FERNANDA PELEGREFI THOMÉ DIVERSIDADE DE USOS E MOVIMENTO DE PEDESTRES: UM ESTUDO DA VITALIDADE URBANA NA RUA SERGIPE EM LONDRINA-PR LONDRINA 2026
Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Londrina - UEL, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Milena Kanashiro FERNANDA PELEGREFI THOMÉ DIVERSIDADE DE USOS E MOVIMENTO DE PEDESTRES: UM ESTUDO DA VITALIDADE URBANA NA RUA SERGIPE EM LONDRINA-PR LONDRINA 2026
BANCA EXAMINADORA Prof.ª Dr.ª Milena Kanashiro (Orientadora) Universidade Estadual de Londrina - UEL Prof.ª Dr.ª Beatriz Fleury Silva Universidade Estadual de Maringá - UEM Prof. Dr. Frederico Braida Rodrigues de Paula Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Londrina - UEL, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo. FERNANDA PELEGREFI THOMÉ DIVERSIDADE DE USOS E MOVIMENTO DE PEDESTRES: UM ESTUDO DA VITALIDADE URBANA NA RUA SERGIPE EM LONDRINA-PR Londrina, 18 de agosto de 2026.
AGRADECIMENTOS Agradeço, primeiramente, à minha orientadora, Prof.ª Dr.ª Milena Kanashiro, pela confiança depositada nesta pesquisa, pela orientação, paciência, ensinamentos e apoio constante ao longo de todo o mestrado. Sua dedicação, disponibilidade e compromisso em compartilhar conhecimentos, esclarecer dúvidas e orientar cada etapa desta pesquisa foram fundamentais para a realização deste trabalho e para meu crescimento como pesquisadora. Ao Grupo de Pesquisa Cidade: Movimento e Atividades, pelas discussões e pelas trocas de conhecimento que contribuíram para o desenvolvimento desta pesquisa. Em especial, à Ana, Raquel e Julia que auxiliaram nas filmagens e coletas de campo, tornando possível a obtenção dos dados utilizados neste estudo, e à Karine, que esteve presente desde o início da pesquisa, acompanhando e contribuindo em praticamente todas as etapas deste trabalho. Obrigada pela parceria, pela generosidade em compartilhar experiências e por tornarem esse percurso mais leve. Ao Prof. Dr. Bruno e à Ana, do Departamento de Computação, pela parceria, disponibilidade e dedicação no desenvolvimento do código utilizado para a contagem automatizada de pedestres, bem como por toda a orientação na aplicação dessas técnicas. Agradeço pela paciência em compartilhar conhecimentos de uma área tão diferente da minha e por tornarem possível a realização de uma etapa essencial desta pesquisa. Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela concessão da bolsa de mestrado (Processo nº 131081/2024-1), cujo apoio foi fundamental para minha dedicação às atividades de pesquisa e para o desenvolvimento deste trabalho. À minha família, minha mãe e minha irmã, pelo amor, incentivo e apoio incondicional desde o início desta caminhada. Obrigada por compreenderem minha ausência em tantos momentos, celebrarem cada conquista e acreditarem em mim, mesmo quando o caminho parecia difícil. Nada disso seria possível sem vocês. Essa não é uma conquista apenas minha. É nossa. Por fim, agradeço a todos aqueles que, de diferentes formas, estiveram presentes ao longo dessa trajetória. Aos amigos, colegas e pessoas queridas que ofereceram apoio, incentivo, palavras de encorajamento e compartilharam comigo as alegrias e os desafios desse período, meu sincero agradecimento. Cada gesto de carinho, amizade e confiança tornou esse caminho mais leve e contribuiu para que esta etapa pudesse ser concluída.
RESUMO| DIVERSIDADE DE USOS E MOVIMENTO DE PEDESTRES: UM ESTUDO DA VITALIDADE URBANA NA RUA SERGIPE EM LONDRINA-PR Esta pesquisa aborda a relação entre diversidade de usos e atividades, configuração espacial e movimento de pedestres como fatores associados à vitalidade urbana em ruas comerciais centrais. O estudo parte do entendimento de que a vitalidade urbana não depende apenas da presença de usos variados, mas também da forma como as atividades se distribuem no espaço, dos horários em que permanecem ativas e da maneira como se relacionam com o fluxo de pessoas. Nesse contexto, a pesquisa tem como objetivo investigar a relação entre a configuração espacial, a diversidade de usos e atividades e a movimentação de pedestres na Rua Sergipe, em Londrina-PR, a fim de discutir sua vitalidade urbana. A investigação foi desenvolvida por meio de estudo de caso empírico, com levantamento de campo, identificação e categorização das atividades econômicas, análise das características espaciais da rua e contagem de pedestres por quadra e período do dia. Para a análise da diversidade de usos, foram aplicados os índices de dissimilaridade (D), Land Use Mix (LUM), dissimilaridade local, entropia de Shannon e Quociente de Localização (QL), considerando diferentes níveis de categorização das atividades. Os resultados indicam que a Rua Sergipe apresenta diversidade funcional e mistura de usos, especialmente quando analisada no nível mais amplo de uso. No entanto, nos níveis de grupo, classe e subclasse, observa-se maior diferenciação espacial das atividades. A movimentação de pedestres concentrou-se principalmente nas quadras centrais, sobretudo em Q5, Q6 e Q7, mas não pôde ser explicada apenas pela diversidade de usos ou pela presença de atividades específicas. Os resultados sugerem que o fluxo está relacionado à sobreposição entre atividades comerciais e de serviços, consumo cotidiano, proximidade com o terminal urbano, rotas de circulação e características espaciais da rua. Apesar da presença de movimento em determinados trechos e horários, a baixa incidência de pedestres no período noturno indica que a Rua Sergipe não apresenta vitalidade urbana nos termos adotados por esta pesquisa, mas uma dinâmica de movimento comercial diurna e localizada. PALAVRAS-CHAVE: vitalidade urbana; diversidade de usos; movimento de pedestres; Rua Sergipe.
ABSTRACT| LAND USE MIX AND PEDESTRIAN MOVEMENT: A STUDY OF URBAN VITALITY ON SERGIPE STREET IN LONDRINA, PARANÁ This research addresses the relationship between land use and activity diversity, spatial configuration, and pedestrian movement as factors associated with urban vitality in central commercial streets. The study is based on the understanding that urban vitality does not depend only on the presence of varied uses, but also on how activities are spatially distributed, the hours during which they remain active, and the way they relate to pedestrian flow. In this context, the aim of this research is to investigate the relationship between spatial configuration, land use and activity diversity, and pedestrian movement on Sergipe Street, in Londrina, Paraná, Brazil, in order to discuss its urban vitality. The investigation was developed through an empirical case study, involving field surveys, the identification and categorization of economic activities, the analysis of the street’s spatial characteristics, and pedestrian counts by block and time of day. To analyze land use diversity, the study applied the dissimilarity index (D), Land Use Mix (LUM), local dissimilarity, Shannon entropy, and the Location Quotient (LQ), considering different levels of activity categorization. The results indicate that the Sergipe Street presents functional diversity and a mix of uses, especially when analyzed at the broader land-use level. However, at the levels of group, class, and subclass, greater spatial differentiation of activities can be observed. Pedestrian movement was mainly concentrated in the central blocks, particularly in Q5, Q6, and Q7, but it could not be explained only by land use mix or by the presence of specific activities. The results suggest that pedestrian flow is related to the overlap between commercial and service activities, everyday consumption, proximity to the urban bus terminal, circulation routes, and the street’s spatial characteristics. Despite the presence of movement in certain sections and at specific times, the low incidence of pedestrians during the nighttime period indicates that Sergipe Street does not present urban vitality in the terms adopted by this research, but rather a daytime and localized commercial movement dynamic. KEYWORDS: urban vitality; land use mix; pedestrian movement; Sergipe Street.
LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Mapa de Londrina com a demarcação do objeto de pesquisa. ... 24 Figura 2 - Delineamento da pesquisa. .................................................................. 27 Figura 3 - Dois possíveis cenários de combinação de usos do solo. ................. 36 Figura 4 - Planta baixa da cidade de Londrina - PR em 1932. .......................... 47 Figura 5 - Categorias de comércio presentes na Rua Sergipe na década de 1950. ......................................................................................................................... 49 Figura 6 - Edificações em estilo Art Déco na Rua Sergipe. ................................ 49 Figura 7 - Mapa de Londrina mostrando a localização da Rua Sergipe. ........ 50 Figura 8 - Extensão da Rua Sergipe. ..................................................................... 51 Figura 9 - Trecho selecionado para o estudo. ..................................................... 52 Figura 10 - Numeração das quadras. ................................................................... 53 Figura 11 - Rua Sergipe: edificações com fachadas contínuas e estreitas. .... 53 Figura 12 - Rua Sergipe: edificações com fachadas ativas e não ativas. ....... 54 Figura 13 - Exemplo explicativo da representação gráfica - Q10. ................... 55 Figura 14 - Fórmula do índice de dissimilaridade. ............................................... 55 Figura 15 - Fórmula do Land Use Mix..................................................................... 56 Figura 16 - Fórmula do índice de dissimilaridade local. ...................................... 57 Figura 17 - Fórmula do índice de Shannon-Weaver............................................ 58 Figura 18 - Fórmula do Quociente de Localização. ........................................... 59 Figura 19 - Pontos de filmagem. ............................................................................ 62 Figura 20 - Pontos de contagem manual. ........................................................... 63 Figura 21 - Exemplo de IDs da ferramenta. .......................................................... 64 Figura 22 - Fluxo de trabalho da ferramenta. ...................................................... 64 Figura 23 - Grade de referências. ......................................................................... 65 Figura 24 - Validação visual dos gates. ................................................................ 66 Figura 25 - Exemplo de identificação de motoqueiros pelo software. ............. 67 Figura 26 - Esquema das Características Espaciais Q1....................................... 71 Figura 27 - Esquema das Características Espaciais Q2....................................... 72 Figura 28 - Esquema das Características Espaciais Q3....................................... 73 Figura 29 - Esquema das Características Espaciais Q4....................................... 74 Figura 30 - Esquema das Características Espaciais Q5....................................... 75 Figura 31 - Esquema das Características Espaciais Q6....................................... 75 Figura 32 - Esquema das Características Espaciais Q7....................................... 76 Figura 33 - Esquema das Características Espaciais Q8....................................... 77 Figura 34 - Esquema das Características Espaciais Q9....................................... 77 Figura 35 - Esquema das Características Espaciais Q10. .................................... 78 Figura 36 – Mapa: Quantidade de atividades por quadra. .............................. 78
Figura 37 - Atividades predominantes Q1. ........................................................... 79 Figura 38 - Atividade predominante Q2............................................................... 79 Figura 39 - Atividade predominante Q3............................................................... 80 Figura 40 - Atividade predominante Q9............................................................... 80 Figura 41 - Atividade predominante Q4............................................................... 81 Figura 42 - Atividade predominante Q5............................................................... 81 Figura 43 - Atividade predominante Q6............................................................... 81 Figura 44 - Atividade predominante Q7............................................................... 82 Figura 45 - Atividade predominante Q8............................................................... 82 Figura 46 - Atividade predominante Q10. ............................................................ 82 Figura 47 - QL - Atividades auxiliares dos transportes terrestres. ........................ 86 Figura 48 - QL - Outras atividades de serviços pessoais. .................................... 86 Figura 49 - QL - Residencial. ................................................................................... 87 Figura 50 - QL - Desocupado. ................................................................................ 87 Figura 51 - QL - Comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; equipamentos e artigos de uso doméstico. ............................. 87 Figura 52 - QL - Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos. ........................................................................................... 88 Figura 53 - QL - Edifício comercial. ........................................................................ 88 Figura 54 - QL - Edifício residencial. ....................................................................... 89 Figura 55 - QL - Comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos. ...................................... 89 Figura 56 - QL - Comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados. .................................................................. 89 Figura 57 - QL - Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas. ... 90 Figura 58 - Gráfico de barras (terça-feira). .......................................................... 91 Figura 59 - Gráfico de barras (quarta-feira)......................................................... 92 Figura 60 - Gráfico de barras (sábado). ............................................................... 92 Figura 61 - Gráfico: fluxo vs comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos. ............ 100 Figura 62 - Gráfico: fluxo vs restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas. ................................................................................................................. 100 Figura 63 - Gráfico: fluxo vs comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados. ....................................... 100 Figura 64 - Gráfico: fluxo vs atividades auxiliares dos transportes terrestres. .. 101 Figura 65 - Gráfico: fluxo vs comércio varejista de equipamentos [...] e reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos. ................................................................................................................................ 102 Figura 66 - Gráfico: fluxo vs desocupado. ......................................................... 103
Figura A1 - Tabela de levantamento Q1............................................................ 124 Figura A2 - Tabela de levantamento Q2............................................................ 125 Figura A3 - Tabela de levantamento Q3............................................................ 126 Figura A4 - Tabela de levantamento Q4............................................................ 127 Figura A5 - Tabela de levantamento Q5............................................................ 128 Figura A6 - Tabela de levantamento Q6............................................................ 129 Figura A7 - Tabela de levantamento Q7............................................................ 130 Figura A8 - Tabela de levantamento Q8............................................................ 131 Figura A9 - Tabela de levantamento Q9............................................................ 132 Figura A10 - Tabela de levantamento Q10........................................................ 133
LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Síntese dos elementos influenciadores da vitalidade urbana. ...... 34 Quadro 2 - Síntese das métricas, dados e unidades de análise identificadas nos estudos de vitalidade urbana. .............................................................................. 37 Quadro 3 - Classificação interpretativa de D e LUM. ......................................... 57 Quadro 4 - Classificação interpretativa de QL. .................................................. 59 Quadro 5 - Quantidade de atividades de acordo com a categoria grupo. . 60 Quadro 6 - Resultados do cálculo de dissimilaridade. ....................................... 83 Quadro 7 - Resultados do cálculo de dissimilaridade local............................... 84 Quadro 8 - Resultados do cálculo de entropia de Shannon. ............................ 85 Quadro 9 - Quantidade de pessoas por período (terça-feira). ........................ 90 Quadro 10 - Quantidade de pessoas por período (quarta-feira). .................... 90 Quadro 11 - Quantidade de pessoas por período (sábado). ........................... 91 Quadro B1 – Classificação das atividades da Rua Sergipe por uso, grupo, classe e subclasse do CNAE ................................................................................ 136 Quadro C1 – Valores do Quociente de Localização (QL) por quadra e grupo de atividade. ......................................................................................................... 140
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABDI Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial ACIL Associação Comercial e Industrial de Londrina APA American Planning Association CEP Comitê de Ética em Pesquisa CEPHA Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico CMEI Centro Municipal de Educação Infantil CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CTNP Companhia de Terras do Norte do Paraná D Dissimilaridade DLM-SVC Deep Learning Model for Street Vitality Classification GPS Sistema de Posicionamento Global IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ID Código de Identificação Único i.e. id est (isto é, ou seja) IPPUL Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina LBCS Land-Based Classification Standards LBS Dados de Serviços Baseados em Localização LUM Land Use Mix n.d. no date (sem data) OSM OpenStreetMap PAI Pronto Atendimento Infantil POI Pontos de Interesse QL Quociente de Localização qntd quantidade SIG Sistemas de Informação Geográfica SIGLON Sistema de Informações Geográficas de Londrina UEL Universidade Estadual de Londrina vs versus (em comparação com) YOLO You Only Look Once
SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 22 1.1 Objetivos da pesquisa ........................................................................................ 25 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................... 29 2.1 Conceito e elementos influenciadores da vitalidade urbana ....................... 30 2.2 Diversidade de usos ............................................................................................ 35 2.3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA-METODOLÓGICA: Como mensurar a vitalidade urbana e a diversidade de usos? .................................................................................... 37 3 MÉTODO DE PESQUISA ......................................................................................... 45 3.1 Estudo de caso empírico: uma breve contextualização histórica ................. 46 3.2 Coleta de dados: configuração espacial e atividades .................................. 52 3.2.1 Procedimentos de análise da diversidade de usos .................................. 55 3.3 Coleta de dados de movimento de pedestres ............................................... 61 3.3.1 Procedimentos de análise do movimento de pedestres ......................... 63 4 RESULTADOS .......................................................................................................... 69 4.1 Configuração espacial ...................................................................................... 70 4.2 Diversidade de usos ............................................................................................ 78 4.3 Movimento de pedestres ................................................................................... 90 5 ANÁLISE – CONFIGURAÇÃO ESPACIAL, DIVERSIDADE DE USOS E MOVIMENTO DE PEDESTRES ........................................................................................................... 95 6 CONCLUSÃO....................................................................................................... 107 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 114 APÊNDICE A – Tabela de classificação das atividades da Rua Sergipe ........ 124 APÊNDICE B – Classificação das atividades por uso, grupo, classe e subclasse do CNAE................................................................................................................. 135 APÊNDICE C – Valores do Quociente de Localização (QL) por quadra e grupo de atividade .......................................................................................................... 140 ANEXO A – Parecer consubstanciado do Comitê de Ética em Pesquisa ...... 144
22 INTRODUÇÃO| A vitalidade urbana tem sido considerada uma das qualidades essenciais das cidades, visto que é por meio dos fluxos de pessoas e de bens, que reforçam as dinâmicas sociais, econômicas e culturais, que os ambientes urbanos se sustentam. No trabalho seminal de Jacobs (2011), a autora defendia que a vitalidade de uma cidade depende da presença de pedestres e da diversidade de atividades, o que pode tornar as ruas vibrantes e os locais mais seguros. Em termos gerais, o termo refere-se à capacidade dos espaços públicos de atrair pessoas (Jacobs, 2011; Montgomery, 1998) e promover a interação social (Gehl, 2013; Whyte, 1980), resultando em ambientes seguros, inclusivos e sustentáveis (Gehl, 2013; Jacobs, 2011; Montgomery, 1998). Além da presença física de pessoas, a vitalidade urbana deve ser compreendida como um fenômeno sistêmico que emerge da interação entre a configuração espacial e a diversidade socioeconômica (Montgomery, 1998; Zhang et al., 2021). Assim, as formas arquitetônicas atuam como um suporte físico indissociável (Netto et al., 2012; Saboya, 2017b), como por exemplo ruas com fachadas ativas e permeabilidade visual (Saboya, 2016, 2017a, 2017b) e edificações em escala humana, indicadas como incentivadoras da presença do pedestre (Gehl, 2013). A vitalidade deixa de ser vista apenas como uma qualidade dos espaços públicos e passa a ser analisada como um resultado concreto da interface entre o ambiente construído e a vida pública (Xia et al., 2022). A vitalidade, portanto, não ocorre de forma aleatória e depende de características urbanas, principalmente da diversidade de uso do solo. A diversidade de usos refere-se à natureza das diferentes atividades no mesmo local, como comércio, serviços, residências e espaços de lazer em uma mesma área. Jacobs (2011) destaca que essa mistura de atividades é essencial para garantir que as ruas sejam utilizadas ao longo de todo o dia e por diferentes públicos, aumentando a circulação de pessoas e reduzindo os períodos de ociosidade. A partir desse fenômeno, a pesquisa insere a discussão sobre como avaliar a vitalidade urbana em cidades não capitais, nas quais dados secundários e dados de movimento de pedestres nem sempre são acessíveis 1
23 e não apresentam o mesmo refinamento de dados das atividades de diversidade de uso do solo, como observado em estudos de grandes metrópoles mundiais ou em países com dados mais refinados sobre o uso dos espaços públicos (Chen et al., 2021; Zhang et al., 2021). Essa limitação é ainda mais evidente quando comparada ao uso de dados de geolocalização individual e LBS big data (Wu et al., 2021; Xia et al., 2022; Y. Wu et al., 2025), além de dados de redes sociais, amplamente difundidos nas pesquisas de cidades chinesas (Pan et al., 2022). A partir desse questionamento, a pesquisa foi inserida no projeto financiado pela Fundação Araucária: “Geração de Dados e Pesquisa em Produção de cidades mais Inteligentes, Sustentáveis e Democráticas: uso de tecnologias para a estrutura da Rua Sergipe na cidade de Londrina”. A Rua Sergipe, é uma das ruas centrais da cidade de Londrina com um grande fluxo de pessoas (Figura 1). A rua integra o núcleo inicial do projeto da Companhia de Terras do Norte do Paraná desde a sua criação na década de 1930 (Yamaki, 2003). Ela desempenha um papel importante no desenvolvimento econômico e social da cidade. Inicialmente a Rua Sergipe conectava a área urbana da cidade à linha férrea São Paulo-Paraná, a rua então consolidou-se como um importante eixo comercial devido à sua proximidade com instituições administrativas e ao intenso fluxo de pessoas (Magalhães, 2012). Atualmente, a Rua Sergipe ainda mantém sua importância, mesclando atividades comerciais, serviços e residências, e atraindo um grande volume de pedestres e veículos. Essa diversidade de usos e movimentação de pedestres fazem dela um espaço ideal para investigar a relação entre o ambiente urbano, fluxo de pedestres e diversidade de usos.
