Uma das manifestações religiosas mais importantes da cidade, marcada por procissões, celebrações litúrgicas, encenações da Paixão de Cristo e ornamentação das igrejas e ruas históricas.

3 MAIO/JUNHO - 50 DIAS APÓS A PÁSCOA FESTIVAL DO DIVINO Celebração tradicional que reúne novenas, cortejos, missas, apresentações culturais e manifestações da religiosidade popular, fortalecendo a identidade cultural marianense. FESTIVAL DO DIVINO - ENCONTRO DO CONGADO Como parte da programação do Festival do Divino Espírito Santo, o Encontro de Congados reúne guardas de diversas cidades mineiras em cortejos que percorrem o Centro Histórico de Mariana. A manifestação, marcada pelo sincretismo entre as tradições africanas e o catolicismo popular, combina cantos, danças e tambores em homenagens aos santos de devoção negra, preservando uma importante herança cultural e fortalecendo a identidade afro-brasileira da região.

4 MAIO/JUNHO - 60 DIAS APÓS A PÁSCOA CORPUS CHRISTI Conhecido pela confecção dos tradicionais tapetes ornamentais nas ruas do Centro Histórico, que recebem procissões e celebrações religiosas, envolvendo moradores e visitantes.

5 JULHO ENCONTRO DE PALHAÇOS Evento cultural que promove apresentações artísticas, oficinas, cortejos e intervenções urbanas, valorizando a arte circense e ocupando os espaços públicos da cidade. 6 SETEMBRO IRON BIKER Uma das maiores competições de mountain bike da América Latina. O evento reúne atletas de diversas regiões do Brasil e do exterior, movimentando o turismo esportivo e valorizando as paisagens naturais e o patrimônio histórico de Mariana.

mapa de concentração cultural

REFERENCIAL TEÓRICO02

Medellín: quando a arquitetura se tornou instrumento de transformação Uma cidade que antes era símbolo da violência tornou-se referência mundial em inclusão social por meio da arquitetura e do urbanismo. 1.1 URBANISMO SOCIAL Um modelo de planejamento urbano que entende a arquitetura como ferramenta de transformação social, promovendo inclusão, acessibilidade, cultura e qualidade de vida por meio de intervenções em áreas historicamente vulneráveis. DOS DESAFIOS À TRANSFORMAÇÃO Durante a década de 1990, Medellín, na Colômbia, era conhecida como uma das cidades mais violentas do mundo. A desigualdade social, a segregação territorial e a forte presença do narcotráfico faziam com que milhares de moradores permanecessem afastados do acesso à infraestrutura, aos serviços públicos e aos espaços de qualidade. A CIDADE MUDOU QUANDO MUDOU A FORMA DE PROJETAR A partir dos anos 2000, Medellín iniciou um amplo processo de requalificação urbana que compreendia que os problemas sociais não poderiam ser resolvidos apenas por políticas de segurança. Era necessário investir nas pessoas. Arquitetos, urbanistas e gestores públicos passaram a desenvolver projetos voltados às necessidades reais da população, priorizando educação, cultura, mobilidade e espaços públicos como ferramentas de inclusão social.

OS MELHORES PROJETOS FORAM CONSTRUÍDOS JUSTAMENTE ONDE A CIDADE MAIS PRECISAVA DELES POR QUE MEDELLÍN É REFERÊNCIA PARA O PROJETO? O Ecomuseu proposto para Mariana parte do mesmo princípio adotado em Medellín: compreender que a arquitetura ultrapassa sua função física e pode atuar como instrumento de desenvolvimento humano. Mais do que criar um edifício, o objetivo é projetar um espaço capaz de fortalecer vínculos sociais, valorizar a cultura local e incentivar a apropriação da cidade por seus moradores. Embora Mariana possua uma realidade distinta, ambas compartilham um desafio comum: utilizar a arquitetura para aproximar pessoas, reduzir desigualdades de acesso à cultura e transformar espaços em lugares de pertencimento.

