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9!BLFDM<:PQPVOPoYeZ\Z_ZiZ` 1445 • novembro 2026 1896 2026 anos 130 A serviço do bem comum!
Esperança Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano Vive uma louca chamada Esperança E ela pensa que quando todas as sirenas Todas as buzinas Todos os reco-recos tocarem Atira-se E — ó delicioso voo! Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada, Outra vez criança… E em torno dela indagará o povo: — Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes? E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo!) Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam: — O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA… Mário Quintana
1novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS PALAVRA DO DIRETOR Pe. Eliomar Ribeiro, SJ Diretor Nacional da Rede Mundial de Oração do Papa e do MEJ Omês de novembro, em que celebramos o dia de todos os falecidos, sempre nos leva a refletir sobre o valor e o sentido da vida, contrapondo-os ao evento da morte e do morrer. A morte é o limite biológico e temporal para todos os seres vivos. Ao morrer acontece o ato de transição, a vida encontra seu horizonte final e a morte surge como condição de finitude. Nós, humanos, não somos donos de nossa vida e não temos pleno controle de nada! É por causa da consciência de que a vida acaba, que atribuímos urgência, beleza e significado às nossas escolhas. Os antigos diziam que “ninguém fica pra semente”, isso para afirmar que a imortalidade física não existe no ciclo vital. Somos matéria e, na morte, terminadas as funções físicas de nosso corpo, retornamos ao ambiente da matéria mesma. O escrito do Gênesis já nos recordava a necessidade de lembrar sempre que somos pó e que ao pó voltaremos (cf. Gn 3,19). A morte é um fato natural e inevitável para todos os seres vivos. Somos os únicos seres que têm plena consciência do valor da vida e a ela atribuímos sentido, mesmo sabendo que vamos morrer. Tal consciência transforma a nossa vida num ato singular do porquê viver. A finitude define o valor que damos ao tempo que temos; ainda que não saibamos de quanto tempo se trata. Do ponto de vista da fé cristã, a morte é uma passagem, uma transformação, um regresso ao lugar original de onde O sentido da vidaO sentido da vida
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS2novembro 2026 viemos. Deus nos criou por amor e nos vai acolher novamente em seu regaço amoroso. Quando falamos de vida eterna ou de eternidade, o que estamos dizendo é que cremos que a vida não tem mais fim! Ela terá sua plenitude em Deus mesmo, como as águas doces que correm todas para o mar. Viver é a oportunidade única de experimentar o mundo, sentir emoções, criar conexões reais com outras pessoas e construir um sentido próprio através de escolhas diárias, descobertas e pequenos momentos de afeto ou aprendizado. O valor da vida está nas pequenas coisas cotidianas, como ver o sol, provar uma comida favorita ou rir de algo simples; amar, ajudar o próximo e pertencer a um grupo dá suporte e aconchego aos nossos dias. Cada pessoa pode construir o seu próprio caminho e definir o que traz alegria e paz à sua rotina. Quando lembramos de vidas que valem a pena, vêm à nossa memória tantas pessoas que são testemunhas de algo especial para nós. Em muitos casos é a mãe e o pai, o esposo, a esposa, os filhos, algum amigo. E noutros casos recorremos ao exemplo de pessoas que a Igreja nos apresenta como modelos: os santos e santas. Os mártires, por exemplo, não diminuíram o valor da vida, mas entenderam que uma vida cristã vivida contrariamente ao Evangelho não vale a pena ser vivida. Foram capazes de entregar a própria vida por amor a Cristo e aos irmãos. Quem não se lembra do testemunho admirável do diácono Lourenço nos primórdios da Igreja ou, mais recentemente, de São Maximiliano Maria Kolbe, que entregou sua vida em favor de um pai em pleno campo de concentração? Vale a pena viver por uma causa! Vale a pena gastar a vida! É o que recorda Jesus ao dizer que “se o grão de trigo, que cai na terra, não morre, não poderá dar frutos”. O luto que vivemos pela morte de alguém é a resposta natural e profunda à quebra de um vínculo de amor. Ele afeta a mente e o corpo, exigindo tempo para aceitar a ausência física, reelaborar a dor e aprender a viver com a saudade sem apagar a memória de quem partiu. É preciso conjugar a tristeza profunda, a raiva, a saudade intensa e a sensação de vazio. Para muitas pessoas acontece uma revolta e uma lenta aceitação da ausência de quem partiu e já não voltará mais. Nosso corpo e nossa mente precisam expressar a dor e liberar a tensão acumulada. Cada pessoa lida com a perda de modo único e com ritmo próprio. Não adianta pressa. O que o luto pede é respeito, silêncio e proximidade com quem perdeu alguém querido. Vale a pena viver com a consciência de nossa finitude. Não somos super- homens e nem supermulheres que podemos tudo e temos tudo sob o nosso controle. A maior maravilha é saber que a vida é processo, é dom gratuito, é entrega aos demais. A vida é um projeto em que nós colocamos os pés, mas o caminho já está preparado por Cristo, vencedor da morte, que nos espera de braços abertos no fim da jornada.
3novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS INTENÇÃO DO PAPA Pe. Lucas Reis Pereira Pároco e reitor da Basílica de Nossa Senhora das Dores Bom uso das riquezasBom uso das riquezas R ezemos pelo bom uso das riquezas, para que se resista à tentação do egoísmo e elas estejam sempre a serviço do bem comum e da solidariedade com os mais necessitados. Neste mês de novembro, o Papa nos convida a uma reflexão profunda e urgente sobre a nossa relação com os bens materiais. A intenção de oração proposta – o bom uso das riquezas – toca no cerne da justiça social e da espiritualidade cristã, desafiando-nos a transformar posses em instrumentos de fraternidade. A mensagem central do Pontífice é um alerta contra a "idolatria do dinheiro". Quando as riquezas se tornam um fim em si mesmas, elas tendem a fechar o coração humano em um ciclo de egoísmo e indiferença. O Papa nos lembra que o acúmulo desenfreado não apenas gera desigualdade, mas também isola o indivíduo, impedindo-o de enxergar a humanidade no outro. Nos Atos dos Apóstolos, as primeiras comunidades tinham tudo em comum, mas o apego aos bens fez com que tudo viesse a se perder. Para a Igreja, a propriedade privada nunca é um direito absoluto, mas está sujeita ao princípio do destino universal dos bens, embora concorra para a dignidade do homem. Isso significa: • Gestão, não posse: Somos administradores dos talentos e recursos que recebemos. • Solidariedade: O excedente não é apenas "sobra", mas uma oportunidade de socorrer quem nada tem. • Bem comum: A economia só é verdadeiramente humana quando gera vida e dignidade para todos, e não apenas lucro para alguns. A oração deste mês não é apenas um desejo piedoso, mas um chamado à conversão pastoral e econômica. Como podemos, no nosso dia a dia, resistir à cultura do descarte? O bom uso das riquezas começa na simplicidade, no consumo consciente e na generosidade concreta com os mais necessitados. Ao rezarmos com o Papa por essa intenção, pedimos a graça de ter mãos abertas e corações desprendidos. Que o mundo compreenda que a verdadeira riqueza não está no que se guarda no banco, mas no que se partilha com amor. Que o progresso material caminhe de mãos dadas com a justiça social, garantindo que ninguém seja deixado para trás na grande mesa da criação. O meu bispo me disse uma vez, ao comentar de um padre idoso que sempre gastava seu dinheiro com as pessoas carentes: “ele descobriu o caminho mais curto para o céu”.
Frei Patrício Sciadini, OCDVIDA CRISTÃ REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS4novembro 2026 Sabe por que creio no demônio? “Neste pedido, o mal não é uma abstração, mas designa uma pessoa, Satanás, o maligno, o anjo que se opõe a Deus. O ‘diabo’ (diabolos) é aquele que ‘se atira no meio’ do plano de Deus e de sua ‘obra de salvação’ realizada em Cristo” (CIC 2851). Esse é um número pequenino do Catecismo da Igreja Católica, e muito importante. Vale a pena meditá-lo com profunda atenç ão sempre, mas especialmente no tempo em que vivemos, pois, com facilidade, pelo relativismo e pela superficialidade, parece que o mal se torna bem e o bem parece mal. Por que eu creio no demônio? Não como uma força abstrata, uma ideia fantasiosa, mas como uma pessoa, como alguém que, por orgulho, se rebelou contra Deus porque queria ser Deus. Creio porque o sinto em minha vida, e ele quer, por todos os meios, convencer-me de que a felicidade consiste somente em seguir os seus conselhos. Promete muito e não dá nada; engana sempre com as mesmas artimanhas. E se caímos nas suas armadilhas é porque não aprendemos as lições das nossas quedas, tampouco os ensinamentos do Evangelho e da experiência dos santos. O demônio nos tenta com o desejo de sermos grandes e fortes, para dominar os outros, conquistar prestígio, acumular riquezas, ocupar sempre os primeiros lugares. Faz com que queiramos saber tudo, ser o centro de tudo, viver do bom e do melhor, sem fadiga, sem esforço. Ele é inimigo da honestidade, da pobreza e da solidariedade. É mestre do egoísmo! O demônio nos tenta com o prazer e o conforto. O que importa para ele é preencher o momento presente de falsas alegrias, que fogem e passam com rapidez, deixando amarguras e tristezas. Creio no demônio porque o sinto dentro de mim e ao meu redor. Por isso, os santos do Carmelo nos ensinam a viver na presença de Deus e em oração. Devemos ter cuidado para não nos deixarmos vencer pelos muitos demônios e para não sermos demônios para ninguém. Tudo o que o leva ao mal, para longe de Deus, seja para você: demônio. Lute para vencer e não ser vencido. Pode parecer que este artigo seja pessimista, mas não é. É simplesmente realista. Tenha, porém, uma certeza: o demônio nunca será mais forte do que Jesus, a Virgem Maria, os santos e a oração.