24 Figura 1 - Mapa de Londrina com a demarcação do objeto de pesquisa. Fonte: Sistema de Informações Geográficas de Londrina (SIGLON), n.d., adaptado pela autora, 2026. Entender essa dinâmica envolve explorar como diferentes tipos de estabelecimentos e as características do ambiente urbano influenciam a presença de pedestres. Estudos, como o de Kretzer (2023), mostram que a simples presença de usos diversos não é suficiente; é necessário considerar também fatores como o porte dos estabelecimentos, os horários de funcionamento e os picos de visitação ao longo do dia. Ainda, categorias tradicionais de uso do solo, como "comercial" ou "residencial", muitas vezes
25 não capturam a complexidade das dinâmicas urbanas, o que limita análises mais detalhadas (Dovey & Pafka, 2017). Este estudo contribuirá para elucidar as relações entre diferentes atividades combinadas, para o entendimento da diversidade de usos, bem como a configuração do ambiente construído associada ao movimento de pedestres em ruas centrais. A identificação desses elementos é fundamental para orientar decisões sobre intervenções urbanas e políticas públicas, visto que a vitalidade de determinadas ruas pode desempenhar papel estratégico na requalificação e fortalecimento da vida urbana (Jacobs, 2011; Saboya, 2017b). 1.1 Objetivos da pesquisa A pesquisa parte do pressuposto de que o movimento de pedestres está diretamente relacionado à diversidade de usos e combinação de atividades (Gehl, 2013; Jacobs, 2011; Montgomery, 1998; Saboya, 2016, 2017a, 2017b; C. Wu, Zhao & Ye, 2023), à alta densidade de edificações (Jacobs, 2011; C. Wu, Zhao & Ye, 2023), edificações com morfologias mais contínuas, fachadas estreitas e ativas (Saboya, 2016, 2017a, 2017b, Netto et al., 2012), fatores que potencializam a vitalidade urbana. Com base na proposta de pesquisa, de identificar quais os principais elementos influenciadores da vitalidade urbana, i. e., o movimento de pessoas em uma rua comercial, a pesquisa busca responder à questão de pesquisa: como a relação entre o fluxo de pedestres, a configuração espacial e a diversidade de usos influenciam a vitalidade urbana na Rua Sergipe? O objetivo geral consiste em investigar a relação entre a configuração espacial, a diversidade de usos e atividades e a movimentação de pedestres. Como objetivos específicos, destacam-se: ● Caracterizar a configuração espacial da Rua Sergipe: dos edifícios (altura, quantidade de aberturas, visibilidade interna, presença de estacionamento) e das calçadas como as amenidades e mobiliários existentes; ● Identificar os diferentes usos, atividades econômicas e horários de abertura e fechamento dos estabelecimentos; ● Mensurar e analisar a movimentação de pedestres ao longo da Rua Sergipe, considerando as variações por quadra, período do dia e dia da semana; ● Analisar as diferentes combinações de atividades e sua relação com a movimentação de pedestres.
26 A estratégia empregada nesta pesquisa foi o estudo de caso empírico. Essa é uma estratégia que busca investigar as relações naturais entre variáveis em um contexto específico, sem manipulá-las diretamente, sendo útil para explorar associações e padrões que, embora permitam identificar correlações e prever tendências, não estabelecem relações causais definitivas (Groat & Wang, 2013). A pesquisa fundamenta-se em Yin (2018), que define o estudo de caso como uma investigação de um fenômeno contemporâneo em profundidade e inserido em seu contexto de vida real. A dissertação estrutura-se da seguinte maneira (Figura 2): o primeiro capítulo trata da introdução ao fenômeno de pesquisa, da questão de pesquisa, dos pressupostos, do objetivo geral e dos objetivos específicos. O segundo capítulo divide-se em duas abordagens: a primeira, a fundamentação teórica, com o debate sobre o conceito de vitalidade urbana e a apresentação dos principais autores que discutem o tema, bem como a discussão sobre a importância da diversidade de usos nos estudos de vitalidade urbana e sobre a sua categorização. A segunda abordagem refere-se à abordagem teórico-metodológica de como a vitalidade urbana tem sido mensurada em pesquisas recentes. O terceiro capítulo, detalha o método de pesquisa, com uma breve contextualização histórica sobre o estudo de caso, os procedimentos de coleta de dados bem como os procedimentos de inteligência artificial utilizados para análise do movimento de pessoas. O quarto capítulo apresenta os resultados referentes à caracterização da rua Sergipe bem como o quantitativo do movimento de pedestres por quadra e por período do dia. O quinto traz as análises sobre a sobreposição dos resultados da forma urbana, diversidade de usos, de atividades e de movimento de pedestres. E por fim, as considerações finais da pesquisa, indicando as limitações encontradas e lacunas para pesquisas futuras.
27 Figura 2 - Delineamento da pesquisa. Fonte: a autora, 2026.
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30 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA| Este capítulo dedica-se à revisão das principais contribuições teóricas relacionadas ao tema, explorando os aspectos essenciais para a pesquisa a partir de dois eixos centrais: o conceito e os elementos influenciadores da vitalidade urbana e os aspectos referentes à diversidade de usos. Para a construção desta revisão, foram realizadas buscas exploratórias iniciais e, posteriormente, snowballing, nas quais artigos recentes serviram de ponto de partida para a identificação e a leitura de autores clássicos, especialmente aqueles fundamentais para a formulação do conceito de vitalidade urbana. 2.1 Conceito e elementos influenciadores da vitalidade urbana A vitalidade urbana é um fenômeno amplamente estudado na arquitetura e no urbanismo, embora nem sempre seja denominado assim. Whyte (1980) investiga o que faz um espaço público “ganhar vida”, enquanto Gehl (2013) se refere a termos como “cidade viva” e “vida pública” em suas pesquisas. Esses autores, apesar de empregarem termos distintos, estudam aspectos comuns da presença humana nos espaços urbanos, como permanência, encontros, mobilidade e diversidade de usos. A vitalidade é frequentemente considerada um indicativo do sucesso social de um espaço público, pois expressa sua capacidade de atrair e manter pessoas em diferentes horários e por diferentes motivos. Jane Jacobs (2011) precursora do conceito em seu livro seminal “Morte e Vida nas Grandes Cidades” publicado em 1961, associa a vitalidade à presença constante de pessoas nas ruas, motivadas por diferentes atividades: trabalho, moradia, compras e lazer. A autora ainda destaca que a calçada é o primeiro ponto de contato da vida pública urbana e que a animação das ruas é fundamental para garantir a vida urbana. Portanto, Jacobs (2011) entende que a diversidade de funções gera um fluxo contínuo, o que alimenta a segurança, a interação social e a economia local. Posteriormente, Montgomery (1998) aprofunda essa concepção ao dizer que a vitalidade urbana está relacionada ao número de pessoas na área central e no seu entorno, incluindo fluxos de pedestres, atividades comerciais e equipamentos culturais, ou seja, a vitalidade está associada à densidade e aos usos mistos, mas sobretudo à intensidade de atividades. 2
31 De acordo com Saboya (2016), a vitalidade urbana é um conceito complexo e multifacetado, que acontece a partir da interação entre diversos padrões sociais, espaciais e econômicos. O autor, assim como Jacobs (2011), afirma ainda que a vitalidade urbana é fortemente influenciada pelo planejamento e pela configuração dos espaços públicos. A rua, por exemplo, desempenha um papel central nesse contexto, pois é o principal cenário das interações diárias e um elemento estruturador da cidade (Saboya, 2017b). Para que a vitalidade urbana exista, é necessário um equilíbrio entre fatores como segurança, diversidade de usos e funções (Jacobs, 2011). Lugares que combinam diferentes atividades promovem a integração social e garantem um ambiente seguro para os pedestres, que tendem a atrair mais pessoas, gerando um ciclo virtuoso de movimento e interação (Montgomery, 1998; Netto et al., 2012; Whyte, 1980; C. Wu, Zhao & Ye, 2023). A revisão de literatura, indicou que a vitalidade urbana é um constructo dependente de vários indicadores para a sua avaliação, visto que elementos urbanos podem favorecer esse ciclo de interação e movimento. Um componente-chave recorrente no debate sobre vitalidade urbana é a diversidade de usos, ou a chamada mistura de usos (Gehl, 2013; Jacobs, 2011; Montgomery, 1998; Saboya, 2016, 2017a, 2017b; C. Wu, Zhao & Ye, 2023). Espaços que combinam diferentes tipos de edificações, atividades comerciais e culturais e são acessíveis a diversas pessoas criam condições favoráveis ao surgimento de uma vida urbana rica e diversificada. Jacobs (2011) argumenta que a existência de diferentes tipos de atividades na mesma área, como residências, comércios e espaços de lazer, facilita as interações sociais e a segurança do local. Essa diversidade faz com que pessoas de perfis distintos frequentem o mesmo espaço, aumentando a circulação e reduzindo os períodos de ociosidade urbana. A “forma arquitetônica” também se destaca como componente essencial para a promoção da vitalidade urbana, como por exemplo ruas com fachadas ativas (Netto et al., 2012), fachadas estreitas e ativas com edifícios horizontais (Saboya, 2016, 2017a, 2017b), edificações de diferentes épocas (Jacobs, 2011). Portanto, a permeabilidade física entre o interior das edificações e o espaço público é referenciado como um fator determinante para a presença de vida. Fachadas ativas, com portas, vitrines e janelas voltadas para as calçadas, incentivam o “entra e sai”, a curiosidade e a permanência dos pedestres, estimulando usos cotidianos como observar vitrines, comparar preços ou simplesmente passear e observar. Quando essa conexão é rompida, como ocorre nos shoppings ou em
32 ruas com longos trechos murados, a vitalidade tende a se deslocar para ambientes internos, reduzindo a diversidade e o fluxo espontâneo no espaço público (Saboya, 2017b). O autor ainda denomina como “espaços vazios” as grandes fachadas cegas ou trechos com poucas aberturas, que prejudicam a experiência urbana e rompendo a continuidade entre o espaço construído e o espaço pedestre. Gehl (2013) observa que a visibilidade entre os espaços internos e externos também contribui para a apropriação social da rua, por meio da vigilância informal. Nesse sentido, ruas com fachadas contínuas, edificações mais horizontais e janelas voltadas para o exterior reforçam a percepção de segurança e estimulam interações diretas ou indiretas entre moradores e transeuntes (Alexander et al., 1987, citado em Saboya, 2017b; Gehl, 2013; Jacobs, 2011). Outro aspecto espacial que influencia diretamente a vitalidade urbana é a acessibilidade do espaço público, ou seja, o grau de conexão e centralidade que o espaço ocupa na malha urbana (Saboya, 2017a). Segundo Saboya (2017a), a maneira como as ruas se conectam entre si e com outros espaços determina não apenas os fluxos de pedestres, mas também o potencial de apropriação e de ativação social. Esse conceito é amparado nas pesquisas de Hillier et al. (1993) como citado em Saboya (2017a), que introduz a ideia de “movimento natural”, o fluxo de pessoas gerado pela configuração espacial. Assim, a vitalidade urbana também depende da posição dos espaços públicos na cidade e da sua capacidade de atrair e distribuir os fluxos de pedestres. Considerando a escala de ruas, características como quadras curtas, caminhos diretos e a possibilidade de múltiplas rotas favorecem o que Jacobs (2011) chama de "diversidade de percursos", fatores que contribuem para que mais pessoas circulem por diferentes vias ao longo do dia. Além da acessibilidade e da configuração das fachadas, a vitalidade urbana também depende da capacidade do espaço público de acolher e sustentar a permanência das pessoas ao longo do tempo. Para que os pedestres não apenas transitem, mas também escolham permanecer no espaço, é importante uma infraestrutura de apoio adequada, como bancos, contra as intempéries, iluminação adequada e largura confortável para caminhar nas calçadas (Gehl, 2013; Netto et al., 2012; Whyte, 1980; C. Wu, Zhao & Ye, 2023). Segundo Saboya (2017b), a vitalidade urbana depende não apenas da presença de pessoas em movimento, mas também da criação de condições materiais que permitam a permanência, o encontro e o uso informal do
33 espaço. Um espaço público atrativo estimula o convívio, amplia as possibilidades de apropriação e fortalece os laços sociais urbanos. Além de ser capaz de reunir diferentes perfis sociais em um mesmo espaço, em diferentes horários, promovendo a convivência entre atividades complementares e estilos de vida distintos (Gehl, 2013; Netto, 2014). Embora o termo “vitalidade urbana” pareça, à primeira vista, ter permanecido estático desde as proposições de Jacobs (2011) da década de 1960, o debate contemporâneo expandiu esse conceito para abordar questões como a complexidade, os fluxos invisíveis e a fragmentação. Atualmente, muitos autores não utilizam a palavra vitalidade de forma explícita, mas descrevem o mesmo fenômeno sob a ótica da hiperconectividade (Ratti & Claudel, 2016) ou do caos organizado (Koolhaas, 2014). Nessa concepção, Koolhaas (2014) argumenta que a vitalidade orgânica sugerida por Jacobs é muitas vezes abafada pelo surgimento da "Cidade Genérica" — espaços urbanos que perdem sua identidade local para se tornarem repetitivos e voltados apenas à eficiência. Para o autor, a complexidade urbana agora se manifesta em lugares que ele chama de junkspace (espaço-lixo), onde a vida pública é substituída por fluxos de consumo planejados e ambientes climatizados, como nos shopping centers. Contemporaneamente, a vitalidade pode ser influenciada por uma camada digital invisível, que transforma a forma como o pedestre percebe e usa o espaço público. Ratti e Claudel (2016) propõe o conceito de senseable city (cidade sensível), sugerindo que a vitalidade não se resume ao encontro físico de pessoas, mas também a um fluxo de dados em tempo real. O uso de redes sociais e tecnologias móveis influencia diretamente os padrões de movimento e a escolha de trajetos, criando uma vitalidade invisível que interage com a estrutura física da rua (Ratti & Claudel, 2016). O papel das calçadas e das fachadas, são redefinidos e passam a ser interfaces entre o mundo físico e o virtual. Dentro dessa realidade mais complexa, Netto (2014) busca explicar a relação entre a forma da cidade e o comportamento social. Essa visão se aproxima do que defende Schumacher (2009), para quem a vitalidade moderna surge da capacidade do projeto urbano em organizar diferentes fluxos e eventos de forma conectada e dinâmica. Portanto, a vitalidade urbana contemporânea pode ser vista como um equilíbrio entre a base material (a rua e suas calçadas) e a complexidade dos novos fluxos sociais (Netto et al., 2022). Além disso, nos estudos contemporâneos, observa-se que os
34 pesquisadores não buscam redefinir o conceito de vitalidade urbana, mas sim aplicá-lo com base nas definições de autores clássicos, como Jacobs (2011) e Montgomery (1998). Mouratidis e Poortinga (2020), por exemplo, relacionam a vitalidade à qualidade de vida e à coesão social; Gómez-Varo et al. (2022) analisam o caso de Barcelona a partir dos preceitos de Jacobs; e Chen et al. (2022) utilizam dados geoespaciais e técnicas de big data para medir a vitalidade em círculos comunitários. Assim, diferentes pesquisas enfatizam aspectos diversos que contribuem para o entendimento sobre a vitalidade urbana. No Quadro 1, são sintetizadas as principais contribuições de cada autor abordado neste item, destacando os elementos considerados essenciais para que um espaço urbano tenha vitalidade. Quadro 1 - Síntese dos elementos influenciadores da vitalidade urbana. Pesquisa Principais elementos influenciadores de vitalidade urbana Whyte (1980) Presença de pessoas, pessoas atraem pessoas; Mobiliário urbano, principalmente bancos e espaços para sentar; Oferta de comida; Vendedores ambulantes; Comércios com mesas externas, como cafeterias e restaurantes. Montgomery (1998) Alto fluxo de pedestres; Negócios locais ativos; Instituições culturais (teatros, museus etc.); Mistura de usos (comercial, residencial, cultural etc.). Jacobs (2011) Presença de pessoas em horários variados e com finalidades distintas; Mistura de usos primários; Quadras curtas; Segurança, olhos para a rua; Alta densidade de edificações; Edificações de diferentes épocas. Netto et al. (2012) Atividade comercial de pequena escala; Vendedores ambulantes; Comércios com funcionamento constante; Forma arquitetônica, morfologias mais contínuas com fachadas ativas e acessos diretos. Gehl (2013) Caminhabilidade; Mistura de usos; Fachadas ativas, que possuem portas e janelas voltadas para a rua; Diversidade e continuidade de atividades; Bancos externos. Saboya (2016, 2017a, 2017b) Apropriação do espaço urbano; Mistura de usos; Forma arquitetônica, morfologias mais contínuas, fachadas estreitas e fachadas ativas e edifícios horizontais; Quadras curtas; Configuração espacial.
35 Pesquisa Principais elementos influenciadores de vitalidade urbana C. Wu, Zhao e Ye (2023) Alto fluxo de pedestres; Mistura de usos; Densidade de pontos de interesse de alimentação e lazer; Conectividade viária, facilidade de locomoção; Alta densidade de edificações; Iluminação pública. Fonte: organizado pela autora, 2026. 2.2 Diversidade de usos A diversidade de usos ajuda a fortalecer a economia, estimulando negócios de pequeno porte e estabelecimentos maiores, que se beneficiam do fluxo constante de pessoas. Dovey e Pafka (2017) ressaltam que a interação entre diferentes tipos de atividades potencializa a vitalidade econômica e social de uma área. Por exemplo, pequenos comércios que complementam grandes âncoras, como mercados ou escritórios, contribuem para que o espaço urbano seja utilizado por mais horas do dia, o que garante sua atratividade. No entanto, essa interação entre diferentes atividades em um mesmo espaço urbano apesar de ser fundamental para promover vitalidade, ainda precisa ser compreendida para ser aplicada no planejamento urbano. É necessário superar os desafios associados à categorização dos usos do solo, como a definição do número de categorias e os critérios para sua determinação. Dovey e Pafka (2017) argumentam que a ampla variedade de atividades urbanas torna difícil criar categorias ao mesmo tempo abrangentes e precisas. As categorias tradicionais, como "residencial" ou "comercial", muitas vezes simplificam dinâmicas complexas, agrupando usos com características e impactos distintos. Por exemplo, um pequeno mercado e uma loja de veículos podem ser classificados como "comerciais", mas possuem atratividades, fluxos e dimensões completamente diferentes, o que dificulta análises mais detalhadas. Um exemplo disso pode ser visto na Figura 3 (Kretzer, 2023).
36 Figura 3 - Dois possíveis cenários de combinação de usos do solo. Fonte: Kretzer, 2023, p. 19. Além disso, a falta de consenso sobre como classificar os usos constitui outro obstáculo. Zhang et al. (2021) apontam que, na prática, as categorizações frequentemente são determinadas mais pela disponibilidade de dados do que por reflexões sobre as características e os impactos dos usos. Essa abordagem limitada desconsidera aspectos como a frequência de uso, o público-alvo e a interação entre atividades no espaço urbano (Bentley, 2005). Como resultado, as análises podem subestimar ou superestimar a influência de determinadas atividades nas dinâmicas locais. Autores como Parolek et al. (2008) sugerem que essa categorização deva ser adaptável aos contextos específicos de cada cidade, considerando suas particularidades culturais, econômicas e espaciais. Essa flexibilidade é essencial para capturar a complexidade das atividades urbanas, que, muitas vezes, desafiam as classificações tradicionais. Kretzer (2023) analisou mais de vinte pesquisas na área e constatou que além de não existir uma padronização para as classificações, elas geralmente variam de duas até seis categorias de uso do solo e em sua maioria essas pesquisas se baseiam puramente no aspecto funcional da atividade, desconsiderando itens como: público atraído, modo de utilização ao longo do dia e a frequência de uso dos estabelecimentos. De acordo com a autora, desconsiderar a importância desses itens pode impactar negativamente as análises e desvalorizar o tipo de dinâmica e impacto que o uso gera no espaço urbano. Algumas classificações, como o Land-Based Classification Standards (LBCS), desenvolvido pela American Planning Association (APA), têm como objetivo padronizar essa classificação. O LBCS é composto por cinco dimensões principais, que abrangem diferentes aspectos do uso do solo: atividades, função, propriedade, caráter de desenvolvimento local e tipo de estrutura (American Planning Association [APA], 2001).
