Consultório e Capital segunda edição11

ProProClinicClinicAcademyAcademyCOMO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL REORGANIZOU A PRÁTICA MÉDICA DE JOÃO PROTÁSIO NETTO EM PALMAS, NO NORTE DO BRASIL — E INVERTEU, EM UMA PALAVRA, A LÓGICA DE INTERIORIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS NO PAÍS. DR. JOÃO PROTÁSIO NETTO Consultório& CAPITAL JULHO 2026 EDIÇÃO 02 VOZ CONVIDADA DESTA EDIÇÃO DA PERÍCIA AO CÓDIGO

UMA PUBLICAÇÃOProClinic AcademyConsultório & CapitalQuebra de objeções pelo médico NESTA EDIÇÃOA holding que o médico precisa antes de precisar delaA economia silenciosa do retorno do pacienteO primeiro GPT customizado do seu consultórioDr. Paulo Renato FonsecaDr. Fabio CostaDra. Patricia FonsecaDr. Rubens MartinsCONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026

Medicina da dor. Escritor e palestrante. Professor de medicina. Editorias de pensamento sobre a relação com pacientes e o ecossistema de saúde, o futuro do médico-empresário, a relação médico–paciente– cliente, longevidade cognitiva com inteligência artificial, espiritualidade como crescimento intelectual e equilíbrio empresarial, quebra de objeções de venda por médicos, curadoria científica, conselho de ética e compliance, e relacionamento institucional. Redes sociais e marketing. Ortopedia regenerativa. Nutrição, metabologia, atividade física e estilo de vida saudável. Gestão de equipes e holdings empresariais multi-negócios. Negociação. Relação com convênios e fontes pagadoras, fornecedores e patrocinadores. Formação de equipes, planos de cargos e salários, premiações e programas de incentivos. Vendas, liderança, empreendedorismo e gestão. Psicologia, formação de equipes e RH. Comunicação, relacionamento, gestão de pessoas e gestão de crises. Acolhimento e fidelização de clientes. Inteligência artificial, tecnologia e automação. Medicina regenerativa, atendimento e robótica. Acreditação, legalizações e governança. Segurança jurídica e corporativa. Dr. Fabio Costa Dra. Patricia Fonseca Dr. Rubens Martins Editores associados Journal quinzenal da ProClinic Academy. Conteúdo editorial dirigido a médicos empreendedores. Dr. Paulo Renato Fonseca Editor-chefe Consultório & Capital Ortopedia e Traumatologia. CRM-TO 4132, RQE 2378, TEOT 17729. Pós- graduado em Medicina da Dor (IPEMED) e em Medicina Regenerativa (OrthoRegen/BIRM). Presidente da SBOT-TO (2026-2027). Mentorado da ProClinic Academy e professor parceiro do Dr. Rubens Martins nos cursos de IA da casa. Dr. João Protásio Netto Voz Convidada desta edição

CARTA DO EDITOR CHEFE A cada edição, a partir de agora, Consultório & Capital recebe um nome do ecossistema da ProClinic — mentorado, parceiro pedagógico, colaborador de longa data — que aprofunda, em primeira pessoa, um tema correlato ao trabalho das colunas regulares. Não é convidado de palco; é convidado de tribuna. Não vem para abrilhantar; vem para escrever. A regra editorial é simples e a deixo registrada aqui, por escrito, para que ninguém duvide dela no futuro: a Voz Convidada não é favor, não é reciprocidade, não é palco para amigos.É espaço para vozes que conquistaram autoridade por mérito demonstrado, que têm vínculo prévio real com o conselho editorial, e que trazem ao leitor algo que as colunas regulares, sozinhas, não conseguem trazer. Por que isso importa? Porque revista boa é revista que sabe receber. E porque o leitor de Consultório & Capital — vocês que estão lendo agora — não merece ver, nesta tribuna, ninguém que esteja aqui por outra razão que não a substância do que tem a dizer. Vamos defender essa porta, edição após edição, com o mesmo cuidado com que defendemos a porta da mentoria. O que é a Voz Convidada Há duas coisas que eu poderia escrever nesta abertura. A primeira seria celebrar a recepção da edição inaugural — agradecer mensagens, citar leituras, comemorar que o pacto que firmamos com vocês foi recebido como esperávamos. É verdade que isso aconteceu, e estou genuinamente tocado pela quantidade de médicos que nos procuraram nestas duas semanas para dizer que esperavam, há tempos, uma publicação como esta. Mas não é sobre isso que vou escrever. A segunda coisa seria anunciar, com pompa de evento, que esta edição traz um convidado especial. Também é verdade. E também não é sobre isso que vou escrever — porque o Dr. João Protásio se apresenta sozinho nas páginas em que ele vai aparecer, e eu não preciso fazer hype sobre o que vocês vão ler em alguns minutos. Eu quero usar este espaço, hoje, para falar de uma coisa só. De uma decisão editorial que tomamos para esta edição e que provavelmente vai virar tradição da casa: a abertura de uma seção chamada Voz Convidada. CONSULTÓRIO & CAPITAL01 Consultório & Capital Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 Sobre o que mudou entre uma edição e outra, e sobre o que pedimos a vocês que mantenham igual. O QUE VEM ANTES DO ANÚNCIO Editoria: Dr. Paulo Renato Fonseca Uma palavra antes da edição começar

Consultório & Capital Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL02CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 Para os leitores atentos da Inaugural — e eu sei que vocês existem porque já me escreveram — esta edição tem um arranjo diferente. Em vez do rodízio entre os quatro pilares com um tema central por edição, vocês vão encontrar aqui quatro colunas, uma por editor, mais a Voz Convidada. É arranjo de edição especial, motivado pela presença do Dr. Protásio. Nas próximas edições, o rodízio dos pilares volta. O que não mudou é o que firmamos no pacto: nada de caso forjado, nada de número inventado, nada de propaganda disfarçada de conteúdo. A Vitrine de Mentorado e a Sala dos Mentorados, que prometemos para esta edição, voltam na Edição 03 — com material que está sendo preparado com o cuidado que vocês merecem. O texto do Dr. Protásio, vocês vão ver, já cumpre boa parte do que a Vitrine prometia entregar: caso real, narrado em primeira pessoa, com acertos e erros assumidos. Em outras palavras, mantivemos a promessa, mas a entregamos por outra porta — porta mais alta, ainda. Esta revista é projeto de longo prazo, e revistas de longo prazo só sobrevivem quando o leitor se sente coautor da casa. Vocês são. Sintam-se. Boa leitura. Dr. Paulo Renato Fonseca Editor-chefe Continuem nos lendo com a mesma generosidade da primeira edição. Continuem nos cobrando o que prometemos. O que mudou e o que não mudou nesta edição O que pedimos a vocês