H á os que pensam que quando alguém passa por uma experiência negativa, automaticamente se enriquece com o que vivenciou, e sua vida a partir daí será melhor, pois não repetirá os mesmos erros. A verdade é que nem sempre isso acontece. Repito: não é porque passamos por um problema que aprendemos novas lições e melhoramos. Dou alguns exemplos: Depois de quatro séculos vivendo prisioneiro em terras do Egito, o Povo Escolhido fez uma profunda experiência do amor e do poder de Deus. Libertado das mãos do Faraó, caminhou ao longo de quarenta anos pelo deserto, até tomar posse da Terra Prometida. O que se poderia esperar de uma multidão que havia sofrido tanto até então e que, de forma palpável, havia experimentado a presença e a ação poderosa de Deus ao longo de seus passos? O mínimo a esperar seria fidelidade àquele que tanto o protegera. Não foi, no entanto, o que aconteceu. Não demorou muito para que esse povo, contaminado pelas práticas idolátricas de seus vizinhos, se esquecesse do Deus e Senhor, e passasse a adorar deuses feitos por mãos humanas. Os séculos seguintes – e é isso que vemos no tempo dos Juízes, dos Reis e dos Profetas – foram marcados por pecados 5novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS MEDITAÇÃO Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ Arcebispo Emérito de Salvador, BA Aprender asAprender as lições da vidalições da vida
imensos, por arrependimentos e recaídas, e por gestos de misericórdia da parte do Senhor seu Deus. Outro exemplo: terminada a Segunda Guerra Mundial, os países do mundo inteiro concluíram que não poderiam continuar a viver de uma guerra a outra, com mortes, sofrimentos, insegurança e fome. A Primeira Guerra Mundial, com cerca de 17 milhões de mortos, já havia sido uma lição amarga. A Segunda, com mais 70 milhões de perdas humanas, fez nascer uma convicção: era preciso criar um espaço onde os povos se encontrassem e pudessem resolver suas diferenças. A ONU, criada em 1948, foi resultado desse sonho. Mesmo assim, quantas guerras aconteceram e acontecem depois disso? Quantas mortes? Quantos feridos? Quantos faleceram depois pelas devastações e pela fome, causadas pelas guerras? Agora, um exemplo mais próximo de nós. Quantas pessoas sofreram com o rigor, o autoritarismo ou a indiferença de seus pais? Ficaram marcadas de tal forma que as lembranças negativas de sua infância e juventude as acompanham ao longo de toda a sua vida. O que se poderia esperar? No mínimo que tais pessoas, quando pais, se tornassem compreensíveis, amorosas e capazes de escutar e dialogar com seus filhos. Não é bem o que se viu e se vê, ao contrário: em muitos casos, esses novos pais repetem na nova família o que haviam experimentado na sua. Insisto: não é porque passamos por uma ex periência negativa que, automaticamente, nos tornamos melhores. Se a experiência vivida não for refletida e, particularmente, se não formos conduzidos por valores, facilmente repetiremos o que vivenciamos. Valores: eis a questão fundamental. É aqui que entendemos a “Boa Nova” de Jesus: Ele veio ao nosso encontro para nos apresentar e propor um modo de vida baseado no que aprendeu com seu Pai; um modo de vida marcado pelo amor. Além de confirmar o que já nos havia sido ensinado antes de sua vinda (“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração e o teu próximo como a ti mesmo!”), Jesus demonstrou em que consiste concretamente o amor: olhou com compaixão para uma viúva que perdera o filho, saciou a fome de uma multidão, curou doentes, atendeu a pessoas aflitas, perdoou a pecadores etc. No final de sua vida, pôde ensinar: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!...”. “Como eu”: Jesus de Nazaré se apresentou como nosso modelo e guia. Como será a sua vida amanhã? Tudo dependerá das lições que tiver aprendido e assimilado. Se você não cuidar, poderá até se tornar mais egoísta, deprimido ou amargo, remoendo no coração o sofrimento que passou. E isso se refletirá no seu relacionamento com os outros. Mas, se tiver aprendido as lições que a vida lhe deu, poderá dar passos de qualidade em sua caminhada, lembrando-se sempre do que o apóstolo Paulo ensinou: “Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus!” (Rm 8,28). Em síntese: não basta viver; é preciso aprender!REVISTA MEN SAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS 6novembro 2026
P ercorremos o ano litúrgico – Ano A – dedicado ao Evangelho de São Mateus. Entre o nascente e o poente de um ano litúrgico, saboreamos o mistério do amor, uma vez que “nós amamos, porque Ele nos amou primeiro” (1Jo 4,19). No Advento, celebramos a expectativa da chegada do Menino Jesus, pois, segundo o Evangelho de São João, “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único” (3,16). Jesus Cristo, antes de receber a coroa de espinhos, institui, durante o lava-pés, o novo mandamento: o mandamento do amor. De acordo com o evangelista São João: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (13,34). É o mandamento de Deus, porque Deus é amor, e é amando que seremos reconhecidos como discípulos de Cristo (cf. Jo 13,35). É um Deus que, aliás, faz de nós mais do que discípulos: faz-nos amigos íntimos do seu Coração. Disse o Papa Leão XIV, ao receber em audiência, em 10 de junho de 2025, os diplomatas da Santa Sé: “Só o amor é digno de fé”. Ele retomou as palavras teológicas de Hans Urs von Balthasar, que propõe que, diante dos mistérios divinos, a verdade e a beleza só podem ser compreendidas e aceitas quando se revelam através da doação absoluta do amor de Deus, que se manifesta plenamente na cruz – o trono em que se revela plenamente a realeza do Crucificado, desvelando o amor que se torna definitivo. Na solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, o que celebramos senão o reinado do amor vivido radicalmente 7novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS LITURGIA & VIDA Carlos Rafael Pinto Professor de Ensino Religioso, Filosofia e Sociologia Solenidade de Jesus Cristo,Solenidade de Jesus Cristo, Rei do UniversoRei do Universo
no Calvário pelo Filho de Deus? Diz o Evangelho de São Mateus (25,31-46): Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso. Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então, o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar’. Então, os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso e fomos te visitar?’. Então, o Rei lhes responderá: ‘Em verdade eu vos digo que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!’. Depois, o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos. Pois eu estava com fome e não me destes de comer; eu estava com sede e não me destes de beber; eu era estrangeiro e não me recebestes em casa; eu estava nu e não me vestistes; eu estava doente e na prisão e não me fostes visitar’. E responderão também eles: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome ou com sede, como estrangeiro ou nu, doente ou preso, e não te servimos?’. Então, o Rei lhes responderá: ‘Em verdade, eu vos digo: todas as vezes em que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!’. Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna”. “Todas as vezes em que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!”. Essas palavras nos tocam profundamente, porque nos revelam a radicalidade do amor de Deus: “até ao ponto de se identificar conosco, mas não quando estamos bem, quando somos sãos e felizes, não, mas sim quando estamos na necessidade”, nas palavras do saudoso Papa Francisco. E, dessa for ma escondida, Ele se deixa encontrar e nos estende a mão como um necessitado. Assim, Jesus Cristo revela o critério decisivo do seu juízo – o que nos faz caber ao seu lado – o amor. E, afinal, no dizer do místico São João da Cruz, “no entardecer da vida, seremos julgados pelo amor”.REVISTA MEN SAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS 8novembro 2026
9REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS Alan José A. Figueiredo Membro da Rede Mundial de Oração do Papa novembro 2026 HORA SANTA Rezemos pelo bom uso das riquezas Dirig.: Aproximamo-nos do final de mais um ano vivido, mês a mês, na presença do Coração de Jesus. Anualmente, em novembro, a Igreja nos convida a fazer memória dos cristãos que nos precederam, rezando com eles e por eles; para este ano, o Papa nos convida também a rezar pelo bom uso das riquezas. Dessa forma, aqui, diante de Jesus Sacramentado, peçamos pelo descanso eterno de nossos entes queridos e pela nossa conversão para o bom uso de nossos bens e de nossos dons. Todos: Em nome do Pai... Dirig.: Cantando, supliquemos um novo coração que saiba estar atento às necessidades do mundo que nos rodeia. Canto: Súplicas ao Coração de Cristo (Manual do Coração de Jesus, p. 217). Dirig.: Graças e louvores se deem a todo momento... [3 vezes.] Dirig.: Que as almas dos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz. Todos: Amém. Dirig.: Glória ao Pai... Dirig.: Consagremos o nosso dia pela intenção recomendada pelo Santo Padre e por todas aquelas que trazemos em nosso coração [pausa]: Todos: Deus, nosso Pai... Pai-nosso. Ave-Maria. Glória. Dirig.: A Palavra de Deus guia a nossa vida atual e nos prepara para a vida futura. Abramos o nosso coração para acolhê-la. Canto: Quais os caminhos da vida? Qual dos caminhos seguir? Vai me levar pra mais longe ou pra mais perto de ti. Ouvir a Palavra eu quero e meu coração é sincero. Eu quero escutar meu Senhor e caminhar os caminhos do amor! Leitor 1: Lc 16,19-31. [Momento para interiorização e/ ou partilha.] Dirig.: Como a Palavra que nos foi proclamada pode inspirar a prática da intenção de oração para este mês? Leitor 2: As parábolas contadas por Jesus ensinam com clareza verdades que precisamos conhecer e às quais devemos aderir. A que acabamos de ouvir deixa muito claro que não haverá salvação para quem nega o pão ao faminto. É essa mesma verdade que Jesus expressa na parábola do juízo final narrada por São Mateus. Leitor 3: São Tiago nos exorta a partilhar os bens com quem deles carece: “Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupa e o alimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: ‘Ide em paz, aquecei-vos e
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS10novembro 2026 fortalecei-vos’, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará?” (Tg 2,15-16). Leitor 2: Também o Apóstolo São João ensina a externar o amor a Deus com obras: “Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas com atos e em verdade” (1Jo 3,18). E que não falte amor em nossa partilha de bens, pois São Paulo nos alerta que mesmo que distribuamos “todos os nossos bens em sustento dos pobres [...] se não tivesse amor, de nada valeria” (1Cor 13,3). Leitor 3: E na linha da exortação de São Paulo, Bento XVI na Encíclica Caritas in veritate (O amor na verdade) nos alerta que “a sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos” (19). As redes sociais favorecem a divulgação de situações de fome resultantes de guerras ou de catástrofes naturais; elas também favorecem a solidariedade. Entretanto, não podemos nos esquecer de que o bem partilhado com o olho no olho, com uma conversa amiga e reconfortadora tem um valor imensamente maior, pois nos faz sentir irmãos de uma grande família, na qual quem tem compartilha com quem não tem. Essa partilha amorosa nos levará ao “seio do pai Abraão”, ao Reino do Coração de Jesus. Dirig.: Busquemos a conversão do nosso coração, aprendendo a partilhar: Canto: Conheço um Coração (Manual, p. 219). Dirig.: Transformemos nossa meditação em oração, suplicando: Todos: Ouvi, Senhor, nosso pedido! Leitor 1: Que nosso coração se compadeça diante da fome e de outras necessidades de nosso próximo, suplicamos... Leitor 2: Que o amor esteja presente em todas as nossas partilhas de bens, para que sejam expressão de uma caridade verdadeira e não apenas um modo de aliviar a consciência, suplicamos... Leitor 3: Que sejamos sensíveis às necessidades de quem nos rodeia ou nunca veremos, mas consideramos um irmão, uma irmã, suplicamos... Leitor 1: Que as pessoas que dedicam suas vidas a socorrer os mais necessitados não esmoreçam e contem com a colaboração de outras pessoas, suplicamos... Leitor 2: Que as pessoas que se envolverão na celebração do “Dia do Pobre” consigam a adesão das comunidades em que estão inseridas, suplicamos... Leitor 3: Que as grandes empresas e os governos em todos os níveis se preocupem com a geração de empregos justos e decentes para amenizar as carências das famílias empobrecidas, suplicamos... [Outros pedidos.] Todos: Deus, nosso Pai... Pai-nosso. Ave-Maria. Glória. Todos: Consagração ao Sagrado Coração de Jesus para a Festa de Cristo Rei (Manual, p. 123). Canto: Queremos Deus (Manual, p. 226). [Momento para outras orações, como a Ladainha do Sagrado Coração, Terço da Misericórdia. Encerrar com a Bênção do Santíssimo, onde for possível.]
“A verdadeira sabedoria”“A verdadeira sabedoria” Averdadeira sabedoria de Deus revela-se na humildade da Encarnação, e o seu ensinamento dirige-se àqueles que passam por maiores dificuldades: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos” (Mt 11,28), diz o Senhor. Ir ao encontro de Jesus significa corresponder ao seu amor e partilhar a sua vida até à cruz, como Ele próprio nos explicou: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). É precisamente o dom de si mesmo por amor que constitui o “jugo” de Jesus (cf. Mt 11,29), ou seja, a síntese do seu ensinamento, o cerne da sua sabedoria, ardente de caridade para com todos. Irmãos e irmãs, como pode ser “leve” e “suave” o peso da cruz (cf. 11,30)? Só por uma razão: porque o Senhor o carrega primeiro e com todos nós, sem nunca nos deixar sozinhos diante do que nos oprime. Como autêntico mestre, Jesus toma sobre si a humanidade ferida pelo mal, para cuidar dela. A sabedoria que Ele nos dá é um anúncio de salvação e o seu jugo levanta- nos de todas as quedas. Ao seguir Cristo, o nosso caminho não é, portanto, uma ascese que mortifica: é uma escola de liberdade, que leva a sério o drama da história e ilumina sempre o seu sentido, sobretudo nos momentos mais sombrios. Com efeito, só na cruz de Jesus é que o mal é redimido: só na sua Paixão é que o nosso cansaço mortal encontra consolo e resgate. Em situações de escravidão, Cristo é libertação. No flagelo da guerra, Cristo é esperança. Na hora do pecado, Cristo é perdão. Esta é a verdadeira sabedoria, ou seja, o caminho que queremos percorrer juntos, unidos como discípulos em seu nome. Jesus ensina-nos isso como Filho, tornando-se nosso irmão: com a força do Espírito Santo, Ele mesmo manifesta à Igreja a verdade de Deus e do homem, pois “ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (11,27). Fonte: Angelus, Praça de São Pedro, 5 de julho de 2026. 11REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS Leonardo Damasceno (org.) Membro da Rede Mundial de Oração do Papa novembro 2026 PALAVRAS DO PAPA
1256 1301/130216 de NOVEMBRO Santa GertrudesSANTOS Lourdes Crespan Missionária da Imaculada - Padre Kolbe REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS 12novembro 2026 Santa Gertrudes nasceu em 6 de janeiro de 1256. Aos cinco anos entrou para o Mosteiro Cisterciense de Helfta, na Turíngia, em 1261, como era de costume naquela época, para formação e estudo. Permaneceu em Helfta por toda a vida, e foi nesse mosteiro que descobriu sua vocação religiosa. Cresceu adquirindo grande conhecimento em literatura, música, canto e na arte da miniatura. Aos 24 anos, teve a primeira das suas visões místicas. Gertrudes ouviu em seu íntimo: “Eu vim para te consolar e trazer a salvação”. Tais revelações, ela as escreveu no livro Mensageiro do Divino Amor, importante obra cristã de teologia mística e praticamente a única fonte sobre a sua vida diária. A respeito desses acontecimentos na vida da santa, Bento XVI comentou que ela passou a intensificar a sua rotina de oração, sobretudo nos tempos litúrgicos mais significativos da Igreja: Advento-Natal, Quaresma-Páscoa. O conteúdo das suas revelações e visões foi o entendimento do amor de Cristo pelos homens. Dedicou-se à penitência, à meditação da sagrada Paixão e Morte de Cristo, à oração diante do Sacrário, e à devoção a Nossa Senhora. Foi eleita abadessa do mosteiro, cargo que exerceu até o fim de seus dias; morreu em 17 de novembro de 1301 ou 1302. A santa e mística, em um dos seus exercícios para a morte, anotou: “Ó Jesus, Tu que me és imensamente querido, estás sempre comigo, para que o meu coração permaneça contigo e o teu amor persevere comigo, sem possibilidade de separação, e o meu trânsito seja abençoado por ti, de tal modo que o meu espírito, livre dos vínculos da carne, possa encontrar repouso imediatamente em ti. Amém!”. Santa Gertrudes ainda é conhecida por uma oração que ela recebeu em uma de suas visões, que roga pelas almas do purgatório e por ser uma das primeiras a ter experiências místicas com o Sagrado Coração de Jesus, antes mesmo de Santa Margarida Maria Alacoque.