37 Apesar de o LBCS criar um padrão de classificação e facilitar o compartilhamento de informações entre diferentes entidades, sua classificação mistura usos de comércio e de serviço, de acordo com Kretzer (2023), pode gerar impactos negativos e incorretos em análises. Como visto, a vitalidade urbana e a diversidade de usos são constructos interdependentes. Enquanto a vitalidade representa a manifestação visível da vida urbana — presença e interação de pessoas —, a diversidade de usos constitui uma de suas condições estruturais. Segundo a literatura, ambos os conceitos podem ser operacionalizados por meio de indicadores mensuráveis, quantitativamente, como índices estatísticos, ou qualitativamente, por meio da análise espacial e observacional (Jiang & Ma, 2025; C. Wu, Ye, et al., 2023; Zhang et al., 2025). 2.3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA-METODOLÓGICA: Como mensurar a vitalidade urbana e a diversidade de usos? Para entender com maior profundidade como a vitalidade e a diversidade de usos têm sido mensuradas e avaliadas nas pesquisas, uma busca exploratória, abrangendo os últimos cinco anos (2021 - 2025), foi realizada na plataforma de bases de dados da Scopus. Foram realizadas duas buscas exploratórias: na primeira, utilizou-se das seguintes palavras-chave: “vitality” AND “measure” AND “urban”, nos títulos, resumos e palavras-chave. Já na segunda busca, o foco foi em artigos, com os seguintes descritores “vitality” AND “diversity” no título. A partir disso, foi feita uma síntese das métricas, dados e unidades de análise identificadas nesses estudos de vitalidade urbana (Quadro 2). Quadro 2 - Síntese das métricas, dados e unidades de análise identificadas nos estudos de vitalidade urbana. Referência Ano da coleta dados Local da coleta dados Unidade de análise Métricas e dados utilizados Zhang et al. (2021) n.d. 15 Metrópoles da China¹ Quadra Dados de pequenos restaurantes e dados de luz noturna. Chen et al. (2021) n.d. 09 metrópoles² Grades de 1km Densidade de pontos de interesse (POI), densidade de tweets, brilho da luz noturna, densidade populacional e densidade de anúncios do Airbnb. Ou et al. (2021) 2019 Wuhan, China Grades de 1km Densidade de POI, a mistura de funções do solo e a densidade de check-in. Wu et al. (2021) 2017 Xangai, China Rua Dados de serviços baseados em localização (LBS) com precisão do sistema de posicionamento global (GPS) gerados por aplicativos de celular.
38 Referência Ano da coleta dados Local da coleta dados Unidade de análise Métricas e dados utilizados Chen et al. (2022) 2016 Xiamen, China Quadra Modelo de entropia de Shannon com densidade de POI, densidade do fluxo de táxis, densidade de construções e densidade de estradas. Gómez-Varo et al. (2022) 2016 - 2019 Barcelona, Espanha Grades de 50m Índice JANE - concentração, funcional, oportunidade de contato e necessidade de edifícios antigos, acessibilidade e distância aos vácuos de fronteira. Q. Li et al. (2022) 2018 Nanjing, China Zona de Análise de Tráfego POI, dados de telefones celulares, dados de sensoriamento remoto de iluminação noturna e conjuntos de dados de mudança no uso do solo. Y. Li et al. (2022) n.d. Osaka, Japão Rua Dados de estradas do OpenStreetMap (OSM), imagens do Street View do Google Street View e dados de POI do Google Maps, dados de vídeo para comportamento de pedestres (número total por unidade de tempo). Pan et al. (2022) 2020 367 cidades da China Grades de 500m e 1km Dados populacionais, estatísticos e geográficos, dados de vida e atividade urbana, POI, dados de trânsito e dados de luz noturna. Wang et al. (2022) n.d. Qingdao, China Zona de Análise de Tráfego Índice JANE ajustado - diversidade de funções, escala da estrada, diversidade etária dos edifícios, concentricidade, acessibilidade, vácuos de fronteira e índice de Shannon. Wu et al. (2022) 2020; 2021 Xiamen, China Rua Dados de rede de ruas do OSM, LBS big data, imagens de Street View, POIs, estações e dados do edifício (localização e número de pavimentos). Xia et al. (2022) 2021 Changsha, China Grades de 200m Dados de sinalização de telefonia móvel, dados de POI e dados de rede rodoviária. Vidal-Domper et al. (2023) 2019; 2022 Quito, Equador Bairro e grades variadas Densidade populacional, mistura de uso, oportunidade de contato, idade dos edifícios, acessibilidade e vácuo de fronteira. Huang et al. (2023) 2021 Xi'an, China Rua POI do OSM, Baidu Heat Map e dados de construção. Li e Pan (2023) 2021; 2022 Qingdao, China Rua Mapa de calor Baidu, classificação de lojas Meituan, POI de instalações culturais e perfil de construção. Lin et al. (2023) 2019 Shenzhen, China Grades de 1km Dados LBS, POI e informações de construção. W. Wu et al. (2023) 2020 Xiamen, China Quadra Dados LBS, POI, status do uso do solo, população, estações de metrô e centros comerciais. C. Wu, Zhao e Ye (2023) 2019 Shenzhen, China Grade de 500m Dados LBS. Zhao et al. (2023) 2020 Xiamen, China Rua Dados LBS, Rede de ruas, POI e vetor de construção. Dogan e Lee (2024) 2020 Seul, Coreia do Sul Grades de 500m Fluxo de mobilidade, compras com cartão de crédito, dados populacionais, POI e uso do Airbnb.
39 Referência Ano da coleta dados Local da coleta dados Unidade de análise Métricas e dados utilizados Li et al. (2024) 2022; 2023 Shenzhen, China Rua Dados da rede rodoviária OSM, dados do Baidu Huiyan LBS, dados de POI³ e dados de edifícios do Baidu Street View. Osunkoya e Partanen (2024) 2020 - 2022 Tallinn, Estônia Grades de 250m e 500m Densidade populacional e localização por dados de celular por hora. Cai et al. (2025) 2021 e 2022 Pequim, China Quadra Limites de quarteirões, dados de pontos de interesse do Amap, dados de monitoramento de condições geográficas, imagens do Baidu Street View, dados populacionais e dados de edifícios de Lianjia. Iamtrakul et al. (2025) n.d. Bangkok, Tailândia Grade de 500m Disponibilidade de opções de transporte, densidade de interseções, densidade de atividades de uso do solo, diversidade de uso do solo e dados de POI. Jiang e Ma (2025) 2024 Nova York, Estados Unidos da América Rua e quarteirões Densidade populacional, fluxo de pedestres, características do ambiente construído, padrões de uso do solo e redes de infraestrutura. Li et al. (2025) 2023 Xi'an, China Quadra Mapas de calor do Baidu, dados da rede rodoviária do OSM, dados de POI, dados de preços de imóveis, dados vetoriais de construção, imagens de satélite Gaofen-6, dados de luz noturna, imagens de sensoriamento remoto Landsat-8 e dados de qualidade do ar. Lyu et al. (2025) 2020; 2022 Yinchuan, China Raios de 0,5km e 1,2 km Dados de informações geográficas, Índice de Vegetação por diferença normalizada, dados de POI, mapa de calor do Baidu, produto interno bruto, Luzes Noturnas, Baidu Street View, OSM. Nathvani et al. (2025) 2019 - 2020 Acra, Gana Pontos Dados de pedestres e veículos derivados de imagens (capturadas em intervalos de cinco minutos), medidas de densidade e diversidade circundante por POI, rede viária e idade do edifício. Taecharungroj e Ntounis (2025) 2022 Reino Unido Raio de 400m Dados do OSM e dados de fluxo de pessoas coletados de 960 contadores de frequência de pedestres. Wang et al. (2025) 2021 Nanjing, China Grades de 500m Mapa de calor do Baidu, dados de morfologia, dados de uso do solo, POI, dados de transporte, cobertura do solo e economia. W. Wu et al. (2025) n.d. Shenzhen, China Zona de Análise de Tráfego Dados de sinalização de telefones celulares, dados socioeconômicos, dados de Street View e POI³. Y. Wu et al. (2025) 2020; 2021 Xiamen, China Grades hexagonais com lateral de 100 m Big data LBS, dados de check-in do Weibo, dados de Dianping (avaliações de estabelecimentos), dados de mapa de calor do Baidu, POI, imagem do Street View, dados da rede rodoviária, dados vetoriais de construção, dados de trânsito e dados de residentes. Zhang et al. (2025) 2020 - 2024 Chengdu, China Quadra Limites administrativos, POI, dados de intensidade da vitalidade, luz noturna,
40 Referência Ano da coleta dados Local da coleta dados Unidade de análise Métricas e dados utilizados uso/cobertura do solo, índice de vegetação por diferença normalizada, dados de edifícios e índice de entropia de Shannon. Zhuo et al. (2025) 2024 Ningbo, China Quadra Dados de mapas de calor do Baidu, dados de POI, dados do OSM e conjuntos de dados de ambientes construídos. ¹ São elas: Xangai, Pequim, Guangzhou, Shenzhen, Tianjin, Chongqing, Nanquim, Wuhan, Hangzhou, Chengdu, Suzhou, Shenyang, Qingdao, Changsha e Xi'na. ² São elas: Cingapura, Xangai, Pequim, Nova York, Chicago, Seattle, Londres, Paris e Berlim. Fonte: organizado pela autora, 2026. Verifica-se que a vitalidade urbana, enquanto presença e qualidade de interação num espaço urbano, pode ser quantificada por meio de indicadores comportamentais (fluxo e permanência), indicadores temporais (uso ao longo do dia) e indicadores de qualidade espacial (infraestruturas e percepções). Alguns dos diversos métodos de mensuração da vitalidade encontrados em pesquisas recentes foram: ● Fluxos de pedestres: contagem direta em diferentes horários e dias da semana (Jiang & Ma, 2025; Q. Li et al., 2022; Li et al., 2024; Lyu et al., 2025; Nathvani et al., 2025; Taecharungroj & Ntounis, 2025); ● Tempo de permanência: análise do comportamento dos utilizadores, na observação se a área é apenas de passagem ou de estadia (Q. Li et al., 2022; Wu et al., 2021); ● Diversidade temporal: levantamento dos horários de funcionamento de comércios e serviços, a fim de identificar a continuidade da vida urbana ao longo do dia (Nathvani et al., 2025; Wu et al., 2022; Wu et al., 2021; Y. Wu et al., 2025; Zhao et al., 2023); ● Percepção de vitalidade: aferida por meio de questionários e entrevistas, refletindo a experiência subjetiva dos usuários (Chen et al., 2021; C. Wu, Zhao, & Ye, 2023; Wu et al., 2021); ● Qualidade do espaço público: observações para avaliação de comodidades, conforto, iluminação, arborização, acessibilidade e limpeza (Vidal-Domper et al., 2023; Huang et al., 2023; Li et al., 2025; Pan et al., 2022; Wang et al., 2025; Y. Wu et al., 2025; Zhang et al., 2025). Já a diversidade de usos, relacionada à mistura de funções urbanas (residencial, comercial, cultural, institucional, lazer), é considerada essencial para a vitalidade urbana, e pode ser mensurada em diferentes escalas (quarteirão, bairro ou cidade), e por meio de indicadores quantitativos e qualitativos como:
41 ● Índices de diversidade: aplicação de métricas como o Índice de Shannon ou Simpson, que mensuram a heterogeneidade funcional (Chen et al., 2021; Dogan & Lee, 2024; Q. Li et al., 2022; Li et al., 2024; Nathvani et al., 2025; Osunkoya & Partanen, 2024; Wang et al., 2022; Wang et al., 2025; W. Wu et al., 2023; Y. Wu et al., 2025; Zhang et al., 2025); ● Proporção de usos do solo: análise cadastral ou levantamento em campo para verificar o equilíbrio entre diferentes funções (Cai et al., 2025; Vidal-Domper et al., 2023; Gómez-Varo et al., 2022; Li & Pan, 2023; Li et al., 2024; Wang et al., 2022; Wang et al., 2025); ● Acessibilidade e proximidade: distância média até serviços essenciais, medida com apoio de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) (Zhang et al., 2021; Dogan & Lee, 2024; Gómez-Varo et al., 2022; Q. Li et al., 2022; Li & Pan, 2023; Lin et al., 2023; C. Wu, Zhao, & Ye, 2023; Wu et al., 2022; Y. Wu et al., 2025; Xia et al., 2022; Zhao et al., 2023); ● Densidade populacional e de atividades: número de habitantes e de estabelecimentos por hectare, indicando intensidade de uso do solo (Dogan & Lee, 2024; Gómez-Varo et al., 2022; Ou et al., 2021; Wu et al., 2021; Y. Wu et al., 2025; Zhang et al., 2021; Zhao et al., 2023); ● Escala de diversidade: análise da distribuição espacial da mistura de usos, verificando sua concentração em determinadas zonas ou distribuição homogênea (Zhang et al., 2021; Dogan & Lee, 2024; Nathvani et al., 2025; Wang et al., 2022; W. Wu et al., 2023; Y. Wu et al., 2025). Em síntese, a mensuração da vitalidade urbana e da diversidade de usos revelam-se complementares. Enquanto a vitalidade traduz a dimensão manifestada no uso do espaço, a diversidade de usos constitui uma base estrutural que sustenta essa vitalidade. Dessa forma, é comum que os estudos integrem, durante as avaliações, indicadores sociais, espaciais e funcionais, com o intuito de captar a complexidade da vida urbana (Cai et al., 2025; Dogan & Lee, 2024; Osunkoya & Partanen, 2024; Y. Wu et al., 2025). Nos últimos anos, o número de estudos que avaliaram a vitalidade urbana vem crescendo de forma considerável, conduzidos a partir de várias perspectivas. Se no início, medir a concentração espacial de pessoas e atividades em uma microescala dependia de levantamentos in loco, observações em campo e anotações manuais (Gehl, 1987; Lynch, 1992; Montgomery, 1998), algo, muitas vezes, custoso, demorado e geograficamente limitado. Hoje em dia, pode-se observar como um avanço nos procedimentos. O suporte oferecido pelo desenvolvimento de novas tecnologias (como big data) e de recursos computacionais (como machine learning) permite a coleta e o acesso a dados em maior quantidade e de
42 forma mais detalhada, em um processo automatizado que proporciona uma análise não somente mais precisa, mas também mais rápida e abrangente (Jiang & Ma, 2025; Li et al., 2025; Lyu et al., 2025; Y. Wu et al., 2025). Exemplos de uma avaliação em larga escala, mas com precisão de microescala são os estudos de Zhang et al. (2021) e Chen et al. (2021), que, na escala do quarteirão ou de grades de 1 km, analisaram a vitalidade urbana de um conjunto de 15 metrópoles chinesas e nove metrópoles mundiais, respectivamente. Ainda, o estudo de Pan et al. (2022), verificou diferenças na vitalidade urbana de 367 cidades chinesas. As pesquisas mais recentes têm sido amplamente aplicadas em cidades da China. Dos 34 estudos identificados na revisão que aplicaram algum método de avaliação objetiva e empírica da vitalidade urbana sob uma perspectiva da diversidade de usos, a maioria — 24 artigos — é composta por avaliações em cidades chinesas. No geral, as unidades de análise dividem-se em grades de 500 m a 1 km, quadras e ruas, com um equilíbrio entre as pesquisas identificadas. Grande parte utilizou dados de serviços de localização com precisão GPS, disponibilizados por aplicativos de celular dos usuários, para mensurar o comportamento humano. A contagem de pessoas por meio de imagens de Street View também se destaca entre as pesquisas, como um método capaz de aferir fluxos de modo eficiente a nível da microescala, mas que possibilita uma coleta e análise em larga escala. Um estudo identificou o uso de dados de vídeo não apenas para contagem, mas também para o exame comportamental dos pedestres. A pesquisa de Y. Li et al. (2022) analisou quantitativamente a associação entre o nível de vitalidade da rua e as características do ambiente construído por meio de uma estrutura de avaliação baseada em dados de vídeo e em aprendizado profundo. O uso de câmeras demonstrou-se, no estudo, uma fonte de dados confiável, eficiente e econômica, e, portanto, adequada para a análise da vitalidade urbana. Nesse contexto de avanço tecnológico, o diferencial da abordagem de Y. Li et al. (2022) está na aplicação do modelo DLM-SVC (Deep Learning Model for Street Vitality Classification), que permite não apenas a contagem volumétrica, mas também a classificação qualitativa das atividades dos pedestres (como caminhar, permanecer de pé ou sentar-se). Ao utilizar técnicas de rastreamento de múltiplos objetos, os autores conseguem monitorar trajetórias individuais e atribuir pesos distintos às atividades de permanência, o que é fundamental para entender a vitalidade como um fenômeno de apropriação do espaço e não apenas de trânsito passageiro
43 (Y. Li et al., 2022). Essa tendência tecnológica é reforçada por outros estudos recentes que exploram o monitoramento automatizado com propósitos similares. Angah e Chen (2020) destacam a precisão superior desses sistemas em relação aos levantamentos manuais tradicionais, permitindo uma observação de longo prazo e sem interferência direta. Juntamente, as pesquisas de Hou et al. (2020) e Liang et al. (2020) investigam como elementos específicos da cena urbana — como a arborização, a abertura do céu e a transparência das fachadas — impactam diretamente a percepção e o comportamento do pedestre. A integração dessas ferramentas de machine learning e visão computacional indica que a mensuração contemporânea da vitalidade urbana busca, cada vez mais, correlacionar a base física do ambiente construído com a dinâmica real do movimento humano.
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46 MÉTODO DE PESQUISA| A estratégia central desta investigação é o estudo de caso empírico, fundamentado na perspectiva de Yin (2018), que define o método como uma investigação de um fenômeno contemporâneo em profundidade dentro de seu contexto de vida real. A escolha por esta abordagem justifica-se pela necessidade de compreender as relações naturais entre as variáveis em um contexto específico sem manipulá-las diretamente, o que permite explorar associações e padrões sem a pretensão de estabelecer relações causais definitivas (Groat & Wang, 2013). O estudo empírico faz parte de um projeto financiado pela Fundação Araucária: “Geração de Dados e Pesquisa em Produção de cidades mais Inteligentes, Sustentáveis e Democráticas: uso de tecnologias para a estrutura da Rua Sergipe na cidade de Londrina”, coordenado pela Profa. Maria Bernadete de Morais França. O projeto é composto por equipes de vários campos de saberes: Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Elétrica, Engenharia Civil e Ciências dos Dados. A parte específica da Arquitetura foca no levantamento e análise de fluxo e comportamento de pedestres da Rua Sergipe para o desenvolvimento de mecanismos para a produção de segurança e economia, bem como na análise de soluções de mobilidade. A partir da estratégia, as táticas e os procedimentos foram estruturados em três fases principais: ● Fase 1: Dedicada à revisão bibliográfica sobre vitalidade urbana e diversidade de usos, definindo os elementos influenciadores da vitalidade. ● Fase 2: Voltada aos procedimentos de coleta de dados secundários e levantamento in loco sobre a diversidade de estabelecimentos e movimento de pedestres. ● Fase 3: Consiste na fase analítica e na sobreposição das informações. A combinação dessas fases permitirá confrontar dados quantitativos e qualitativos, gerando uma análise integrada sobre a vitalidade urbana na Rua Sergipe. 3.1 Estudo de caso empírico: uma breve contextualização histórica Algumas cidades do norte do Paraná – como Arapongas, Cambé, Cianorte, Londrina, Mandaguari, Maringá e Rolândia – deram-se por meio de 3
47 um empreendimento de mais de 540.000 alqueires com uma rede de 63 núcleos urbanos hierarquizados, ao longo de um eixo ferroviário, projetados pela Companhia de Terras do Norte do Paraná (CTNP) (Rego, 2009; Yamaki, 2003) cujo maior acionista era a Paraná Plantations Ltda. com sede em Londres1. Londrina foi a primeira cidade implantada pela CTNP e a Rua Sergipe fazia parte do seu núcleo inicial, projetado pelo geodesista russo Alexandre Razgulaeff, em 1932 (Yamaki, 2003). Na planta azul (Figura 4), datada de 1932, primeiro registro do projeto da cidade, observa-se a Rua do Comércio (atual Rua Benjamin Constant), logo em frente à estação ferroviária, e, na sequência, em direção à catedral, a Rua Sergipe, representada em vermelho. Figura 4 - Planta baixa da cidade de Londrina - PR em 1932. Fonte: Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), 2024, adaptado pela autora, 2026. 1 O processo de colonização da região norte do Estado do Paraná foi objeto de estudo de vários pesquisadores de diversos campos do saber, como Yamaki (2003), Rego (2009), Magalhães (2012) e Zanon (2014).