1.2 PROMENADE ARCHITECTURALE ARQUITETURA QUE SE DESCOBRE EM MOVIMENTO A arquitetura não é compreendida em um único olhar. Ela se revela à medida que caminhamos. Conceito criado por Le Corbusier, um percurso cuidadosamente planejado que transforma o deslocamento em uma experiência sensorial, permitindo que a arquitetura seja descoberta de forma gradual, por meio do movimento. UMA EXPERIÊNCIA, E NÃO APENAS UM EDIFÍCIO O conceito de promenade architecturale entende que a arquitetura deve ser vivenciada por meio do percurso. Em vez de revelar todos os espaços de uma só vez, o projeto conduz o visitante por uma sequência de ambientes, perspectivas e descobertas. Cada mudança de direção, cada abertura, cada rampa ou escada transforma a maneira como percebemos o espaço.

O PERCURSO TAMBÉM CONSTRÓI A MEMÓRIA Le Corbusier defendia que arquitetura e tempo caminham juntos. Cada espaço é percebido de forma diferente conforme o visitante avança pelo edifício, criando uma experiência individual e única. Mais do que conduzir pessoas, o percurso organiza emoções, desperta sentidos e estabelece relações entre o corpo, o espaço e a paisagem.

1.3 ARQUITETURA E PERCEPÇÃO HUMANA Em Os Olhos da Pele (2011), Juhani Pallasmaa questiona a predominância da visão na arquitetura contemporânea, argumentando que muitos edifícios são concebidos para atender à lógica da imagem — voltados à fotografia, às publicações e às mídias digitais — em detrimento da experiência vivida por seus usuários. Para o autor, quando a arquitetura se limita ao impacto visual, perde sua capacidade de estabelecer vínculos profundos entre o indivíduo e o espaço. Em contraposição, Pallasmaa defende uma arquitetura multissensorial, na qual o corpo assume papel central na percepção do ambiente. A experiência espacial é construída pela interação entre luz, sombra, textura, sons, temperatura, materiais e proporções, despertando emoções, memórias e sentimentos de pertencimento. Assim, a arquitetura deixa de ser apenas um objeto para ser contemplado e passa a constituir uma experiência sensível, capaz de conectar as pessoas ao lugar e a si mesmas. “A arte da arquitetura consiste em expressar nosso encontro com o mundo”,

ESTUDOS DE CASO03 PARA O AUTOR: a arquitetura deve estimular todos os sentidos; o corpo é o centro da experiência espacial; espaços marcantes criam memória, identidade e pertencimento; o tato é tão importante quanto a visão; arquitetura boa é aquela que emociona silenciosamente. QUAL A RELAÇÃO FINAL COM O PROJETO? Na proposta de um Ecomuseu, a arquitetura é compreendida como uma experiência sensorial capaz de fortalecer a relação entre pessoas, memória e cidade. Mais do que atender a um programa funcional, o edifício busca criar ambientes acolhedores, estimulando a permanência, o encontro e o sentimento de pertencimento da população ao espaço urbano.

ESTUDOS DE CASO03

1.1 CENTRO CULTURAL L'ÉTINCELLE Atelier d'Architecture King Kong Venelles, França 2023 2.858 m² UM EQUIPAMENTO CULTURAL QUE REORGANIZA A CIDADE Ao contrário de edifícios implantados como objetos isolados, o Centro Cultural L'Étincelle foi concebido como parte do processo de requalificação urbana de Venelles, no sul da França. Implantado em uma área em transformação, o projeto atua como elemento estruturador da nova centralidade, estabelecendo conexões entre arquitetura, espaço público e paisagem. A abertura do edifício para a cidade reforça sua vocação pública, tornando-o um lugar de encontro e permanência.

CONTRIBUIÇÕES PARA O PROJETO O estudo do Centro Cultural L'Étincelle evidencia estratégias relevantes para o desenvolvimento desta proposta: integração entre edifício e espaço público; criação de áreas de permanência abertas à comunidade; flexibilidade dos ambientes culturais; valorização da paisagem como elemento do projeto; arquitetura como instrumento de revitalização urbana; fortalecimento da vida comunitária por meio da cultura. A linguagem arquitetônica privilegia linhas horizontais, cobertura leve e materiais de aparência sóbria, resultando em uma edificação contemporânea que dialoga com a paisagem sem competir com ela. A simplicidade formal reforça a importância dos espaços coletivos e das experiências proporcionadas pelo edifício.