Tratamento do câncer colorretal 13novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS VIDA & SAÚDE Dr. Marco Aurélio Knippel Galletta Médico e professor na FMUSP Q uando o câncer colorretal é diagnosticado, o tratamento depende principalmente do estágio da doença – ou seja, de quanto ela se desenvolveu e se já se espalhou para outras partes do corpo. Em fases iniciais, quando o tumor ainda está restrito à parede do intestino, o tratamento costuma ser mais simples e altamente eficaz. A cirurgia é, na maioria dos casos, o principal tratamento. Ela consiste na retirada da parte do intestino onde está localizado o tumor, juntamente com estruturas próximas que podem estar envolvidas. Hoje em dia, muitas dessas cirurgias podem ser realizadas por técnicas minimamente invasivas, o que reduz o tempo de recuperação. Em alguns casos, especialmente quando há risco maior de retorno da doença, pode ser indicada a quimioterapia após a cirurgia. Esse tratamento tem como objetivo eliminar possíveis células tumorais que não são visíveis, reduzindo o risco de recidiva. Nos tumores do reto, a radioterapia também pode ser utilizada, frequentemente antes da cirurgia, para diminuir o tamanho do tumor e facilitar sua remoção.
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS14novembro 2026 Nos casos mais avançados, em que a doença já se espalhou para outros órgãos, o tratamento torna-se mais complexo. Ainda assim, existem opções terapêuticas que podem controlar a doença por longos períodos, aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida. Nos últimos anos, surgiram medicamentos mais modernos que atuam de forma mais específica nas células tumorais, além de terapias que estimulam o sistema imunológico a combater o câncer. O prognóstico – ou seja, a chance de cura e de sobrevida – está diretamente relacionado ao momento em que a doença é diagnosticada. Quando o câncer é identificado precocemente, as chances de cura são muito altas, podendo ultrapassar 90% em alguns casos. Por outro lado, quando o diagnóstico ocorre em fases mais avançadas, essas chances diminuem, embora ainda existam possibilidades de tratamento eficaz. Esse dado reforça uma mensagem central: o diagnóstico precoce salva vidas. Muitas vezes, o câncer colorretal não causa sintomas nas fases iniciais, e esperar que algo “apareça” pode significar perder a melhor oportunidade de tratamento. Por isso, a combinação entre dieta e hábitos saudáveis, além de rastreamento regular é fundamental. Em termos práticos, isso significa que cuidar da saúde intestinal deve fazer parte da rotina, especialmente a partir da meia-idade. Conversar com o médico, realizar os exames recomendados e não ignorar sinais do corpo são atitudes simples, mas que podem fazer toda a diferença. Em última análise, o enfrentamento do câncer colorretal nos lembra de algo simples e profundo: cuidar da saúde é também uma forma de cuidar da vida que nos foi confiada. A boa notícia é que, nesse caso, há muito que pode ser feito – e, muitas vezes, com atitudes acessíveis, ao alcance de todos. Alimentar-se melhor, manter-se ativo, realizar os exames no tempo adequado e não ignorar os sinais do corpo são gestos concretos de responsabilidade consigo mesmo e para com aqueles que amamos. Sem esquecer que a fé também é uma fonte importante de força e discernimento, ajudando a enfrentar o medo, a tomar decisões e a perseverar no cuidado. Assim, longe de ser motivo apenas de preocupação, esse tema pode ser visto como um convite: viver com mais atenção, mais equilíbrio e mais esperança, sabendo que prevenir e diagnosticar cedo é, de fato, uma forma real de proteger a vida.
15novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS LOLA E SUAS VIRTUDES Dr. Cláudio Bomtempo Geriatra A Eucaristia: remédio queA Eucaristia: remédio que sustentava a vida de Lolasustentava a vida de Lola A o longo dos anos em que tive o privilégio de acompanhar Floripes Dornelas de Jesus, nossa querida Lola, como seu médico, aprendi uma das maiores lições que a medicina pode oferecer à alma: há momentos em que a ciência alcança seus limites, e Deus inicia a sua obra mais profunda. A medicina podia cuidar do corpo, mas a Eucaristia sustentava a vida de Lola. Lola viveu por décadas mergulhada em um sofrimento que, aos olhos humanos, parecia insuportável. Primeiro foram as limitações físicas, depois, a ausência da necessidade de alimentar-se e de beber água normalmente, a perda total do sono reparador e tantas outras privações que desafiaram nossa compreensão clínica. Como médico, acompanhei atentamente cada etapa dessa trajetória. Como homem de fé, fui testemunha de algo que transcendia qualquer explicação fisiológica. Em todas as consultas, havia uma constante que jamais se modificava: quando se falava da Sagrada Comunhão, seus olhos adquiriam um brilho diferente. A Eucaristia não era apenas uma devoção entre tantas. Era o centro da sua existência. Era seu alimento, sua força, sua consolação, seu repouso e seu verdadeiro remédio. Lola dizia que a Sagrada Eucaristia a tornava uma só pessoa com o Sagrado Coração de Jesus e, assim, tudo o que pedia a Ele era alcançado. Nós, médicos, aprendemos desde cedo que o organismo necessita de nutrientes, hidratação e sono para manter suas funções vitais. No entanto, diante de Lola, essas certezas encontravam um mistério que não anulava a ciência, mas a ultrapassava. Enquanto seu organismo parecia prescindir progressivamente de necessidades fundamentais, sua alma permanecia extraordinariamente viva. E essa vitalidade espiritual irradiava-se também sobre o corpo, conferindo-lhe uma serenidade e uma paz que impressionavam todos os que a visitavam. Jamais vi Lola revoltar-se contra a própria enfermidade. Sua dor nunca foi desperdiçada. Ela transformava cada limitação em oferta, cada noite em oração, cada dificuldade em intercessão pelos sacerdotes, pelas famílias, pelos enfermos e por toda a Igreja. O sofrimento, unido ao Sacrifício de Cristo renovado diariamente na Eucaristia, deixava de ser apenas sofrimento para se tornar algo fecundo.
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS16novembro 2026 Ela própria costumava dizer, com a simplicidade dos santos, que era Jesus quem a mantinha viva. Não se tratava de uma figura de linguagem ou de um consolo piedoso. Para quem a acompanhava de perto, era uma realidade vivida. A Santa Comunhão era aguardada como o enfermo espera o medicamento que lhe devolverá as forças. Quando o sacerdote ou os ministros da Eucaristia atravessavam a porta de seu quarto trazendo o Santíssimo Sacramento, não era apenas uma visita pastoral: era a chegada do Médico Divino ao leito de sua paciente. A presença do Médico dos Médicos, como ela dizia. Seu quarto tornou-se, pouco a pouco, uma extensão do altar. Ali, onde muitos enxergariam apenas limitações, Deus edificou um santuário silencioso. Quantas pessoas saíam fortalecidas depois de alguns minutos ao lado de Lola! Entravam para consolar uma enferma e partiam consoladas por ela. Levavam palavras de esperança e regressavam com a certeza de que Deus continua agindo na história por meio daqueles que sabem transformar a cruz em oferta. A ciência jamais será diminuída por reconhecer seus próprios limites. Pelo contrário, torna-se mais nobre quando contempla, com humildade, aquilo que pertence ao mistério de Deus. Em Lola, nunca houve oposição entre fé e medicina. A medicina fez tudo o que podia fazer; a graça realizou aquilo que somente Deus poderia realizar. Enquanto o apoio médico buscava preservar a vida biológica, a Eucaristia alimentava uma vida muito mais profunda: a vida da Graça. Talvez por isso sua enfermidade nunca tenha definido sua identidade. Lola jamais foi "a mulher que não comia..." Foi sempre a mulher profundamente eucarística. Recentemente, Lola completaria 115 anos de existência. Viveu 87. Ao recordar tantos anos de convivência com ela, compreendo que tive diante de mim uma paciente singular, cuja verdadeira terapêutica não cabia em nenhuma prescrição médica. O remédio eficaz que sustentou Lola não era produzido em laboratórios, nem podia ser adquirido em farmácias. Era distribuído diariamente no altar da Igreja. Seu princípio ativo era o próprio Cristo, realmente presente na Santíssima Eucaristia, que foi seu alimento, sua água, seu sono. Foi sua força quando o corpo já não possuía forças; sua esperança quando qualquer esperança puramente humana parecia insuficiente. Quem contemplou essa realidade compreendeu que, quando tudo parece faltar ao ser humano, Deus pode fazer da Eucaristia o alimento que basta, porque nela está presente aquele que é a própria Vida.
17novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS AMIGOS DO CORAÇÃO Rogério Arruda Martins Agente de Pastoral A missionariedadeA missionariedade de coraçãode coração T oda genuína experiência de fé com o Senhor conduz à missão. O amor recebido de Deus nunca permanece fechado em si mesmo; torna-se impulso para anunciar, servir e testemunhar. Essa experiência dilata qualquer coração, provocando desejo íntimo de comunicar esse sentimento e proporcionar esse encontro pes soal com Deus. A missionariedade não é tarefa reservada a alguns, mas expressão natural de todo discípulo e fiel batizado que encontrou no Coração de Jesus a fonte de sua vida. Depois de sua Ressurreição, o Senhor envia seus discípulos dizendo: "Ide, fazei discípulos de todas as nações" (Mt 28,19). Assim como o Filho foi enviado pelo Pai, também a Igreja é enviada pelo Filho para tornar visível o amor de Deus no mundo. E não fará isso sozinha, pois é acompanhada e inspirada pelo Espírito Santo, sempre. A vivência da espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus nos recorda que a missão nasce da contemplação. Antes de anunciar, é preciso permanecer junto do Divino Mestre, assemelhando-se a Ele; antes de falar, escutar seu Misericordioso Coração e pulsar no mesmo ritmo; antes de expressar, entender a dinâmica do encontro com o Senhor, percebendo os movimentos e as inspirações. É dessa intimidade que brota um testemunho convincente, capaz de comunicar não apenas palavras, mas uma vida transformada em Deus. Ser missionário é muito mais do que atravessar fronteiras geográficas. É levar Cristo às periferias do próprio coração humano: à família, ao trabalho, aos ambientes cotidianos e às relações mais simples. Cada gesto de acolhida, cada palavra de esperança e cada atitude de misericórdia tornam-se anúncio silencioso e eficaz daquele que envia. Continua sendo uma experiência que começa de dentro e vai para fora – da intimidade para a comunidade –, sempre partindo do encontro pessoal com o Divino Coração, que revela os mistérios àqueles que se dispõem a recebê-lo. O Coração de Jesus permanece aberto para toda a humanidade. Quem contempla esse amor descobre que não pode guardá-lo apenas para si. A missionariedade é o movimento natural de um coração inflamado pela caridade: quanto mais ama Cristo, mais deseja que todos experimentem a alegria de conhecê-lo e segui-lo. Por fim, missionariedade tem a ver com prática: é no cotidiano da vida que os frutos aparecerão. Que nos inspiremos em Jesus, missionário de Coração!