48 A praça em frente à estação ferroviária foi o local escolhido para o projeto da Estação Rodoviária projetada por Artigas e Cascaldi2, com seu acesso principal pela Rua Sergipe. Atualmente, o Museu de Arte da cidade de Londrina e o conjunto Praça Rocha Pombo e o edifício representativo da Arquitetura Moderna de Artigas e Cascaldi foram inscritos no livro do Tombo das Belas Artes, considerado como Patrimônio Cultural do Brasil (Yamaki, 2006). Da Rua Sergipe, seguiu-se pela Avenida Rio de Janeiro, onde na década de 1940 localizava-se o Cine Teatro Municipal, e segundo Yamaki (2006) era um dos pontos mais movimentados da cidade. Portanto, desde seu traçado inicial, a Rua Sergipe desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento comercial da cidade, devido à sua proximidade com instituições administrativas e à intensa circulação de pessoas em seus arredores. Este fator foi determinante para ser considerado um eixo comercial, status que mantém até hoje (Magalhães, 2012). Ao longo do tempo, a Rua Sergipe abrigou uma diversidade de usos, mas destacou-se por sua intensa atividade comercial, adaptando-se às mudanças urbanísticas e econômicas de Londrina. Durante as décadas de 1940 a 1960, tornou-se um centro comercial dinâmico, com estabelecimentos que atendiam diferentes públicos e horários, como pode ser visto na Figura 5, que demonstra a diversidade de estabelecimentos comerciais existentes na rua em 1954 (Magalhães, 2012). 2 Em 8 de Dezembro de 1975, o complexo da Estação Rodoviária e a Praça Rocha Pombo foi tombado pelo Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná (CEPHA) (Yamaki, 2003). E, em 19 de maio de 2022 foi tombada como Patrimônio Cultural do Brasil (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional [IPHAN], 2021).
49 Figura 5 - Categorias de comércio presentes na Rua Sergipe na década de 1950. Fonte: Magalhães, 2012, p. 50. Além disso, a rua se tornou um ponto de referência em Londrina, não apenas pelo comércio, mas também pela sua relevância cultural e histórica. O desenvolvimento do comércio sofisticado, como pequenas galerias e lojas especializadas, aliado ao estilo arquitetônico Art Déco presente em algumas edificações, reforça seu papel como patrimônio cultural londrinense. Iniciativas de revitalização ao longo das décadas buscaram resgatar e preservar essas características, destacando a importância da rua no tecido urbano e social da cidade (Figura 6) (Magalhães, 2012). Figura 6 - Edificações em estilo Art Déco na Rua Sergipe. Fonte: Magalhães, 2012, p. 14.
50 Outro aspecto importante da Rua Sergipe é o caráter popular de seu comércio, que se diferenciava das atividades consideradas mais sofisticadas – essas eram instaladas na Avenida Paraná. Em seus estudos patrimoniais, Magalhães (2012) pode registrar claramente essa distinção ao afirmar que “se, de um lado, o comércio ‘mais fino’ se situava ao longo da Avenida Paraná, à Rua Sergipe era resguardado o espaço do comércio popular”. Essa condição, juntamente com a localização da rua – entre a antiga estação ferroviária e o escritório da CTNP –, favoreceu a instalação de pensões, pequenos hotéis, bares e estabelecimentos acessíveis aos recém-chegados e aos trabalhadores que transitavam cotidianamente pelo centro. Assim, a Rua Sergipe consolidou-se desde cedo como um ponto de comércio popular e de intensa circulação social. Atualmente, a rua se localiza no centro da cidade entre a Rua Jacob Bartolomeu Minatti (continuação da conhecida via Leste-Oeste) e a Avenida Juscelino Kubitschek (Figura 7), mescla comércio de varejo e de serviços, bem como pode-se observar a permanência de antigos edifícios residenciais. Figura 7 - Mapa de Londrina mostrando a localização da Rua Sergipe. Fonte: SIGLON, n.d., adaptado pela autora, 2026. Pode-se observar que próximo à rua estão localizados: a catedral
51 metropolitana de Londrina, ao lado da praça Marechal Floriano Peixoto, um pronto atendimento infantil (PAI), duas praças (praça Tomi Nakagawara e praça Rocha Pombo), um centro municipal de educação infantil (CMEI), o museu histórico da cidade (localizado na antiga estação ferroviária de Londrina) e o terminal urbano central, local de circulação de diversas linhas de ônibus urbano e interurbano, bem como de intenso fluxo de pedestres (Figura 8). Figura 8 - Extensão da Rua Sergipe. Fonte: SIGLON, n.d., adaptado pela autora, 2026. A Rua Sergipe, pela sua característica principalmente de uma rua comercial importante para a área central, passou por várias transformações e ações de projeto. Em 2011, liderado pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), foi solicitada a necessidade de uma revitalização da Rua Sergipe (Folha de Londrina, 2011). O processo de debate e desenvolvimento do projeto foi longo e em 2015 o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL) apresentou o projeto. Dez quadras da Rua Sergipe foram readequadas, com a indicação de novas calçadas com paver, ajustes e retiradas de áreas de estacionamento, guias rebaixadas, implantação de novo mobiliário com bancos, lixeiras e floreiras e uma nova iluminação e paisagismo (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina [IPPUL], 2015). Este projeto teve início de execução em 2019 e término em 2020. Outra ação de transformação da Rua Sergipe foi a implantação do Projeto Cidade Limpa no município de Londrina - PR, por meio da promulgação da Lei nº 10.966/2010 (Londrina, 2010). A Rua Sergipe teve uma alteração significativa, similar ao mesmo movimento de regulamentação da publicidade de fachadas, com o intuito de retomar fachadas históricas,
52 principalmente de centros urbanos (Bressan, 2014; Kulak, 2015). Em 2022, a Rua Sergipe tornou-se um projeto piloto para ruas inteligentes, em um programa denominado Conecta da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que recebe investimentos tecnológicos para a implantação de luminárias inteligentes com câmeras de Wi‑Fi integradas e câmeras de monitoramento na extensão da Rua Sergipe, que está localizada próxima ao centro histórico da cidade (Albuquerque, 2021). 3.2 Coleta de dados: configuração espacial e atividades Visto que a maior concentração de comércios e projetos implantados na rua se localiza próxima ao centro histórico da cidade, o trecho definido para o estudo foi a extensão da Rua Sergipe entre a Rua Jacob Bartolomeu Minatti (continuação da conhecida via Leste-Oeste) e a Avenida Higienópolis (Figura 9). Figura 9 - Trecho selecionado para o estudo. Fonte: SIGLON, n.d., adaptado pela autora, 2026. O objeto de estudo contém 10 quadras analíticas no total e para as análises, foram definidos conjuntos de quadras, ou seja, considerando as duas faces de cada quarteirão - Q1 a Q10 (Figura 10). No caso da Q1, as faces 1, 2, 3 e 4 foram agrupadas em uma única unidade de análise, pois correspondem a trechos menores localizados no início da área de estudo. Dessa forma, a soma dessas quatro faces apresenta extensão aproximada à das demais quadras analíticas, que, em geral, são compostas por duas faces de quarteirão. A Q10, por sua vez, apresenta extensão ligeiramente menor, pois uma de suas faces possui dimensão reduzida. Com exceção dessa diferença, os demais conjuntos de quadras apresentam extensões semelhantes.
53 Figura 10 - Numeração das quadras. Fonte: SIGLON, n.d., adaptado pela autora, 2026. O embasamento do referencial teórico permitiu definir um protocolo dos elementos influenciadores da vitalidade urbana a serem observados: Presença de pessoas em horários variados; Mistura de usos; Fachadas estreitas (Figura 11); Fachadas ativas (Figura 12); Comércios com funcionamento constante; Presença de mobiliário urbano. Figura 11 - Rua Sergipe: edificações com fachadas contínuas e estreitas. Fonte: a autora, 2025.
54 Figura 12 - Rua Sergipe: edificações com fachadas ativas e não ativas. Fonte: a autora, 2025. O protocolo de levantamento foi estruturado com uma tabela a ser preenchida com as informações de cada um dos estabelecimentos: nome do estabelecimento; tipo de atividade; quantidade de vãos de entradas/portas; se o estabelecimento apresenta ou não visibilidade interna (por meio de panos de vidro ou espaços abertos); horário de funcionamento; presença de estacionamento próprio do estabelecimento; presença de mobiliário urbano em frente do estabelecimento; presença de pontos de ônibus próximos ao estabelecimento; presença de vagas de estacionamento público na rua. Tais dados permitem uma análise das características espaciais dos estabelecimentos, bem como dos tipos de atividades por quadra (Apêndice A) Foi realizado um levantamento inicial por meio do Street View do Google Maps (Google, n.d.-a, n.d.-b). Utilizou-se o Sistema de Informações Geográficas de Londrina (SIGLON) em conjunto com visitas de campo realizadas nos dias 14 de dezembro de 2024, 08 de janeiro de 2025 e uma visita de conferência posterior, no dia 04 de dezembro de 2025. Essas visitas validaram informações, horários de funcionamento e presença de mobiliário urbano. Foram catalogados 318 atividades e 290 estabelecimentos distribuídos ao longo de 10 quadras da Rua Sergipe. Para o levantamento das características de cada quadra definiu-se um esquema com as dimensões dos estabelecimentos, de ambos os lados da rua, bem como a atividade existente. Ainda se considerou importante identificar os números de pavimentos, visto a existência de usos residenciais e de serviços em pavimentos superiores ao térreo (Figura 13).
55 Figura 13 - Exemplo explicativo da representação gráfica - Q10. Fonte: a autora, 2026. 3.2.1 Procedimentos de análise da diversidade de usos Para a análise da diversidade de usos da Rua Sergipe, foi utilizada inicialmente o índice conhecido como de dissimilaridade, com o objetivo de verificar se as atividades estão concentradas ou dispersas ao longo da via. O índice de dissimilaridade foi calculado considerando a diferença entre a participação de cada categoria de atividade em cada quadra e a participação dessa mesma categoria no conjunto total da Rua Sergipe. Para isso, cada quadra – Q1 a Q10 – foi considerada como uma unidade espacial de análise, e as atividades foram avaliadas separadamente nas categorias uso, grupo, classe e subclasse. A fórmula utilizada foi (Figura 14): Figura 14 - Fórmula do índice de dissimilaridade. Fonte: a autora, 2026. Onde: • i: quadra analisada, de Q1 a Q10; • k: categoria analisada, podendo ser uso, grupo, classe ou subclasse; • xik: quantidade de estabelecimentos da categoria k na quadra i; • Ti: total de estabelecimentos na quadra i; • Xk: total de estabelecimentos da categoria k na Rua Sergipe; • T: total de estabelecimentos da Rua Sergipe; • m: número total de categorias consideradas no nível de análise; • n: número total de quadras analisadas. De acordo com Pereira et al. (2022), a dissimilaridade é uma medida utilizada para avaliar o grau de separação, concentração ou segregação
56 espacial entre diferentes categorias de uso do solo. Embora esse indicador seja amplamente empregado em estudos de segregação residencial, sua lógica também pode ser aplicada aos usos urbanos, permitindo verificar se as atividades estão distribuídas de maneira equilibrada entre as unidades espaciais ou se tendem a se concentrar em determinados trechos. Para isso, consideraram-se dois indicadores complementares: o índice de Dissimilaridade (D), que expressa o grau de concentração espacial das atividades, e o Land Use Mix (LUM), que indica o nível de mistura ou diversidade entre elas. O índice de Dissimilaridade varia de 0 a 1, sendo que valores próximos de 0 indicam que as unidades espaciais apresentam proporções semelhantes das categorias analisadas, sugerindo maior dispersão e integração dos usos. Por outro lado, valores próximos de 1 indicam maior segregação espacial, ou seja, uma distribuição mais concentrada e desigual das atividades. O LUM corresponde ao complemento da dissimilaridade, de modo que valores mais altos indicam maior mistura ou integração entre os usos do solo (Pereira et al., 2022), e foi calculado pela fórmula (Figura 15): Figura 15 - Fórmula do Land Use Mix. Fonte: a autora, 2026. Onde o D corresponde a dissimilaridade calculada anteriormente. A análise foi realizada a partir de diferentes níveis de categorização das atividades, baseadas na Lei Municipal nº 12.236, de 29 de janeiro de 2015, que dispõe sobre o Uso e a Ocupação do Solo no Município de Londrina (Londrina, 2015) e na categorização da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE], n.d.). Além dessas classificações, foram incorporadas categorias complementares, como depósito, desocupado, edifício comercial, edifício residencial, galeria de salas comerciais, praça e residencial. Essa adaptação foi necessária porque tanto a legislação municipal quanto, principalmente, o CNAE estão voltados à classificação de usos e atividades econômicas, não contemplando de forma adequada algumas situações identificadas no levantamento de campo, como edifícios, espaços livres de lazer e usos residenciais. Com isso, os níveis de categorização definidos foram: uso, com 6 atividades; grupo, com 28 atividades; classe, com 39 atividades; e subclasse, com 48 atividades. Essa escolha teve como objetivo verificar se categorias mais agregadas, que reúnem muitas atividades em poucos grupos,
57 produziriam resultados distintos daqueles obtidos por categorias mais detalhadas. Essa opção metodológica se justifica porque categorias amplas, como uso, podem simplificar dinâmicas urbanas complexas, agrupando atividades com características, públicos, atratividades e impactos distintos em uma mesma classificação, como apontam Dovey e Pafka (2017). As categorias utilizadas em cada nível de análise são apresentadas no Apêndice B. Considerando que os indicadores variam de 0 a 1, conforme descrito por Pereira et al. (2022), adotou-se uma classificação interpretativa com o objetivo de facilitar a leitura dos resultados, conforme apresentado no Quadro 3. Quadro 3 - Classificação interpretativa de D e LUM. Valor Interpretação de D Interpretação de LUM 0 – 0,19 Muito disperso Muito baixa mistura 0,20 – 0,39 Disperso Baixa mistura 0,40 – 0,59 Concentração moderada Mistura moderada 0,60 – 0,79 Concentrado Alta mistura 0,80 – 1 Muito concentrado Muito alta mistura Fonte: a autora, 2026. Para aprofundar a análise, calculou-se também a dissimilaridade (D) local, entendida nesta pesquisa como a contribuição de cada quadra para a dissimilaridade total da Rua Sergipe e calculado pelas fórmulas (Figura 16): Figura 16 - Fórmula do índice de dissimilaridade local. Fonte: a autora, 2026. Onde: • i: quadra analisada, de Q1 a Q10; • k: categoria analisada, podendo ser uso, grupo, classe ou subclasse; • xik: quantidade de estabelecimentos da categoria k na quadra i; • Ti: total de estabelecimentos na quadra i; • Xk: total de estabelecimentos da categoria k na Rua Sergipe; • T: total de estabelecimentos da Rua Sergipe; • m: número total de categorias consideradas no nível de análise; Esse procedimento teve como objetivo verificar se alguma quadra apresentava maior ou menor participação na composição do índice D,
58 indicando trechos que poderiam contribuir de forma mais expressiva para a concentração das atividades. A partir da lógica apresentada por Pereira et al. (2022), em que o índice de dissimilaridade resulta da distribuição das categorias entre unidades espaciais, o D local permite observar o quanto cada quadra participa do resultado total do índice. Assim, valores mais altos indicam que determinada quadra contribui mais para a diferenciação espacial das atividades, podendo estar associada à maior concentração de determinados usos ou categorias em relação à distribuição geral da rua. Além disso, foi calculado o índice de entropia de Shannon, utilizado para mensurar o grau de diversidade interna das unidades espaciais. Osunkoya e Partanen (2024), ao analisarem a vitalidade urbana, consideram que a diversidade de características espaciais, funcionais e socioeconômicas contribui para a compreensão da vitalidade dos espaços urbanos. De modo semelhante, Wang et al. (2022) utilizam o índice de Shannon-Weaver para calcular a diversidade de usos em unidades espaciais, considerando tanto a variedade de categorias existentes quanto a proporção de cada uma delas. Nesta pesquisa, a entropia de Shannon foi calculada para cada quadra – Q1 a Q10 –, considerando a proporção de cada categoria de atividade em relação ao total de estabelecimentos da própria quadra. A fórmula utilizada foi (Figura 17): Figura 17 - Fórmula do índice de Shannon-Weaver. Fonte: a autora, 2026. Onde: • i: quadra analisada, de Q1 a Q10; • k: categoria analisada, podendo ser uso, grupo, classe ou subclasse; • xik: quantidade de estabelecimentos da categoria k na quadra i; • Ti: total de estabelecimentos na quadra i; • m: número total de categorias consideradas no nível de análise; Nesta pesquisa, a entropia de Shannon foi normalizada para variar de 0 a 1, permitindo a comparação entre os diferentes níveis de categorização analisados. Valores próximos de 0 indicam baixa diversidade, ou seja, maior predominância de uma ou poucas categorias na quadra. Por outro lado, valores próximos de 1 indicam maior diversidade e equilíbrio entre as categorias presentes. Assim, a entropia foi utilizada para verificar quais quadras apresentavam maior diversidade de atividades, considerando os níveis de uso, grupo, classe e subclasse.