1.2 BIBLIOTECA E CENTRO CULTURAL HOUSE OF WISDOM Foster + Partners Sharjah, Emirados Árabes Unidos 2023 NOVO CONCEITO DE BIBLIOTECA Mais do que um espaço destinado ao armazenamento de livros, a House of Wisdom foi concebida como um equipamento cultural voltado ao encontro, à aprendizagem e à convivência. Inspirado na histórica Casa da Sabedoria de Bagdá, o edifício reúne biblioteca, áreas de estudo, espaços expositivos, auditórios e ambientes flexíveis, transformando o conhecimento em uma experiência coletiva. Sua arquitetura privilegia a transparência, a integração com a paisagem e a permanência dos usuários, reforçando o papel das bibliotecas contemporâneas como espaços públicos de convivência. Um dos principais elementos do projeto é a ampla cobertura em balanço, que se estende por todo o edifício. Além de conferir leveza à composição arquitetônica, essa solução reduz significativamente a incidência solar sobre as fachadas, criando áreas sombreadas e mais confortáveis para os usuários. O beiral de aproximadamente quinze metros funciona como um dispositivo bioclimático, reduzindo a carga térmica e ampliando a eficiência ambiental da edificação.

A linguagem arquitetônica caracteriza-se pela horizontalidade, pela leveza estrutural e pelo uso predominante do vidro, do alumínio e da madeira. A cobertura flutuante torna-se o principal elemento compositivo do projeto, conferindo identidade ao edifício e reforçando sua condição de espaço público aberto e acolhedor. CONTRIBUIÇÕES PARA O PROJETO O estudo da House of Wisdom oferece importantes referências para o desenvolvimento do Ecomuseu em Mariana, especialmente quanto à criação de espaços públicos convidativos e confortáveis. integração entre biblioteca, cultura e educação; ambientes flexíveis para diferentes atividades; valorização da luz natural com proteção solar; arquitetura transparente e conectada ao espaço público; criação de áreas de permanência e convivência; soluções passivas de conforto ambiental; edifício como espaço de encontro e produção de conhecimento.

1.3 PRAÇA SUPERILLA DE SANT ANTONI Leku Studio Barcelona, Espanha 2019 Área: 16.180 m² UMA PRAÇA PARA PERMANECER Ao contrário das praças tradicionais, concebidas apenas como áreas de passagem, a Praça Superilla de Sant Antoni transforma o espaço viário em um ambiente voltado à permanência e ao convívio. O projeto faz parte da estratégia das Superilles (Superquadras) de Barcelona, iniciativa que prioriza pedestres e ciclistas, reduz o protagonismo dos automóveis e amplia a qualidade dos espaços públicos. Por meio de um desenho simples e flexível, a praça cria diferentes possibilidades de uso, incentivando encontros, atividades culturais e permanência cotidiana dos moradores.

DESENHO URBANO COMO FERRAMENTO DE CONVERSA ENTRE O INDIVÍDUO E O ESPAÇO Um dos aspectos mais marcantes do projeto é a utilização de uma linguagem gráfica aplicada ao piso, composta por módulos geométricos que organizam a circulação, delimitam áreas de permanência e estruturam a distribuição do mobiliário urbano. Mais do que um recurso estético, essa malha funciona como um sistema capaz de orientar futuras adaptações, permitindo que o espaço seja reorganizado conforme novas necessidades surgem. PAISAGEM E MOBILIÁRIO URBANO O mobiliário urbano desempenha papel fundamental na qualificação da praça. Bancos, jardineiras e áreas arborizadas são distribuídos estrategicamente para criar ambientes de convivência, oferecendo conforto ambiental e incentivando a permanência das pessoas. A vegetação contribui para o sombreamento, melhora o microclima e reforça a escala humana do espaço.

O TERRENO03

A CIDADE QUE CRESCEU COM A MINERAÇÃO A partir da década de 1970, Mariana passou por uma intensa expansão urbana impulsionada pela instalação das grandes mineradoras. Esse crescimento trouxe novos bairros, infraestrutura e oportunidades, mas também modificou profundamente a dinâmica social da cidade. A antiga concentração da população no centro histórico deu lugar a uma ocupação cada vez mais dispersa. "O desenvolvimento trouxe também instabilidade, fugacidade e novas relações sociais." Paulo (2007) MINERAÇÃO população; crescimento econômico; expansão urbana. PATRIMÔNIO arquitetura barroca; memória coletiva; identidade cultural. + 1.1 SOBRE O ENTORNO RETOMANDO UM POUCO...

sobre o terreno

legislação

O PROJETO04

diretrizes

programa de necessidades

referências