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS18novembro 2026 Ir. Márcia Eloi Rodrigues, NJ Professora de Bíblia da FAJE COISAS DA BÍBLIA A vocação universalA vocação universal à santidadeà santidade Asolenidade de Todos os Santos nos recorda que a santidade não é privilégio de poucos, mas a vocação de todos. O texto de Apocalipse 7,2-4.9-14 apresenta essa verdade por meio da visão de uma multidão incontável, formada por pessoas de todas as nações, tribos, povos e línguas. A salvação não é fruto do esforço humano, mas pertence a Deus e ao Cordeiro. É Cristo, morto e ressuscitado, quem torna possível a comunhão definitiva com Deus. A n t e s d a m a n i f e s t a ç ã o d o s acontecimentos finais, descritos no texto bíblico, os servos de Deus recebem um selo na fronte. Assim os fiéis são marcados como per tencentes ao Senhor e permanecem sob sua proteção. Essa proteção, porém, não os livra da perseguição, do sofrimento ou mesmo do martírio. O selo não elimina a provação, mas garante a graça necessária para perseverar na fidelidade até o fim. Quando as forças humanas se esgotam, Deus sustenta aqueles que lhe pertencem. O número dos 144 mil não limita o número de pessoas salvas. Trata-se de um símbolo da plenitude do povo de Deus, representado pelas doze tribos de Israel. Em seguida, João contempla uma multidão que ninguém pode contar. Assim, o próprio texto revela o alcance universal da santidade. Deus chama para a comunhão consigo todas as pessoas que acolhem sua graça e vivem segundo o amor e a justiça manifestados em Cristo. As vestes brancas, lavadas no sangue do Cordeiro, revelam o paradoxo da fé cristã. O sangue, que normalmente mancha, aqui purifica. Os que passaram pela grande tribulação permaneceram fiéis, recusando a idolatria e a apostasia. Sua vitória não nasceu de méritos próprios, mas da participação no sacrifício redentor de Cristo. Unidos à sua cruz, participam agora de sua glória e da liturgia eterna diante do trono de Deus. A visão do Apocalipse não pretende satisfazer a curiosidade sobre o fim dos tempos. Seu objetivo é fortalecer a esperança da Igreja em meio às dificuldades. João mostra o destino dos que perseveram para animar os cristãos a permanecerem firmes na fé, mesmo quando o testemunho exige sacrifício. A santidade consiste precisamente nessa comunhão com Deus. É a realização do projeto para o qual fomos criados: participar de sua vida e conformar nossa existência à sua vontade. Por isso, celebrar Todos os Santos é renovar a certeza de que Deus continua chamando homens e mulheres de todos os tempos à fidelidade, sustentando-os com sua graça até que participem plenamente da vitória do Cordeiro.
19novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS REUNIÃO MENSALLourdes Pimenta Pereira da Silva Teóloga e membro da Rede Mundial de Oração do Papa A lógica do Coração de Jesus:A lógica do Coração de Jesus: amar, servir e partir!amar, servir e partir! Canto: Conheço um coração (Manual do Coração de Jesus, p. 219). Dirig.: “[...] quando vossa riqueza prospera, não ponhais nela vosso coração” (Sl 62,11). Sejam todos muito bem-vindos e reunidos no amor do Sagrado Coração de Jesus! Todos: Em nome do Pai e do Filho… Vinde, Espírito Santo… Deus, nosso Pai, eu te ofereço… [Neste momento, pode-se rezar pela intenção pessoal de cada um, escrita nos Bilhetes Mensais, no espaço reservado para a “graça a ser pedida neste mês”.] Leitor 1: Mt 6,19-21. [Após a leitura, fazer silêncio para meditação e posterior partilha.] Leitor 2: Em seu discurso, Jesus não condena a posse de bens, sua reflexão fica em torno do fato de “ajuntar”, acumular! Ele nos recorda que os bens são perecíveis e passageiros, porque, ao final da vida, não podem ser levados conosco. Leitor 1: Segundo o Relatório Mundial sobre Desigualdade (World Inequality Report), os 10% mais ricos detêm aproximadamente 75% da riqueza global, e a metade mais pobre da humanidade possui apenas cerca de 2% da riqueza mundial. Os números mostram a grande desproporção que gera injustiça e pobreza. Dirig.: Ter uma propriedade particular é legítimo, mas é preciso também ter cuidado com o egoísmo, para não querer tudo apenas para si e ignorar as necessidades do próximo. Leitor 2: Após essa constatação, cabe- nos agora olhar para o nosso coração: ele se apega mais àquilo que é valioso para a nossa vida pessoal, não é mesmo? Leitor 1: O Coração de Jesus nos ensina que o maior tesouro é o amor, capaz de nos tornar livres, desapegados e com o coração disponível para servir onde quer que estejamos! Todos: Sagrado Coração de Jesus, cheio de bondade e de amor, dai-nos um coração semelhante ao vosso! Leitor 1: O amor não tolera o sofrimento alheio, precisa oferecer uma resposta. Leitor 2: Do amor nascemos. Esse é o princípio de tudo! Dirig.: O primeiro passo do Caminho do Coração (Um caminho com Jesus em disponibilidade apostólica) quer orientar a nossa vida para isto: no princípio está o amor. Deus nos amou primeiro. Tudo começa a partir do que Deus fez, e não do que nós fazemos. Cada detalhe da
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS20novembro 2026 Criação foi pensado para a felicidade e bem-estar do ser humano, de cada um em particular. Leitor 1: O Coração de Jesus quer nos lembrar desse amor infinito e incondicional. Que, depois de acolhido, espera uma resposta de amor e serviço. Canto: Hino do Apostolado (Manual, p. 214, 2ª versão). Dirig.: E nós? Como temos vivido? Lembremo-nos da pobre viúva que ofereceu duas moedas (cf. Mc 12,41-44), tudo o que possuía. Todos podemos compartilhar algo em favor de quem mais precisa. Leitor 2: Da mesma forma, alguns santos renunciaram a tudo o que possuíam para somente amar. Os que não tinham bens dispunham-se a servir das mais diversas formas. Rezemos a Oração de Santo Inácio de Loyola, que nos ensina o verdadeiro despojamento de tudo: Todos: Oração de Santo Inácio de Loyola (Manual, p. 68). Dirig.: Todos somos chamados à santidade de vida nas pequenas coisas do dia a dia. O mundo precisa de mais santos “anônimos”, pessoas que transformem a realidade em meio à indiferença e ao egoísmo. Leitor 1: Somos a Rede Mundial de Oração do Papa, numa missão de compaixão. E não basta lançar um olhar de caridade, é preciso nos movermos interiormente para ações concretas. Dirig.: Convido cada um a colocar a mão sobre o coração e fazer uma oração em silêncio, agradecendo a Deus tanto amor [pausa]. Enquanto o egoísmo pergunta: o que me falta? O coração cheio de amor agradece e pergunta: o que posso oferecer hoje? Leitor 2: O que é, para você, um tesouro e como colocá-lo a serviço dos irmãos? [Pausa.] Ofereça-o com amor! [Sugestão de dinâmica: preparar um pequeno “cofre do amor” e, durante o próximo canto, passá-lo de mão em mão para que cada um coloque, de forma simbólica, o “tesouro” que pode oferecer.] Canto: Um coração para amar (Manual, p. 241). Todos: Sagrado Coração de Jesus, ajudai- nos a compreender que tudo o que somos e possuímos é dom do vosso amor. Dai- nos um coração generoso, pronto para oferecer nosso tempo, amor, cuidado, nossos talentos e também nossos bens materiais em favor dos irmãos. Libertai- nos do apego às riquezas passageiras e fazei-nos buscar, acima de tudo, os tesouros que permanecem para a vida eterna. Dirig.: Rezemos pelos falecidos, por nossas intenções pessoais [pausa] e pela intenção do Papa. [Rezar uma dezena do Terço, Terço da Mansidão e da Humildade e/ou Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.] Canto: A ti, meu Deus (Manual, p. 243). [Sugestões de ação concreta: a partilha de tempo para visitas; e alguns desafios, como separar 9 objetos para doação, além de doar um livro ou uma assinatura do Mensageiro do Coração de Jesus, e, todos os dias, agradecer por 3 “tesouros” que possua.]
21novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS Oferecimento diário julho Deus, nosso Pai, eu te ofereço todo o dia de hoje: minhas orações e obras, meus pensamentos e palavras, minhas alegrias e sofrimentos, em reparação de nossas ofensas, em união com o Coração de teu Filho, Jesus, que continua a oferecer-se a ti, na Eucaristia, pela salvação do mundo. Que o Espírito Santo, que guiou a Jesus, seja meu guia e meu amparo neste dia para que eu possa ser testemunha do teu amor. Com Maria, Mãe de Jesus e da Igreja, rezo especialmente pela intenção do Santo Padre para este mês: pelo bom uso das riquezas, para que se resista à tentação do egoísmo e elas estejam sempre a serviço do bem comum e da solidariedade com os mais necessitados. Pai-nosso. Ave-Maria. Glória. Oferecimento diário novembro
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS22novembro 2026 Pe. Danilo Mondoni, SJ Professor de História da Igreja LITERATURA CRISTÃ São Francisco de SalesSão Francisco de Sales (1567-1622)(1567-1622) Nasceu em Thorens, Saboia (21/8/1567). Depois dos primeiros estudos em La Roche e Annecy, completou sua formação em Paris, no colégio jesuíta de Clermont (1582-1588), e depois em Pádua, onde se doutorou (1591). De volta à cidade natal, optou pelo estado eclesiástico; foi ordenado em Annecy (18/12/1593). A convite de seu bispo, Dom Claude De Granier, partiu para percorrer o território de Chablais, que havia cerca de meio século caíra sob o domínio político e religioso dos ministros calvinistas; tinha em seu apoio e defesa tão somente o breviário, a Bíblia, e as Controvérsias, de Belarmino; a instrução era acompanhada pela força da caridade e pela persuasão. De volta a Annecy, foi proclamado bispo (1602). Sua preocupação maior voltou-se tanto para a instrução catequética do povo quanto para a formação eclesial dos sacerdotes. Após o encontro com Joana Francisca de Chantal (5/3/1604), em 1610 instituiu a Congregação das Irmãs da Visitação. Faleceu em 28 de dezembro de 1622, em Lyon. Seus escritos apologéticos refletem o momento contingente de defesa da verdade e se situam no período de missão no território de Chablais. A Defesa do estandarte da Santa Cruz (1596- 1597) é talvez a obra mais polêmica; As Controvérsias (1597) são folhas volantes caracterizadas pela brevidade das sentenças e pela segurança da doutrina. Os Sermões são discursos realizados ao longo de cerca de 25 anos de atividade sacerdotal e episcopal; nos Entretenimentos, o mestre fala a suas filhas na intimidade da conversa em conjunto no momento da recreação. De 1606 a 1616 dedicou-se a realizar duas obras de grande fôlego: a Filoteia ou Introdução à vida devota (1609) e o
23novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS Teotimo ou Tratado do amor de Deus (1616). Tanto Filoteia quanto Teotimo indicava “aquele que ama a Deus”. Introdução à vida devota: a Filoteia (título de uso corrente) foi o best-seller do século XVII: popular na entonação, preciosa no ensinamento; talvez quem mais se beneficiou dela foi o povo humilde. Desenvolve a ideia de fundo de que a santidade não é privilégio de poucos, mas é uma aspiração de todos. Tratado do amor de Deus ou Teotimo (título corrente): da vida devota se passa à contemplação, oferecendo às pessoas interessadas um alimento mais substancioso. O tema principal é o amor, uma vez que “Tudo na Igreja de Deus é do Amor, pelo Amor e de Amor”, como revela o prefácio da obra (IV, 4). Cartas: fala-se até de entre 3 mil e 4 mil cartas, das quais restaram atualmente 2.103. A parte preponderante é dedicada ao epistolário salesiano dirigido a Joana de Chantal. A prática da devoção “Na criação, Deus Criador mandou às plantas que cada uma produzisse fruto conforme sua espécie. Do mesmo modo, ele ordenou aos cristãos, plantas vivas de sua Igreja, que produzissem frutos de devoção [= amor a Deus e ao próximo], cada qual de acordo com sua categoria, estado e vocação. A devoção deve ser praticada de modos diferentes pelo nobre e pelo operário, pelo servo e pelo príncipe, pela viúva, pela solteira ou pela casada. E isto ainda não basta. A prática da devoção deve adaptar-se às forças, aos trabalhos e aos deveres particulares de cada um. Dize-me, por favor, Filoteia, se seria conveniente que os bispos quisessem viver na solidão como os cartuxos; que os casados não se preocupassem em aumentar seus ganhos mais que os capuchinhos; que o operário passasse o dia todo na igreja como o religioso; e que o religioso estivesse sempre disponível para todo tipo de encontros a serviço do próximo, como o bispo. Não seria ridícula, confusa e intolerável esta devoção? Contudo, este erro absurdo acontece muitíssimas vezes. E, no entanto, Filoteia, a devoção quando é verdadeira não prejudica a ninguém; pelo contrário, tudo aperfeiçoa e consuma. E quando se torna contrária à legítima ocupação de alguém, é falsa, sem dúvida alguma. A abelha extrai seu mel das flores sem lhes causar dano algum, deixando-as intactas e frescas como encontrou. Todavia, a verdadeira devoção age melhor ainda, porque não somente não prejudica a qualquer espécie de vocação ou tarefa, mas ainda as engrandece e embeleza. Toda a variedade de pedras preciosas lançadas no mel torna-se mais brilhante, cada qual conforme sua cor; assim também cada um se torna mais agradável e perfeito em sua vocação quando esta for conjugada com a devoção: o cuidado da família se torna tranquilo, o amor mútuo entre marido e mulher, mais sincero, o serviço que se presta ao príncipe, mais fiel, e mais suave e agradável o desempenho de todas as ocupações.” Francisco de Sales, Da Introdução à vida devota, parte 1, cap. 3.