59 A análise foi, então, complementada pelo Quociente de Localização (QL), utilizado para identificar onde determinadas atividades estão concentradas e quais atividades se destacam em cada quadra da Rua Sergipe. O Quociente de Localização foi calculado a partir da relação entre a participação de determinada atividade em uma quadra e a participação dessa mesma atividade no conjunto total da Rua Sergipe. A fórmula utilizada foi (Figura 18): Figura 18 - Fórmula do Quociente de Localização. Fonte: a autora, 2026. Onde: • i: quadra analisada, de Q1 a Q10; • k: categoria analisada, podendo ser uso, grupo, classe ou subclasse; • xik: quantidade de estabelecimentos da categoria k na quadra i; • Ti: total de estabelecimentos na quadra i; • Xk: total de estabelecimentos da categoria k na Rua Sergipe; • T: total de estabelecimentos da Rua Sergipe; Diferentemente da dissimilaridade, que indica o padrão geral de concentração ou dispersão das atividades ao longo da via, o QL permite observar a concentração de uma atividade em uma quadra específica em comparação com sua participação no conjunto da rua (Pominova et al., 2021). Dessa forma, adotou-se a seguinte interpretação de valores para os resultados do QL (Quadro 4): Quadro 4 - Classificação interpretativa de QL. Valor Interpretação QL < 1 Participação proporcionalmente maior naquela quadra QL = 1 Participação semelhante à distribuição geral da rua QL > 1 Atividade está sub-representada naquela quadra Fonte: a autora, 2026. Para o cálculo, optou-se por utilizar apenas a categoria grupo, por se tratar de um nível intermediário de classificação das atividades econômicas. Essa escolha permite trabalhar com agrupamentos mais específicos do que a categoria uso, mas sem atingir o nível de detalhamento da subclasse, que fragmenta excessivamente as atividades e pode gerar muitos resultados pontuais. Ademais, a leitura do QL foi realizada em conjunto com a análise da
60 participação de cada atividade no total de estabelecimentos da respectiva quadra. De acordo com Pominova et al. (2021), essa verificação é necessária porque valores muito elevados de QL podem decorrer tanto de uma concentração efetiva3 da atividade quanto da baixa ocorrência dessa categoria no conjunto total. Ou seja, uma atividade de baixa frequência pode apresentar QL elevado por estar localizada em apenas uma quadra, mas ainda assim representar uma presença pontual na composição interna desse trecho. Assim, para evitar uma representação distorcida das atividades na Rua Sergipe, foram excluídas da análise de QL aquelas com baixa ocorrência no conjunto da via. Adotou-se como critério a permanência apenas das atividades com participação superior a 2% em relação ao total de estabelecimentos, o que corresponde às categorias com mais de seis ocorrências na rua inteira. Com esse recorte, foram selecionadas 11 atividades, apresentadas no Quadro 5 na cor verde, para as quais foram realizadas as análises de QL por quadra. Quadro 5 - Quantidade de atividades de acordo com a categoria grupo. Nº Grupo Qntd total na rua 1 Comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados 101 2 Desocupado 34 3 Comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; equipamentos e artigos de uso doméstico 30 4 Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos 23 5 Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas 18 6 Comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos 15 7 Edifício comercial 12 8 Edifício residencial 12 9 Outras atividades de serviços pessoais 9 10 Residencial 9 11 Atividades auxiliares dos transportes terrestres 7 12 Atividades auxiliares dos serviços financeiros 5 13 Atividades jurídicas 5 14 Galeria de salas comerciais 5 15 Comércio varejista de artigos culturais, recreativos e esportivos 4 16 Comércio varejista de produtos alimentícios, bebidas e fumo 4 17 Depósito 4 18 Atividades de atenção ambulatorial executadas por médicos e odontólogos 3 19 Atividades ligadas ao patrimônio cultural e ambiental 3 20 Comércio de veículos automotores 3 3 Entende-se concentração efetiva como: quando o QL elevado aparece acompanhado de uma participação expressiva da atividade na composição interna da quadra. Ou seja, a atividade não apenas se destaca proporcionalmente em relação ao conjunto da rua, mas também possui presença relevante dentro da própria quadra analisada.
61 21 Atividades de organizações associativas não especificadas anteriormente 2 22 Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos 2 23 Outras atividades de serviços prestados principalmente às empresas 2 24 Praça 2 25 Atividades de organizações sindicais 1 26 Atividades imobiliárias por contrato ou comissão 1 27 Comércio varejista de material de construção 1 28 Manutenção e reparação de veículos automotores 1 Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), n.d., organizado pela autora, 2026. 3.3 Coleta de dados de movimento de pedestres De acordo com Jacobs (2011), Gehl (2013) e Montgomery (1998), os dias típicos correspondem a aqueles que refletem a rotina cotidiana da cidade, como dias úteis sem eventos excepcionais, enquanto os dias atípicos incluem finais de semana, feriados, dias de chuva ou datas com acontecimentos específicos que alteram significativamente os padrões de uso do espaço público. Saboya (2017a) reforça a importância dessa distinção ao destacar que a observação em diferentes tipos de dias permite compreender as variações temporais no uso do espaço urbano e evita interpretações baseadas em situações pontuais. Dessa forma, a adoção de diferentes períodos e tipos de dia amplia a confiabilidade dos dados e contribui para uma leitura mais consistente da presença de pedestres e da vitalidade da rua analisada. Portanto, o levantamento da presença de pedestres consiste na identificação da quantidade de pessoas na Rua Sergipe, em diferentes dias e horários. Em virtude de limitações4 do uso das câmeras de segurança pública para a contagem de pedestres, usou-se como referência a metodologia de filmagens curtas (Y. Li et al., 2022). 4 Inicialmente, foram solicitadas as filmagens das câmeras de segurança pública localizadas em três esquinas da rua — Rua Sergipe com a Rua Mato Grosso; Rua Sergipe com Avenida Rio de Janeiro; e Rua Sergipe com Rua Prof. João Cândido — entre os horários: 8h e 9h, 10h e 11h, 12h e 13h, 15h e 16h, 17h e 18h, e 19h e 20h, de terça-feira, quarta-feira e sábado de uma semana sem chuvas e sem feriados, para que possa ser identificado o movimento cotidiano da rua. Durante a coleta de dados, verificou-se que a câmera localizada no cruzamento com a Avenida Rio de Janeiro estava danificada e não dispunha de registros atualizados. Com uma análise prévia das imagens disponíveis, notou-se que as câmeras não apresentam grande grau de alcance visual. Diante disso, no dia 04 de setembro de 2025, em parceria com a ACIL foi realizada uma visita in loco com o objetivo de verificar as câmeras de segurança dos estabelecimentos comerciais ativos na rua. Juntamente com as câmeras de vigilância da guarda municipal, essas filmagens ampliariam a abrangência da área de observação e contribuiriam para uma análise mais precisa do fluxo de pedestres. No entanto, algumas quadras não possuíam nenhuma câmera externa em funcionamento, o que geraria uma lacuna no objeto de pesquisa.
62 A partir dessa abordagem e da aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da UEL (Anexo A), as filmagens foram inicialmente organizadas em três dias distintos, em três períodos de cada dia, ao longo de duas semanas seguidas. As coletas foram realizadas durante duas semanas, em duas terças- feiras (11/11/2025 e 18/11/2025), duas quartas-feiras (12/11/2025 e 19/11/2025) e dois sábados (22/11/2025 e 29/11/2025), nos períodos da manhã (09h às 12h) e da tarde (14h às 17h) e, inicialmente, também no período noturno, na primeira terça-feira (18h30 às 21h30). A realização de filmagens com uma câmera GoPro Hero 12 Black no modo de lente Wide — oferece um campo de visão diagonal de aproximadamente 133° — anexa a um suporte extensível de aproximadamente 80cm segurado a uma altura de aproximadamente 1,50m. Ou seja, as filmagens foram realizadas a uma altura de 2,20m a 2,30m, com duração de três minutos em cada ponto de coleta. Em função da presença de barreiras visuais — como árvores, marquises, toldos e postes —, foram definidos entre 2 e 5 pontos de coleta por quadra, totalizando 41 filmagens distribuídas ao longo das 10 quadras (Figura 19). Figura 19 - Pontos de filmagem. Fonte: SIGLON, n.d., adaptado pela autora, 2026. Cabe aqui uma ressalva, do número de pedestres extremamente reduzido no período noturno, portanto optou-se por contagens manuais nesse período, utilizando o Método Gate conforme proposto por Grajewski (1992). Esta técnica consiste na distribuição de pontos estratégicos de observação (gates) ao longo da via, então, adotou-se um ponto de coleta no meio de cada quadra. O método exige que o observador se posicione em um local predefinido, mantendo-se o mais próximo possível do alinhamento predial para não interferir no fluxo natural. A partir desse ponto, projeta-se uma linha imaginária perpendicular que atravessa a rua até o alinhamento oposto, contabilizando-se todas as pessoas que cruzam esse limite dentro de um intervalo de tempo determinado, que usualmente varia entre dois minutos e
63 meio e cinco minutos. Na aplicação prática deste método na Rua Sergipe, foram estabelecidos 10 pontos de observação, correspondentes ao centro de cada uma das 10 quadras analisadas, conforme ilustrado na Figura 20. A pesquisadora permaneceu estacionada em cada quadra portando um contador manual, o que permitiu concluir a rodada de coleta em aproximadamente uma hora. Essa adaptação metodológica garantiu maior eficiência na contagem volumétrica nesses horários de baixa densidade, ainda mantendo a consistência dos dados e a viabilidade da pesquisa sem comprometer a análise da presença de pessoas e da vitalidade da rua. Além disso, o protocolo seguiu a recomendação de realizar as contagens em rotas ordenadas para neutralizar possíveis variações temporais ao longo do percurso. Figura 20 - Pontos de contagem manual. Fonte: SIGLON, n.d., adaptado pela autora, 2026. 3.3.1 Procedimentos de análise do movimento de pedestres Para a análise das filmagens, utilizou-se a plataforma do Google Colab, um serviço gratuito em nuvem do Google que permite escrever e executar códigos Python diretamente no navegador. Essa plataforma foi escolhida porque disponibiliza um hardware de alta performance para que se trabalhe com os modelos de inteligência artificial com mais eficiência e sem custos. A contagem automatizada baseou-se em um método de machine learning, implementado por meio de um código Python desenvolvido em parceria com o Departamento de Computação da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A linguagem Python foi escolhida pois oferece um amplo conjunto de bibliotecas voltadas ao processamento e à análise de imagens, como a OpenCV, que podem ser aplicadas tanto na leitura e no pré-processamento de vídeos quanto na implementação de algoritmos de detecção de pedestres. Para isso, optou-se pelo uso do algoritmo You Only Look Once
64 (YOLO). O código desenvolvido para a análise dos vídeos identifica a presença de pessoas e atribui a cada uma um código de identificação único (ID) (Figura 21). A partir desse código, a ferramenta rastreia o caminho da pessoa durante a gravação para que ela não seja contabilizada mais de uma vez no mesmo vídeo. Figura 21 - Exemplo de IDs da ferramenta. Fonte: a autora, 2026. Para a utilização da ferramenta, definiu-se um fluxo de trabalho (Figura 22), que consiste em três passos principais: Figura 22 - Fluxo de trabalho da ferramenta. Fonte: a autora, 2026. ● Configurar o ambiente de trabalho: instalar as bibliotecas com os códigos e algoritmos necessários e upload do vídeo a ser processado dentro do Colab. Esse passo, na prática, levou cerca de 10 minutos por vídeo para
65 ser realizado, visto que, mesmo os vídeos tendo uma duração de somente 3 minutos, eles demoraram de 7 a 10 minutos para carregar dentro do ambiente de trabalho. ● Configuração das coordenadas: após o vídeo ser carregado dentro do ambiente de trabalho, gera-se uma grade de referências (Figura 23) com o sistema de coordenadas cartesianas (eixos x e y), para que possa definir o início e fim dos gates (pontos de contagem), após definir a quantidade e a locação dos gates, gera-se uma prévia no vídeo de como esses gates ficaram, para validação antes do processamento (Figura 24). Essa etapa é a mais rápida, porém mais trabalhosa, pois exige que o pesquisador analise na imagem qual o melhor local para a locação dos gates de acordo com cada filmagem. Figura 23 - Grade de referências. Fonte: a autora, 2026.
66 Figura 24 - Validação visual dos gates. Fonte: a autora, 2026. ● Processamento e Resultados: após a verificação dos gates, inicia- se o processamento do vídeo. Quando finalizado, o pesquisador pode inserir a contagem manual (caso exista) dos pedestres presentes no vídeo, assim o algoritmo gera a porcentagem de erro entre a contagem feita pela inteligência artificial e a contagem humana. Após isso, faz-se o download do relatório com as estatísticas e quantidade total de pedestres contados no vídeo e o arquivo processado do vídeo. Essa etapa é a mais demorada, leva cerca de 20 minutos no total, de 5 a 10 minutos para o processamento do vídeo e mais 10 minutos para o download final. No total, foram filmados 492 vídeos entre os dias 11/11/2025 e 29/11/2025 nos períodos da manhã e da tarde – 41 vídeos por período durante os 6 dias de filmagens. No entanto, devido ao tempo médio de processamento de cada vídeo – cerca de 30 minutos –, e pela variável de tempo para a finalização da pesquisa, não seria possível realizar o processamento dos 492 vídeos. Portanto, optou-se por fazer a análise nos vídeos da primeira semana – 11/11/2025, 12/11/2025 e 22/11/2025 – visto que, seria melhor entender a movimentação da rua em diferentes dias da mesma semana do que no mesmo dia de semanas diferentes. Levando em consideração que as filmagens foram feitas em uma semana sem chuvas e sem feriados, para que fosse possível identificar o movimento cotidiano da rua. Após o processamento das filmagens, algumas limitações do código já foram notadas. Apesar de o software identificar os pedestres e os veículos, ele não identifica a junção de ambos, ou seja, motoqueiros (Figura 25), ciclistas,
67 pessoas que aparecem nas janelas de carros e ônibus são identificadas pelo programa e, quando passam por um gate, contabilizadas como pedestres. Figura 25 - Exemplo de identificação de motoqueiros pelo software. Fonte: a autora, 2026. Outro erro de contagem identificado são as pessoas que acabam sendo ocluídas por obstáculos visuais ou sombras na imagem, nesse caso elas acabam perdendo seu ID e podem ser contabilizadas mais ou menos vezes, dependendo de onde estão nas filmagens. Por fim, a última limitação notada nessa etapa foi, algumas filmagens estão tremidas devido a presença de ventos e erro humano no momento das filmagens, quando isso acontece, as pessoas que estão passando pelo gate naquele momento podem ter sido contadas mais de uma vez, visto que a imagem se movimentou para frente e para trás. Com o objetivo de minimizar tais limitações, nas filmagens em que os problemas citados foram notáveis, os gates foram ajustados diversas vezes até que as limitações tivessem um efeito menor na contagem dos pedestres.
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70 RESULTADOS| Esse capítulo apresenta os resultados decorrentes das características espaciais e da identificação de usos por quadra e, na sequência, os resultados de movimento de pedestres. Em relação aos dados espaciais, de acordo com o protocolo definido, foram identificadas as seguintes características por edificação: nome do estabelecimento; tipo de atividade; quantidade de vãos de entradas/portas; se o estabelecimento apresenta ou não visibilidade interna; horário de funcionamento; presença de estacionamento próprio; presença de mobiliário urbano em frente do estabelecimento; presença de pontos de ônibus próximos ao estabelecimento; presença de vagas de estacionamento público na rua (Apêndice A). 4.1 Configuração espacial No primeiro segmento da Q1, observa-se uma arquitetura predominantemente horizontal, com poucas fachadas ativas e baixa variedade de comércios. Os estabelecimentos de esquina não contribuem para o movimento na rua, visto que possuem sua entrada principal nas vias perpendiculares, Rua Quintino Bocaiúva e Avenida Higienópolis, o que indica menor relação com a Rua Sergipe. A visibilidade interna dos estabelecimentos nessa quadra é quase inexistente, caracterizada como um “espaço vazio”, segundo Saboya (2017a). Os estabelecimentos não dispõem de estacionamento próprio, além de não ser permitido estacionar do lado direito da via. A igreja possui um horário de funcionamento noturno, diferente do restante do comércio e de um lado da rua ter uma praça, com mobiliários urbanos como bancos, floreiras, lixeiras, e uma pequena quadra para esportes. O segundo segmento da Q1 possui uma variedade um pouco maior, com 11 estabelecimentos. Um deles, sendo também uma praça, a Praça Getúlio Vargas, no formato triangular com a presença de caminhos que conectam as três ruas. Os bancos foram projetados no seu entorno e ao longo dos caminhos. A outra face da quadra segue com o predomínio da horizontalidade, porém caracteriza-se por estabelecimentos de fachadas mais estreitas, diferente do primeiro segmento, e uma maior variedade de atividades, o que inclui um edifício residencial (Figura 26). A visibilidade interna desses estabelecimentos é equilibrada, visto que todos aqueles de comércio 4
71 e de serviços permitem a relação entre o interior e o exterior. Nenhum dos estabelecimentos e edifícios residenciais conta com estacionamento próprio. Os estabelecimentos funcionam predominantemente em horário comercial, de segunda a sexta, e sábado de manhã, mas existem edificações residenciais, fator que pode contribuir no movimento fora do horário comercial. Figura 26 - Esquema das Características Espaciais Q1. Fonte: a autora, 2026. A Q2 apresenta uma maior variedade de usos e estabelecimentos – 34 estabelecimentos. Nessa quadra, observam-se dois edifícios residenciais: um de cinco pavimentos e outro de 12 pavimentos. Há uma proporção equilibrada entre fachadas estreitas e horizontais, e a maioria dos estabelecimentos possui visibilidade interna, o que favorece uma dinâmica mais atraente. Assim como na Q1, os estabelecimentos abrem em horário comercial, de segunda a sexta e no sábado de manhã. A quadra é a primeira a dispor de mobiliário urbano em frente aos estabelecimentos, como bancos e lixeiras, proporcionando um espaço de descanso ao público. Não há pontos de ônibus na quadra, os estabelecimentos não têm estacionamentos próprios, mas a via conta com estacionamento público no lado esquerdo da rua (Figura 27).
72 Figura 27 - Esquema das Características Espaciais Q2. Fonte: a autora, 2026. A Q3, é predominantemente ocupada por estabelecimentos com fachadas mais estreitas e diversificada em relação ao uso. Apresenta o total de 46 estabelecimentos; no entanto, o maior número de estabelecimentos desocupados da rua – 13 estabelecimentos. Conta também com dois edifícios comerciais e um residencial de 13 pavimentos. A maioria desses estabelecimentos possui apenas uma entrada, e boa parte deles não apresenta visibilidade interna. Além disso, não há pontos de ônibus na quadra. No entanto, observa-se que a quadra se destaca por possuir um número grande de mobiliários, em comparação com as outras, ao longo de suas calçadas: bancos, floreiras, lixeiras. Os estabelecimentos também funcionam em horários comerciais, de segunda a sábado, o que pode contribuir para a movimentação semanal (Figura 28).
73 Figura 28 - Esquema das Características Espaciais Q3. Fonte: a autora, 2026. Na Q4, também há uma grande variedade de varejos comerciais, um sendo tradicional da cidade, remontando a 1948 – Bazar Ajimura. Há um predomínio de lojas de calçados e comércios de roupas. Ainda conta com dois edifícios residenciais com seis e 15 pavimentos, sendo o térreo composto por lojas de comércio e de serviços. A predominância das fachadas comerciais é horizontal; por outro lado, as edificações residenciais são verticalizadas e situam-se no meio da quadra. A maioria dos estabelecimentos apresenta boa visibilidade interna e uma única entrada, embora as lojas de calçados, por terem um porte maior, possuam duas entradas e espaço de depósito nos andares superiores. A quadra conta com alguns mobiliários urbanos, como bancos e lixeiras. Assim como nas outras, não há pontos de ônibus e os estabelecimentos funcionam apenas em horário comercial, de segunda a sexta e sábado de manhã (Figura 29).
74 Figura 29 - Esquema das Características Espaciais Q4. Fonte: a autora, 2026. Na Q5, está localizado o Museu, na face norte, que, de acordo com Gehl (2013), seria um possível atrativo de vitalidade urbana. Porém, durante toda a fase de coleta de dados, se encontrava fechado para reformas, o que interfere no movimento de pessoas. A calçada na frente do museu mantém o desenho do piso do calçadão de Londrina em petit pavé. O lado sul da quadra conta com estabelecimentos comerciais com até quatro pavimentos – algumas lojas dispõem de diversos andares de varejo e outras possuem depósito nos andares superiores –, na predominância de fachadas horizontais, mantendo a característica das quadras anteriores. Os varejos comerciais são majoritariamente de roupas, porém a Q5 também conta com comércio de calçados, alimentos, eletrônicos e ótica. As quadras 4 e 5 são as mais próximas do terminal central de ônibus, o que pode influenciar o movimento de pedestres rumo à área central da cidade. Todos os estabelecimentos funcionam exclusivamente em horário comercial e cada um possui apenas uma entrada. Como nas anteriores, não há pontos de ônibus e os estabelecimentos apresentam visibilidade interna. Além disso, a quadra conta com dois espaços de convivência, com bancos e lixeiras em frente aos estabelecimentos comerciais, indicando que a maior movimentação de pedestres provavelmente será deste lado da rua (Figura 30).