Consultório & Capital Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL03CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 Sobre por que a maior parte das objeções que o médico recebe na consulta não é resistência — é pedido de socorro mal traduzido. E sobre o que muda quando ele aprende a escutar diferente. O PACIENTE NÃO ESTÁ TE REJEITANDO. ESTÁ TE PEDINDO PERMISSÃO PARA CONFIAR Editoria: Dr. Paulo Renato FonsecaCOLUNA DO EDITOR-CHEFE · VENDAS E RELAÇÃO MÉDICO- PACIENTE Existe um momento na consulta — quase sempre depois da explicação do diagnóstico, quando o médico propõe o tratamento — em que o paciente faz uma pausa, baixa os olhos, e diz alguma coisa do tipo: "doutor, eu vou pensar", ou "preciso conversar com a minha família", ou "é que está difícil financeiramente agora", ou ainda — a mais brutal de todas — "vou ver com o meu plano de saúde". O médico ouve isso, sente um aperto no peito, sorri profissionalmente, e responde alguma coisa cordial. O paciente sai. E em sete entre dez vezes, não volta. Esse momento, multiplicado por uma carreira inteira, custa a médicos brilhantes uma quantidade obscena de pacientes que precisavam deles e nunca receberam o cuidado que mereciam. E custa às clínicas uma quantidade igualmente obscena de receita. E o pior: na cabeça da maior parte dos médicos, esse momento é vivido como uma fatalidade. Como uma característica do paciente. Como prova de que ele "não tinha condições", ou "não estava maduro", ou "era pão-duro". Quase nunca é vivido como o que ele de fato é: uma pergunta, em código, esperando uma resposta que o médico não foi treinado para dar. Existe uma indústria inteira ensinando técnicas de vendas. Há livros, cursos, gurus, scripts, fechamentos de cinco passos, sete passos, doze passos. Médicos, naturalmente, têm aversão a tudo isso — e estão certos. A linguagem do varejo não cabe no consultório. O paciente não é cliente no sentido em que o consumidor de eletrodoméstico é cliente. A relação é assimétrica, é íntima, é carregada de medo. Aplicar nela técnicas pensadas para vender carro ou plano de academia é, no mínimo, vulgar — e, no máximo, antiético. O que poucos médicos perceberam, e o que esta coluna pretende defender ao longo dos próximos números, é que existe uma outra coisa, completamente diferente, que precisa ser aprendida. Não é venda. É tradução de objeção. E é trabalho clínico, não comercial — porque trata do que está acontecendo dentro do paciente naquele momento, e não de como extrair dele uma decisão favorável a você Por que o vocabulário de vendas convencional não serve ao médico

Consultório & Capital Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL04CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 Em vinte e poucos anos de consultório e nos últimos seis acompanhando dezenas de mentorados, identifiquei um padrão que se repete com regularidade de relógio. Três objeções respondem por algo perto de oitenta por cento dos casos em que o paciente sai sem fechar o tratamento proposto. Vou listá- las, e ao lado de cada uma, o que ela quase sempre quer dizer em código. Por que o vocabulário de vendas convencional não serve ao médico O princípio que organiza tudoOBJEÇÃO 1OBJEÇÃO 3OBJEÇÃO 2Doutor, eu vou pensar." "Vou ver com o meu plano de saúde." "Está caro. Não posso agora."Tradução: eu não entendi inteiramente o que você me disse e tenho vergonha de admitir. Ou: eu entendi, mas tenho medo, e preciso de mais alguns minutos do seu tempo que não tive coragem de pedir. A resposta certa não é insistir no fechamento. É voltar, com calma, ao diagnóstico e ao plano, perguntando uma coisa simples: "o que ainda não está claro para você?" — e ficar em silêncio.Tradução: eu fui educado, durante a vida inteira, a entender saúde como serviço que outro paga. Eu não fui educado a comprar saúde. E você, com a sua simpatia e o seu jaleco, acabou de me empurrar para uma decisão de consumo direto que eu nunca tomei sozinho. Eu preciso de tempo para entender que essa é uma decisão que faz sentido tomar — e talvez de você, médico, a explicação de por que faz sentido. A resposta certa, aqui, não é falar mal do convênio. É reconhecer, com cordialidade real, o lugar do plano de saúde na vida daquele paciente, e em seguida explicar — em duas frases, com calma — o que ele recebe quando paga você diretamente que ele não receberia em nenhuma outra estrutura.Tradução, na maior parte das vezes, não é financeira. É: eu não consegui ver, com clareza, por que esse valor faz sentido. O paciente nunca recusa um valor alto se enxerga, sem esforço, a relação entre o valor e o que vai receber. Ele recusa quando a relação não está clara — e a culpa disso é quase sempre do médico, que apresentou o procedimento como se fosse evidente em si mesmo. A resposta certa não é negociar o preço. É reconstruir, em voz alta e em duas frases, o valor do que está sendo oferecido. Depois, fazer uma pergunta serena: "o problema é o valor em si, ou o momento? Se for o momento, vamos conversar sobre como ajustar." Reparem que nas três objeções, a resposta certa nunca é insistir, pressionar, dar desconto ou apelar para a emoção. A resposta certa é, em todos os casos, decifrar o que está sendo dito por baixo do que está sendo dito — e responder ao que está por baixo. Isso é trabalho clínico. É exatamente o mesmo trabalho que vocês fazem quando um paciente diz "está doendo aqui" e vocês descobrem que a dor real está em outro lugar. Quem trata objeção financeira como recusa financeira perde paciente. Quem trata objeção financeira como pedido de clareza converte. A diferença não é técnica de venda. É escuta clínica aplicada ao momento errado — ou melhor, ao momento que ninguém ensinou que era também clínico.

Consultório & Capital Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL05CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 Por que isso é mais difícil do que parece Porque exige que o médico abandone uma defesa emocional importante. A defesa de que "se o paciente não fechou, é problema dele". Essa defesa protege a autoestima do profissional, mas custa a clínica em receita e — pior — custa ao paciente em desfecho clínico. Médico que não desenvolve repertório para responder a objeção condena o paciente a tratamento incompleto, abandono terapêutico, retorno em estágio pior. A capacidade de traduzir objeção não é, portanto, habilidade comercial. É responsabilidade clínica que adquiriu, na medicina contemporânea, peso que ainda não foi reconhecido como deveria. Nas próximas edições, esta coluna vai aprofundar cada uma das três objeções em separado — com exemplos de diálogo, com erros que mentorados meus cometeram e que serviram de lição, e com o que aprendi, errando muito, a fazer diferente. Aqui, hoje, fica firmado o princípio: o paciente não está te rejeitando. Está te pedindo permissão para confiar. Quem entende isso, atende mais e atende melhor. E vive, no consultório, com mais paz.