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS24novembro 2026 Pe. Eliomar Ribeiro, SJ JORNADAS APOSTÓLICAS Rio das Ostras, RJ Santo Antônio do Içá, AM Vila Velha, ES Cianorte, PR
25novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS Encontro do Vicariato Litoral Rio das Ostras, RJ 4/7/2026 Odiretor nacional participou do Encontro do AO do Vicariato Litoral da Diocese de Nova Friburgo. Um dia de formação e celebração que reuniu muitos participantes de diversas paróquias. Um agradecimento à coordenação diocesana pela preparação do Encontro. 16º Encontro Diocesano do AO Volta Redonda, RJ 6/7/2026 Pe. Eliomar participou do Encontro do AO da Diocese de Barra do Piraí/ Volta Redonda, que reuniu mais de 500 participantes no Santuário de Nossa Senhora das Graças. Um momento forte de formação e oração com a presença do Pe. Evair, nomeado recentemente como diretor, e do bispo diocesano, Dom Luiz Henrique, que que presidiu a Missa de encerramento. Ordenação presbiteral de Edmo Flores Santo Antônio do Içá, AM 8-12/7/2026 O diretor nacional e algumas lideranças do MEJ estiveram presentes na semana de preparação e na ordenação presbiteral do jesuíta, Pe. Edmo Flores, nomeado diretor do Apostolado da Oração para a Diocese de Roraima. A ordenação foi uma oportunidade de conhecer a realidade amazônica e encontrar-se também com os membros do Apostolado da Paróquia Santo Antônio. Encontro de formação Vila Velha, ES 19/7/2026 Pe. Eliomar encontrou-se com mais de 300 membros do Apostolado da Oração da Área Pastoral Vila Velha, da Arquidiocese de Vitória, para uma t arde de for maç ão e melhor compreensão da missão do Apostolado. O Encontro terminou com a Celebração da Eucaristia, que reuniu muitas pessoas na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Lançamento do Diário do Coração na Expo-Católica São Paulo, SP 24/7/2026 O diretor nacional esteve na Expo- Católica para lançamento e autógrafos do Diário do Coração, seu novo livro, publicado por Edições Loyola, que quer oferecer pequenas dicas diárias para a oração pessoal a partir da Palavra de Deus e do oferecimento da própria vida. 27º Congresso do Apostolado da Oração Cianorte, PR 26/7/2026 O Apostolado da Oração e o MEJ da Diocese de Umuarana acolheram o diretor nacional pela primeira vez para a participação e assessoria do Congresso diocesano. Foi um dia de muita animação, formação, oração e celebração que reuniu mais de 1.300 participantes. Louvado seja Deus pela vitalidade da Rede Mundial no solo paranaense.
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS26novembro 2026 Celebração dos 68 anos de Edições Loyola São Paulo, SP 4/8/2026 Pe. Eliomar presidiu a celebração em ação de graças pelos 68 anos de Edições Loyola, da qual ele é também diretor- geral. Além dos colaboradores, estiveram conosco os padres Fidel Garcia e Plutarco Almeida, que colaboram na editora. A Loyola é responsável pela publicação do Mensageiro do Coração de Jesus, dos Bilhetes Mensais e de tantos livros destinados aos membros do Apostolado da Oração e do MEJ no Brasil. Encontro Arquidiocesano do AO Fortaleza, CE 8/8/2026 O diretor nacional participou da manhã de encontro e formação com muitos membros do Apostolado da Oração das diversas paróquias da Arquidiocese de Fortaleza. Um agradecimento ao diretor arquidiocesano, Pe. Expedito, e ao assessor, Ir. David Manoel, além de toda a equipe de coordenação das regiões que levam adiante a missão de animar, coordenar e orientar a caminhada da Rede Mundial de Oração do Papa. Encontro do MEJ Fortaleza, CE 8/8/2026 O diretor nacional esteve reunido com mais de 70 jovens do MEJ da Arquidiocese de Fortaleza para uma tarde de formação. Estiveram presentes também algumas lideranças das dioceses de Tianguá e Sobral. Foi uma oportunidade de refletir sobre a caminhada do MEJ e o itinerário do Caminho do Coração. Lançamento - São Paulo, SP Volta Redonda, RJ Fortaleza, CE Celebração - São Paulo, SP
27novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS VIVER AO ESTILO DE JESUS José Geraldo da Assunção Júnior Articulador do MEJ Santa Dulce dos Pobres:inspirando o MEJ a amar e servir a Cristo e ao próximo! N a Rede Mundial de Oração do Papa (Apostolado da Oração e Movimento Eucarístico Jovem), como vimos na edição anterior, contamos com a proteção, intercessão e exemplo de três santos amigos que nos inspiram a viver ao estilo de Jesus: Santa Teresinha do Menino Jesus, São Francisco Xavier e Santa Dulce dos Pobres, padroeiros da RMOP. Neste mês, vamos conhecer um pouco sobre como Santa Dulce dos Pobres, padroeira nacional da RMOP, nos motiva com seu lema de vida: amar e servir a Cristo e ao próximo. Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, nome com o qual foi batizada, nasceu no dia 26 de maio de 1914 em Salvador (BA) e, ainda muito nova, aos seis anos, ficou órfã de mãe. Desde pequena praticou a virtude da caridade, acolhendo sempre a todos com muita alegria e sem fazer distinção. Toda a sua vida foi de entrega total a Deus e ao próximo. Quando precisou de um lugar para abrigar os doentes, usou o quintal de sua casa e, mais tarde, o galinheiro do Convento Santo Antônio, num gesto audacioso e grandioso que se transformou naquele que hoje é um dos maiores complexos de saúde pública do Brasil, as Obras Sociais Irmã Dulce (OSID). Ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus em 1933; em 15 de agosto de 1934, fez seus votos religiosos, adotando o nome de Dulce, em homenagem à sua mãe; e faleceu em 13 de março de 1992, na mesma cidade de seu nascimento. A vida de Santa Dulce é um grande exemplo para todos os membros da RMOP.
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS28novembro 2026 Nos passos do Caminho do Coração, ela nos conduz a aproximarmos nosso coração do Coração de Cristo – como nos ajuda o livro Novena à Santa Dulce, de Everson Lima. Seu exemplo se estende aos mejistas, pois também nela contemplamos como viver, de uma forma concreta, a espiritualidade e os pilares do MEJ (Evangelho, Eucaristia e Missão). O Evangelho, para ela, não era tido apenas como palavras que deveriam ser lidas e contempladas, mas sim um modelo a ser vivido. Por isso, Ir. Dulce acolhia a todos com olhar gentil e caridoso, servindo-os como servia ao próprio Jesus. Assim, ela inspira os jovens do MEJ porque viveu, do modo mais perfeito, ao estilo de Jesus. Santa Dulce realizava muitos momentos de adoração a Jesus Eucarístico, porém, mais do que o adorar, ela desejava fazer um encontro com o mesmo Jesus nas pessoas que sofriam. Ainda pequena, já assim o fazia acolhendo tantas pessoas doentes e desamparadas, e foi assim durante toda a sua vida, mesmo diante das dificuldades, pois encontrava na oração e na comunhão diária a força para seguir. Ela se deixou conduzir pelo amor a Jesus presente na Eucaristia, que alimentou sua entrega. Por meio de Santa Dulce, cada mejista entende que a Eucaristia celebrada na missa precisa ser prolongada na rotina diária e que não podemos nos manter indiferentes às dores e necessidades do mundo. O pilar da Missão é observado em toda a vida de Ir. Dulce. Ela viveu para servir: acolheu os doentes, abandonados e famintos, servindo-os sempre com um sorriso no rosto. Saía às ruas não para levar uma teoria, mas para levar o próprio Cristo através de suas mãos, do seu abraço e da sua escuta atenta. Onde a sociedade via um problema ou um descarte humano, Santa Dulce enxergava sua terra de missão e o seu próximo mais urgente. Ela inspira, então, aos mejistas, que a missão começa no território onde nossos pés já estão pisando, a ter coragem de furar a bolha do egoísmo e do comodismo e assumir as dores do outro, transformando qualquer espaço – um hospital, uma escola, sua casa, seu bairro e a Igreja – em um lugar de acolhimento e manifestação do Reino de Deus, vendo o mundo como Jesus o via, com compaixão e misericórdia. Ir. Dulce, o “Anjo Bom da Bahia”, caminha lado a lado com cada mejista brasileiro, lembrando que o verdadeiro cristão é aquele que ama sem medidas. Ser do MEJ no Brasil, nessa perspectiva, significa aceitar o chamado de ir além das palavras. É carregar no peito a alegria de ser jovem do MEJ e, nas mãos, a disposição para construir um mundo mais justo, fraterno e solidário. É colocar em prática o Evangelho contemplado e a Eucaristia celebrada todos os dias e, assim, colaborar com a missão de Cristo, em meio aos desafios da humanidade. Santa Dulce dos Pobres, nossa padroeira nacional, intercedei por todos os membros do MEJ e do Apostolado da Oração, a Rede Mundial de Oração do Papa!
29novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS LIVRO DO MÊSRedação Um caminho para acolher a verdadeira Luz O Advento é um tempo especial para a Igreja e para todos aqueles que desejam preparar o coração para celebrar o nascimento de Jesus. Mais do que uma contagem regressiva para o Natal, é um convite à oração, à reflexão e à renovação da fé. É tempo de silenciar, olhar para dentro e abrir espaço para aquele que vem ao nosso encontro. É justamente com esse propósito que o Retiro de Advento e Natal 2026 se apresenta como um importante instrumento para viver esse período com mais profundidade. Inspirado na riqueza da espiritualidade cristã e, de modo particular, na tradição inaciana, o livro propõe um caminho de oração e discernimento que conduz o leitor ao encontro pessoal com Jesus Cristo. Ao longo do retiro, as reflexões ajudam a contemplar o grande mistério da Encarnação: Deus que se faz homem e vem habitar entre nós. Diante da manjedoura, somos convidados a perceber que o nascimento de Jesus não é apenas uma lembrança de um acontecimento passado, mas uma experiência capaz de transformar nossa maneira de viver, de amar e de nos relacionarmos com Deus e com o próximo. O material foi pensado para acompanhar a caminhada espiritual durante as semanas do Advento e no Tempo do Natal. Por meio das meditações, somos conduzidos a cultivar o silêncio interior, reconhecer a presença de Deus nas pequenas coisas e preparar o coração para acolher a novidade que Ele continuamente nos oferece. Mais do que um livro a ser lido, este retiro é um convite a ser vivido. Cada reflexão pode se tornar uma oportunidade de parar, rezar, escutar e discernir. O Advento nos chama a “endireitar os caminhos do coração” e a preparar uma nova manjedoura para Jesus: um coração aberto, acolhedor e disposto a deixar-se transformar pelo amor de Deus. Prepare o seu coração para acolher Jesus.
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS30novembro 2026 Pe. Edson Tomé Pacheco Silva, SJ Secretário para Juventude e Vocações da Província dos Jesuítas do Brasil JUVENTUDE & VOCAÇÕES Santos ao nosso lado Q uem já não conheceu um santo? Pode ter sido uma avó que nunca deixou de rezar pelos filhos e netos. Um professor que marcou gerações pela dedicação. Um vizinho sempre disposto a ajudar. Um catequista. Um religioso. Um padre. Uma mãe. Um pai. Talvez até alguém que, todos os domingos, se senta no mesmo banco da igreja que nós. São pessoas comuns. Vivem suas dificuldades, carregam suas fragilidades e enfrentam suas lutas como todos nós. O que as torna diferentes não é uma vida sem problemas, mas um outro jeito de vivê-la. É por meio dessas vidas que a Igreja revela sua face mais bela: a santidade vivida no cotidiano. Como recordou o Papa Leão XIV, a santidade não é privilégio de poucos, mas a vocação de todo batizado (cf. Audiência geral de 8/4/2026). Deus continua chamando homens e mulheres à santidade e formando-os nas circunstâncias mais simples da vida, onde a caridade se torna concreta. Talvez seja justamente isso que mais nos impressiona nos santos. Suas vidas nos recordam que o Evangelho não pertence ao passado. Ainda é possível amar sem interesse, perdoar, servir, permanecer fiel, cuidar dos pequenos, escolher a verdade e fazer do cotidiano um lugar onde Deus habita. O saudoso Papa Francisco escreveu, na Gaudete et exsultate (Alegrai-vos e exultai), que gostava de contemplar "a santidade do povo paciente de Deus" (n. 7), presente na vida daqueles que seguem caminhando com fidelidade, muitas vezes longe dos holofotes. A santidade não consiste em realizar feitos extraordinários, mas em permitir que o amor de Cristo transforme o modo como trabalhamos, convivemos, rezamos e servimos. Antes mesmo de escutar um chamado no coração, muitas pessoas encontraram alguém cuja vida lhes despertou o desejo de seguir Jesus. Afinal, toda vocação nasce do encontro com Cristo, mas quase sempre floresce por meio do testemunho de quem já caminha com Ele. Neste mês de novembro, em que celebramos a Solenidade de Todos os Santos, vale a pena fazer memória não só dos santos conhecidos, mas também dos anônimos. Quem foi o santo que Deus colocou em seu caminho? Quem, com sua vida simples e fiel, fez você acreditar mais em Deus? E uma pergunta mais exigente: quem nos observa encontra, em nós, motivos para acreditar que o Evangelho ainda pode ser vivido?
31novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS DESPERTE SUAS FORÇAS Angélica Cunha Treinadora em Inteligência Emocional Desarmando as armadilhas do orgulho O lá! Já que apresentei o sabotador orgulho na edição anterior, nesta quero mostrar que podemos desarmar suas armadilhas. Lembro que estamos na série Autossabotagem e, por isso, vamos identificar aquilo que nos impede de cumprir a nossa missão e ter mais bem-estar no dia a dia. 1. Honestidade A honestidade nos permite enfrentar a verdade acerca de quem somos e de como nos relacionamos com o nosso mundo interior. É assim que iniciamos o caminho que nos conduz até o nosso bem-estar emocional. A honestidade nos dá força para nos questionar, identificando a falsidade e as mentiras que nos ameaçam, a partir do nosso interior. 2. Desejar a humildade O orgulho é expulso pela humildade. E essa é uma força de caráter que pode ser adquirida por meio de uma sucessão de pequenos atos. 3. Familiarizar-se com Deus É possível fazer isso de várias maneiras: ser aprendiz da Palavra de Deus, estar com o Senhor, sem dizer nada, sem fazer nada. Ler ou escutar a Palavra e trazê-la para o meu cotidiano, para a minha vida. 4. Cultivar a discrição Devemos procurar ser discretos e aprender a ajudar em segredo, sem que ninguém saiba (cf. Mt 6,1-4). Digamos que uma vez por dia, se você tende a ser mais generoso quando caminha com amigos, tome a decisão de fazer o mesmo e tão frequentemente pelos pobres quando estiver sozinho. 5. Aceitar emoções e saber rir de si mesmo Acolha suas emoções, imperfeições e deslizes. Pare de lutar contra o que sente e aprenda a viver com mais leveza, com bom humor. 6. Servir aos outros Como Jesus Cristo dá a própria vida (o dinheiro, o tempo, a amizade, o amor etc.) para valorizar a vida dos outros, coloquemo-nos a serviço do próximo. Com essas práticas, vamos sim desarmar o orgulho e ter uma vida mais leve e mais próxima do que o Coração de Jesus nos pede. Um forte abraço!
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS32novembro 2026 RedaçãoHOMENAGEM Ir. Maria HelenaIr. Maria Helena Petri, MARPetri, MAR Filha de José Petri e Adélia Marcheze Petri, Maria Helena Petri nasceu em 19 de janeiro de 1947 e cresceu no pequeno distrito de Alto Pongal, em Anchieta (ES). Em 19 de março de 1968, dia dedicado a São José, ela realizou sua Primeira Profissão, emitindo os votos de pobreza, castidade e obediência. Seis anos depois, fez sua Profissão Perpétua e tornou-se religiosa da Congregação das Missionárias Agostinianas Recoletas (MAR). Ir. Maria Helena foi diretora do Centro Educacional Agostiniano, em Vitória (ES), no período de 1987 a 1998. Conduziu a escola com sabedoria, a c o l h i m e n t o e compromisso com a formação humana e cristã. Ela faleceu aos 79 anos, no dia 4 de agosto de 2026. “Sua vida foi um testemunho de fé, humildade e dedicação ao próximo. Nas Irmãs Agostinianas e em todos os lugares por onde passou, levou amor, esperança e caridade, no Brasil e em outros países, deixando um legado que permanecerá vivo na memória de todos que tiveram o privilégio de conhecê-la”, afirmou seu sobrinho, Fabricio Petri, pelas redes sociais. “Pessoa muito querida por toda a Família Agostiniana, deixa um legado de serviço, fraternidade e esperança, que permanecerá vivo na memória e no coração de todos que tiveram a graça de conviver com ela. Elevamos nos s as or açõ e s, agr adecendo a Deus pelo dom de sua vida e por t o d a a s u a dedicação à educação e à m i s s ã o d a Igreja” (c f. nota de pesar pelo falecimento da Irmã).
33novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS SOBRE TODAS AS COISAS Eduardo Machado Educador PatiaPatia A doro etimologia. Entre outras coisas, por “culpa” da Clara, minha professora no curso de Letras na UFMG. Ela adorava nos contar a história das palavras. Para completar, naqueles tempos, entre as muitas disciplinas, estudávamos Latim e Grego, que, apesar de bem básicos, nos davam noção de como se construíam os termos que usamos no cotidiano. Aprendi, por exemplo, que a palavra “companheiro” vem do latim, com-panis, que quer dizer “aqueles que compartilham o mesmo pão”. E “recordar”? Re-cordis, “trazer de novo ao coração”. Lindo, não é? Mas hoje eu quero falar de um sufixo, patia, que vem do grego, pathos, e significa “aquilo que se experimenta”. Ele aparece formando diversas palavras que indicam sensibilidade, tratamento e até uma condição patológica. Ou seja, patia pode se referir a um sofrimento, uma doença ou a um comportamento. Na Medicina, indica doença num órgão específico. Eu, por exemplo, sofro de cardio-patia, uma vez que tive um infarto aos 33 anos, sobrevivi e, assim como no filme, ainda estou aqui... Quando o sufixo aparece na Psicologia, ligado a um comportamento, refere-se a uma condição emocional. A-patia revela ausência de ânimo, desinteresse, distanciamento. Anti-patia vai mais longe: traduz intolerância, rejeição, exclusão. No meio do caminho está a sim-patia, sentimento que traduz interesse, companheirismo, cuidado ou identificação com alguém. Posso ter simpatia por uma pessoa, pelo seu jeito de ser, de viver. Estar perto dela me agrada e alegra. Mas posso também ter simpatia por uma causa, uma ideia, um clube ou uma posição política. No entanto, ser simpatizante nem sempre significa um envolvimento mais próximo com pessoas ou ideias. Posso ser simpatizante de um time de futebol, sem nunca ter ido ao estádio para vê-lo jogar. Ou ter interesse pelas posições de um partido político, sem ser filiado nem nunca ter participado de um comício ou passeata. Esse envolvimento pessoal faz parte de algo mais profundo: a em-patia. Uma pessoa que tem em-patia revela capacidade de, além de se identificar com os sentimentos do outro, compreender e compartilhar suas emoções, numa conexão emocional que convida a se envolver cada vez mais. É o que sugere aquele antigo comercial do Gelol: “não basta ser pai, tem que participar”! Trazendo para nossa jornada espiritual, estamos em novembro, às portas dos
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS34novembro 2026 passos do Advento rumo a Belém, onde a Sagrada Família nos espera. Deus se faz conosco, um de nós, na pessoa de Jesus, traduzindo em gesto o sentimento expresso por Santo Inácio de Loyola na contemplação em que a Trindade, cheia de misericórdia, olha a Humanidade perdida em seus descaminhos e diz: “precisamos ir até eles”. Não basta ser Deus, tem que participar... O mistério da Encarnação revela a mais profunda relação de empatia entre o Criador e a criatura. Deus se inclina para o ser humano e, em sua infinita compaixão, faz-se homem em Jesus Cristo, assumindo a nossa condição para redimir a humanidade a partir dela mesma. Esse ato revela a maior expressão de empatia divina, em que o próprio Deus se coloca em nosso lugar, vivendo nossas dores, alegrias e limitações. E nós, como discípulos seguidores de Jesus de Nazaré, somos chamados a viver o amor compassivo de Cristo, que vê, acolhe, escuta e age. Assim, à espera do Natal, rezamos: “Vem, Senhor Jesus”! E a cada passo, por quatro semanas, acendemos no coração a vela da Esperança, a vela da Paz, a vela da Alegria e a vela do Amor. Na noite de Natal, diante do Menino que nos é dado, iluminados pela graça, podemos nos perguntar: Nas relações com o outro, com o mundo, com as realidades que nos envolvem, prevalece em mim a simpatia, a apatia, a antipatia ou a empatia? O encontro com o outro me afeta a ponto de me envolver em profundidade com ele ou busco manter distância segura nos meus sentimentos? Jesus, ao viver entre nós, percebeu que a vida tem de tudo: Esperança e desespero; Paz e aflição, Alegria e tristeza, Amor e solidão. E Ele sempre apontou sua vida na direção dos valores que trazia no coração. E eu, para onde se volta a minha energia vital? Reze sobre isso, reveja o filme da sua vida cotidiana sob a luz do Espírito. Peça que Ele lhe mostre o rumo tomado pelos seus sentimentos, palavras e gestos. Nossa energia vital se revela nas cinco janelas que nos permitem ver, ouvir, tocar, saborear, sentir tudo em nós e à nossa volta. A pessoa que a possui mantém essas janelas abertas, sensíveis, é espiritual. Por meio delas, consegue vislumbrar mais do que os sentidos percebem. Os sentidos veem as cores; o Espírito nos revela a beleza das cores, suas composições e harmonias. Os sentidos constatam as realidades; o Espírito nos convida e impulsiona a ver além, conhecê- las em suas verdades e profundidades. Os sentidos veem o agir humano, em suas generosidades e contradições; o Espírito provoca e aguça o interesse em buscar, sempre, e em tudo, o Bem. Os sentidos captam o transcendente nas celebrações; na beleza da música, no ambiente Sagrado, na santidade das palavras e na liturgia dos gestos. Fora do Templo, mas a partir do Templo, o Espírito nos leva a vivenciar a experiência profunda e cristã da Fé, da Esperança e do Amor. Mas, de tudo, em tudo, e por tudo, o mais importante, é o Amor.
35novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS REZAR FAZ BEM Pe. Maicon A. Malacarne Presbítero da Diocese de Erexim, RS Deixar passar a luz Recordo que em algum momento de catequese com as crianças na Itália, dentro de uma grande igreja, perguntei sobre os santos que elas mais gostavam. Em seguida, tentando refletir o significado da santidade, quis saber o que os santos tinham em comum, ou seja, porque eles eram santos. Um garotinho ergueu os olhos, virou para um lado e para o outro e, apontando para os deslumbrantes vitrais daquela igreja, respondeu: “os santos são aqueles que deixam passar a luz”. Não lembro de ter encontrado em livros de alta teologia uma definição desse tamanho, com tanta simplicidade. Os santos entenderam que a tarefa não é fabricar a luz, mas resplandecer a luz. Não se trata de ser um expectador da vida, de viver uma atitude espiritual de passividade. Pelo contrário, o evangelho nos ajuda a compreender que “ser sal” e “ser luz” significa assumir uma atitude fusional, desmanchar e iluminar a realidade com aquilo que somos. “Vós sois o sal da terra”, disse Jesus, na continuidade do Sermão da Montanha (cf. Mt 5,13-16). Em seguida: “vós sois a luz do mundo”. O evangelho me fez recordar aquela criança italiana: ninguém é a fonte da luz, a missão é deixar passar a luz. De outra maneira, o sal se sente: o seu sabor é fruto da sua capacidade de se desfazer, de se “esconder” para dar gosto. Tudo é dom: o sal é para dar sabor, a luz é para iluminar! A felicidade não é reter, guardar, trancar, mas sempre expandir, entregar, ascender. É isso que ensina o profeta Isaías: “Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes os da tua carne. Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa” (Is 58,7-8).