75 Figura 30 - Esquema das Características Espaciais Q5. Fonte: a autora, 2026. A Q6 conta com a maior quantidade de edificações residenciais: são três edifícios verticais, com dois, três e 12 pavimentos, e duas residências unifamiliares. Além disso, o único mercado presente da rua está localizado nessa quadra, assim como uma grande variedade de atividades. Há uma proporção equilibrada entre fachadas horizontais e estreitas, que traz variedade à quadra. Ainda não há pontos de ônibus, e todos os estabelecimentos funcionam no mesmo horário comercial das demais quadras, de segunda a sexta e sábado de manhã. As fachadas desse quarteirão apresentam permeabilidade visual, existem três espaços com bancos e lixeiras, mas nenhum dos estabelecimentos conta com estacionamento próprio (Figura 31). Figura 31 - Esquema das Características Espaciais Q6. Fonte: a autora, 2026. A Q7 possui uma grande variedade de estabelecimentos com
76 fachadas estreitas. Dois são tradicionais na cidade – Bar Seleto e Vitagipe –, desde 1966/1967 e permanecem no mesmo lugar da Sergipe. O local se destaca dos outros por contar com um ponto de ônibus e com estacionamento público no lado esquerdo da via, fator que pode facilitar o acesso das pessoas a quadra. A Q7 também apresenta permeabilidade visual, apesar de a maioria dos estabelecimentos possuir apenas uma entrada. Ainda, a quadra possui poucos espaços de convivência e os estabelecimentos funcionam apenas em horário comercial, com exceção da farmácia, que, de segunda a sábado, estende as atividades até o início do período noturno e também funciona aos domingos (Figura 32). Figura 32 - Esquema das Características Espaciais Q7. Fonte: a autora, 2026. Na Q8 localiza-se o Camelódromo de Londrina, com características de um shopping popular, grande porcentagem de sua extensão sem permeabilidade física nem visual, também conta com aproximadamente 350 estabelecimentos internos, divididos em dois pisos, como fator de atratividade de pessoas para compras de itens variados. Seu acesso principal reforça o padrão de esquina chanfrada, pela Rua Sergipe e pela Rua Mato Grosso. Além do camelódromo, a quadra possui diversos estabelecimentos comerciais e de serviço com fachadas estreitas, incluindo a maior concentração de comércios de eletrônicos, similares aos produtos do camelódromo. Nesta quadra, também se encontram um ponto de ônibus e um estacionamento no lado esquerdo da rua, além dos dois estabelecimentos de estacionamento. Ela também dispõe de pontos de convivência com mobiliário urbano e, assim como na maioria das quadras, os estabelecimentos funcionam exclusivamente em horário comercial, de segunda a sexta e sábado de manhã (Figura 33).
77 Figura 33 - Esquema das Características Espaciais Q8. Fonte: a autora, 2026. Na Q9 há uma predominância de fachadas horizontais e é a primeira quadra a contar com estabelecimentos que possuem estacionamento próprio, além do estacionamento na via no lado esquerdo da rua. A quadra apresenta menor permeabilidade visual e não possui ponto de ônibus. Dos 20 estabelecimentos presentes na quadra, sete estão desocupados, um é utilizado como depósito e um, localizado na esquina, não possui entrada pela Rua Sergipe. A maioria dos estabelecimentos funciona em horário comercial – com exceção de um bar, que possui funcionamento noturno – e a quadra conta com apenas um espaço de convivência. (Figura 34). Figura 34 - Esquema das Características Espaciais Q9. Fonte: a autora, 2026. Na Q10, também predominam as fachadas horizontais, mantendo a continuidade formal da rua. Nela estão localizados equipamentos culturais como o Sesc e o Museu do Café (antiga cadeia de Londrina), portanto, com menor permeabilidade visual. É importante destacar que esta é a primeira quadra a oferecer estacionamento em ambos os lados da rua, além de alguns estabelecimentos contarem com estacionamento próprio. As atividades funcionam de segunda a sexta-feira e aos sábados pela manhã, com exceção dos equipamentos culturais – o Sesc e o Museu abrem de terça a sexta durante todo o dia, até as 21h, e aos sábados e domingos até as 18h (Figura 35).
78 Figura 35 - Esquema das Características Espaciais Q10. Fonte: a autora, 2026. A primeira constatação em relação as características espaciais e atividades da Rua Sergipe foi o número total de, ao longo das 10 quadras, 290 estabelecimentos e 318 atividades. Para as análises, optou-se por utilizar a quantidade total de atividades. Notou-se, também, que essas atividades não estão distribuídas de maneira uniforme pelas quadras, como pode ser visto na Figura 36. Figura 36 – Mapa: Quantidade de atividades por quadra. Fonte: a autora, 2026. 4.2 Diversidade de usos Além do número de atividades por quadra, a identificação dos tipos de varejo de comércio e de serviço predominantes por quadra – a nível de grupo do CNAE – traz uma segmentação de atividades ao longo da Rua Sergipe. Nesta análise, a predominância foi entendida como a atividade, ou conjunto de atividades, que apresenta o maior número de estabelecimentos repetidos em cada quadra. A Q1 possui uma distribuição mais equalitária das atividades, sendo dois estabelecimentos cada de: edifício residencial; comércio varejista de artigos
79 de papelaria; reparação e manutenção de equipamentos eletroeletrônicos de uso pessoal e doméstico com comércio varejista especializado de peças e acessórios para aparelhos eletroeletrônicos para uso doméstico, exceto informática e comunicação; e praça (Figura 37); Figura 37 - Atividades predominantes Q1. Fonte: a autora, 2026. As quadras Q2, Q3 e Q9, possuem predominância de estabelecimentos desocupados, sendo, respectivamente, três, treze e sete estabelecimentos em cada (Figura 38, Figura 39 e Figura 40); Figura 38 - Atividade predominante Q2. Fonte: a autora, 2026.
80 Figura 39 - Atividade predominante Q3. Fonte: a autora, 2026. Figura 40 - Atividade predominante Q9. Fonte: a autora, 2026. Na parte central (Q4 à Q7) o tipo predominante é o comércio varejista de artigos do vestuário, sendo que na Q4, existem nove estabelecimentos de comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios e o mesmo número de estabelecimentos de comércio varejista de calçados; a Q5 contém sete comércios de vestuário; a Q6 contém treze; e a Q7 contém seis (Figura 41, Figura 42, Figura 43 e Figura 44);
81 Figura 41 - Atividade predominante Q4. Fonte: a autora, 2026. Figura 42 - Atividade predominante Q5. Fonte: a autora, 2026. Figura 43 - Atividade predominante Q6.
82 Fonte: a autora, 2026. Figura 44 - Atividade predominante Q7. Fonte: a autora, 2026. A Q8 – local do chamado camelódromo de Londrina – tem o foco no comércio varejista e reparação e manutenção de produtos eletrônicos, possuindo dez estabelecimento desse grupo, além de ser uma atividade presente em grande quantidade no camelódromo (Figura 45); Figura 45 - Atividade predominante Q8. Fonte: a autora, 2026. Já o extremo Q10, possui predominância de comércio a varejo de automóveis, camionetas e utilitários, com um total de três estabelecimentos na quadra (Figura 46). Figura 46 - Atividade predominante Q10. Fonte: a autora, 2026.
83 A partir da sistematização dos elementos da configuração espacial da rua Sergipe e da identificação das atividades por quadra, foi possível realizar o cálculo da diversidade dos usos, por meio dos índices mais reconhecidos para tal fim. Inicialmente, foram calculados o D e o LUM, com o objetivo de compreender o padrão geral de distribuição das atividades ao longo da rua. Enquanto o D permitiu verificar o grau de concentração espacial das atividades, o LUM, calculado como seu complemento, possibilitou interpretar o nível de mistura entre as categorias analisadas. Seus resultados mostram que, no nível de uso, as atividades encontram- se dispersas na rua, com alta mistura, indicando que as diferentes categorias estão relativamente equilibradas em participação, sem o predomínio absoluto de uma única função urbana, como pode ser observado no Quadro 6. Esse resultado indica que a Rua Sergipe apresenta diversidade de usos em sua composição geral, aspecto considerado importante pelo referencial teórico sobre vitalidade urbana. Nesse sentido, a alta mistura observada no nível de uso representa uma condição favorável à vitalidade urbana, pois indica que a rua não se organiza a partir de uma única função, mas reúne diferentes categorias de uso que podem atrair públicos distintos e estimular a circulação de pedestres. Quadro 6 - Resultados do cálculo de dissimilaridade. Dissimilaridade Subclasse Classe Grupo Uso D 0,526 0,503 0,431 0,245 LUM 0,474 0,497 0,569 0,755 Fonte: a autora, 2026. Já nos níveis de grupo, classe e subclasse, observa-se uma concentração e mistura moderada, o que indica que as atividades não estão distribuídas de forma totalmente uniforme ao longo da via, mas também não se concentram exclusivamente em um único trecho. Esse resultado revela que, embora exista diversidade de usos na escala mais ampla, a análise em categorias mais detalhadas evidencia maior diferenciação espacial das atividades. Assim, a Rua Sergipe apresenta uma condição intermediária, há mistura suficiente para indicar diversidade funcional ao longo da via, mas também há determinados agrupamentos que diferenciam alguns trechos. A diferença mais evidente ocorre entre a categoria uso e as categorias mais detalhadas, sugerindo que a análise em níveis mais específicos revela maior diferenciação espacial das atividades. No entanto, entre grupo, classe e subclasse, os valores apresentam variações reduzidas, indicando que o padrão geral de concentração moderada se mantém relativamente
84 semelhante entre esses níveis de categorização. A partir desses resultados, foi compreendido a concentração espacial e mistura das atividades na via, mas não foi possível identificar quais quadras contribuem mais para esse padrão, nem quais atividades estão concentradas em cada quadra. Por isso, calculou-se o D local. Ao analisar os resultados do D local, apresentados no Quadro 7, observa-se que os valores entre as quadras são relativamente próximos, sem a presença de uma quadra que concentre uma parcela muito superior do D total da Rua Sergipe. Embora algumas quadras apresentem contribuições ligeiramente maiores, como Q2, Q3 e Q8 em determinadas categorias, as diferenças percentuais não são suficientemente expressivas para caracterizar uma concentração espacial claramente dominante. Dessa forma, o D local indica que a contribuição para a dissimilaridade está distribuída entre várias quadras, sugerindo que a diferenciação das atividades ocorre de maneira compartilhada ao longo da rua, e não concentrada em um único trecho específico. Quadro 7 - Resultados do cálculo de dissimilaridade local. D_local Subclasse Classe Grupo Uso Q1 0,044 8,37% 0,044 8,70% 0,041 9,60% 0,018 7,39% Q2 0,061 11,65% 0,061 12,10% 0,032 7,33% 0,016 6,53% Q3 0,066 12,50% 0,064 12,63% 0,057 13,13% 0,034 13,84% Q4 0,058 11,04% 0,057 11,32% 0,045 10,54% 0,034 13,74% Q5 0,028 5,38% 0,024 5% 0,022 5,06% 0,013 5,26% Q6 0,059 11,16% 0,054 10,68% 0,051 11,82% 0,039 15,98% Q7 0,050 9,55% 0,045 8,90% 0,038 8,78% 0,020 8,34% Q8 0,083 15,86% 0,082 16,35% 0,075 17,42% 0,030 12,09% Q9 0,053 9,99% 0,049 9,78% 0,047 10,84% 0,032 13,24% Q10 0,024 4,51% 0,024 4,71% 0,024 5,49% 0,009 3,60% Fonte: a autora, 2026. Esse resultado indica que não há uma quadra ou conjunto de quadras que se destaquem de forma clara como principal responsável pela concentração espacial das atividades. Do ponto de vista da vitalidade urbana, esse padrão pode ser interpretado como uma condição favorável, pois sugere que as atividades não estão excessivamente concentradas em um único trecho da Rua Sergipe, mas distribuídas de forma relativamente compartilhada entre as quadras. Como discutido no referencial teórico, a diversidade de usos e a mistura de atividades são fatores importantes para a vitalidade urbana, pois podem contribuir para a presença de diferentes públicos, para a circulação de pedestres e para a intensificação da vida urbana ao longo da rua (Jacobs, 2011; Montgomery, 1998; Gehl, 2013; Saboya,
85 2016, 2017a, 2017b). Assim, os resultados do D local reforçam a leitura de que a Rua Sergipe apresenta atividades moderadamente concentradas e moderadamente misturadas, sem uma dependência funcional exclusiva de uma única quadra. Essa distribuição pode favorecer a vitalidade urbana ao ampliar as possibilidades de atração de pedestres em diferentes trechos da via. Ademais, para mensurar o grau de diversidade interna das unidades espaciais utilizou-se o índice de entropia de Shannon. No entanto, observa-se no Quadro 8 que, assim como ocorreu com o D local, os resultados da entropia não permitiram estabelecer uma diferenciação suficientemente clara entre as quadras. A distinção mais evidente apareceu entre o nível de uso e os níveis mais detalhados de classificação, reforçando algo que já havia sido observado nos resultados da dissimilaridade. Quadro 8 - Resultados do cálculo de entropia de Shannon. Entropia Subclasse Classe Grupo Uso Q1 0,650 0,663 0,704 0,853 Q2 0,650 0,618 0,611 0,662 Q3 0,550 0,582 0,582 0,580 Q4 0,553 0,586 0,441 0,328 Q5 0,451 0,477 0,391 0,397 Q6 0,597 0,615 0,491 0,445 Q7 0,687 0,704 0,622 0,444 Q8 0,604 0,618 0,567 0,486 Q9 0,427 0,452 0,499 0,423 Q10 0,321 0,339 0,374 0,592 Fonte: a autora, 2026. Dessa forma, tanto a dissimilaridade quanto o D local e a entropia de Shannon contribuíram para compreender o padrão geral de distribuição e diversidade das atividades na Rua Sergipe. Em conjunto, esses índices indicam que a rua apresenta diversidade funcional e mistura de usos, especialmente quando analisada na escala mais ampla da categoria uso, além de uma distribuição relativamente compartilhada das atividades entre as quadras. Esse resultado pode ser interpretado como uma condição favorável à vitalidade urbana, uma vez que a diversidade de usos e a presença de diferentes atividades são apontadas pelo referencial teórico como fatores que contribuem para atrair pessoas, intensificar a vida urbana e ampliar as possibilidades de uso da rua em diferentes momentos (Jacobs, 2011; Montgomery, 1998; Gehl, 2013; Saboya, 2016, 2017a, 2017b). Essa análise foi, então, complementada pelo QL das atividades que possuem mais de 2% de presença na rua. Para esse cálculo, optou-se por
86 utilizar apenas a categoria grupo, por se tratar de um nível intermediário de classificação das atividades econômicas. O Quadro C1 com os resultados detalhados está apresentado no Apêndice C dessa pesquisa. As atividades auxiliares dos transportes terrestres (Figura 47) , como estacionamentos e usos associados, outras atividades de serviços pessoais (Figura 48), residencial (Figura 49) e desocupado (Figura 50), aparecem com maior peso nas extremidades da via, possuindo menor incidência nas quadras centrais, com uma concentração relativa mais pontual e descontínua. As atividades de transporte funcionam como apoio ao deslocamento e, por isso tem seu pico nas quadras Q1 e Q9. No caso de outras atividades, os maiores valores aparecem principalmente na Q2, enquanto os usos residenciais possuem seu pico nas Q2 e Q10 e os usos desocupados apresentam picos de QL em Q3 e Q9. Figura 47 - QL - Atividades auxiliares dos transportes terrestres. Fonte: a autora, 2026. Figura 48 - QL - Outras atividades de serviços pessoais. Fonte: a autora, 2026.
87 Figura 49 - QL - Residencial. Fonte: a autora, 2026. Figura 50 - QL - Desocupado. Fonte: a autora, 2026. As atividades comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; equipamentos e artigos de uso doméstico (Figura 51) e reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos (Figura 52) apresentam um comportamento muito parecido, pois elas frequentemente estão associadas ao mesmo estabelecimento. Além disso, as duas imagens sugerem a formação de uma concentração ligada ao segmento de informática na Q8, mesma quadra do Camelódromo. Assim, é possível identificar que a presença dessas atividades junto ao Camelódromo pode contribuir para caracterizar a Q8 como um trecho com especialização relativa5. Figura 51 - QL - Comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; 5 Entende-se especialização relativa como: quando o QL elevado aparece acompanhado de uma participação expressiva da atividade na composição interna da quadra. Assim, a atividade não apenas se destaca proporcionalmente em relação à Rua Sergipe, mas também contribui para caracterizar o perfil funcional daquele trecho.
88 equipamentos e artigos de uso doméstico. Fonte: a autora, 2026. Figura 52 - QL - Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos. Fonte: a autora, 2026. Os edifícios comerciais (Figura 53) e os edifícios residenciais (Figura 54) também possuem um comportamento similar, pois muitos desses edifícios são mistos – possuem residências e comércios ou serviços. Eles não possuem uma distribuição igualitária na rua e se concentram em diferentes quadras, sem ser possível identificar um padrão de distribuição. No entanto, acabam se concentrando mais nas quadras da extremidade Q1 a Q4. Figura 53 - QL - Edifício comercial. Fonte: a autora, 2026.
89 Figura 54 - QL - Edifício residencial. Fonte: a autora, 2026. O comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos (Figura 55), o comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados (Figura 56) e os restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas (Figura 57) estão distribuídos de forma mais equilibrada na rua e concentram seu pico nas quadras centrais – Q5 a Q8. O comércio de produtos farmacêuticos se destaca na Q7, enquanto restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas apresentam maior concentração relativa em Q7 e Q8. Já o comércio de produtos não especificados anteriormente apresenta valores mais expressivos entre Q4, Q5 e Q6. Esses resultados sugerem que atividades ligadas ao consumo cotidiano, à alimentação e à conveniência tendem a aparecer com maior força nas quadras centrais da rua. Figura 55 - QL - Comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos. Fonte: a autora, 2026. Figura 56 - QL - Comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de
90 produtos usados. Fonte: a autora, 2026. Figura 57 - QL - Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas. Fonte: a autora, 2026. 4.3 Movimento de pedestres Após a análise dos 246 vídeos pelo Google Colab, foram produzidos os seguintes quadros – Quadro 9, Quadro 10 e Quadro 11 – mostrando o total de pedestres por quadra em cada período do dia. Quadro 9 - Quantidade de pessoas por período (terça-feira). Terça-feira Q1 Q2 Q3 Q4 Q5 Q6 Q7 Q8 Q9 Q10 Total Manhã 28 81 76 130 219 149 160 122 23 7 995 Tarde 45 59 82 160 189 156 200 120 13 8 1032 Noite 18 17 7 2 1 6 9 5 0 3 68 Total 32 140 158 290 408 305 360 242 36 15 2027 Fonte: a autora, 2026. Quadro 10 - Quantidade de pessoas por período (quarta-feira). Quarta-feira Q1 Q2 Q3 Q4 Q5 Q6 Q7 Q8 Q9 Q10 Total Manhã 36 42 51 82 187 145 182 97 19 14 855 Tarde 53 62 61 99 179 127 178 87 21 19 886 Noite 24 13 11 13 5 11 10 10 1 3 101 Total 42 104 112 181 366 272 360 184 40 33 1741 Fonte: a autora, 2026.
91 Quadro 11 - Quantidade de pessoas por período (sábado). Sábado Q1 Q2 Q3 Q4 Q5 Q6 Q7 Q8 Q9 Q10 Total Manhã 55 81 104 160 144 357 314 119 14 9 1357 Tarde 11 5 11 20 32 25 36 16 3 2 161 Noite 6 1 0 0 0 1 2 2 3 1 16 Total 31 86 115 180 176 382 350 135 17 11 1518 Fonte: a autora, 2026. A partir desses dados, foram gerados gráficos de barras para melhor visualizar os resultados das contagens (Figura 58, Figura 59 e Figura 60): Figura 58 - Gráfico de barras (terça-feira). Fonte: a autora, 2026.
92 Figura 59 - Gráfico de barras (quarta-feira). Fonte: a autora, 2026. Figura 60 - Gráfico de barras (sábado). Fonte: a autora, 2026.
93 A partir desses dados, optou-se por descartar o período noturno da análise comparativa, devido à baixa incidência de pedestres observada nesse horário em relação aos demais períodos analisados. Assim, a inclusão do período noturno poderia distorcer a leitura dos resultados, principalmente nas comparações entre quadras e entre os períodos da manhã e da tarde. Com a organização desses dados, é possível verificar que as quadras Q4 a Q8 são as que possuem maior movimentação de pedestres, enquanto a extremidade – Q9 e Q10 – possui a menor movimentação. Os períodos da manhã e da tarde apresentam uma movimentação semelhante durante os dias da semana (terça-feira e quarta-feira), porém no sábado o movimento se prevalece no período da manhã – no sábado em questão o comércio funcionou somente no período matutino.