Consultório & Capital Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL06CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 Sobre por que a maior parte dos médicos descobre que precisa de holding tarde demais — e sobre o que muda quando ele descobre cedo. A HOLDING QUE O MÉDICO PRECISA ANTES DE PRECISAR DELA Editoria: Dr. Fabio CostaCOLUNA · GESTÃO E ESTRUTURA SOCIETÁRIA Existe uma conversa que acontece, com frequência desconfortável, no segundo ou terceiro encontro de mentoria com um médico que já chegou a um nível razoável de faturamento. Em algum momento, alguém pergunta — geralmente eu, geralmente sem aviso: "você tem holding?". E a resposta, na maior parte das vezes, vem com um sorriso constrangido. Não. Tenho a clínica como pessoa jurídica, pago meus impostos certinho, e "depois eu organizo isso". O problema é que "depois" raramente chega na hora certa. Holding é uma daquelas estruturas que, quando o médico finalmente percebe que precisava ter montado, já gastou anos pagando imposto que não precisava ter pago, expondo patrimônio que poderia estar protegido, dificultando uma sucessão que nunca pensou que ia precisar planejar. A conta retroativa é alta. E quase sempre evitável. Esta coluna abre o pilar de Gestão de Consultório & Capital com uma defesa que faço há tempo, na mentoria e nas aulas: o médico que opera em volume razoável precisa entender o que é uma holding empresarial muito antes de "precisar dela". Não estou falando de blindagem agressiva. Não estou falando de elisão fiscal acrobática. Estou falando de organização de patrimônio que, no Brasil de hoje, é ferramenta básica de governança — não de privilégio.

Consultório & Capital Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL07CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 O QUE É UMA HOLDING, EM TRÊS FRASES O QUE É UMA HOLDING, EM TRÊS FRASES Holding, em linguagem útil para médico, é uma empresa cujo papel principal não é prestar serviço ou vender produto — é segurar participação em outras empresas e em bens. Você abre a holding, transfere para ela a participação que tem em outras empresas (a sua clínica, eventualmente uma sociedade com colegas, talvez uma empresa de educação) e, com frequência, também bens imóveis. A partir daí, os fluxos de renda passam a ser organizados por dentro dessa estrutura, com regras societárias claras, distribuição de lucros formal e tratamento tributário que costuma ser, na média, mais inteligente do que a alternativa de tudo em pessoa física. Importante: holding não é mágica. Não anula imposto. Não esconde patrimônio. Quem te oferece holding como "jeito de pagar menos imposto" está te oferecendo algo entre o ingênuo e o ilegal. O que ela faz, bem montada e bem operada, é organizar — e a organização, por si só, gera economias legítimas e benefícios que vão muito além do tributo. Primeira: a separação real entre o caixa do médico e o caixa do negócio. Médico sem holding tende a tratar a clínica como extensão da própria conta corrente. Médico com holding bem operada passa a receber pró-labore de uma estrutura, lucros distribuídos de outra, e organiza com clareza o que é renda recorrente e o que é capitalização de longo prazo. Essa clareza, por si só, transforma decisões de investimento que antes eram intuição em decisões de planejamento. Segunda: a sucessão deixa de ser tabu. O médico brasileiro tem aversão crônica a falar de sucessão. Considera assunto mórbido, distante, problema de outro dia. A holding força a conversa — porque a estrutura societária pede, desde o início, definição de quotas, regras de saída, governança entre herdeiros eventuais. Você não decide tudo de uma vez. Mas começa a tomar decisões pequenas que, somadas em dez ou quinze anos, evitam tragédias familiares que eu, por dever de ofício, já vi com mais frequência do que gostaria. Terceira: a holding viabiliza, naturalmente, o médico-empresário multi-negócios. A maior parte dos médicos que cresceu até virar empresário consolidado opera, hoje, mais de um negócio. Tem a clínica principal. Tem uma sociedade com colegas em outra unidade. em uma empresa de educação, ou de produtos, ou de licenciamento. Sem holding, cada uma dessas pontas vive em pessoa física dispersa, com gestão fragmentada, e com decisões que se contradizem entre si.

Consultório & Capital Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL08CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 QUANDO COMEÇAR — A RÉGUA HONESTA O QUE NÃO FAZER (E QUE VEJO MÉDICO FAZENDO DIRETO) Com holding, há um centro de decisão. As empresas-filhas reportam para a estrutura mãe, e o médico decide o todo, não as partes. Não há resposta única, mas há régua útil. Recomendo, com base no que vejo na mentoria, considerar seriamente a estruturação de holding quando ao menos duas das seguintes condições estão presentes: Não monte holding sozinho com base em vídeo de YouTube. Holding mal montada é pior que holding nenhuma — gera custo de manutenção sem entregar os benefícios. A estrutura jurídica certa para você depende do seu estado, da sua especialidade, do seu patrimônio, dos seus negócios já existentes, da sua família. Holding boa exige advogado tributarista experiente e contador especializado em pessoa jurídica de saúde, trabalhando juntos. Custo de montagem inicial é mais alto do que o de uma empresa comum, mas se paga em dois ou três anos. Não monte holding cedo demais. Médico em início de carreira, ainda construindo a primeira clínica, ainda calibrando o faturamento, geralmente não tem volume que justifique a estrutura. Holding sem volume vira custo administrativo que come margem. Espere a régua acima estar atingida. Não monte holding por moda. A última onda de "todo médico precisa de holding" gerou um número considerável de estruturas mal pensadas, montadas por médicos que só queriam dizer que tinham. Holding é ferramenta. Pergunta certa nunca é "eu deveria ter" — é "o que essa estrutura, especificamente, vai me permitir fazer que eu hoje não consigo?" Esta coluna foi a panorâmica. Nas próximas edições, vamos aprofundar pontos específicos: a conversa com o contador certo (como avaliar e como contratar), a primeira reunião com tributarista (quais perguntas levar, o que não aceitar), e — em edição que já tem material maduro — o caso de um mentorado que estruturou holding na hora certa e o caso de outro que estruturou tarde demais. RÉGUA DE PARTIDA· Faturamento anual consolidado dos seus negócios médicos ultrapassa, com folga, a faixa que ainda compensaria operar como autônomo simples. · Você opera, ou está prestes a operar, mais de uma empresa ou sociedade. · Você tem patrimônio imobilizado relevante (imóveis, equipamentos de alto valor) que poderia estar formalmente vinculado à estrutura empresarial. · Há, no horizonte de cinco a dez anos, expectativa real de aumentar o número de negócios, fazer sociedade, vender participação, ou organizar sucessão familiar. O princípio que organiza tudo