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS36novembro 2026 Luís Roberto de Francisco Historiador e pesquisador da Biblioteca Histórica Pe. Luiz D’Elboux CAMINHOS DE SANTIDADE Música e devoção:Música e devoção: outra obra do Padre Taddeioutra obra do Padre Taddei Nos encontros mensais do Apostolado da Oração não podem faltar a alegria e a música. Talvez não haja grupo no Brasil que não cante o “Coração Santo” e o “Hino do Apostolado da Oração”. É emocionante quando vemos entrar as bandeiras em procissão, cantando e mostrando a força que a Rede Mundial de Oração do Papa desperta ao reunir tanta gente no propósito comum de rezar pelo bem das pessoas, do planeta e em defesa da vida e da justiça social. Nas primeiras missões populares, o Padre Taddei cantava com o povo, ensinando melodias fáceis de devoção ao Coração de Jesus e ao Santíssimo Sacramento. Em Itu (SP), de onde o Apostolado da Oração foi irradiado a todo o país, existe ainda um coro que ele mesmo fundou, formado por membros do AO, para cantar na Igreja do Bom Jesus, no Santuário do Apostolado da Oração. Esse grupo já existia em 1893, composto pelas “irmãs do Coração de Jesus”, como noticiou um jornal local, cantando na solenidade de Santa Margarida Maria Alacoque. O Coro do Bom Jesus tem hoje um repertório diferenciado, é verdade, porque mantém vivas músicas que vieram para o seu repertório ao longo do tempo, inclusive obras exclusivas. Por exemplo, há uma Jaculatória ao Coração de Jesus, composta em Recife, no século XIX, dedicada ao Pe. Taddei, bastante cantada pelo grupo. Outra, escrita pelo Pe. José Zabala, compositor jesuíta basco, que foi diretor desse coro por mais de vinte anos, também é bastante cantada. Em 2021, o Coro do Bom Jesus participou da Missa dos 150 anos de fundação do
37novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS “Eu estava em processo de aposentadoria, mas com algumas pendências. Pedi ao Pe. Bartolomeu Taddei para ter êxito, e obtive a graça pela sua intercessão! Sagrado Coração de Jesus, eu confio em Vós!” Cristina Pozzi Baldo Ilhabela, SP Apostolado da Oração no Brasil, com transmissão para todo o país, inclusive apresentando pela primeira vez a bela melodia da Consagração ao Coração de Jesus composta pelo professor Alan Figueiredo, de Macaúbas (BA), que escreve mensalmente o roteiro da Hora Santa em nossa revista. O Pe. Taddei criou um coro para que os integrantes do Apostolado pudessem estar vivamente integrados na liturgia, para cantar a ladainha ao Coração de Jesus, entoar os hinos de louvor na Hora Santa e durante a Bênção do Santíssimo Sacramento. Em 1946, quando o Apostolado da Oração no Brasil completava 75 anos, o Coro do Bom Jesus se transformou em grupo misto, com participação de homens também, o que permitiu um repertório musical muito maior. Naquela ocasião, houve uma grande celebração em Itu, missa campal, milhares de peregrinos. Além dos hinos que conhecemos, o grupo entoou músicas como se fazia em Roma. Uma orquestra se formou para acompanhá-lo, como se vê na foto, tirada na porta do Bom Jesus, em Itu, há exatos 80 anos. Atualmente, o Coro do Bom Jesus participa da liturgia em todas as celebrações do Apostolado da Oração, mantendo viva a chama iniciada pelo Pe. Taddei. Em outubro, a cada dois anos, canta no encerramento do Congresso do Apostolado da Oração que ocorre no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba (SP), momento tão bonito de estar junto com gente devota de todo o país.
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS38novembro 2026 Ir. Afonso Murad, FMS Pastoralista e professor de Mariologia na FAJE MARIA, MÃE DA IGREJA A menina de Nazaré Meditação para o Advento V ocê já imaginou como aconteceu o diálogo do anjo Gabriel com Maria, que mudou o destino da nossa história? Esse encontro está contado em Lucas 1,26-38. Abra a sua Bíblia e leia o texto. A seguir, leia novamente bem devagar, pensando no cenário, nas duas pessoas e nas palavras que elas dizem. Eu vou partilhar com você a minha meditação. Mas seguramente a sua será diferente, pois Deus fala ao coração de cada um, com um jeito próprio. Eu imagino Maria assim: uma menina jovem, de mais ou menos 16 anos, que era a idade a partir da qual as mulheres se casavam naquele tempo. Cabelos longos, rosto moreno, mãos firmes, brilho nos olhos, alegria nos lábios. Vivendo ainda na casa de seus pais, Joaquim e Ana, Maria dividia com a mãe as tarefas, desde buscar água no poço, fazer o pão de cada dia, tecer as roupas, até cuidar dos poucos cordeiros que eles criavam. Os historiadores dizem que a casa da família era pequenina, com somente um quarto. Assim eram as moradias da Vila de Nazaré, que ficava numa região montanhosa, no Norte da Palestina. O banheiro e o pequeno fogão a lenha estavam do lado de fora. Ao lado da casa moravam outros parentes. Talvez Joaquim cultivasse a terra, plantando trigo e cevada, cuidando da videira para consumir as uvas e fazer o vinho caseiro. Assim eu imagino Maria de Nazaré e sua família. Era uma jovem judia que partilhava, com outras mulheres e homens, a esperança na vinda do Messias, o salvador do povo. Então, acontece uma surpresa. O enviado de Deus vem ao seu encontro. E Maria pôde escutar o divino recado, porque já estava sintonizada com Ele. Continue a meditar o texto da Anunciação. Contemple as diferentes atitudes de Maria, enquanto ela conversa com Gabriel: surpresa, questionamento sobre como seria o futuro incerto, discernimento para compreender a vontade de Deus. E, por fim, sua resposta generosa: “Eis-me aqui, a serva do Senhor. Eu quero que se faça em mim conforme sua palavra” (Lc 1,38). Obrigado, Maria, pelo seu SIM! Onde estivermos, que Deus venha ao nosso encontro. Renove em nós, jovens, adultos e pes soas da terceir a idade, o encantamento e o nosso compromisso com Jesus. Amém!
39novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS Redação MEMÓRIAS DO CORAÇÃO 118 anos do AO da Paróquia118 anos do AO da Paróquia Divino Espírito Santo, Camboriú, SCDivino Espírito Santo, Camboriú, SC OApostolado da Oração da Paróquia Divino Espírito Santo, em Camboriú, SC, foi fundado em 5 de abril de 1908, por um grupo de senhoras devotas ao Sagrado Coração de Jesus, que, de forma voluntária, dedicavam seu tempo ao serviço da Igreja e da comunidade. Em 1988, o Pe. Manoel João Francisco promoveu o pr imeiro encontro comemorativo do Apostolado, para celebrar 80 anos de sua fundação. A partir de então, os membros não deixam de comemorar, a cada ano, com grande alegria e espírito de fraternidade, a existência de seu grupo. Desde o início, o Apostolado destacou-se pelo trabalho de evangelização e solidariedade. As integrantes realizavam visitas aos idosos e enfermos, auxiliavam famílias em situação de necessidade e colaboravam ativamente na tradicional Festa do Divino Espírito Santo, fazendo bolos e tortas, providenciando roupas para jovens de famílias carentes e divulgando a festa, que já fazia parte da história da cidade. Atualmente, o Apostolado da Oração da Paróquia Divino Espírito Santo, que pertence à Arquidiocese de Florianópolis, conta com 85 membros na Matriz e 25 na Comunidade do Cedro. O diretor espiritual e pároco é o Pe. André Schmitz. No dia 12 de junho de 2026, houve a celebração da Solenidade do Coração de Jesus com a participação do Apostolado da paróquia. Sete novas consagradas receberam a fita vermelha e o Manual do Coração de Jesus. E em 25 de julho passado foi realizada a confraternização dos 118 anos do Apostolado. “Fizemos um Momento de Espiritualidade seguido de almoço. Foi muito bom. Nosso pároco, Pe. André, não pôde participar por motivo de viagem, mas esteve conosco o Pe. Leandro Domingues Padilha, que já foi nosso vigário. O Apostolado da Paróquia Bom Sucesso, que antes pertencia à nossa paróquia, também marcou sua presença. Agradecemos a oportunidade de compartilhar um pouco da história do nosso grupo centenário, que continua sua missão de oração, serviço e dedicação ao Sagrado Coração de Jesus”, contou a coordenadora do AO, Maria Inez Linhares.
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS40novembro 2026 Redação DESAFIOS DA HUMANIDADE Transformar a riquezaTransformar a riqueza em serviço aos irmãosem serviço aos irmãos A s desigualdades estruturais exigem políticas globais que envolvam muitos acordos sociais e um esforço coletivo que as sustente ao longo do tempo. Os responsáveis pelas finanças devem colaborar com os governos para ajudar a regular os mercados e proteger os cidadãos, conforme já alertava Francisco no Vídeo do Papa de maio de 2021. “Ainda podemos pôr em andamento um processo de mudança global para praticar uma economia diferente, mais justa, inclusiva, sustentável, que não deixe ninguém para trás”, afirmou o Pontífice. Para uma utilização adequada das riquezas, é também necessário o discernimento pessoal, sobre o qual cada um de nós pode refletir no âmbito familiar, comunitário e individual. O que temos hoje é, simultaneamente, fruto do nosso esforço e um dom generoso recebido daqueles que nos antecederam e amaram. A nossa educação, os nossos valores e os bens que nos permitem viver não estão destinados a um uso egoísta, mas sim a dar continuidade a essa cadeia de solidariedade, sobretudo para com os empobrecidos pela indiferença que, muitas vezes, é fomentada silenciosamente na nossa sociedade. O Papa Leão XIV recordou, em Audiência Geral no dia 17 de dezembro de 2025, que o verdadeiro tesouro não está nos cofres da terra nem nas falsas seguranças do mundo, mas no coração que encontra no amor de Deus o sentido e a esperança para a vida. “A verdadeira plenitude do coração não consiste em possuir os bens deste mundo, mas em alcançar aquilo que o pode preencher completamente: o amor de Deus, ou melhor, Deus, que é Amor. Esse tesouro, porém, só se acha amando o próximo que encontramos ao longo do caminho: irmãos e irmãs em carne e osso, cuja presença desafia e questiona o nosso coração, convidando-o a abrir-se e a doar-se. O nosso próximo pede-nos para ir mais devagar, para olhá-lo nos olhos; por vezes, para mudar de planos, talvez até para mudar de direção.” A riqueza tem um enorme potencial: pode fechar o coração ou abri-lo. A escolha é nossa. Não se trata de ter muito ou pouco, mas sim de como usamos o que possuímos e de como o coração se apega ou desapega dos bens. Em casa, no trabalho, na Igreja ou na sociedade, que os bens materiais ou espirituais sejam instrumentos para servir os irmãos.
41novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS Atitudes cotidianas para viver a Intenção de Oração deste mês 1. Reconhecer que tudo é dom Nada é totalmente nosso: tudo nos foi dado. Agradeça, todos os dias, o que tem como um presente e não como um direito absoluto. 2. Partilhar com generosidade A riqueza não se mede pelo que você acumula, mas pelo que partilha. Colabore com iniciativas solidárias e promova a partilha. 3. Gastar com consciência Cada compra é uma decisão ética e espiritual. Pergunte-se: “Preciso mesmo disso? Essa despesa promove a justiça ou apenas o meu conforto?”. 4. Colocar os seus talentos a serviço do bem comum As suas capacidades, o seu tempo, os seus contatos também são riqueza. Use-os p a r a a j u d a r q u e m t e m m e n o s oportunidades. 5. Viver com sobriedade evangélica A sobriedade não é uma renúncia amarga, mas liberdade interior. Viva um estilo de vida simples, centrado no essencial. Oração Senhor da vida, tudo o que temos vem de ti: a terra fértil, os talentos recebidos, o esforço de quem nos precedeu. Nada é só nosso, tudo é dom partilhado. Mas, tantas vezes, Senhor, deixamos que a riqueza, desejada ou alcançada, endureça o nosso coração, nos feche no egoísmo e nos faça esquecer os mais frágeis. Perdoa-nos por acumular em vez de partilhar, por usar os bens como poder e não como serviço. Tu nos recordas que a verdadeira riqueza não está no que guardamos, mas no que entregamos com amor. Um coração desapegado transforma o mundo: abre caminhos de justiça, derruba muros de indiferença, semeia esperança entre os pobres. Pedimos-te, Senhor,que o teu Espírito nos ensine a usar o que temos – dinheiro, tempo, talentos, oportunidades – como instrumentos de fraternidade. Que cada decisão econômica, familiar ou comunitária nasça de um coração livre, capaz de reconhecer que todo o bem é comum, e que só partilhando construímos o futuro. Faz de nós testemunhas de uma riqueza convertida em serviço e misericórdia, para que a nossa vida, unida a de outros, seja sinal do teu Reino de justiça e paz. Amém.