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96 ANÁLISE – CONFIGURAÇÃO ESPACIAL, DIVERSIDADE DE USOS E MOVIMENTO DE PEDESTRES A análise dos resultados permite compreender como os atributos morfológicos e funcionais observados podem se relacionar ou não com os fatores que influenciam a vitalidade. De acordo com o referencial teórico, os elementos como diversidade de usos (Gehl, 2013; Jacobs, 2011; Montgomery, 1998; Saboya, 2016, 2017a, 2017b), presença de mobiliário urbano e espaços de convivência (Gehl, 2013; Whyte, 1980), permeabilidade visual e fachadas ativas (Netto et al., 2012; Saboya, 2017b), além da presença de equipamentos culturais (Gehl, 2013; Montgomery, 1998), são determinantes para atrair e manter pessoas nos espaços públicos. A sobreposição entre configuração espacial, diversidade de usos e atividades e movimento de pedestres indica que o fluxo observado na Rua Sergipe não pode ser explicado por um único atributo urbano, mas pela combinação entre características morfológicas, funcionais e locacionais. Nesse sentido, a análise por quadra permite compreender de forma mais detalhada como esses fatores se articulam ao longo da via. Nas extremidades da Rua Sergipe – Q1 e Q10 – foram observados os menores fluxos de pedestres. Na Q1, a presença de praças em um dos lados da via faz com que as atividades comerciais e de serviços ocorram somente no lado oposto, o que reduz a continuidade funcional das duas faces da quadra. No primeiro segmento dessa quadra, observa-se uma arquitetura predominantemente horizontal, com menor variedade de comércios e serviços, poucas fachadas ativas e baixa visibilidade interna dos estabelecimentos. Além disso, alguns estabelecimentos localizados nas esquinas possuem entrada principal voltada para as vias perpendiculares o que indica menor relação direta com a Rua Sergipe. Dessa forma, embora a presença de espaços livres pudesse contribuir para o fluxo, a baixa continuidade de atividades voltadas para a rua limita a atração de pedestres nesse trecho. 5
97 A Q2 apresenta condições que poderiam favorecer uma maior movimentação de pedestres. A quadra possui maior variedade de usos e 34 estabelecimentos, além de dois edifícios residenciais, sendo um com 12 pavimentos. Também apresenta proporção equilibrada entre fachadas estreitas e horizontais, presença de fachadas ativas, visibilidade interna na maior parte dos estabelecimentos e a existência de mobiliário urbano, como bancos e lixeiras, em frente aos comércios. Esses elementos indicam maior potencial de atratividade urbana em comparação à Q1. No entanto, o fluxo de pedestres não se destaca entre os maiores da rua, uma possível explicação é sua posição entre trechos de menor atratividade, especialmente Q1 e Q3, o que pode reduzir sua capacidade de funcionar como área contínua de circulação. Além disso, a maioria dos estabelecimentos funciona em horário comercial, de segunda a sexta-feira e sábado pela manhã, o que limita o fluxo de pessoas em outros períodos do dia. A Q3 apresenta 46 estabelecimentos, porém concentra o maior número de imóveis desocupados da Rua Sergipe, com 13 estabelecimentos fechados, correspondendo a cerca de 30% do total da quadra. Embora conte com dois edifícios comerciais e um edifício residencial de 13 pavimentos, a presença expressiva de imóveis desocupados reduz a continuidade das fachadas ativas e enfraquece a relação entre térreo e calçada. Assim, mesmo apresentando quantidade significativa de estabelecimentos e usos edificados que poderiam contribuir para a presença de pessoas, a desocupação de parte relevante dos imóveis compromete sua capacidade de atração e pode ajudar a explicar fluxos menos expressivos quando comparada às quadras centrais. A Q4 apresenta características mais favoráveis à movimentação de pedestres, com predomínio de comércio, maior continuidade de fachadas ativas e presença de edifícios residenciais. Essa combinação aproxima a quadra de uma condição mais propícia à vitalidade, pois reúne atividades voltadas para o atendimento ao público e usos residenciais que podem contribuir para a presença de pessoas no entorno. Ainda assim, seus fluxos não se destacam tanto quanto os observados em Q5, Q6 e Q7, sugerindo que a presença de comércio e edifícios residenciais, embora importante, não é suficiente para explicar isoladamente os maiores níveis de circulação. A Q5 marca o início do trecho de maior movimento da Rua Sergipe. Apesar de não apresentar edifícios residenciais, a quadra possui forte presença comercial, especialmente ligada a atividades de comércio varejista, como roupas e calçados. Além disso, sua proximidade com o terminal urbano pode contribuir para o aumento da circulação de pedestres, uma vez que parte do fluxo pode estar relacionada aos deslocamentos
98 cotidianos em direção à área central e ao transporte coletivo. A presença do Museu de Arte também constitui um equipamento relevante no trecho, ainda que sua influência sobre o fluxo dependa dos horários de funcionamento e da programação cultural. Dessa forma, a movimentação em Q5 parece resultar tanto da concentração de atividades comerciais quanto de sua posição estratégica na malha urbana. A Q6 também integra o trecho de maior fluxo da Rua Sergipe. A quadra apresenta predomínio de atividades comerciais e presença expressiva de edifícios residenciais, compondo uma condição funcional mais diversa. A combinação entre comércio, moradia e proximidade com o terminal urbano contribui para que a quadra apresente maior intensidade de circulação. Assim como em Q5, parte do movimento pode estar associada não apenas ao uso direto dos estabelecimentos, mas também à função de passagem desse trecho. A Q7 apresenta movimento expressivo e se diferencia pela presença de atividades ligadas ao comércio cotidiano, à alimentação e à conveniência, como bares, lanchonetes, restaurantes e farmácias. Embora muitos desses estabelecimentos funcionem em horário comercial semelhante ao restante da rua, sua natureza de atendimento direto ao público pode contribuir para a atração de pedestres ao longo do dia. Além disso, a presença de farmácia, com funcionamento mais prolongado e também aos finais de semana, pode aumentar a atratividade da quadra em determinados períodos. Dessa forma, a Q7 apresenta maior intensidade de circulação, associada à combinação entre diversidade de atividades, serviços de consumo cotidiano e localização no trecho central de maior movimento da Rua Sergipe. A Q8 apresenta uma condição particular em relação às demais quadras, devido à presença do Camelódromo e de outras duas galerias comerciais menores, que reúnem atividades semelhantes às encontradas nesse equipamento – principalmente ligadas ao comércio popular, informática, acessórios, manutenção e serviços diversos. Embora as configurações consideradas ideais pela literatura, como fachadas ativas voltadas diretamente para a rua e maior visibilidade entre interior e exterior não sejam observadas da mesma forma nesse trecho, o Camelódromo concentra uma quantidade expressiva de atividades, com aproximadamente 350 lojas. Sua organização se aproxima de uma lógica semelhante à de centros comerciais, em que parte importante da dinâmica ocorre no interior dos edifícios e não diretamente nas fachadas voltadas para a calçada. Além disso, a presença de ponto de ônibus nessa quadra pode contribuir para o aumento da movimentação de pedestres, especialmente por concentrar
99 deslocamentos vinculados ao transporte coletivo. Assim, embora a Q8 apresente potencial de atração de pedestres, a relação entre essa atratividade e a vitalidade da rua é mais complexa, pois depende da forma como os fluxos internos dessas galerias e os fluxos associados ao transporte coletivo se conectam ao espaço público. A Q9 apresenta 20 estabelecimentos, dos quais sete encontram-se desocupados, correspondendo a aproximadamente 35% do total da quadra. Além da presença significativa de imóveis fechados, observa-se que a maioria das fachadas não apresenta visibilidade interna, o que reduz sua condição de fachada ativa e enfraquece a permeabilidade visual entre interior e exterior. Essa combinação reduz a continuidade das atividades voltadas para a rua e pode limitar a atração de pedestres. Embora existam alguns estabelecimentos com funcionamento em horários mais estendidos, a presença de imóveis desocupados e de fachadas pouco permeáveis interfere negativamente na dinâmica urbana da quadra. Por outro lado, a presença de ponto de ônibus em Q9 pode contribuir para a movimentação de pedestres, ainda que esse fluxo esteja mais associado aos deslocamentos cotidianos e ao uso do transporte coletivo do que necessariamente à atratividade dos estabelecimentos da quadra. Dessa forma, assim como em Q3, a desocupação aparece como um fator que contribui para menores níveis de movimento e de vitalidade urbana, ainda que a presença do ponto de ônibus possa gerar fluxos pontuais nesse trecho. A Q10, localizada na extremidade da área de estudo, apresenta a menor quantidade de estabelecimentos e o menor fluxo de pedestres. Apesar disso, diferencia-se pela presença do Sesc e de atividades que podem funcionar em horários noturnos ou em períodos alternativos ao comércio tradicional. Essa condição pode gerar movimentações pontuais e específicas, especialmente vinculadas à programação institucional e cultural. No entanto, por estar localizada na extremidade da Rua Sergipe e apresentar menor continuidade comercial em relação às quadras centrais, seu fluxo geral permanece reduzido quando comparado aos trechos de maior movimento. De modo geral, é possível identificar que as quadras centrais, especialmente Q5, Q6 e Q7, concentram os maiores fluxos de pedestres e apresentam maior articulação entre atividades ligadas ao comércio cotidiano – como pode ser visto na Figura 61, Figura 62 e Figura 63 –, serviços, proximidade com o terminal urbano próximo e maior continuidade de fachadas estreitas e ativas. No entanto, essa relação não ocorre de forma automática. Algumas quadras, como Q2 e Q4, apresentam características morfológicas e funcionais favoráveis à vitalidade urbana, mas não alcançam
100 os maiores fluxos, indicando que a localização na sequência da rua e a relação com os principais percursos de pedestres também são determinantes. Figura 61 - Gráfico: fluxo vs comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos. Fonte: a autora, 2026. Figura 62 - Gráfico: fluxo vs restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas. Fonte: a autora, 2026. Figura 63 - Gráfico: fluxo vs comércio varejista de produtos novos não especificados
101 anteriormente e de produtos usados. Fonte: a autora, 2026. Diferentemente das atividades ligadas ao comércio cotidiano e à alimentação, que tendem a se aproximar das quadras centrais de maior movimento, as atividades auxiliares dos transportes terrestres, como estacionamentos e usos associados, aparecem com maior peso relativo nas extremidades da via – Q1 e Q9 – e podem funcionar como apoio ao deslocamento, mas não necessariamente geram uma circulação contínua de pedestres nas calçadas. Assim, o gráfico sugere que essa categoria contribui para a composição funcional da Rua Sergipe, mas não explica, de forma isolada, os trechos de maior fluxo observados. Figura 64 - Gráfico: fluxo vs atividades auxiliares dos transportes terrestres. Fonte: a autora, 2026. As atividades de comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação, equipamentos e artigos de uso doméstico e de reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos apresentam comportamento semelhante em relação aos valores de QL ao longo da Rua Sergipe, como pode ser observado na Figura 65. Esse resultado está relacionado ao fato de que essas funções aparecem, muitas vezes,
102 associadas aos mesmos estabelecimentos, combinando venda de equipamentos e serviços de manutenção. Além disso, o gráfico sugere a formação de uma concentração ligada ao segmento de informática na Q8, mesma quadra do Camelódromo. No entanto, essa concentração não coincide exatamente com os maiores fluxos de pedestres, que aparecem com maior intensidade entre Q5, Q6 e Q7. Assim, esses gráficos indicam que a presença dessas atividades pode contribuir para caracterizar a Q8 como um trecho com especialização relativa nesse segmento, embora essa especialização não seja suficiente, isoladamente, para explicar os maiores fluxos observados na Rua Sergipe. Figura 65 - Gráfico: fluxo vs comércio varejista de equipamentos [...] e reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos. Fonte: a autora, 2026. Além disso, como pode ser observado na Figura 66, os trechos com maior presença de imóveis desocupados – Q3 e Q9 – tendem a apresentar menor atratividade, pois a ausência de atividade no imóvel reduz a continuidade visual, funcional e social da rua. Assim, os menores fluxos observados em determinados trechos podem estar relacionados à maior presença de imóveis desocupados, uma vez que esses imóveis contribuem menos para a ativação urbana e para a atração de pedestres.
103 Figura 66 - Gráfico: fluxo vs desocupado. Fonte: a autora, 2026. A partir da comparação entre os valores de QL e o fluxo médio de pedestres, conclui-se que nenhuma atividade, isoladamente, explica de forma direta os maiores fluxos observados na Rua Sergipe. Embora algumas categorias apresentem maior concentração relativa em quadras de grande movimento, os picos de QL nem sempre coincidem exatamente com os trechos de maior circulação. Assim, o fluxo de pedestres parece estar mais relacionado à combinação de diferentes atividades – principalmente aquelas de consumo cotidiano – do que à presença de uma única categoria específica. Além disso, os altos fluxos observados em Q5 e Q6 podem estar relacionados ao papel dessas quadras como áreas de passagem em direção ao terminal urbano. Nesse caso, parte da movimentação de pedestres pode não estar vinculada diretamente ao uso dos estabelecimentos localizados nessas quadras, mas aos deslocamentos cotidianos realizados ao longo da Rua Sergipe. Essa possibilidade reforça que o fluxo de pedestres resulta da sobreposição entre atividades existentes, centralidade do trecho e rotas de circulação, não podendo ser explicado apenas pelos valores de QL. Cabe destacar, ainda, que as galerias comerciais não foram incluídas na análise de QL por apresentarem baixa ocorrência no conjunto da via, ficando abaixo do recorte mínimo definido para as atividades analisadas. No entanto, essa exclusão também limita a interpretação da Q8, uma vez que o Camelódromo, localizado nessa quadra, se enquadra como galeria comercial e pode exercer influência importante sobre o fluxo de pedestres. Dessa forma, embora os resultados indiquem que a Q8 apresenta especialização relativa em atividades ligadas à informática e à manutenção de equipamentos, a influência específica do Camelódromo sobre a
104 movimentação de pedestres exigiria uma análise mais detalhada, voltada à relação entre galerias comerciais, atratividade urbana e fluxo de pedestres. Essa análise também deveria considerar a quantidade e o tipo de atividades existentes no interior da galeria, bem como a presença de unidades desocupadas, uma vez que a composição interna desses espaços pode influenciar diretamente sua capacidade de atrair ou reduzir a circulação de pedestres. A análise evidencia que a Rua Sergipe apresenta uma dinâmica predominantemente comercial e diurna. Embora algumas quadras contem com atividades que ampliam o funcionamento para além do horário comercial, como Q7, Q9 e Q10, essa condição não se distribui de maneira contínua ao longo da via. Assim, os maiores fluxos observados não indicam, necessariamente, vitalidade urbana em sentido amplo, mas uma movimentação concentrada em determinados trechos e períodos, associada à sobreposição entre diversidade de atividades, centralidade, proximidade com o terminal urbano e função de passagem. A análise também demonstrou que a relação entre diversidade de usos e movimento de pedestres não pode ser compreendida apenas por meio de uma classificação ampla do uso do solo. Quando as atividades foram analisadas no nível de uso, os resultados indicaram maior dispersão e maior mistura. No entanto, nos níveis de grupo, classe e subclasse, observou-se maior diferenciação espacial entre as atividades. Essa diferença reforça a discussão apresentada por Dovey e Pafka (2017), ao apontarem que categorias amplas, como “comercial” ou “residencial”, podem simplificar dinâmicas urbanas complexas, agrupando atividades com características e impactos distintos. Nesse sentido, Kretzer (2023) também destaca que a simples identificação funcional dos usos pode não ser suficiente para compreender sua influência sobre a dinâmica urbana, pois atividades que pertencem a uma mesma categoria geral podem atrair públicos, frequências e padrões de uso diferentes. Assim, os resultados desta pesquisa indicam que análises de vitalidade urbana baseadas apenas em classificações gerais de uso do solo podem produzir leituras limitadas sobre a dinâmica urbana. Esse resultado reforça a importância de analisar a diversidade de usos em diferentes níveis de detalhamento. Na Rua Sergipe, a categoria uso permitiu identificar uma mistura funcional mais geral, mas não foi suficiente para compreender quais atividades se destacam em cada quadra, que possuem maior capacidade de atração e quais se relacionam de forma mais próxima com os fluxos observados. Já as categorias grupo, classe e subclasse permitiram uma leitura mais precisa da composição funcional da rua,
105 indicando que a vitalidade urbana não depende apenas da presença de comércio, serviço ou residência, mas também pode depender do tipo de atividade, da forma como ela se distribui no espaço e do modo como se articula com os demais estabelecimentos. Além disso, os índices aplicados ao longo da pesquisa mostraram que não é possível compreender a movimentação de pedestres e a vitalidade urbana a partir de uma única métrica. A dissimilaridade e o LUM contribuíram para identificar o padrão geral de concentração e mistura das atividades na rua; o D local permitiu observar a contribuição de cada quadra para esse padrão; a entropia de Shannon possibilitou analisar a diversidade interna das quadras; e o Quociente de Localização permitiu identificar onde determinadas atividades apresentavam maior concentração relativa. No entanto, nenhum desses indicadores, isoladamente, explicou de forma suficiente os maiores ou menores fluxos de pedestres. Dessa forma, a análise da Rua Sergipe demonstra que a vitalidade urbana deve ser compreendida a partir da combinação entre diferentes métricas e dimensões de análise. A movimentação de pedestres está relacionada à diversidade de atividades, mas também aos horários de funcionamento, à presença de estabelecimentos voltados ao consumo cotidiano, alimentação e conveniência, à proximidade com rotas de circulação e às características espaciais da rua. Portanto, a combinação entre indicadores quantitativos e leitura espacial permitiu uma compreensão mais adequada da dinâmica urbana do que seria possível por meio de um único índice. Durante o dia, os trechos com maior combinação de atividades comerciais e de serviços, especialmente aquelas ligadas ao consumo cotidiano, tendem a concentrar maior movimento de pedestres. Porém, essa dinâmica não se mantém quando os estabelecimentos fecham, o que evidencia a dependência da rua em relação às atividades econômicas diurnas. Assim, a Rua Sergipe pode ser compreendida como uma rua de forte movimentação comercial durante o horário de funcionamento dos estabelecimentos. Os resultados reforçam que a vitalidade urbana não deve ser confundida apenas com a presença de fluxo de pedestres em determinados horários e pontos da rua. Embora a pesquisa não tenha mensurado diretamente dimensões como permanência e apropriação do espaço público, os dados de fluxo demonstram que a rua não mantém movimentação significativa em diferentes períodos, especialmente no período noturno. Assim, como a presença contínua de pessoas em horários
106 variados é uma condição fundamental para a vitalidade urbana, é possível constatar que a Rua Sergipe não apresenta vitalidade urbana nos termos adotados por esta pesquisa.