Consultório & Capital Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL09CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 QUANDO COMEÇAR — A RÉGUA HONESTA O QUE NÃO FAZER (E QUE VEJO MÉDICO FAZENDO DIRETO) Com holding, há um centro de decisão. As empresas-filhas reportam para a estrutura mãe, e o médico decide o todo, não as partes. Não há resposta única, mas há régua útil. Recomendo, com base no que vejo na mentoria, considerar seriamente a estruturação de holding quando ao menos duas das seguintes condições estão presentes: Não monte holding sozinho com base em vídeo de YouTube. Holding mal montada é pior que holding nenhuma — gera custo de manutenção sem entregar os benefícios. A estrutura jurídica certa para você depende do seu estado, da sua especialidade, do seu patrimônio, dos seus negócios já existentes, da sua família. Holding boa exige advogado tributarista experiente e contador especializado em pessoa jurídica de saúde, trabalhando juntos. Custo de montagem inicial é mais alto do que o de uma empresa comum, mas se paga em dois ou três anos. Não monte holding cedo demais. Médico em início de carreira, ainda construindo a primeira clínica, ainda calibrando o faturamento, geralmente não tem volume que justifique a estrutura. Holding sem volume vira custo administrativo que come margem. Espere a régua acima estar atingida. Não monte holding por moda. A última onda de "todo médico precisa de holding" gerou um número considerável de estruturas mal pensadas, montadas por médicos que só queriam dizer que tinham. Holding é ferramenta. Pergunta certa nunca é "eu deveria ter" — é "o que essa estrutura, especificamente, vai me permitir fazer que eu hoje não consigo?" RÉGUA DE PARTIDA· Faturamento anual consolidado dos seus negócios médicos ultrapassa, com folga, a faixa que ainda compensaria operar como autônomo simples. · Você opera, ou está prestes a operar, mais de uma empresa ou sociedade. · Você tem patrimônio imobilizado relevante (imóveis, equipamentos de alto valor) que poderia estar formalmente vinculado à estrutura empresarial. · Há, no horizonte de cinco a dez anos, expectativa real de aumentar o número de negócios, fazer sociedade, vender participação, ou organizar sucessão familiar.

Consultório & Capital CONSULTÓRIO & CAPITAL10 O que vem nas próximas edições deste pilar Esta coluna foi a panorâmica. Nas próximas edições, vamos aprofundar pontos específicos: a conversa com o contador certo (como avaliar e como contratar), a primeira reunião com tributarista (quais perguntas levar, o que não aceitar), e — em edição que já tem material maduro — o caso de um mentorado que estruturou holding na hora certa e o caso de outro que estruturou tarde demais. Material de campo, com lições aplicáveis. Como sempre, com autorização dos envolvidos.CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 Segunda edição · Julho 2026

Consultório & Capital CONSULTÓRIO & CAPITAL11 Sobre por que clínica que cuida da volta vale mais do que clínica que cuida da chegada — e sobre o que a equipe da recepção tem a ver com a margem do consultório. A ECONOMIA SILENCIOSA DO RETORNO DO PACIENTE Editoria: Dra. Patricia FonsecaCOLUNA · PESSOAS, ACOLHIMENTO E FIDELIZAÇÃO Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 Existe uma matemática silenciosa que poucos médicos olham com a atenção devida. Adquirir paciente novo custa, em qualquer canal, várias vezes mais caro do que reter paciente antigo. Esse é um dado consolidado em economia de serviços há décadas. E ainda assim, a esmagadora maioria das clínicas que acompanho — minhas, dos mentorados, das que visito — gasta a maior parte da energia, do orçamento e da atenção do dono na primeira ponta: trazer gente. Quase ninguém gasta proporcionalmente a mesma energia em fazer com que essa gente, depois de chegar, volte. Esta coluna abre o pilar de pessoas e relacionamento com clientes em Consultório & Capital com uma defesa que faço há anos, em RH e em treinamento de equipes: o ponto de maior alavancagem em uma clínica madura não está no marketing. Está no acolhimento. E acolhimento, ao contrário do que a palavra sugere para quem não trabalha com isso, não é gentileza vaga. É sistema. É treinamento. É escolha de equipe. É protocolo escrito. É métrica. Acolhimento não é a recepcionista sorrir. Sorrir é mínimo, é higiene básica de qualquer serviço; cobrar isso como diferencial é constrangedor. Acolhimento é outra coisa, mais alta e mais difícil: é a sensação, no paciente, de que ele foi visto como pessoa específica, lembrado entre uma visita e outra, conduzido pela jornada do tratamento com cuidado que excede o estrito do encontro clínico. Para que isso aconteça, a equipe da recepção e do retorno precisa estar treinada para fazer coisas que, vistas isoladamente, parecem pequenas. Ligar para o paciente dois dias depois de um procedimento, perguntando como ele está. O que é, de fato, acolhimento