PELO MUNDOREVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS42novembro 2026REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS Redação Encontro Nacional dos Jesuítas do Brasil Em julho de 2026, aconteceu no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba (SP), o Encontro Nacional dos Jesuítas do Brasil e seus colaboradores que exercem a missão em diversas frentes apostólicas da Província. O tema do Encontro foi “Onde está o teu coração?” e levou os participantes a refletirem sobre o que anima e fortalece a missão nas realidades variadas em que servem. Da Rede M u n d i a l d e O r a ç ã o d o P a p a , participaram o diretor nacional, Pe. Eliomar Ribeiro, e Angélica Cunha, que colabora com a Sede Nacional. Cardeal Tolentino participou da Flip O cardeal e poeta português José Tolentino de Mendonça participou da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em julho deste ano. O atual prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, do Vaticano, integrou a programação principal do evento para debater fé, poesia e silêncio. O cardeal Tolentino deu voz ao seu próprio poema “Para ler aos noviços”, dividindo a mesa com o escritor brasileiro Edimilson de Almeida Pereira, com mediação da poeta Sofia Mariutti. O tema foi “saber de cor o silêncio”, estrofe do poema de Orides Fontela que inspirou todos os painéis da 24ª edição da Festa Literária. Presidente da CRB nomeada para Dicastério em Roma O Papa Leão XIV nomeou, no mês de agosto passado, a presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB Nacional), Ir. Maria do Disterro Rocha Santos, FCIM, como consultora do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. A nomeação representa um importante reconhecimento pelo serviço que a presidente da CRB Nacional tem dedicado à Vida Religiosa Consagrada no Brasil, colocando sua experiência e seu compromisso a serviço da Igreja universal. Como consultora, Ir. Maria do Disterro passará a colaborar com o Dicastério em estudos, reflexões e iniciativas voltadas à promoção e ao acompanhamento da Vida Consagrada em todo o mundo. Papa Leão visitará a América Latina A Sala de Imprensa da Santa Sé confirmou a primeira viagem apostólica do Papa Leão XIV à América Latina. Segundo o diretor da assessoria de imprensa da Cúria Romana, Matteo Bruni, o Pontífice visitará o Uruguai, a Argentina e o Peru de 6 a 17 de novembro de 2026, aceitando o convite dos Chefes de Estado e das autoridades eclesiásticas desses países. O Santo Padre visitará Montevidéu, Paysandú e Florida de 6 a 8 de novembro; Buenos Aires, Córdoba e Luján de 8 a 11 de novembro; e Lima, Chiclayo, Cusco e Pucallpa de 11 a 17 de novembro.
Se quiser fazer uma doação pelo seu celular, abra o aplicativo do seu banco e faça um pix lendo o QR Code. O Coração de Jesus ainda esperaO Coração de Jesus ainda espera por muitos coraçõespor muitos corações A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é um tesouro da Igreja que continua transformando vidas. Em um mundo marcado pela inquietação e pela falta de esperança, ela nos recorda que Cristo permanece de braços abertos, oferecendo amor, misericórdia e paz a todos. Por isso, é tão importante que essa espiritualidade chegue a mais famílias, comunidades e jovens. Ao participar da Campanha Amigos do Apostolado da Oração, você ajuda a divulgar essa devoção, fortalecer o Apostolado da Oração e ampliar a missão da Rede Mundial de Oração do Papa em todo o Brasil. Se desejar saber mais ou enviar seu pedido de oração, fale conosco pelo WhatsApp (11) 2495-5201. E, se sentir esse chamado no coração, faça uma doação espontânea pela Chave Pix CNPJ 51.901.102/0001-19. Ajude-nos a levar mais corações ao Coração de Jesus.
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS44novembro 2026 Pe. Paco, SJ M issionário jesuíta na Amazônia brasileiraPARÁBOLAS João com sorteJoão com sorte J oão era um jovem bom e trabalhador que labutava numa fazenda. Após uns bons tempos na fazenda, decidiu voltar para casa. O patrão, que gostava de João e estava muito satisfeito com seu trabalho, deu-lhe de presente uma grande pepita de ouro. João ficou imensamente feliz! Ao caminhar de volta para casa, porém, a pepita tornou-se pesada demais. Assim, numa pequena vila por onde passou, João decidiu trocá-la por um cavalo vigoroso e muito veloz. Continuou feliz, cavalgando rumo à sua casa. No entanto, o cavalo era veloz demais para ele e, em tal correria, arremessou-o contra o chão. João ficou tão chateado e dolorido que, na fazenda mais próxima, trocou-o por uma vaca. A vaca dava-lhe leite gostoso que o reconfortava e o fazia feliz. Contudo, ao contrário do cavalo, era muito lenta e, além disso, o leite dela foi secando. Então, ao passar por uma granja, João decidiu trocá-la por um porco. O porco, porém, fazia tanto barulho com seus grunhidos e exalava um cheiro tão ruim que João não conseguia nem dormir. Por isso, trocou-o por um grande, belo e elegante ganso, e ficou satisfeito com a troca. Enfim, na última aldeia por onde passou, antes de chegar em casa, ficou fascinado com algo que nunca tinha visto antes: um amolador de tesouras! Sem pensar duas vezes, trocou o ganso pela pedra de amolar. João ficou alguns dias naquela aldeia, amolando todas as tesouras e facas. Além de ganhar alguns rendimentos, gostou muito daquele trabalho, que para ele era uma diversão. Ao atravessar a ponte que levava até sua vila, porém, a pedra de amolar caiu no rio, pois seu bolso estava rasgado e tinha um buraco. E ficou João sem mais nada.
novembro 202645 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS “Bem-aventurados os pobres, porque deles é o Reino dos céus” (Mt 5,3). A felicidade verdadeira consiste simplesmente em estar vivo, sem interesses; viver e gozar cada momento da vida; ser agradecido por aquilo que existe. “O que tem muito nunca é tão rico quanto aquele que necessita pouco”, ou seja, o rico não é verdadeiramente rico, pois é escravo da sua sede de riqueza, que não se sacia nunca. Um escravo não pode ser rico de nada, apenas pode possuir o que pensa ser seu. Na verdade, ele não possui nada; são as coisas que o têm em seu poder. “O homem é rico na proporção do número de coisas a que se pode dar o luxo de renunciar.” (Thoreau) Pobre não é quem tem pouco, mas quem deseja muito. Em vez de ficar desolado e desesperado, contudo, ele começou a dançar e cantar pra valer e sentiu-se a pessoa mais feliz do mundo! Percebeu que sua felicidade anterior era muito pequena e estava ligada aos bens que possuía. Agora não! Sua felicidade já não dependia dos bens, do prazer ou do sucesso. Agora, João sentia-se totalmente realizado, e isso lhe proporcionava uma felicidade verdadeira. Até hoje ele está agradecido pela vida e pode gozá-la plenamente!
REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS46janeiro/fevereiro 2026fotomensageiro@loyola.com.br MURAL Formação para membros do AO de Florestópolis, PR Legenda, Cidade em destaque Legenda, Cidade em destaque Legenda, Cidade em destaque Legenda, Cidade em destaque Legenda, Cidade em destaque Legenda, Cidade em destaque Legenda, Cidade em destaque REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS46novembro 2026 Comunidade S. José, Paróquia Sta. Cecília, Belo Horizonte, MG Paróquia N. Sra. de Sabará, São Paulo, SP 40 anos do AO da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, Santa Cruz, PB Paróquia S. Francisco de Assis, Umuarama, PR Paróquia Sagrado Coração de Jesus, João Pessoa, PB Paróquia N. Sra. do Perpétuo Socorro, Jequié, BA Paróquia N. Sra. da Conceição, São Mamede, PB Comunidade Sta. Maria Madalena, São Paulo, SP
CAÇA-PALAVRAS47novembro 2026 REVISTA MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS Respostas: 1.Finados 2.Diabetes 3.Bandeira 4.Cecília 5.Música 6. Niterói 7.Catarina 8.Sangue 9. Disponibilidade 10.André 1. Em quase todos os países, 2 de novembro é um dia de reverência aos falecidos. Qual é o nome dado a esse dia de celebração? 2. 14 de novembro é o dia mundial de combate a uma enfermidade que ceifa a vida de tantas pessoas, sobretudo por falta de controle e cuidado. Que doença é essa? 3. No dia 19 de novembro, no Brasil, comemora-se qual símbolo da pátria? 4. Quem é a santa mártir, padroeira dos músicos, que celebramos no dia 22 de novembro? 5. Em 22 de novembro, comemora-se também o dia mundial da... 6. Cidade do Rio de Janeiro, cujo aniversário é celebrado no dia 22 de novembro, e que vai acolher o 6º Encontro Nacional do MEJ no próximo ano. 7. Quem é a santa nascida em Alexandria, cuja memória litúrgica é celebrada no dia 25 de novembro? 8. Em 25 de novembro também é comemorado o dia nacional do doador de... 9. Qual é a palavra-chave do itinerário espiritual “Caminho do Coração”, o qual prepara os membros do Apostolado da Oração para viverem melhor a sua missão na Igreja? 10. Quem é o apóstolo, irmão de Simão Pedro, cuja memória celebramos no dia 30 de novembro e que dá nome a uma grande cidade do ABC Paulista?
Sumário Respeite os direitos autorais Proibida a reprodução integral ou parcial de qualquer texto sem permissão escrita da Editora. 1 Palavra do Diretor 3 Intenção do Papa 4 Vida cristã 5 Meditação 7 Liturgia & vida 9 Hora Santa 11 Palavras do Papa 12 Santos 13 Vida & saúde 15 Lola e suas virtudes 17 Amigos do Coração 18 Coisas da Bíblia 19 Reunião mensal 21 Oferecimento diário 22 Literatura cristã 24 Jornadas Apostólicas 27 Viver ao estilo de Jesus 29 Livro do mês 30 Juventude & vocações 31 Desperte suas forças 32 Homenagem 33 Sobre todas as coisas 35 Rezar faz bem 36 Caminhos de santidade 38 Maria, Mãe da Igreja 39 Memórias do coração 40 Desafios da humanidade 42 Pelo mundo 46 Mural 47 Caça-palavras e mais… 44 João com sorte Créditos das fotos: 2ª capa: imagem gerada por IA/Adobe Photoshop | p. 1, 3-5, 7, 13, 14, 17-19, 21, 22, 30, 31, 33, 35, 38, 40, 44, 45, 47: © Adobe Stock | p. 9: Luís Henrique Alves Pinto | p. 11: imagem gerada por IA/Adobe Photoshop, com fotos de vaticannews.va/pt/papa/ news/2025-05/robertum-franciscum-prevostleone-xiv.html e © Adobe Stock (fundo) | p. 12: santosebeatoscatolicos.com/2013/11/dia-16-de- -novembro-santa-gertrudes-de.html| p. 15: imagem gerada por IA/ ChatGPT, com foto reproduzida de redes sociais (Lola); e © Adobe Stock | p. 24, 26, 39, 46: Arquivo do AO-MEJ | p. 27: Composição de imagens dos sites: irmadulce.org.br e santuario.cancaonova.com/artigos-religio- sos/das-periferias-de-salvador-para-os-altares-mundo/ | p. 32: facebook.com/museuvirtualdealtopongal/?locale=pt_BR |p. 36: Acervo do Museu da Música, Itu, SP www.loyola.com.brnúmero 1445 volume 132 novembro 2026 Pe. Bartolomeu Taddei, SJ fundador (in memoriam) Pe. Eliomar Ribeiro, SJ diretor-geral de Edições Loyola e diretor nacional da Rede Mundial de Oração do Papa e do MEJ eliomarsj@hotmail.com Primeiro número da revista publicado em Itu, SP (junho de 1896) redação Pe. Eliomar Ribeiro, SJ diretor de redação Brenda Volavicius (MTB 50923) editora e jornalista responsável Vanessa Castro marketing e editoração eletrônica Maria Suzete Casellato revisão de textos contatos central de relacionamento segunda a sexta, das 8h às 17h 113385 8555 113385 8555 0800 729 0990 Demais regiões fora da Grande São Paulo (Ligação gratuita, somente para telefones fixos) Edições Loyola Jesuítas (A/C Mensageiro) Rua 1822 nº 341, Ipiranga, 04216-000, São Paulo, SP www.revistamensageiro.com.br mensageiro@loyola.com.br@ assinaturas Revista Mensageiro do Coração de Jesus Assinatura anual: R$ 93,00 Uma assinatura = 10 edições, sendo 8 mensais e 2 bimestrais (janeiro/fevereiro e julho/agosto). A cada 10 assinaturas do Mensageiro (efetivadas em uma única vez e para o mesmo en dereço), você ganha 1 assinatura. Bilhetes Mensais Assinatura anual: R$ 54,00 Pagamento: BOLETO BANCÁRIO, CARTÃO DE CRÉDITO ou PIX (chave pix: mensageiro@loyola.com.br) A revista Mensageiro do Coração de Jesus (ISSN 1981-1217), órgão oficial da Rede Mundial de Oração do Papa e do MEJ, é publicada e impressa no Brasil por Edições Loyola, obra apostólica da Companhia de Jesus (Jesuítas). Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores.somente mensagens: televendas: A serviço do bem comum! imagem gerada por IA/ChatGPT