107
108 CONCLUSÃO| Esta pesquisa teve como objetivo investigar a relação entre a configuração espacial, a diversidade de usos e atividades e a movimentação de pedestres na Rua Sergipe, em Londrina-PR, a fim de discutir sua vitalidade urbana. A partir do levantamento de campo, da categorização das atividades, da contagem de pedestres e da aplicação de diferentes métricas de análise, foi possível compreender que a dinâmica da rua está fortemente associada ao funcionamento comercial e de serviços, especialmente durante o período diurno e em determinados trechos da via. Os resultados demonstraram que a Rua Sergipe apresenta movimento de pedestres, principalmente nas quadras centrais, mas esse movimento não se mantém nos diversos períodos do dia, aspecto considerado fundamental para a vitalidade urbana (Jacobs, 2011; Montgomery, 1998; Gehl, 2013). O período noturno apresentou baixa incidência de pedestres em comparação aos demais períodos analisados – matutino e vespertino –, indicando que a movimentação da rua depende, em grande parte, do funcionamento dos estabelecimentos comerciais e de serviços. Dessa forma, considerando o conceito adotado nessa pesquisa, entende-se que a Rua Sergipe não apresenta vitalidade urbana, mas sim uma dinâmica de movimento comercial diurna e localizada, fortemente influenciada pela presença de estabelecimentos de consumo cotidiano, sobreposição entre atividades existentes, centralidade do trecho e rotas de circulação. Apesar da maior movimentação observada em Q5, Q6 e Q7, esses fluxos não podem ser explicados apenas pela presença de determinadas atividades ou pela diversidade de usos, como visto nas métricas de análise – as quadras não apresentam grande diferenciação de diversidade interna ou de contribuição para a dissimilaridade total da rua. Uma possível explicação para a maior movimentação nesses trechos é a presença de diversas atividades de consumo cotidiano – restaurantes, farmácias e varejos – e também sua relação com os deslocamentos cotidianos em direção ao terminal urbano, o que indica que parte do fluxo pode estar associada à função de passagem da Rua Sergipe, e não necessariamente ao uso direto dos estabelecimentos localizados nessas quadras. Outro resultado importante refere-se à comparação entre os diferentes níveis de categorização das atividades. Quando analisada no nível de uso, a 6
109 Rua Sergipe apresentou maior dispersão e mistura. Porém, nos níveis de grupo, classe e subclasse, observou-se maior diferenciação espacial entre as atividades. Esse resultado indica que classificações muito amplas do uso do solo podem simplificar a leitura da dinâmica urbana, agrupando atividades com características, públicos, horários de funcionamento e capacidades de atração distintas (Dovey & Pafka, 2017; Kretzer, 2023). Em termos metodológicos, a pesquisa contribuiu ao propor uma leitura integrada da Rua Sergipe, articulando dados de configuração espacial, diversidade de atividades, horários de funcionamento e movimento de pedestres. Essa combinação permitiu observar que a análise da vitalidade urbana exige mais do que a identificação da presença de usos variados, pois depende também da forma como essas atividades se distribuem no espaço, dos períodos em que permanecem ativas e da maneira como se relacionam com os fluxos existentes (Jacobs, 2011; Gehl, 2013; Saboya, 2016, 2017a, 2017b). Assim, a contribuição da pesquisa está em articular diferentes formas de análise para compreender a Rua Sergipe, combinando indicadores quantitativos, levantamento de campo e leitura espacial. Essa abordagem permitiu relacionar a distribuição das atividades, os horários de funcionamento, a configuração física da rua e os fluxos de pedestres, contribuindo para uma leitura mais detalhada da dinâmica urbana em ruas comerciais centrais. Apesar dessas contribuições, a pesquisa apresenta algumas limitações. A primeira refere-se ao próprio método de contagem de pedestres, que permite identificar a movimentação por quadra e por período, mas não permite analisar a permanência das pessoas, os motivos dos deslocamentos ou as formas de apropriação do espaço público, dimensões também associadas à vitalidade urbana (Whyte, 1980; Gehl, 2013; Saboya, 2017b). Assim, não foi possível verificar se os pedestres permanecem na rua, utilizam os bancos e demais mobiliários urbanos, interagem com os espaços públicos ou apenas atravessam determinados trechos. Esses aspectos poderiam ser investigados em futuras pesquisas por meio de métodos complementares, como observação comportamental, mapeamento de permanência e entrevistas. Também em relação ao método de contagem, destaca-se como limitação o próprio processo de tratamento e processamento das filmagens. Embora tenham sido realizadas 492 filmagens ao longo dos dias de coleta, o tempo necessário para o processamento de cada vídeo impossibilitou a análise de todo o material dentro do período disponível para a finalização da pesquisa.
110 Além disso, apesar de o software reconhecer pedestres e veículos, ele pode contabilizar incorretamente alguns elementos, como motoqueiros, ciclistas, manequins de lojas e pessoas visíveis em janelas de carros e ônibus, quando esses passam pelos gates. Também foram observados casos em que pedestres parcialmente ocultos por obstáculos visuais ou sombras perdiam seu ID durante o rastreamento, podendo ser contabilizados mais de uma vez ou não serem contabilizados corretamente. Em algumas filmagens, a presença de vento ou pequenos deslocamentos da câmera também pode ter interferido na contagem, já que o movimento da imagem poderia fazer com que pessoas próximas aos gates fossem registradas mais de uma vez. Embora esses problemas tenham sido minimizados por meio do ajuste manual dos gates nas filmagens em que as limitações foram mais perceptíveis, eles devem ser considerados como restrições do método adotado. Outra limitação refere-se à decisão metodológica de não analisar de forma aprofundada as galerias comerciais e as atividades internas dos edifícios comerciais. No caso da Rua Sergipe, essa limitação é relevante, especialmente pela presença do Camelódromo na Q8 e de edifícios comerciais em diferentes quadras. Embora essas estruturas possam concentrar atividades e atrair pedestres, a pesquisa considerou principalmente as atividades voltadas para a rua, o que limita a compreensão da influência dos espaços internos na movimentação externa. Estudos futuros poderiam analisar a quantidade, o tipo e o funcionamento das atividades internas dessas galerias e edifícios, bem como sua relação com o fluxo observado nas calçadas. O mesmo acontece com os edifícios residenciais, pois também não foram analisadas a quantidade de unidades habitacionais existentes dentro de cada um. Essa limitação é importante porque alguns edifícios possuem mais pavimentos e, possivelmente, maior número de moradores do que outros. Assim, a simples identificação da presença de edifícios residenciais não permite avaliar com precisão o peso da população residente na dinâmica da rua. Além disso, a pesquisa não investigou diretamente a origem e o destino dos pedestres. Por isso, embora os resultados indiquem que os maiores fluxos nas quadras centrais podem estar relacionados aos deslocamentos em direção ao terminal urbano, essa hipótese não pôde ser confirmada diretamente. Estudos futuros poderiam incorporar levantamentos de origem e destino, entrevistas com pedestres ou rastreamento de trajetos, permitindo verificar se os fluxos observados estão vinculados ao uso dos estabelecimentos da Rua Sergipe ou à função da rua como eixo de passagem para outras áreas
111 do centro. Por fim, esta pesquisa reforça que a vitalidade urbana não pode ser compreendida apenas pela presença de pedestres em determinados pontos ou horários. A vitalidade envolve continuidade temporal (Jacobs, 2011; Montgomery, 1998), diversidade de atividades (Jacobs, 2011; Gehl, 2013; Saboya, 2016), permanência (Whyte, 1980; Gehl, 2013), apropriação do espaço público (Saboya, 2017b) e relação entre o ambiente construído e a vida urbana (Gehl, 2013; Saboya, 2017a, 2017b). No caso da Rua Sergipe, os resultados indicam uma rua comercial relevante, com movimento expressivo em determinados trechos e períodos, mas ainda dependente do funcionamento econômico diurno. Assim, a Rua Sergipe não apresenta vitalidade urbana nos termos adotados por esta pesquisa, mas revela uma dinâmica de movimentação comercial localizada, cuja compreensão exige a combinação entre diferentes métricas, escalas de análise e métodos de investigação.
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124 APÊNDICE A – Tabela de classificação das atividades da Rua Sergipe Fonte: a autora, 2025. Figura A1 - Tabela de levantamento Q1.
125 Fonte: a autora, 2025. Figura A2 - Tabela de levantamento Q2.
126 Fonte: a autora, 2025. Figura A3 - Tabela de levantamento Q3.
127 Fonte: a autora, 2025. Figura A4 - Tabela de levantamento Q4.
128 Fonte: a autora, 2025. Figura A5 - Tabela de levantamento Q5.
129 Fonte: a autora, 2025. Figura A6 - Tabela de levantamento Q6.
130 Fonte: a autora, 2025. Figura A7 - Tabela de levantamento Q7.
131 Fonte: a autora, 2025. Figura A8 - Tabela de levantamento Q8.
132 Fonte: a autora, 2025. Figura A9 - Tabela de levantamento Q9.
133 Figura A10 - Tabela de levantamento Q10. Fonte: a autora, 2025.
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136 APÊNDICE B – Classificação das atividades por uso, grupo, classe e subclasse do CNAE Quadro B1 – Classificação das atividades da Rua Sergipe por uso, grupo, classe e subclasse do CNAE Usos Nº CNAE Grupo Nº CNAE Classe Nº CNAE Subclasse Comercial - Depósito - Depósito - Depósito - Edifício comercial - Edifício comercial - Edifício comercial - Galeria de salas comerciais - Galeria de salas comerciais - Galeria de salas comerciais 45.1 Comércio de veículos automotores 45.11-1 Comércio a varejo e por atacado de veículos automotores 4511- 1/02 Comércio a varejo de automóveis, camionetas e utilitários usados 47.2 Comércio varejista de produtos alimentícios, bebidas e fumo 47.29-6 Comércio varejista de produtos alimentícios em geral ou especializado em produtos alimentícios não especificados anteriormente; produtos do fumo 4729- 6/01 Tabacaria 4729- 6/99 Comércio varejista de produtos alimentícios em geral ou especializado em produtos alimentícios não especificados anteriormente 47.4 Comércio varejista de material de construção 47.41-5 Comércio varejista de tintas e materiais para pintura 4741- 5/00 Comércio varejista de tintas e materiais para pintura 47.5 Comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; equipamentos e artigos de uso doméstico 47.52-1 Comércio varejista especializado de equipamentos de telefonia e comunicação 4752- 1/00 Comércio varejista especializado de equipamentos de telefonia e comunicação 47.54-7 Comércio varejista especializado de móveis, colchoaria e artigos de iluminação 4754- 7/01 Comércio varejista de móveis 47.55-5 Comércio varejista especializado de tecidos e artigos de cama, mesa e banho 4755- 5/01 Comércio varejista de tecidos 47.57-1 Comércio varejista especializado de peças e acessórios para aparelhos eletroeletrônicos para uso doméstico, exceto informática e comunicação 4757- 1/00 Comércio varejista especializado de peças e acessórios para aparelhos eletroeletrônicos para uso doméstico, exceto informática e comunicação 47.59-8 Comércio varejista de artigos de uso doméstico não especificados anteriormente 4759- 8/99 Comércio varejista de outros artigos de uso pessoal e doméstico não especificados anteriormente 47.6 Comércio varejista de artigos culturais, recreativos e esportivos 47.61-0 Comércio varejista de livros, jornais, revistas e papelaria 4761- 0/01 Comércio varejista de livros 4761- 0/03 Comércio varejista de artigos de papelaria 47.63-6 Comércio varejista de artigos recreativos e esportivos 4763- 6/01 Comércio varejista de brinquedos e artigos recreativos 47.7 Comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, 47.71-7 Comércio varejista de produtos farmacêuticos para uso humano e veterinário 4771- 7/01 Comércio varejista de produtos farmacêuticos, sem manipulação de fórmulas 47.72-5 Comércio varejista de cosméticos, produtos 4772- 5/00 Comércio varejista de cosméticos, produtos de
137 Usos Nº CNAE Grupo Nº CNAE Classe Nº CNAE Subclasse ópticos e ortopédicos de perfumaria e de higiene pessoal perfumaria e de higiene pessoal 47.74-1 Comércio varejista de artigos de óptica 4774- 1/00 Comércio varejista de artigos de óptica 47.8 Comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados 47.81-4 Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios 4781- 4/00 Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios 47.82-2 Comércio varejista de calçados e artigos de viagem 4782- 2/01 Comércio varejista de calçados 4782- 2/02 Comércio varejista de artigos de viagem 47.83-1 Comércio varejista de joias e relógios 4783- 1/01 Comércio varejista de artigos de joalheria 4783- 1/02 Comércio varejista de artigos de relojoaria 47.89-0 Comércio varejista de outros produtos novos não especificados anteriormente 4789- 0/01 Comércio varejista de suvenires, bijuterias e artesanatos 4789- 0/04 Comércio varejista de animais vivos e de artigos e alimentos para animais de estimação 4789- 0/99 Comércio varejista de outros produtos não especificados anteriormente Desocupado - Desocupado - Desocupado - Desocupado Institucional 91.0 Atividades ligadas ao patrimônio cultural e ambiental 91.02-3 Atividades de museus e de exploração, restauração artística e conservação de lugares e prédios históricos e atrações similares 9102- 3/01 Atividades de museus e de exploração de lugares e prédios históricos e atrações similares 94.2 Atividades de organizações sindicais 94.20-1 Atividades de organizações sindicais 9420- 1/00 Atividades de organizações sindicais 94.9 Atividades de organizações associativas não especificadas anteriormente 94.91-0 Atividades de organizações religiosas 9491- 0/00 Atividades de organizações religiosas ou filosóficas Lazer - Praça - Praça - Praça Residencial - Edifício residencial - Edifício residencial - Edifício residencial - Residencial - Residencial - Residencial Serviço 33.1 Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos 33.13-9 Manutenção e reparação de máquinas e equipamentos elétricos 3313- 9/99 Manutenção e reparação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos não especificados anteriormente 45.2 Manutenção e reparação de veículos automotores 45.20-0 Manutenção e reparação de veículos automotores 4520- 0/05 Serviços de lavagem, lubrificação e polimento de veículos automotores 52.2 Atividades auxiliares dos transportes terrestres 52.23-1 Estacionamento de veículos 5223- 1/00 Estacionamento de veículos 56.1 Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas 56.11-2 Restaurantes e outros estabelecimentos de serviços de alimentação e bebidas 5611- 2/01 Restaurantes e similares 5611- 2/03 Lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares 5611- 2/04 Bares e outros estabelecimentos especializados em servir
138 Usos Nº CNAE Grupo Nº CNAE Classe Nº CNAE Subclasse bebidas, sem entretenimento 66.1 Atividades auxiliares dos serviços financeiros 66.19-3 Atividades auxiliares dos serviços financeiros não especificadas anteriormente 6619- 3/02 Correspondentes de instituições financeiras 68.2 Atividades imobiliárias por contrato ou comissão 68.22-6 Gestão e administração da propriedade imobiliária 6822- 6/00 Gestão e administração da propriedade imobiliária 69.1 Atividades jurídicas 69.11-7 Atividades jurídicas, exceto cartórios 6911- 7/01 Serviços advocatícios 82.9 Outras atividades de serviços prestados principalmente às empresas 82.99-7 Atividades de serviços prestados principalmente às empresas não especificadas anteriormente 8299- 7/06 Casas lotéricas 86.3 Atividades de atenção ambulatorial executadas por médicos e odontólogos 86.30-5 Atividades de atenção ambulatorial executadas por médicos e odontólogos 8630- 5/04 Atividade odontológica 95.2 Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos 95.21-5 Reparação e manutenção de equipamentos eletroeletrônicos de uso pessoal e doméstico 9521- 5/00 Reparação e manutenção de equipamentos eletroeletrônicos de uso pessoal e doméstico 95.29-1 Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos não especificados anteriormente 9529- 1/01 Reparação de calçados, de bolsas e artigos de viagem 9529- 1/02 Chaveiros 96.0 Outras atividades de serviços pessoais 96.02-5 Cabeleireiros e outras atividades de tratamento de beleza 9602- 5/01 Cabeleireiros, manicure e pedicure Fonte: Londrina (2015) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (n.d.), adaptado pela autora, 2026.
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140 APÊNDICE C – Valores do Quociente de Localização (QL) por quadra e grupo de atividade Quadro C1 – Valores do Quociente de Localização (QL) por quadra e grupo de atividade. ID Grupo Qntd QL Q1 Atividades auxiliares dos transportes terrestres 1 2,16 Q1 Comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; equipamentos e artigos de uso doméstico 2 1,01 Q1 Comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos 0 - Q1 Comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados 1 0,15 Q1 Desocupado 1 0,45 Q1 Edifício comercial 2 2,52 Q1 Edifício residencial 2 2,52 Q1 Outras atividades de serviços pessoais 1 1,68 Q1 Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos 3 1,98 Q1 Residencial 1 1,68 Q1 Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas 0 - Q2 Atividades auxiliares dos transportes terrestres 0 - Q2 Comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; equipamentos e artigos de uso doméstico 2 0,62 Q2 Comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos 1 0,62 Q2 Comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados 11 1,02 Q2 Desocupado 5 1,38 Q2 Edifício comercial 1 0,78 Q2 Edifício residencial 2 1,56 Q2 Outras atividades de serviços pessoais 2 2,08 Q2 Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos 1 0,41 Q2 Residencial 3 3,12 Q2 Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas 1 0,52 Q3 Atividades auxiliares dos transportes terrestres 1 0,95 Q3 Comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; equipamentos e artigos de uso doméstico 3 0,66 Q3 Comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos 2 0,88 Q3 Comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados 10 0,66 Q3 Desocupado 13 2,53 Q3 Edifício comercial 4 2,21 Q3 Edifício residencial 1 0,55 Q3 Outras atividades de serviços pessoais 2 1,47 Q3 Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos 1 0,29 Q3 Residencial 1 0,74 Q3 Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas 3 1,10 Q4 Atividades auxiliares dos transportes terrestres 0 - Q4 Comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; equipamentos e artigos de uso doméstico 3 0,96 Q4 Comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos 2 1,28 Q4 Comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados 20 1,91 Q4 Desocupado 0 - Q4 Edifício comercial 2 1,61 Q4 Edifício residencial 2 1,61 Q4 Outras atividades de serviços pessoais 0 - Q4 Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos 1 0,42 Q4 Residencial 0 - Q4 Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas 1 0,54 Q5 Atividades auxiliares dos transportes terrestres 0 - Q5 Comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; equipamentos e artigos de uso doméstico 1 0,59
141 ID Grupo Qntd QL Q5 Comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos 1 1,18 Q5 Comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados 10 1,75 Q5 Desocupado 2 1,04 Q5 Edifício comercial 0 - Q5 Edifício residencial 0 - Q5 Outras atividades de serviços pessoais 0 - Q5 Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos 1 0,77 Q5 Residencial 0 - Q5 Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas 1 0,98 Q6 Atividades auxiliares dos transportes terrestres 0 - Q6 Comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; equipamentos e artigos de uso doméstico 3 0,74 Q6 Comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos 2 0,99 Q6 Comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados 23 1,68 Q6 Desocupado 1 0,22 Q6 Edifício comercial 1 0,62 Q6 Edifício residencial 4 2,47 Q6 Outras atividades de serviços pessoais 1 0,82 Q6 Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos 3 0,96 Q6 Residencial 2 1,64 Q6 Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas 0 - Q7 Atividades auxiliares dos transportes terrestres 1 1,03 Q7 Comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; equipamentos e artigos de uso doméstico 3 0,72 Q7 Comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos 6 2,89 Q7 Comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados 15 1,07 Q7 Desocupado 2 0,43 Q7 Edifício comercial 2 1,20 Q7 Edifício residencial 0 - Q7 Outras atividades de serviços pessoais 1 0,80 Q7 Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos 3 0,94 Q7 Residencial 1 0,80 Q7 Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas 5 2,01 Q8 Atividades auxiliares dos transportes terrestres 2 1,85 Q8 Comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; equipamentos e artigos de uso doméstico 12 2,60 Q8 Comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos 1 0,43 Q8 Comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados 10 0,64 Q8 Desocupado 2 0,38 Q8 Edifício comercial 0 - Q8 Edifício residencial 1 0,54 Q8 Outras atividades de serviços pessoais 1 0,72 Q8 Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos 10 2,82 Q8 Residencial 0 - Q8 Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas 6 2,16 Q9 Atividades auxiliares dos transportes terrestres 2 4,54 Q9 Comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; equipamentos e artigos de uso doméstico 1 0,53 Q9 Comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos 0 - Q9 Comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados 1 0,16 Q9 Desocupado 7 3,27 Q9 Edifício comercial 0 - Q9 Edifício residencial 0 - Q9 Outras atividades de serviços pessoais 1 1,77 Q9 Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos 0 - Q9 Residencial 0 - Q9 Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas 1 0,88
142 ID Grupo Qntd QL Q10 Atividades auxiliares dos transportes terrestres 0 - Q10 Comércio varejista de equipamentos de informática e comunicação; equipamentos e artigos de uso doméstico 0 - Q10 Comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos 0 - Q10 Comércio varejista de produtos novos não especificados anteriormente e de produtos usados 0 - Q10 Desocupado 1 1,17 Q10 Edifício comercial 0 - Q10 Edifício residencial 0 - Q10 Outras atividades de serviços pessoais 0 - Q10 Reparação e manutenção de objetos e equipamentos pessoais e domésticos 0 - Q10 Residencial 1 4,42 Q10 Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas 0 - Fonte: a autora, 2026.
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144 ANEXO A – Parecer consubstanciado do Comitê de Ética em Pesquisa
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149
150 Fonte: Parecer consubstanciado nº 7.945.487, Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), obtido por meio da Plataforma Brasil, 2025.