Consultório & Capital CONSULTÓRIO & CAPITAL12 Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 Lembrar, no retorno, do que ele comentou na primeira consulta sobre a viagem que ia fazer. Notar que ele atrasou um exame e oferecer reorganização da agenda antes que ele se sinta culpado e desapareça. Sentar-se com ele, fora do consultório do médico, para tirar dúvidas administrativas sobre o plano de cuidado. Essas coisas, somadas, criam o que pacientes chamam, quando indicam você a um amigo, de "a clínica do Dr. Fulano é diferente". Diferente em quê? Eles não sabem dizer. Acolhimento bom é invisível para quem o recebe. Mas é o motivo real pelo qual eles voltam — e indicam. Porque acolhimento é trabalho de equipe, não trabalho do médico. O médico cuida do encontro clínico. Tudo o que está antes e depois — agendamento, recepção, pré- consulta, retorno, lembretes, conversa sobre pagamento, condução do plano de cuidado — é trabalho de gente que não é o médico. E essa gente, em boa parte das clínicas brasileiras, é contratada com critérios de baixa exigência, treinada de forma improvisada, e mantida em rotatividade alta porque é vista como custo, não como ativo. Aqui mora o problema central. Médico que enxerga a recepcionista como custo terceiriza o coração da relação com o paciente para alguém que ele paga pouco, treina pouco e respeita pouco. Médico que enxerga a recepcionista como ativo — que paga adequadamente, treina sistematicamente, dá autonomia para resolver problemas, e respeita publicamente — constrói camada de acolhimento que vira diferencial estrutural da clínica. Os dois investimentos competem pelo mesmo dinheiro. Mas têm retornos radicalmente diferentes. Os três protocolos mínimos de acolhimento Por que o médico, em geral, não consegue construir isso sozinho CONTATO DE PÓS-CONSULTA REGISTRO DO QUE O PACIENTE CONTOUEm até 48 horas após uma primeira consulta, alguém da equipe — não o médico — entra em contato com o paciente. Mensagem curta, cordial, sem venda. Pergunta se ele tem alguma dúvida sobre o plano discutido, oferece-se para esclarecer questões administrativas, confirma agendamentos. Essa única mensagem, sistematizada, eleva a taxa de retorno de primeira consulta em margem que costuma surpreender. E o custo é zero.Toda conversa de recepção ou de retorno em que o paciente menciona algo pessoal — uma viagem, um filho com vestibular, uma cirurgia da mãe, um aniversário próximo — gera anotação no prontuário social do paciente (separado do clínico). Na próxima visita, a equipe lembra. "E aquela viagem para Portugal, doutora, como foi?" — frase aparentemente trivial, efeito desproporcional. O paciente percebe que existe. Acolhimento real começa aqui.PROTOCOLO 1PROTOCOLO 2

Consultório & Capital CONSULTÓRIO & CAPITAL13 Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 O que isso tem a ver com a margem da clínica Tudo. Paciente que volta tem custo de aquisição zero — o investimento de captação já foi feito. Paciente que volta tem ticket médio maior, porque já confia, já entende o protocolo, já está dentro do plano de cuidado. Paciente que volta indica em proporção muito maior, porque tem material acumulado de boas experiências para contar. Os três protocolos acima — implementados com disciplina, por equipe treinada — mudam a estrutura econômica da clínica em prazo medido em meses, não em anos. E não competem em verba com marketing; competem em atenção do dono. Nas próximas edições, este pilar vai aprofundar: como recrutar pessoa certa para a recepção (e por que o filtro convencional falha), como construir treinamento contínuo sem virar palestra motivacional vazia, como medir o desempenho do acolhimento sem reduzi-lo a métrica de call center. O leitor que acompanhar a série terá, ao fim, manual aplicável de pessoas e relacionamento — a parte da clínica que mais determina o resultado, e a que menos se debate. RESGATE ATIVO DE PACIENTE QUE SUMIUPaciente que estava em tratamento e desapareceu por três meses não é caso perdido. É caso que precisa de ligação — feita por alguém da equipe, com voz humana, sem texto pronto, perguntando como ele está. A maior parte dos pacientes que somem some por motivo prosaico: esqueceu, ficou sem grana naquele mês, mudou a rotina. Uma ligação cordial recupera uma parcela significativa deles. O resto, pelo menos, sai com a impressão de que naquela clínica ele importava — e essa impressão vira indicação no futuro, mesmo se ele não voltar.PROTOCOLO 3

Consultório & Capital CONSULTÓRIO & CAPITAL14 Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 O degrau seguinte ao vocabulário básico de IA: configurar, na prática, um assistente que segue a sua maneira de trabalhar. Sem precisar saber programar. Em uma tarde. O PRIMEIRO GPT CUSTOMIZADO DO SEU CONSULTÓRIO Por que começar pelo GPT, e não pelo chat ou pelo agente Editoria: Dr. Rubens MartinsINTELIGÊNCIA ARTIFICIAL · MÉDICO EXPANDIDO EM PRÁTICA Na edição inaugural, esta coluna apresentou o vocabulário mínimo da IA para médicos — chat, GPT customizado, agente — e introduziu o conceito de Médico Expandido. Foi trabalho de fundação. Necessário, mas insuficiente. Conhecer o vocabulário sem aplicar é como ler manual de cirurgia sem operar. A medicina de IA, como qualquer medicina, se aprende fazendo. Esta segunda coluna desce o primeiro degrau prático. Vamos configurar, juntos, o primeiro GPT customizado do seu consultório. Não em conceito. Não em apresentação. Na prática, em texto, com instruções específicas que você pode aplicar até o final da semana se quiser. Porque o chat genérico, sozinho, não constrói operação. Você usa, fica impressionado, fecha a janela, e dali a três dias está reexplicando o mesmo contexto para a mesma ferramenta. Não há acúmulo. E o agente, no extremo oposto, é estágio avançado que pressupõe governança, segurança de dados e revisão técnica — não é por onde se começa. O GPT customizado é o ponto certo do percurso. É um chat que você configurou uma vez, com instruções específicas sobre quem ele é, o que faz, como deve responder, qual o seu tom, quais são os seus protocolos. Depois de configurado, ele segue essas regras em toda conversa. Você deixa de reexplicar contexto. A ferramenta vira parte da operação.

Consultório & Capital CONSULTÓRIO & CAPITAL15 Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 O primeiro GPT que recomendamos: o Roteiro de Primeira Consulta Como configurar, passo a passoE, importante: você não precisa saber programar. Não precisa contratar ninguém. Não precisa instalar nada. As principais plataformas de IA generativa hoje — ChatGPT, Claude, e algumas outras — oferecem ambiente de configuração de assistentes personalizados acessível por qualquer pessoa que saiba ler e escrever. Em uma tarde de trabalho focado, você sai com um GPT funcional rodando no seu consultório. Existem dezenas de funções possíveis para um GPT customizado em uma clínica. Algumas valem mais a pena que outras como ponto de partida. Recomendamos começar por um GPT que estrutura o roteiro da sua primeira consulta — pela razão de que ele resolve um problema que todo médico enfrenta sem perceber: a inconsistência da própria escuta. Você é bom no que faz. Mas em dias cansados, em consultas seguidas, em pacientes complexos, sua anamnese inicial perde uniformidade. Você esquece de perguntar coisas. Você se aprofunda em um assunto e passa rápido por outro. O paciente do final da tarde recebe versão pior do mesmo médico do começo da manhã. O GPT do Roteiro de Primeira Consulta não substitui o seu olhar clínico — só garante que ele seja aplicado consistentemente, paciente após paciente, dia após dia. As instruções abaixo funcionam em qualquer plataforma que permita criar assistentes personalizados (ChatGPT Plus com a função GPTs, Claude Projects, e similares). O conceito é o mesmo; o nome do botão muda. DAR NOME AO GPT ESCREVER AS INSTRUÇÕES PRINCIPAISUse um nome funcional, não criativo. "Roteiro Primeira Consulta — [nome da clínica]" funciona. Você vai conviver com esse nome todo dia; ele precisa ser claro, não bonito.Este é o coração do trabalho. Cole o texto abaixo no campo de instruções, e ajuste o que estiver entre colchetes para a sua realidade: Você é um assistente clínico estruturado para a primeira consulta de [SUA ESPECIALIDADE], conforme o protocolo da [NOME DA CLÍNICA]. Sua função é receber, do médico, anotações livres feitas durante ou imediatamente após a consulta, e devolver: (1) uma anamnese organizada nos seguintes blocos: queixa principal, história da doença atual, antecedentes pessoais, antecedentes familiares, hábitos de vida, medicações em uso, exames trazidos. (2) Uma lista do que ficou pendente de investigar — coisas que o médico não perguntou ou perguntou de forma incompleta. (3) Sugestão de plano inicial, organizada em: hipóteses diagnósticas em ordem de probabilidade, exames complementares prioritários, conduta imediata, retorno sugerido. Não invente informação que o médico não forneceu. Quando faltar dado, marque explicitamente como [a investigar]. Não dê diagnóstico definitivo. Sua voz é colaborativa, nunca prescritiva. Tom: cordial, conciso, sem hipérboles, sem emojis.PASSO 1PASSO 2

Consultório & Capital CONSULTÓRIO & CAPITAL16 Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 Tratamento de dados pessoais em saúde é regido pela LGPD e por normas do Conselho Federal de Medicina. Em hipótese alguma esta coluna recomenda colar, em GPT genérico, nome completo de paciente, CPF, número de prontuário ou qualquer informação que permita identificação direta. Use iniciais, números fictícios, descrição clínica anônima. A saída do GPT serve como esqueleto que você completa no prontuário oficial — não substitui o prontuário. Essa disciplina, que parece detalhe, vai virar diferenciador competitivo nos próximos anos. Médicos que dominam IA e governança de dados ao mesmo tempo serão minoria — e minoria valiosa. Esta coluna vai voltar, em edição futura, especificamente sobre o assunto, com a contribuição do nosso editor de segurança jurídica. CARREGAR DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA TESTAR COM TRÊS CASOS REAIS COLOCAR EM ROTINA, SOB SUPERVISÃOPASSO 3PASSO 4PASSO 5Se você tem um modelo padrão de prontuário, um documento com seu fluxo de primeira consulta, um manual de protocolos da clínica — carregue como referência no GPT. A maioria das plataformas permite anexar arquivos. O GPT passa a seguir não só as instruções, mas o seu material institucional. Quanto mais a casa estiver dentro dele, mais a saída sai com cara de casa.Antes de usar de verdade, teste com três consultas que você já fez. Pegue as anotações originais, cole no GPT, veja o que ele devolve. Compare com o prontuário que você de fato construiu. Ajuste as instruções até a saída do GPT chegar a um padrão que você consideraria aceitável de um residente avançado seu.Por trinta dias, use o GPT depois de toda primeira consulta. Cole as anotações, gere a estrutura, revise, ajuste, salve no prontuário. Não confie cegamente — supervisione como você supervisionaria um residente nas primeiras semanas. No final dos trinta dias, você vai ter duas coisas: economia significativa de tempo no fechamento do prontuário, e instruções refinadas que evoluíram com a sua maneira específica de trabalhar. Sobre dados sensíveis e responsabilidade — o aviso obrigatório Antes que algum leitor ortodoxo me cobre: sim, há uma discussão importante sobre dados sensíveis de pacientes em plataformas de IA generativa.

Consultório & Capital CONSULTÓRIO & CAPITAL17 Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 NOTA EDITORIALPara o leitor que quiser ver, agora mesmo, um caso real desse percurso — começando exatamente pela mesma porta que esta coluna propõe e expandindo a partir dali — vire a página. O Dr. João Protásio, mentorado da casa e professor parceiro desta coluna nos cursos de IA da ProClinic, escreveu sobre como atravessou essa travessia inteira na própria clínica em Palmas. Acertos, erros e o que ele faria diferente se começasse hoje.

Consultório & Capital CONSULTÓRIO & CAPITAL18 Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 A primeira Voz Convidada de Consultório & Capital — e a tese que essa escolha inaugura. POR QUE ABRIMOS ESTA TRIBUNA AO DR. JOÃO PROTÁSIO Por que ele importa para você que está lendo Editoria: Apresentação por Dr. Paulo Renato FonsecaVOZ CONVIDADA · APRESENTAÇÃO EDITORIAL Há nomes que carregam, em si, mais de uma autoridade. O Dr. João Protásio é um deles. Ortopedista, atual presidente da regional do Tocantins da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT-TO), o Dr. Protásio acumulou, ao longo dos últimos anos, uma combinação de credenciais que poderiam parecer díspares vistas isoladamente — mas que, vistas juntas, descrevem com precisão o tipo de médico que esta revista pretende ouvir, edição após edição. À autoridade clínica, ele soma autoridade pedagógica: é professor parceiro do nosso colunista Dr. Rubens Martins nos cursos de inteligência artificial da ProClinic Academy. A formação que ele co-entrega aos nossos alunos é, hoje, uma das poucas no Brasil que cruza prática ortopédica de alto nível com letramento real em IA aplicada — e que faz isso sem o tom de palco que esvazia esse tipo de discussão em outros espaços. Mas a credencial que mais nos interessou, para esta primeira Voz Convidada, é uma terceira — e talvez a mais rara: o Dr. Protásio implementou, na própria clínica em Palmas, um conjunto de processos de IA que merecem ser narrados em primeira pessoa. Não em conceito. Não em apresentação corporativa de palestra. Em texto, com a textura de quem viveu cada etapa do processo. É essa narrativa, escrita por ele e dirigida a vocês, que aparece nas páginas seguintes. Porque o leitor de Consultório & Capital, na sua maioria, não opera em São Paulo nem no Rio. Opera em capitais médias, em cidades do interior, em regiões onde as soluções importadas dos grandes centros precisam ser traduzidas para realidades específicas — de mercado, de equipe disponível, de paciente, de infraestrutura. O Dr. Protásio é a voz que melhor representa, neste primeiro número da Voz Convidada, essa tradução real. Ele não conta o que daria certo em teoria; conta o que deu certo, e o que não deu, num consultório do Tocantins. A diferença entre essas duas coisas é, talvez, o ativo editorial mais valioso desta tribuna.

Consultório & Capital CONSULTÓRIO & CAPITAL19 Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 Uma palavra sobre o tom da Voz Convidada Pedimos ao Dr. Protásio que escrevesse com a honestidade que firmamos como pacto da revista. Que não polisse o caso de sucesso até virar propaganda. Que contasse os acertos, mas também os erros — e o que mudaria se começasse hoje. O texto que segue cumpre esse pedido. É a primeira contribuição de uma seção que, esperamos, vai abrigar muitas outras ao longo dos próximos números. E é, em si, um marco do tipo de tribuna que esta casa pretende ser. Boa leitura. Dr. Paulo Renato Fonseca Editor-chefe

Consultório & Capital CONSULTÓRIO & CAPITAL20 Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 A primeira Voz Convidada de Consultório & Capital — e a tese que essa escolha inaugura. Três acertos, dois erros e o que eu faria diferente se começasse hoje. POR QUE ABRIMOS ESTA TRIBUNA AO DR. JOÃO PROTÁSIO Por Dr. João Protásio NettoVOZ CONVIDADA · APRESENTAÇÃO EDITORIAL Há um tipo de cansaço que nenhum plantão explica. É o da papelada que se acumula depois que o último paciente já foi embora. Antes de a inteligência artificial entrar na minha rotina, eu convivia com uma versão crônica desse cansaço: uma pilha de laudos por escrever que não parava de crescer. Atuo como perito da Justiça Federal e da Justiça do Trabalho, e a perícia guarda uma armadilha silenciosa. No dia, faço a consulta e colho os dados. O laudo, esse, é escrito depois, em casa, à noite, no fim de semana. Confesso sem cerimônia: eu não dava conta. Não entregava nem metade dos laudos das perícias que realizava. O ato clínico estava em dia. Era a escrita que me afogava. Clinico em Palmas, capital do Tocantins, no Norte do país, e quero começar contrariando um senso comum. Estar longe dos grandes centros deixou de ser uma desvantagem. A inteligência artificial me deu algo que nenhuma geração de médicos antes da minha teve: liberdade geográfica. A mesma ferramenta de fronteira que hoje está sobre a mesa de um Mark Zuckerberg, no Vale do Silício, está sobre a minha, aqui. Não uma versão reduzida, adaptada para quem mora fora do eixo. A mesma. Foi com essa percepção, em 2024, que comecei a usar IA, no princípio por necessidade pura, para vencer a pilha de perícias. O resultado foi o que virou a minha chave: mais que dobrei a produtividade pericial e zerei o atraso. Não falo de uma melhora marginal de dez por cento. Falo de mais de cem. Comecei por ali, pela perícia, mas o que era socorro pontual logo transbordou. Dos laudos periciais passei aos relatórios de INSS dos meus pacientes, depois às contestações de negativas de plano de saúde, às glosas que toda clínica acumula e quase ninguém tem fôlego para recorrer.

Consultório & Capital CONSULTÓRIO & CAPITAL21 Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 Quando me dei conta, a ferramenta havia deixado de resolver um documento e passado a moldar o modo como eu produzo quase tudo. O que segue é o relato honesto dessa travessia, o que deu certo, o que deu errado e o que eu faria diferente se recomeçasse amanhã. Sem a versão polida, porque caso de sucesso sem cicatriz é propaganda, não testemunho. O primeiro acerto foi tratar a inteligência artificial como aprendiz, não como oráculo. A tentação do iniciante é pedir o texto pronto e aceitar o que vier. Fiz o contrário. Comecei pelos laudos periciais e corrigi, exaustivamente. A cada ajuste, pedia que a ferramenta guardasse aquilo como regra e não repetisse o deslize. Aos poucos, ela abandonou o texto genérico e aprendeu o meu padrão, a minha lógica de raciocínio, a minha forma de dizer as coisas. Deixou de ser uma IA qualquer e virou uma extensão do meu modo de escrever. Dali, o método se espalhou para o relatório de INSS, a justificativa de plano, o recurso de glosa, a orientação ao paciente. Essa convivência me impôs também a disciplina que considero inegociável. A máquina entrega o rascunho dentro do meu padrão; a responsabilidade técnica e legal do que se assina permanece, inteira, com o meu CRM. No relatório para o INSS, por exemplo, a regra que ensinei à ferramenta é nunca declarar incapacidade de forma categórica, porque sou o médico assistente, não o perito, e essa caneta não me pertence. A IA acelera. Quem revisa, pondera e assina sou eu. O segundo acerto foi entender que o tempo devolvido pela IA não deveria voltar para a mesma esteira, e sim financiar crescimento. Criei um blog para ganhar presença orgânica nas buscas, trabalhando o que hoje se chama de SEO e GEO. SEO é a velha arte de aparecer no Google. GEO é a sua versão contemporânea, otimizar para ser citado nas respostas dos buscadores que já pensam com IA. Não aprendi nenhum dos dois em curso. Aprendi fazendo, testando, errando, e na dúvida perguntando à própria inteligência artificial qual seria o próximo passo. Essa é a lição que mais repito aos colegas: não há professor melhor do que a prática, e nenhum manual ensina tão rápido quanto a ferramenta que você tem aberta na tela. Foi assim que o uso migrou para os estudos, para a produção científica e para a gestão da clínica. O terceiro acerto foi não confundir a inteligência artificial de hoje com a de ontem, e acompanhar de perto a sua evolução. Quando comecei, IA era essencialmente um chat. Eu perguntava, ela respondia, e o trabalho de transformar aquilo em algo útil era todo meu. Em pouco tempo surgiram ferramentas que me deixavam construir, descrevendo em linguagem comum o que eu queria, o que hoje se chama de vibe coding. Foi com elas que ergui os meus próprios softwares e páginas. Os três acertos

Consultório & Capital CONSULTÓRIO & CAPITAL22 Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 Construí o site do congresso da SBOT-TO, com pagamento integrado e submissão de trabalhos científicos, algo que uma agência me cobraria perto de oito mil reais. Desenvolvi o Apex, o meu sistema de gestão e prontuário, no qual passei a enxergar os números da clínica em vez de operar pela intuição. E a tecnologia não parou aí. A IA saiu da janela do chat e ganhou pernas. Hoje existem agentes, que são programas de IA capazes de executar tarefas por conta própria, inclusive à distância, sem que eu precise estar diante da tela. É o caso da assistente que recebe, filtra e qualifica os pacientes que chegam à clínica antes mesmo de chegarem a mim. O acerto, no fundo, não foi nenhuma dessas ferramentas em si. Foi a decisão de não estacionar no primeiro estágio. Quem trata a IA como uma novidade que já entendeu fica preso à versão que conheceu. Quem a acompanha como um campo em movimento colhe cada salto. O primeiro erro foi acreditar que bastava eu usar a inteligência artificial. Ganhei produtividade, é verdade, mas a equipe seguia me consultando para tudo, o tempo inteiro, e o gargalo apenas mudou de endereço, voltou para mim por outra porta. A lição é simples e custou a ser aprendida. Não adianta o médico dominar a IA se o seu time não a usa, porque a sobrecarga não desaparece, ela se desloca. A correção foi levar a equipe junto. Montei, dentro do Claude, um projeto que raciocina como eu, quase um clone do meu pensamento, de modo que, diante de uma dúvida de paciente, a secretária consulte primeiro a ferramenta e só depois a mim. Fui adiante e clonei a minha própria voz em um aplicativo de áudio, a ElevenLabs, para que respostas redigidas pela IA cheguem ao paciente já no meu timbre. Produtividade individual sem equipe treinada não é eficiência. É gargalo com outro nome. O segundo erro foi supor que todas as plataformas de IA eram a mesma coisa. Levei tempo para entender que ChatGPT, Claude, Gemini e as dezenas de ferramentas específicas não são intercambiáveis. Cada uma tem temperamento próprio, brilha em uma tarefa e tropeça em outra. Tratá-las como commodity me fez subaproveitar o que tinha em mãos e, mais de uma vez, escolher a ferramenta errada para o trabalho certo. No dia em que parei de procurar a melhor IA, no singular, e comecei a montar o conjunto adequado para cada parte da rotina, o meu retorno mudou de patamar. Conhecer a vocação de cada plataforma vale mais do que apostar todas as fichas em uma só. Se um colega me telefonasse amanhã perguntando por onde começar, eu responderia em ordem. Ataque primeiro a dor administrativa que rouba as suas noites. No meu caso era a perícia, na sua será outra, mas comece por ela. Não peça textos prontos, corrija a ferramenta, porque é o acúmulo das suas correções que transforma uma IA genérica em uma extensão do seu raciocínio. Os dois erros O que eu faria diferente hoje

Consultório & Capital CONSULTÓRIO & CAPITAL23 Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026 Leve a equipe junto desde o primeiro dia, sob pena de virar você mesmo o gargalo. Estude o que cada plataforma faz de melhor, em vez de buscar uma solução única para tudo. E, por fim, construa. É mais acessível do que parece, e libertador, mas faça isso depois de dominar o básico, jamais antes. Por muito tempo, a tecnologia de ponta chegou primeiro aos grandes centros e só depois, diluída, ao resto do país. A inteligência artificial inverteu essa ordem. Ela não me exige um endereço em São Paulo, no Rio ou na Califórnia para usar o que há de mais avançado. O que está disponível para a maior empresa de tecnologia do mundo está disponível para mim, em Palmas, pelo mesmo acesso. Antes de ser uma proeza técnica, isso me parece uma das mudanças mais democráticas que já presenciei, e não apenas na medicina, mas no mundo. Um médico capaz de construir o próprio software sem escrever uma única linha de código seria, há poucos anos, uma frase sem sentido. Para mim, virou rotina. A capacidade que ganhei não ficou confinada à clínica. Foi ela que me deu fôlego para presidir a SBOT no Tocantins, organizar o nosso congresso, sustentar a produção científica e seguir construindo. Mas seria desonesto encerrar passando a impressão de que a tecnologia, sozinha, resolve. Não resolve. A inteligência artificial é a alavanca, não a obra inteira. Sem gestão, sem visão de negócio, sem o método de quem entende de marketing e de vendas, a melhor ferramenta do mundo vira um brinquedo caro. Foi por entender isso que me tornei parte da ProClinic Academy, numa via de mão dupla: ensino a frente de inteligência artificial ao lado do Dr. Rubens Martins, de quem aprendo tanto quanto ensino, e sou aluno de gestão, marketing e vendas com a Dra. Patricia Fonseca, o Dr. Fabio Costa e o Dr. Paulo Renato. O médico que domina apenas a ferramenta tem, no máximo, metade da história nas mãos. Se há algo que eu gostaria que ficasse de tudo o que contei aqui, não é o fascínio pela ferramenta da moda, que se renova a cada seis meses. É a distinção que custei a aprender, entre o que a inteligência artificial de fato devolve, que é tempo e capacidade, e aquilo que ela nunca substituirá, o julgamento de quem examina e o cuidado de quem assina embaixo. A máquina rascunha. O médico decide. Continua sendo medicina. Fechamento Ortopedia e Traumatologia. CRM-TO 4132, RQE 2378, TEOT 17729. Pós-graduado em Medicina da Dor (IPEMED) e em Medicina Regenerativa (OrthoRegen/BIRM). Presidente da SBOT-TO (2026-2027). — Dr. João Protásio Netto

Consultório & CapitalPróximos 30 diasPara a comunidade · Live aberta de discussão da Edição 02 — data a confirmar pela equipe de marketing · Material complementar a esta edição (checklist para configurar o primeiro GPT customizado) — link no e-mail de envio · Indicação aos leitores: na próxima edição, retornam a Vitrine de Mentorado e a Sala dos Mentorados, com material que já está em preparação Para alunos dos cursos Para mentorados · Encontros de implementação por turma — agenda específica enviada por curso · Plantão de dúvidas da turma de IA na Clínica, com participação especial do Dr. João Protásio — data a confirmar · Sessão de análise de P&L (fechada) — material preparatório para a Sala dos Mentorados da Edição 03 será enviado em separado · Mastermind quinzenal — manutenção do calendário regular · Tarefa para a próxima sessão: estimativa honesta do CAC dos três principais canais da sua clínica nos últimos 90 dias, conforme pedido na Edição InauguralPróxima edição (Edição 03, segunda quinzena de junho): Vitrine de Mentorado com primeiro caso real em entrevista. Sala dos Mentorados com análise comparativa de CAC entre mentorados que enviaram dados. Pilar central: Gestão — como montar o time da clínica que escala sem o dono no centro. Pilar de IA: o segundo GPT customizado, Comunicação com Paciente.AGENDA & CONVITES CONSULTÓRIO & CAPITAL24 Segunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda Edição· julho 2026

CONSULTÓRIO & CAPITAL Segunda edição · Julho 2026ProClinic AcademySegunda edição · Julho 2026CONSULTÓRIO & CAPITAL25